Amante Sofrido
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Notas iniciais
PDV DAMON
Ele suspirou levantando e andando de um Lado pro outro. Ele estava nervoso com aquilo. Mas que porra o que era tão assim, sei lá , sério ? Que eu não poderia saber? Levantei e o fiquei o encarando.
E ali o vi parar em minha frente olhando dentro dos meu olhos .
—A Virgem Escriba, ela... Ela é a porra da minha “mãe”.
(...)
Por um segundo eu fique paralisado . Apenas o olhando sem acreditar.
—Como que é? -pergunto finalmente conseguindo sair do choque.
—Isso mesmo que você ouviu. Ela é “minha mãe”. Aliais é somente a mulher que me colocou no mundo. Porque nem mãe aquilo lá pode ser chamada.
—Céus... Agora entendo porque tive a sensação que ela me lembrava alguém próximo.
—O que ? Ela mostrou o rosto para você? -ele perguntou furioso.
—Sim. Quando ficamos sozinhos ela mostrou... Porque esse nervosismo todo?
—Damon não minta pra mim. Ela se ofereceu pra você ? -Ele perguntou vindo até mim segurando meu rosto .
—Que ? -digo assustado com aquilo.
—É... Ela se ofereceu pra você? Quis transar com você ?
Ele parecia louco, transtornado, me segurando e perguntando aquelas coisas.
Eu simplesmente comecei a rir de nervosismo.
—Damon ! -Ele gritou tão alto fazendo-me estremecer.
—Vishous, eu estou rindo de nervoso. Olha as coisas que você está falando, perguntando e até insinuando da sua mãe. Olha como você está me segurando . Você está fora de si.
—Ela não é minha mãe. -ele bem dizer berrou. -Ela é só a mulher que me pariu nada além disso. -Ele bufa me soltando e andando de um lado pro outro. -Me desculpa... -ele disse tentando se acalmar.
—Ela não se ofereceu pra mim. Não fez nada disso que você está me perguntando. Apenas tirou a touca e conversou comigo. Sobre as minhas atitudes, sobre Alexx, como eu estava em relação a Irmandade -suspiro. -E por que ela iria se oferecer pra mim?
—Ele sorri irônico. -Por que será hein ?! Você é Bonito, sexy e atraente. O príncipe, com direito ao trono, é um ser místico totalmente diferente de nós, com poderes incríveis ... Seria um ótimo pretendente pra ela se envolver e ter descendentes com poderes totalmente diferentes, extraordinários . -Ele diz mostrando a sua mão.
Se referindo a ele. Aos seus poderes especiais.
—Ela faz isso? Se oferece pra os melhores guerreiros ? -pergunto em choque.
Ele simplesmente bufa me dando as costas.
—Eu não sei o que ela faz ou deixa de fazer. Pelo menos comigo foi assim. Ela escolheu o melhor guerreiro e assim me procriaram. -ele disse furioso.
—Que merda ... -digo sentindo minha cabeça doer. -Da pra você se acalmar ?! -digo chegando perto dele o fazendo virar para mim. -Pra começo de história ela não fez nada de mais. Apenas conversou comigo. Segundo os meus poderes eles não passam por geração... E terceiro eu sou um péssimo pretendente indo pra esse lado aí de procriar. Eu não posso ter filhos, Vishous!
Naquele momento pude ver sua expressão de choque .
—Que ? Como que é, Damon ? -ele perguntou chocado.
—É. Eu sou um morto vivo. Eu estou morto, meu coração não bate . -digo pegando sua mão e colocando em cima do meu coração. -Eu não como. Por isso todo dia quando acordo eu sou frio. Morto... Simples assim, não posso ter filhos ! É isso, até onde sabemos, durante esses anos todos... Apesar que nos vampiros adoramos praticar e tentar.
Pude ver sua expressão de raiva e ele rosnando extremamente nervoso.
—Não fala essas coisas. -Ele pede com ciúmes, se aproximando de mim. -Eu surto só de imaginar você transando com mulheres , tentando procriar.
—Só estou tentando te explicar o quanto isso é uma ideia muito errada e tão nada a ver comigo.
—Entendo... Pelo menos isso ela não foi capaz de fazer. Se oferecer pra você. Se estivesse feito ela me pagaria caro por isso. -ele rosnou.
—Por que você tem tanto ódio dela ? -pergunto curioso.
E ali o vejo balançar a cabeça.
—Como disse desde do começo hoje não é a hora pra ser falado sobre isso. Não quero falar sobre isso, por favor. -ele disse suspirando olhando para o chão.
—Ok. Como quiser. -digo caminhando e sentando na poltrona. -Agora entendo o comentário dela.
—Que comentário? – ele diz caminhando e ajoelhando e minha frente .
—Ela falou : “Agora entendo perfeitamente o que o fascinou. E entendo o que ele sente por você.” Eu até fiquei sem entender perguntei se ela estava falando de você. Ela nada disse só sorriu e falou pra voltarmos pro julgamento.
Pude ver sua expressão de choque e desconfiança.
—Não entendo o porquê desse comentário. Ela nunca se importou comigo. -ele rebateu.
Apenas toquei seu rosto e fiquei em silêncio. Não sabia ao certo o que falar. E não sei das coisas e dos acontecimentos em si, então não poderia dar palpite e nem o perguntar. Ele não queria falar sobre isso e eu iria respeitar.
O silêncio foi quebrado por alguém batendo na porta. Era Fritz ele estava nos chamando pro jantar, todos estavam nos esperando.
Saímos indo pra mansão, chegando na sala onde todos já estavam a mesa. Que sorriam felizes.
Nunca pensei que me sentiria assim. Mas estava feliz por estar de volta, estar com eles. Por estar com minha família...
Sentamos conversando rindo e eles comendo. Já eu apenas quis um drink bem forte de whisky.
Ali perguntei finalmente o que era “Rytho” e todos ficaram sérios, rígidos.
—Qual é gente não façam essas caras. Misericórdia... Eu vou morrer ? Não vou né! Então parem com essas caras de enterro, por favor! -digo virando meu copo.
—“Rytho” é um ritual onde a pessoa tem a chance de recuperar sua honra. A pessoa ofendida , no caso Brystz escolhera uma arma, onde te atacara e você não poderá se defender do ataque. Bom, como a Virgem Escriba disse... Quem irá colocar em prática o ataque não será o Brystz. Ele já está até preso. será nós da Irmandade, todos irmãos , um por um... -meu pai diz calmamente.
E ali entendo tudo . Entendi porque estavam com aquelas caras. Eles, cada um deles vão ter que me atacar. E eles não queriam fazer aquilo. Meu pai e Vishous estavam desolados dava pra ver.
—Entendo... Mas não precisam ficar assim. Eu me saro muito rápido, então, está tudo bem.
Eles acabaram dando um sorriso triste. Sei lá, mas parecia que faltava algo. Que estavam me escondendo alguma coisa.
Suspirei sem entender. E logo todos já estavam conversando, rindo e o rap tocando alto. Tudo voltando a ficar tranquilo.
Sorrio, gostando de estar ali. E continuei bebendo.
Aliais não foi só um drink, foram vários . Dava pra ver meu pai e Vishous me observavam preocupados.
—Vai com calma ... -Rhage diz brincalhão .
—Só estou mantendo a saudade. -digo gargalhando.
Já sentindo o álcool fazendo efeito em mim.
—Corta a bebida dele . Já está gargalhando. -Z diz rindo.
—Verdade. –Butch diz rindo.
—Pode tirar mesmo. -Phury diz.
—V tira aiii. -Rhage diz gargalhando .
—Nossa gente que isso . Eu estou ótimo. -digo não aguentando e rindo mais ainda.
Pude ver V me olhando sério.
Já meu pai mesmo preocupado, estava rindo de tudo aquilo.
Quando eu ia pedir outro drink, meu pai tocou meu braço.
—Acho que está bom hein? Já deu pra matar a saudade. -Ele diz rindo.
—Sim, já está bom. Amanhã será um longo dia. – V diz serio.
—Sim, já amanheceu. Vou dormir. -Phury disse saindo com sua esposa.
—Vamos Damon. Você precisa descansar. Ficamos mais de 2 dias fora de casa. -V já diz levantando.
—ok. -digo irritado. -Estraga prazeres. -digo levantando emburrado.
—Ih. Que ver cambalear?! -Rhage diz gargalhando.
—Nem né ? -digo rindo. -Se quiser eu faço o 4 pra provar que estou ótimo.
—Então faça...
—Rhage... -Meu pai diz o repreendendo.
E nem me importando fiz o número 4 com as pernas. Ficando reto só em uma perna.
—Perdeu ... -Butch diz rindo.
—Pior que ele está bom ainda. -Z diz dando um tapão em Rhage. -Você é bobo de mais, cara.
Nisso V já chegou do meu lado pegando em meu braço me puxando .
Suspirei o acompanhando.
Quando estávamos no corredor me soltei de seu braço. Comecei a andar em sua frente.
Ele estava tenso, sério . Mas pude sentir que ele observava meu corpo. Principalmente minha bunda. Sorri mentalmente com isso.
Até que entrei no Pit tirando minha jaqueta e logo a blusa . Quando V entrou o ataquei, prendendo-o contra a parede. E sem nada dizer o beijei.
Ele tentou resistir mas foi inútil. Suas mãos se fecharam em minha cintura, me puxando mais pra ele. E beijamos com fúria tocando nossos corpos. Quando afastamos suspiramos ofegantes.
—Pode me falar por que você está tão sério ? -pergunto.
Ele balançou a cabeça indo pro seu guarda-roupa e trocando de roupa.
—Hei?! -digo irritado por ele não me responder.
Eu simplesmente odeio ser ignorado!
—Você bebendo assim. Tão relaxado. Você não está nem aí com o ritual amanhã . -ele diz ríspido.
—Ah qual é... -digo irritado. -Eu só estava bebendo como eu bebo normalmente. E outra é claro que estou ligando pra essa merda de amanhã. Mas eu não vou ficar pensando nisso e deixando interferir, ok? Eu ficar triste, bravo ou nem aí não vai mudar nada... Querendo ou não o ritual vai acontecer. Então foda-se. Eu quis divertir hoje, tentar relaxar depois de tudo que aconteceu esses dias... Mas você parece não querer relaxar e não deixa a gente. Sai fora... -digo com raiva pegando minha roupa pra trocar no banheiro.
—Damon... -Ele diz me segurando. -Desculpa. Só não consigo ficar bem com isso... -ele começa sendo sincero.
—Me solta -digo puxando meu braço. -Você está nervosinho de mais acho que está precisando dormir. Então dorme tá legal ?
E nisso entro no banheiro batendo a porta com força.
Ali troco de roupa escovo meu dente. E quando saio V está sentado em sua cama me esperando. Apenas suspiro irritado e arrumo minha cama, pra deitar.
—Damon... Eu estou te esperando. E eu arrumei a cama pra gente dormir juntos. -ele diz calmamente.
Olho pra sua cama e estava realmente arrumado pra nós dois!
—Eu quero dormir na minha cama. -digo dando de ombro e deitando.
Ali posso ouvir ele resmungando algumas palavras na língua antiga e logo indo pro banheiro se arrumar. Quando voltou desligou a luz e deitou bufando.
Mesmo com a tensão e o nervosismo no ar, tento relaxar e logo sem demorar muito entrei na inconsciência...
(...)
Sem saber quanto tempo se passou eu voltei a consciência, assustado...
V estava se debatendo na cama, descontrolado. Ele estava tendo um pesadelo... Um terrível pesadelo pela forma como ele estava! E assim ele falava coisas completamente desconexas...
—Vishous? -chamei preocupado.
E nada.
Levantei rapidamente indo para sua cama.
—V, acorde. -digo tocando em seu ombro.
O que foi pior ele começou a gritar.
—Sabe o que ele fez comigo ? O que fizeram comigo lá?
Fiquei paralisado com aquilo. Até que ele continuou.
—Então porque diabos me deixou ficar lá ?
—Vishous? Por favor acorde. -digo firme o tocando no rosto .
—Não me toque. Consegue compreender minha raiva ? Passei anos tentando permanecer vivo naquele lugar . O que ganhei? Uma cabeça louca e um corpo fora dos eixos...
Nada disse apenas fiquei parado em silêncio.
—“Sua vaca”. -ele gritava fora de si debatendo.
Ele estava completamente transtornado. Seu rosto rígido furioso. Ele rosnava feito um cão enquanto o suor formava em sua testa.
—Droga. -digo furioso não aguentando o ver daquele jeito. -Acorde. -disse firme o tocando. -Você está tendo apenas um pesadelo. -o chocalhei firme, com muita força agora.
Mas esse era o único jeito de o trazer a realidade.
No mesmo instante ele acordou revelando seus lindos olhos brancos de bordas azuis escuros.
Ele levantou seu tronco rapidamente, ficando sentando. Sua respiração afobada, desconexa, seu peito subiam e deciam freneticamente. Seu coração bombava desregular e muito intenso, ele estava completamente assustado, fora de si.
—Hei calma...
Ele nada disse apenas ficou desse jeito olhando para suas mãos.
—V? Sou eu, Damon. -sussurrei.
—Damon? -ele sussurrou com sua voz rouca e incerta.
Ali quando ele me olhou pude ver seus olhos lacrimejados e as lagrimas desciam pela seu rosto.
—Porra. -disse furioso por o ver assim, tão frágil. -V, só foi um sonho ruim. Um pesadelo. Está tudo bem agora. -disse o puxando para meus braços.
—Não. Não está nada bem. -ele sussurrou.
E ali ele desmoronou completamente. Ele chorou feito um criança, soluçando.
—Xiu. Não fiquei assim, por favor. -digo desesperado.
Me sentindo despedaçado por o ver assim. Eu queria poder tirar sua dor, o ajudar. Mas eu sou péssimo com sentimentos, palavras. Não estive estabilidade emocional, então não sei lidar nem com as minhas próprias merdas...
—Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui. Eu sei que não é muito. Não é tão grande coisa assim. Mas... Eu sempre vou estar aqui. Eu queria tanto poder tirar todas essas suas dores. Mudar seu passado... Eu, eu farei o possível e impossível pra te ver bem. -disse tocando seu rosto o fazendo me olhar.
Ali enxuguei suas lágrimas tocando cada pedacinho de seu rosto e assim beijei sua testa.
Quando afastei pra o olhar ele parecia um pouco mais calmo.
Ele deu um pequeno sorriso triste.
—Por favor, fique comigo. Não me deixe. -ele sussurrou.
—Claro.
Ali toda a fúria que estava sentindo dele mais cedo já havia sumido completamente.
Suspirei e assim ele afastou liberando espaço para que eu pudesse deitar na cama. Deitei arrumando o travesseiro e o puxei para meu peito.
Seu corpo colado ao meu sua perna no meio das minhas , seu rosto em meu peito , ali toquei seu cabelo . Fazendo um carinho.
Ficamos por algum tempo em silêncio.
—Dam?
—Sim?
—Você consegue entrar na mente das pessoas, não é?
—Sim, eu consigo.
—Entre na minha mente então.
—Por que ? -perguntei assustado com aquilo.
—Por favor. Eu quero que você veja o porquê eu a odeio tanto, porque tenho nojo dela.
—V, está tudo bem. Você não precisa falar sobre ela agora, hoje, ok?
—Eu estava sonhando com ela, com a Virgem Escriba...
—É, eu sei. Bom, pelo menos eu desconfiei, pela forma que você falava. Sua raiva... Você a chamou de vaca. -disse e na última frase não aguentei e dei uma risada.
Ele me acompanhou rindo.
—Sua risada... É tão linda, gostosa. É, contagiante. -ele confessou.
Ri ainda mais com aquilo.
—É sério. -ele diz rindo me olhando . -Deveria rir mais.
E ali tomei seus lábios.
Nossos lábios, línguas se tocavam delicadamente, apenas apreciando aquelas sensações deliciosas.
—Hein Nallum? Entre na minha mente. -ele pediu novamente assim que terminamos o nosso beijo.
—bufei. -Como você é teimoso hein?
—Olha quem está falando ...
—Droga. Tá bem -digo contrariado, vencido.
Ali o puxei pra deitar em meu peito novamente e comecei a tocar em seu cabelo e com a outra mão seu pescoço, peito.
—Relaxe. -sussurrei.
E me concentrei entrando em sua mente. Ele já havia tirado qualquer proteção ou barreira que poderia me atrapalhar.
E ali todas suas lembranças me atingiram em cheio. Eram até sufocantes , que me deixaram tonto.
Pude ver como fleches super rápidos, dele no acampamento, desde seu primeiro dia. Durante anos e mais anos...
Até que pude ver ele na transição, sozinho, com dor, abandonado. Ninguém o ajudou. Todos estavam com medo.
Ele implorava pela sua mãe.
Ele não lembrava dela, mas se fantasiava com uma fêmea, delicada vindo o ajudar, o aninhando, cuidando, o protegendo e o amando. Era isso que ele imaginava ser “mãe”.
Como seria ter uma mãe!
E nada, ninguém, apareceu. Ele estava sozinho completamente. Quando terminou a transição mesmo estando extremamente fraco, com dor ele foi obrigado por Bloodletter lutar com um guerreiro mais velho, mais forte . Mas mesmo estando naquele estado ele conseguiu o vencer . Mas ali veio o pior de tudo. Vishous tinha que terminar o serviço.
Achei que no começo seria o matar , mas era mais ainda traumático...
V movido e consumido totalmente pela raiva...pelas milhares de humilhações, e por todas crueldade sofridas durante anos e mais anos ...
Ele simplesmente colocou o macho com a barriga para baixo e fez o que tinha que ser feito...
O possuiu.
Na frente de seu pai e de todos do acampamento.
E ele foi cruel, brutal, o penetrava com fúria e ódio. Quando terminou simplesmente saiu de dentro dele dando um passo para trás. E o macho estava imóvel , coberto de sangue , suor e o restante da irá de V.
Cambaleando ele correu sem rumo por horas até que caiu ao chão vomitando várias e várias vezes.
A culpa, o nojo eram torturantes de mais.
E ali seu pai apareceu o humilhando mais ainda, dizendo que ele era fraco, covarde. Que sair correndo daquela forma era um insulto.
Que ele nunca seria como ele. Que não poderia ser seu filho, pois era tão frouxo.
Isso tudo resultou em tudo aquilo que ele já havia me contado, a briga, as torturas, as tatuagens e a tentativa de castração. Ele se arrastando totalmente machucado, sangrando horrores pra fora do acampamento.
Quase morto e assim sendo socorrido por civis da sua espécie.
Ali saí da sua mente , eu me sentia mal, me sentia tonto, confuso, eu estava péssimo.
Minha respiração estava irregular, acelerada.
—Damon, volta pra minha mente. Quero que veja sobre a Virgem Escriba.
—Calma. -sussurrei.
—Eu sei. Você deve estar com nojo de mim. Mas ... -sua voz morreu.
Fiquei em silêncio tentando me acalmar.
—Eu nunca o tomaria daquela forma. -ele sussurrou desesperado.
Infelizmente com esse assunto lembrei de lembranças minhas, que preferia esquecer, fingir que nunca aconteceram.
Tentando afastar isso tudo , toda essa merda, respirei fundo tentando me acalmar.
—Eu não estou preocupado com isso. -rebato.
—Não?
—Não. E eu sei que você não faria aquilo comigo. -digo balançando a cabeça.
Ele suspirou abaixando o olhar. Se sentia envergonhado.
—suspirei. -Eu sei e senti que você não queria fazer aquilo. Você foi obrigado. -digo tentando o ajudar com tudo aquilo, com todos aqueles sentimentos de repulsa, nojo e culpa que ele sente por si mesmo.
—Sim. Mas ...
—Em momento de pressão, de medo, de ameaça, fazemos coisas que não queremos, que não concordamos... Eu entendo V. Ou você fazia aquilo ou ele teria feito o mesmo com você, sem se quer fraquejar ou pensar. Ou eles poderiam até te torturar ou te matar. Você não tinha escolha.
Ele deu um sorriso triste, suspirando. Ele estava um pouco mais calmo. Estava até então apavorado com medo que eu o julgasse, que sentisse nojo e o rejeitasse por isso.
—Foi sua primeira vez? -pergunto.
—Sim. -ele sussurrou balançando a cabeça.
—Traumático. -digo sentindo raiva por tudo que Bloodletter o fez.
Tudo isso fodeu com sua mente.
—É. Eu tento fingir que isso nunca aconteceu... Queria apagar isso da minha mente. Mas infelizmente isso é tão vivo... -ele sussurrou.
O olhei e ele estava péssimo.
Bufei irritado tomando seu rosto em minhas mãos.
—Eu vou falar uma vez só. -digo bravo. -Infelizmente o que está feito, está feito! Não há como mudar isso. Bom, você sobreviveu. Você ali, naquele acampamento, as leis e regras eram essa... Sobrevivência! Quem era o mais forte, mais esperto, mais brutal. E assim seja... Como já disse aquele macho já tinha feito coisas horríveis com você, eu vi tudo... Ele mereceu aquilo. Aquele ditado antes ele do que você ! Simples assim... Cada um tem o que merece! -digo dando de ombros, fazendo uma careta sendo seguido de um bico.
Ele ficou por alguns segundos me olhando. Deve que pensando como eu poderia ser assim, tão frio e calculista.
Não me importo. Eu sou assim e não vou mudar.
—Damon...-ele sussurrou preocupado.
—Nem começa. -digo o cortando. -Meu pensamento é esse , sendo certo ou não é simplesmente esse. E não vou mudar!
Ele ficou em silêncio por alguns instantes, chocado, contrariado.
—Obrigado por me entender... -ele sussurrou.
-Só me de um minuto. Eu estou um pouco tonto, eu... Eu não só estou vendo suas lembranças, mas como estou sentindo os seus sentimentos! Suas emoções!. Não esqueça tudo que eu sinto é multiplicado. Então toda sua dor, tristeza, medo, angústia eu estou sentindo , o que já é horrível, doloroso de mais... Só que eu estou sentindo tudo intensificado. -sussurro passando a mal pelo meu cabelo.
—Nallum. -ele diz preocupado tocando meu rosto.
Eu nada disse apenas o puxei pro meu peito me dando alguns minutos .
E quando estava mais calmo voltei pra sua mente.
Ali fui atingindo por suas lembranças...
Ate que um dia quando ele estava em seu apartamento , anos, séculos depois de tudo aquilo...
Ele foi presenteado com a sua visita.
Virgem Escriba.
Ele até então a tratava com certo respeito, formalidade, ela era um ser superior.
Mas tudo ali desmoronou. Ela simplesmente contou tudo a ele.
Toda a verdade...
Ela queria saber como era conceber e parir fisicamente, por isso assumiu forma física, para realizar tal ato sexual e partiu fértil para o antigo país. Ela escolheu entre alguns machos aquele que tinha todos os atributos masculinos mais desejáveis para a sobrevivência da raça: Força, astúcia, poder, agressividade.
E assim foi Bloodletter o escolhido, o que cabia em todas as opções.
Claro que ela se arrependeu da escolhas, aquilo foi uma tortura, ele era o tipo de macho brutal não sabia a diferença de lutar e de fazer sexo.
Ela pensou que poderia enganar e se passar por uma pessoa que não era. Mas Bloodletter era esperto de mais e não demorou muito pra perceber e entender o que ela era e o que queria.
E assim fizeram o acordo...
Ele daria seu sêmen se ela pudesse lhe conceber um filho homem . Pois ele queria um filho pra poder satisfazer seu instinto de macho, de guerreiro.
E ela também queria um filho para as escolhidas...
Concordaram de ele viver do seu nascimento até os três anos de idade com ela, do outro lado .
Depois ele seria entregue ao Bloodletter e assim viveria com ele durante três séculos.
E depois ele voltaria para mãos da Virgem Escriba. Onde tomaria seu posto ao seu lado servindo aos seus propósitos.
Sim, V só foi gerado para agradar os propósitos de duas pessoas totalmente egoísta...
V não poderia mudar ou escolher seu futuro. Ele era pra ser simplesmente um peão, que seria comandados pelos seus pais.
Se é que eles podem ser chamados de pais.
O pior de tudo dessa conversa foi ele perguntando a ela se ela sabia de tudo o que ele passou no acampamento.
E ali teve sua certeza ...
Ela sabia de tudo que ele passava, passou. Ela via, ela ouvia seus chamados pela mãe.!
Ela ouvia seus pedidos, suas súplicas, suas ilusões com uma mãe vindo o amparando . O amando.
Ela simplesmente nunca fez nada!
Ela podia ter impedido, ela tinha poder, ela tinha autoridade pra mudar isso.
E ela não fez absolutamente nada!!
Somente o deixou na sarjeta sofrendo, sendo torturado, machucado por anos...
Tudo porque pra ela destinos não são escolhidos, apenas cumpridos. E também havia dado sua palavra ao Bloodletter.
Por causa de sua maldita palavra, maldito acordo...
Permitiu seu filho, seu próprio sangue, ser torturado de todas as formas possíveis!
Ser fodido mentalmente.
Não ter controle do próprio corpo, desejo.
Tudo pra ela não passava de apenas ações e sobrevivência da raça.
Ela simplesmente só estava contando tudo aquilo, naquele momento, pois queria que ele aceitasse seu cargo de direito, se entregasse a ela por livre vontade.
Para formar o Primaz dos escolhidos. Assumir seu cargo de Primale e assim ficar preso do outro lado, cercado de fêmeas. Reproduzindo com as Escolhidas Ehros...
E assim seria incapaz de continuar em sua vida, de lutar e de ver e viver com seus irmãos!
E V é claro, até então negou tudo a isso...
Sai da sua mente , e eu me sentia sufocado, tonto e extremamente triste.
Sem conseguir controlar todos aqueles sentimentos dele que me tomavam eu apenas pude sentir meu rosto molhado.
—Damon? -Ele perguntou assustado me olhando.
E ali levei meu dedos de encontra meu rosto e quando olhei para minha mão pude ver , eu estava chorando.
Chorando por Vishous...
E sem controlar chorei descontroladamente.
—Oh não. Não chore. -ele sussurrou transtornado me puxando para seus braços.
Eu não tinha controle, tudo aquilo era intenso de mais.
Sufocante de mais...
—Nallum. Por favor, se acalma. -ele sussurrou preocupado.
—V, eu ...
—Xiu. Está tudo bem .
—Eu sinto muito.
—Eu não passei de um fantoche. Uma peça pra eles. Nunca me amaram. Nunca se importaram. -ele concluiu.
—Eu te entendo agora.
—Eu sei. Obrigado por estar ao meu lado. Eu te amo. -ele sussurrou tocando meu cabelo .
E assim ficamos um tempo em silêncio.
(...)
—Você é tudo para mim. Você é a melhor coisa que me aconteceu durante todos esses séculos da minha vida, Damon!
—Eu também te amo. -digo o abraçando fortemente. -Você também foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Sinceramente, minha vida estava tão monótona, tão robótica. Eu não sentia nada, não importava, não desejava, não amava nada. Me sentia morto. Completamente...
Ele me abraçou fortemente me puxando para seu peito e ali ficamos por algum tempo tocando nossas mãos. Fazendo carinho e assim fomos nos acalmando...
Até que o cansaço e sono nós tomaram, entramos na inconsciência.
(...)
Quando acordei já era tarde. Muito tarde. Sabia que estava cansado mas não imaginei que era tanto.
Fora que depois daquele pesadelo de V , ficamos por horas conversando, falando sobre seu passado, entrei em sua mente e depois ficamos algum tempo tentando nos acalmar.
Suspirei, vendo que eu me encontrava sozinho na cama, no quarto. Levantei espreguiçando e foi ali onde ele entrou no quarto, trazendo uma roupa dobrada tudo na cor preta.
Ele parecia sem graça, preocupado com tudo aquilo que havia acontecido mais cedo.
—Olha, sobre ontem depois do jantar me desculpa, ok? -Ele suspira colocando a roupa na cama.
—Tudo bem. -digo. -peço desculpas também. É o meu jeito. Eu posso tá na fossa , que eu faço piadas, debocho de tudo e todos . Mas não é porque não importo, ok? Só é meu jeito de tentar não surtar com certos assuntos que infelizmente não tem o que ser feito, não tem como consertar.
—ok. -ele disse surpreso com isso. -Sobre meu passado, o que você viu...
—Esta tudo bem V. Tudo que eu vi está seguro comigo. E não me importo com o que você tenha ou deixado de fazer. Isso não muda meus sentimentos por você.
Por alguns segundos ele ficou paralisado me olhando até que sorriu lindamente.
—Obrigado . -sussurrou. -Agora você precisa se arrumar. Tem que vestir essa roupa para o ritual. -Ele diz.
E posso ver a tristeza tomando seus olhos.
—ok. -sussurrei.
Ali ele saiu do quarto. E eu fui pra um banho bem demorado.
Quando sai peguei a roupa. Era uma calça preta tipo no estilo de jogger. Vesti.
Até gostando, caiu bem em mim. E depois era um sobretudo longo de capuz.
Será que ficava sem camisa ? Pensei e ali V entrou.
—Ate que a calça ficou certa.
—Sim. Bom, agora só se veste o sobretudo ?
—Sim...
Ali vesti e me virei pra ele ajeitando terminando nde ajeitar.
—Chega até ser hilário. Mas até assim, com essa roupa você fica lindo.
Sorri.
—Nos pés? -pergunto .
—Nada. Descalço mesmo. Vamos, já está na hora. Quando chegar dentro do carro coloque o capuz.
—ok.
E ali o segui e sem demorar estávamos indo pro Tumba.
Eu estava dentro do carro atrás com V e Wrath . Eu sentia a tensão vindo deles. Não só dele mas te todos. O que já estava me deixando assustado com tudo aquilo. Eu já estava com o capuz e não podia levantar o olhar. Apenas ficar olhando pra baixo, apenas via as minhas mãos.
Quando chegamos eles me ajudaram a sair e falaram pra eu continuar do mesmo jeito olhando para baixo. Quando entramos pude ouvir sua voz fina...
—Realmente você é um jovem guerreiro honrado. Você veio, cumpriu sua palavra... -Ela diz se aproximando e pegando minha mão conduzindo para outra sala .
E todos os irmãos nós seguindo. Posso sentir V ficar irritado com aquilo, com a aproximação dela a mim.
Até que ela parou. Vindo na minha frente e tirou meu capuz.
Continuei olhando pra baixo.
—Levante seu olhar meu jovem...
E ali olhei normalmente e a vi de capuz, completamente coberta.
Pude ver que tinha uma escada de cada lado das paredes onde levava a tipo um altar alto. Onde tinha correntes nas parede.
—Bom, a escolha da arma não foi minha. Foi o Brystz... -Ela diz parecendo preocupada.
Meio que uma explicação?!
—Virgem Escriba, qual arma foi escolhida ? -Meu pai perguntou.
—Chicote Flagrum (mais conhecido como chicote de 9 unhas)
Vejo ali todos nervosos.
—Não acredito. -meu pai diz desesperado.
—Que filho de uma puta. -V diz extremamente nervoso.
E ali vejo ela trazer o chicote em uma bandeja de prata. Era um chicote normal, com 9 fios de couro mas em seu final de cada ponta tinha peças tipo garras de metal.
Oh porra, ok, já entendi tudo. Vou ser chicoteado e pra piorar essas garras na ponta quando baterem em meu corpo elas agarrarão...
Oh que beleza... Me fodi lindamente.
Suspiro sentindo um certo calafrio. Só queria que aquilo terminasse o mais rápido possível.
Nisso ela tirou meu sobretudo. Deixando o cair no chão.
Ali naquele pequenos segundos, eu pude perceber que ela me analisou. Olhando cada pedaço do meu corpo que ficou exposto. Sem graça apenas disfarcei fingindo que não percebi.
Ela pegou em minha mão me conduzindo escada a cima e lá encima no altar . Ela me colocou de costa pra eles. Me fazendo ficar olhando para as pedras frias que tinham ali. Ela pegou a corrente de cada lado e me entrou, enrolando em minha mão e braços.
—Segure firme ... Boa sorte, meu jovem. Desejo verdadeiramente que você consiga sobreviver a isso. -ela diz sumindo do meu campo de visão.
—Que comecem o Rytho. Que esse ritual possa lavar a honra desse guerreiro, Damon, filho de Wrath descendente de Wrath!
E ali só escutei um silêncio mortal. E muita tensão, nervosismo no ar. Até que ouço passos subindo a escada, e logo parou. Estava atrás de mim, eu sentia.
—Sinto muito, flor do dia...
Era o Rhage. E dali em diante eu apenas pude escutar em câmera lenta o barulho que o chicote fazia cortando o ar e logo o barulho estrondoso batendo conta minha costa, minha pele.
Foi uma dor terrível. Pra não gritar apenas mordi meu lábio... segurando o grito de dor.
E depois, foi pior ainda quando ele fez o movimento de puxar... as agarras que ficaram ali grudadas . Elas saíram com certeza levando pedaços da minha pele. Por um segundo se quer, senti perder a consciência.
Respiro tentando voltar a realidade. E escuto passos...
—Eu sinto muito, Garoto...
Era Z. E ali senti aquela dor horrível novamente, só que agora doeu mais ainda. Por que minha pele já estava ferida.
Segurei firme nas correntes. Mordendo meu lábio. Eu não ia fraquejar. Não iria gritar. Não iria!
Respirei tentando me acalmar.
Novamente escutei passos...
—Hei, sinto muito.
Era Butch.
E novamente senti uma dor terrível. Senti minhas pernas tremerem querendo baquear. Mas segurei mais firme nas correntes me mantendo em pé.
Respirei fundo tentando ficar bem. Mas era quase impossível. Eu não conseguia respirar...
Passos novamente.
—Sinto muito, meu príncipe.
Era Phury.
E novamente aquela dor torturante. Foi impossível não soltar um gemido quase inaudível.
Suspirei respirando fundo .
Passos novamente.
—Sinto muito, Dam.
Era Tohr .
E ali aquela dor que só ia multiplicando. Senti minha perna bambearem . E quase caí ajoelhado, mas me segurei firme envolvendo mais meus braços naquelas correntes .
Podia ver que eu minhas mãos e braços sairiam machucados. Por tamanha pressão. Força que eu fazia...
Passos novamente.
Reconheceria aquele cheiro em qualquer lugar.
V...
Eu sentia seu coração estava a mil...
Mas ele chegou e tudo ficou em um silêncio horrível. Ele estava fraquejando. Ah não... Por favor termina logo isso.
—V... -minha voz saiu num sussurro.
—Eu não consigo. -Ele sussurrou.
—Consegue. V termina logo com isso. -falei tão baixo que até duvidei se ele havia ouvido.
—Mas...
—Por favor. -pedi implorando sentindo minha cabeça rodar.
—Esta bem, Nallum...
Tudo que conversamos foi entre sussurros e apenas nos podemos ouvir.
E ali A dor novamente se fez presente. Acabei não me controlando e transformei, minhas presas cresceram mordendo meu lábio onde começou a sangrar.
Minhas pernas bambearam e mesmo segurando nas correntes caí ajoelhado.
Eu não conseguia respirar ... Sentia tudo girando.
Com dificuldade levantei tentando ficar em pé. Mas minhas pernas tremiam tanto que duvidei se conseguiria.
Até que ouço passos. Só poderia ser meu pai.
Seu coração batia tão forte. Parecia que iria sair pela boca.
Mas nada aconteceu. Se ele demorasse eu não iria aguentar . Já não estava aguentando me manter de pé. A dor era aterrorizante. Doía de mais, queimava , ardia... Sentia que minhas costas sangravam sem parar. Até podia escutar quando tudo ficava em silêncio , meu sangue gotejando frenético ao chão...
—Pai?!
—Sim, meu filho...
—Por favor.
—Eu sinto muito. Eu nunca quis que isso acontecesse.
—Eu sei... -sussurro. -termina logo isso. Eu já não aguento mais... -confesso.
E sem ter que pedir novamente. Ele bateu... Pude escutar certinho o chicote batendo em minhas costas e logo aquela dor infernal quando puxava as garras ...
Sem conseguir controlar. Gemi mordendo mais meus lábios. Minhas pernas fraquejaram totalmente cai ajoelhado, não conseguia respirar . Tentava puxar ar desesperadamente. E eu parecia estar aéreo . Grogue... Minha cabeça rodava . Minha visão estava embaçando . Mesmo assim nesse estado eu pude ouvir... pra ser sincero nem sabia se era verdade ou era uma ilusão da minha cabeça.
—Ninguém pode o ajudar. Ele tem que sair dali sozinho. -Virgem Escriba disse .
—Como você pode ser assim ? -escuto V gritando com sua mãe.
—São as regras, guerreiro. Você gostando ou não.
—Foda-se as regras. Pra ser sincero nem sei como ainda me surpreendo com suas atitudes. -Ele gospe furioso.
—Veja como fala comigo. Me respeite, guerreiro! Ou eu terei que te castigar? Pra aprender a ter obediência e respeito para comigo!? -ela disse furiosa o ameaçando .
—Não de ouvido a ele, por favor. Ele está nervoso, Virgem Escriba. -meu pai diz tentando os acalmar.
Suspirei tirando força de onde não tinha. E consegui levantar com muita dificuldade . Minhas pernas tremiam tanto.
Era inexplicável.
Desenrolei as correntes, elas caíram ao chão com um baque.
E ali me virei . Os enxerguei lá embaixo me olhando assustados receosos e muito preocupados.
Minha cabeça girava de mais , minha visão embaçava cada vez mais . E ali não foi diferente . Cambaleei, andando me escorrendo na parede. Descendo degrau por degraus. Tudo ali rodava, parede, escada, eles, tudo rodando.
Suspirei descendo me escorando mais ainda na parede. Até que os olhei e vi eles um do lado de outro segurando suas adagas e eles pronunciaram palavras na língua antiga. E para meu susto eles enfiaram adaga em sua cintura .
Não entendi bem, mas parecia que era um ritual onde eles se machucaram, por terem me machucado . Não sei. Não conseguia pensar com clareza. Minha cabeça rodava cada vez mais. Sentia o chão se mexendo.
Desci mais 3 degraus com muita dificuldade e pisei no ultimo, ali não aguentei tudo rodou fortemente, senti meus pés fraquejaram e ali minhas pernas perderem força e simplesmente caí entrando na escuridão...
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