Notas iniciais
**LÍNGUA ANTIGA: —Nalla ou Nallum(n): Amada (o). —Virgem Escriba: Força mística conselheira do rei, guardiã dos registros vampíricos e dispensadora de privilégios. Existe em um reino atemporal e possui grandes poderes. Capaz de um único ato de criação, que usou para trazer os vampiros à existência. —Leahdyre: Uma pessoa de poder e influência. —Escravo de sangue : Vampiro Macho ou fêmea que foi subjugado para satifazer as necessidades de sangue de outros vampiros. A prática de manter escravos de sangue caiu em desuso, mas não é ilegal. —Ahstrux Nohtrum: Guarda privada com licença para matar. —Mahmen: Mãe. Usado também como um termo de afeição.

PDV DAMON

—Me solta, porra . -berrei fora de mim.

Estava tão cego de raiva que mal tinha consciência de quem era...

—Não! -sua voz saiu rouca e potente. -Pare agora, eu ordeno!

(...)

Fora de mim simplesmente consegui soltar um braço e já o acertei com um soco...

Mas ele mal se mexeu.

—Wrath nãooo.. -aquela voz doce soou pelo banheiro.

Me trazendo um pouco pra realidade, reconhecendo a sua voz.

Elizabeth? Pai?

Até que rapidamente senti um soco contra meu rosto, me afundando contra o chão.

Fechei os olhos gemendo de dor. Respirei fundo voltando a consciência...

Sentia o sangue escorrendo da minha sobrancelha indo pra minha bochecha até pingar no chão.

—D-amon... -ele gaguejou. –Filho, me perdoe.

E ali me virei o olhando . Era meu pai o tempo todo. Desde do momento que fui tirado de cima de Alexx.

—Saem todos... Agora! -sua voz rouca e grave soou pelo banheiro.

E ali vi todos os alunos olhando a tudo aquilo assustados. E eles fizeram o que o rei mandou.

Eu tinha dado um soco no meu pai. E ele tinha me devolvido... Droga.

Sem controle dos meus sentimentos, minhas malditas lembranças se fizeram presente naquele momento:

“Era mais um dia normal, onde Giuseppe simplesmente do nada implicava comigo. Me infernizando. Eu já estava com 12 anos, um pré-adolescente era difícil aguentar tudo calado. Eu estava na cozinha quando ele veio me amolar. Brigando comigo sem ter um motivo concreto se quer ... E ele me ofendia de tudo quanto era coisa. Sempre falando da minha mãe em como eu o fazia lembrar dela. Falando que eu era um estorvo em sua vida. E que nunca me desejou... só me aturava por causa dela mesmo. Eu não aguentando mais aquela situação o enfrentei. E acabei agindo por impulso, raiva, dando um soco em seu rosto o que foi a pior atitude que eu poderia ter tomado. Depois daquilo ele me deu um soco tão violento me derrubando ao chão. E dali ele já me pegou pelos cabelos me puxando escada a cima, me arrastando até o meu quarto. Onde me bateu mais ainda com vários socos, chutes. Que me deixou por horas desacordado. Quando acordei, eu estava péssimo. Fiquei meses com hematomas enormes, horríveis pelo rosto, e fora que fui totalmente trancado no quarto.”

— você me bateu... -digo com a voz fraca e rouca simplesmente desesperado mergulhado nas minhas lembranças, que se misturavam, passado com presente.

—Damon, filho me perdoa. Não queria fazer isso com você... Eu, eu... -ele diz desesperado. -Mas você estava fora de si, estava totalmente descontrolado... Me agredindo, eu não sabia que fazer, me perdoe. -Filho... -ele diz vindo me segurar.

Mas o empurrei .

—Me solta, não chega perto de mim... -digo afastando dele.

Eu sentia minha respiração pesada, ofegante.. Eu mal conseguia respirar, estava com muita dificuldade.

—Wrath... -aquela voz doce soou novamente.

—Nalla, saia. Isso aqui não é algo que seja indicado a você ver...

E ali voltei totalmente a realidade.

Olhei pelo banheiro e parecia cena de filme de serial killer mesmo.

—Mas...

—Por favor, Elizabeth. Vá para a mansão.

Mayke e Eryck caídos ao chão gemendo de dor, totalmente machucados e sangrando. Já Alexx, droga, estava totalmente imóvel, desacordado, ensanguentado. Embaixo dele estava uma grande poça de sangue onde ia fazendo um caminho até o ralo. Era sangue por todo o chão.

—Pela Virgem Escriba... -escuto vozes soando pelo banheiro.

-Que porra é essa?

—O que aconteceu aqui?

—Céus...

Eram os irmãos... Phury, Zhadist , Rhage e Butch.

Eles entraram olhando a tudo completamente assustado.

—Olha eles como estão. -ouço meu pai falando a eles, enquanto me olhava. -você precisa se acalmar. -ele diz a mim, suspirando.

—Eles estão muito machucados...

—Mayke está com o braço quebrado, rosto machucado. E Eryck também está da mesma foram porém, está com dificuldade pra respirar.

—E o Alexx? -ele perguntou .

—Agora Alexx... Temos um problema, meu senhor .

—Não me diga que a porra desse garoto morreu dentro do meu centro de treinamento. -meu pai diz raivoso.

—Não ... Mas mesmo assim é complicado. Ele está respirando bem lentamente, fraco, ele está desacordado. Completamente machucado!

—Levem eles agora com todo o cuidado pro Havers. Com urgência... Pra ele dar todo o tipo de cuidado, atenção e tratamento. O que me falta é um deles morrer aqui e falarem que negligenciei atendimento a eles.

Eu os vi os levando ...

Meu Deus... O que foi que eu fiz? Nesses últimos meses eu aprendi muito sobre a irmandade, as leis, regras e comportamento. Isso que eu fiz com certeza trará grandes problemas não só a mim, mas como ao meu pai também.

Porra...

Eu fico olhando a tudo aquilo me sentindo péssimo. Eu perdi completamente o controle ...

—Filho... -ele diz tentando me tocar.

—Não chegue perto de mim. -peço me afastando.

Eu não sou de confiança, totalmente um ser descontrolado. Não o queria tão perto de mim, me tocando. Sou um perigo pra todos eles.

—Está bem. Não vou te forçar a nada. Mas assim que subir quero você no meu escritório... -ele diz coçando os olhos por debaixo daqueles óculos.

E pude ver a preocupação ali, mas também muito nervosismo. Ele suspirou levantando e saindo, me deixando sozinho ali.

Me senti tão culpado. Eu não sabia o que fazer. Com certeza isso traria muita confusão para ele principalmente.

—sempre fazendo merda. -sussurro inconformado.

—Ahhhhhhhh- Grito colocando meu rosto em minhas mãos e fiquei assim por um bom tempo.

(...)

Sou puxado pra realidade quando escuto passos. E enormes botas de combate entraram e meu campo de visão. Levantei o olhar e dei de cara com ele ... Vishous.

Ele me olhava tão preocupado, me analisando.

—Wrath me mandou para levá-lo embora, pra mansão...Nem que seja a força.

Nada disse apenas continuei olhando pras minhas mãos sujas.

—Damon . Não torne as coisas mais difíceis... Seu pai pediu e eu estou aqui. E se eu tiver que te levar a força, assim vai ser. Então, por favor . -ele diz caminhando até mim e logo segurando meu braço me levantando e me puxando .

E ali fiquei me pé. Frente e a frente com ele. Estávamos próximo de mais, droga...

Fazia meses que não ficávamos assim tão perto.

Suspirei.

—Esta bem. -digo vencido.

E dali saio sendo conduzido por ele. Que não tirava um segundo se quer os olhos de mim. E ele parecia muito, muito preocupado.

—Oh droga o que foi que eu fiz ? -sussurro tão baixo que duvidei que ele tenha realmente escutado e entendido.

Ele me olhava dentro dos meus olhos. Sem falar nada ou se quer de me responder. Seguimos pra mansão. Quando chegamos ele me levou pro escritório do meu pai.

Antes mesmo dele bater na porta sua voz soou ...

—Entre V.

E ali entramos e logo Vishous fez uma reverência .

—Seu filho, meu senhor.

—Obrigado, meu amigo. Por favor nos deixe sozinhos. E resolva aqueles assuntos.

Que assunto?

Ele acenou saindo.

Eu estava confuso e com vergonha. Eu tinha feito algo que não devia e sabia que as consequências seriam graves...

—Sente-se. -ele ordenou.

Respeitei caminhando e sentando.

E ali um silêncio horrível tomou conta do escritório.

O olhei ele estava muito sério, rígido, preocupado e extremamente nervoso.

—Eu... Eu sinto muito . – Digo criando coragem, tentando quebrar aquele silêncio.

—O você fez Damon? Onde você estava com a cabeça, meu filho ?! -ele diz coçando os olhos por debaixo dos óculos.

—Eu te avisei. Eu te avisei, pai... Que eu não era de confiança, que eu poderia perder o controle. Eu, eu estava com tanta raiva, eu surtei fiquei fora de mim. Eu sei que não resolve nada, mas eu sinto muito. Me perdoe...

—Ah meu Filho... É claro que eu te perdoo-o. Mas o problema em si, não sou eu! Tem coisas que vão além do meu poder como rei... -ele diz socando a mesa.

Suspiro sabendo que definitivamente tudo dei errado. Que era muito ruim.

—Entendo... Qual é as consequências do meus atos?

—Ele balança a cabeça extremamente nervoso. – Temos três adolescentes machucados. Um muito machucado o outro com braço quebrado. E o outro , aquela merda de menino está em coma, causado por traumatismo craniano, com o rosto totalmente desfigurado... E justamente esse, a família do Alexx é “Leahdyre”. Pai dele é uma pessoa de muito poder e influência. E já me ligou avisando que isso tudo não ficará assim. –ele diz suspirando. -E em certa forma, eu até entendo ele. Pois se fosse você ali , se fosse com você ... Eu também estaria surtado. -ele diz desesperado levantando e andando de um lado pro outro.

—Tudo bem pai... O que ele quer? -pergunto já sabendo que não é nada bom.

—Ele quer sua cabeça. Quer você morto ou que você se torne um escravo , escravo de sangue.

O encaro sem entender porque aquilo é tão ruim...

— Se Brystz não mandar os “Ahstrux Nohtrum” é uma guarda privada com licença pra matar... Ou ele vai pedir pra que você seja um escravo de sangue e isso é pior que a própria morte. Pois isso é pra toda eternidade. Os servindo, os alimentando. Dando seu próprio sangue a eles... fora se quiserem o ter como escravo sexual eles também podem ordenar. Você será o cachorro deles. Onde eles podem fazer o que quiserem com você. Até mesmo como e de que forma te tratar. Podem te castigar, torturar todo dia . Te humilhar entre outras coisas. E você nunca poderá falar nada, fazer nada e muito menos não poderá sair dali. Nunca deixará de ser um escravo.

—Ok pior do que imaginei. -digo mexendo no cabelo.

—É. As duas opções são péssimas, horríveis. Mas ainda há uma esperança.

—Como assim ?

— Pela nossa crença é errado irmãos se viraram contra uns aos outros. Ainda mais quase o matar. Mas se tiver provas concretas e importantes, contra aquela pessoa... Onde prove o porquê de você o atacar. Sim, então você estará perdoado por seus atos.

—Provar como ?

—Testemunhas que viram o acontecimento. Gravações. E literalmente descobrir todo tipo de podre do Alexx pode ser bem vindo e iria te ajudar muito.

—Entendo... -digo pensando.

—Já pedi prós irmãos pesquisarem tudo sobre a vida do Alexx cada passo que ele dava e se ele não cometeu nenhum erro durante sua vida. Vishous está tentando invadir o celular, notebook, contas, tudo do Alexx pra poder copiar. E até documentos, arquivos, fotos, tudo que já foram deletados.

O olho surpreso...

—Vishous é um ótimo hacker. -ele confessa orgulho de seu guerreiro.

—Ah... Não sabia disso. -confesso surpreso.

—Estou vendo. Mas você sabe de algo ? Durante esses meses você viu alguma coisa. Escutou algo sobre Alexx? Precisamos juntar todas as provas possíveis contra ele.

—Bom, então bem dizer todos os alunos vão poder ser testemunhar contra ele ...

—Como assim ? -ele pergunta já sério.

—Alexx, mexia com todos. Provocando, humilhando... E já ate ouvi que ele batia em outros alunos. Eu mesmo me mantive muito no controle, ele estava mexendo comigo esses meses tudo . Desde daquele primeiro dia que eu pisei no centro de treinamento. Eu tentei me controlar, mas hoje ele ofendeu a minha mãe...

—Como que é ? -Ele berrou. -Eu achei que depois daquele dia que o dei suspensão. Ele tinha parado de mexer com você ... Por que não me contou ? -Ele socou a mesa com raiva .

Até eu estremeci diante da sua fúria. Ele estava sombrio e com muita raiva.

—Eu... Eu, sei lá . Só deixei pra lá . Estava o ignorando. -continuo.

—Você tinha que ter me contato . Filho ... Que porra ! -ele gritou olhando pela janela.

—Desculpa... -digo olhando pras minhas mãos que estão cheia de sangue seco.

Suspiro , me sentindo péssimo .

Silêncio.

Silêncio.

Silêncio.

—O que ele falou da sua mãe ?

—Falou que eu era um bastardo filho de uma vadia humana. -digo.

—Desgraçado... -ele rosnou com raiva. -Ordinário. -ele gritou voltando e sentando . -Pelo menos temos mais uma prova contra ele... o papel que o dispensei por dias dos treinos. Ele estar mexendo com você nesses últimos 6 meses. E principalmente por ter falado isso da sua “Mahmen”. Como ele ousa ? -ele disse rosnando.

Podia ver a raiva o ódio fluindo dele.

—É uma ofensa a qualquer guerreiro, falar de sua mãe dessa forma tão humilhante e ofensiva.

Fico o olhando...

—E também temos os outros alunos... Vou pedir prós irmão conversar com cada aluno coletando tudo o que eles sabem. Esse filho da puta mereceu o que você fez a ele. É a família dele vai ficar sem vingança. Ah se vai ! Esse moleque é uma desonra como guerreiro. -ele suspirou. -Filho, vá tomar um banho, você está horrível... Enquanto isso vou conversar com os irmãos que chegaram.

—Esta bem... -digo ansioso, levantando.

E quando abri a porta dei de cara com todos os irmãos ali em pé esperando. Atrás de todos estava V.

Suspirei passando por todos, sem os olhar, encarar.

Já eles, todos me encararam. Seus olhos transmitiam preocupação e estavam receosos comigo. Não era pra menos né?!

Passei por eles sem dizer uma palavra. E ainda pude escutar eles entrando e a porta sendo fechada fortemente.

Suspiro caminhando pro meu quarto . Onde já cheguei indo pro banheiro, tirando minha roupa, que estava toda suja, cheia de sangue.

Olhei no espelho eu estava péssimo. Com machucado pelo rosto, sobrancelha, lábios, tudo coberto de sangue seco. Definitivamente eu parecia um assassino, um serial killer...

Notas finais
É o trem tá feio pro lado do Damon, e até pro rei. Tá sobrando pro pobre coitado kkkk Nada que esteja tão ruim que não possa piorar kkkkkk berrooo Espero que gostem ❤️