PVD DAMON

Chegou um momento que já estava cansado e tonto. Faltava pouco pra terminar a garrafa. Não querendo mais beber deixei na mesinha. Deitei olhando pro teto. Suspirei fechando o olho...

Até que não sei por quanto tempo depois eu estava entrando numa escuridão, dormindo serenamente...

(...)

Já se passaram 6 meses desde do acidente de Vishous. Em que ele quase morreu por minha culpa!

Eu me sentia péssimo, despedaçado.

Quando o encontrei ele estava morrendo. Ele estava morrendo em meus braços... E se não fosse pelo meu sangue , eu o teria perdido.

Sim, foi meu sangue que o salvou. O poder de cura que tem nele que o ajudou. Ninguém sabe isso. E pretendo deixar isso em segredo.

Vishous se recuperou bem rápido pra surpresa de todos. O estado que ele foi encontrado, pela facada e pelos tiros, fora a cirurgia de alto risco era pra ele ficar dias, dias internado. Mas em apenas 2 dias ele já estava de volta pra mansão.

Fiquei feliz é claro, o vendo bem...

Mas sabia que ali em diante as coisas seriam difíceis.

Manter distância, afastado. Fora do PIT completamente longe dele.

Mas assim era melhor eu não causaria mais tristeza a ele e nem mágoas. O deixaria finalmente em paz...

Quando ele retornou logo ficou sabendo que eu queria ter saído de Caldwell, que Wrath não permitiu tal loucura. Mas que eu estava num quarto qualquer da mansão. Ele percebeu que eu não queria mais viver junto com ele, estar com ele ... E que realmente fiz o que ele me pediu.

Mas, parecia que ele estava tão triste com isso... Eu não entendo.

Eu fiz o certo, eu fiz o que ele pediu. Isso era o melhor pra nós.

Só sabia que estava sendo difícil esses meses. Não o olhar, não conversar com ele...

Eu estava péssimo com esse afastamento.

E só assim que eu pude ver o quanto eu estava envolvido com ele. Meus sentimentos ficaram tão claros, nítidos... Que era desesperador.

Eu não sei como , porque e como isso era possível ...

Mas eu estava apaixonado por Vishous.

Completamente e fudidamente apaixonado.

Eu só conseguia pensar nele, sentir sua presença , seu cheiro, seu coração batendo... Só conseguia preocupar com ele, se está bem são e salvo.

É... Pude lembrar de uma conversa que a muito tempo atrás Stefan teve comigo:

Ele já estava cansado em me ver afundando mais e mais. Em só viver de bebida e sexo. Todas aquelas mulheres... Ele já não sabia mais o que fazer. Eu todos os dias estava com várias e varias mulheres. E sempre diferentes... Eu nunca me apaguei, nunca gostei, me importei, preocupei ou amei se quer uma delas...

Ele me disse que chegaria um dia em que todos precisam “amar e serem amados”. Que eu precisava me permitir a isso. Que seria bom pra mim.

Amar ...

Que quando acontecesse eu saberia perfeitamente. Pois tudo muda, a vida, pensamentos, atitudes e desejos... E que eu não teria como controlar isso. Apenas, sentir! E iria ansiar por isso cada dia mais e mais. Até que permitiria estar entregue a esse sentimento, que possui, nos domina e nos controla. E que eu iria sentir e ver o quanto era bom e maravilhoso aquilo...

Eu achava isso uma besteira, pra ser sincero... E achava o que eu sentia por Elena estava caminhando por essa linha de pensamento dele... Mas me enganará.

O que eu sentia por Elena era carinho, respeito e amizade e nunca se quer chegou perto disso realmente.

Amor ? Amor de carne, desejo, possessão, querer uma vida juntos. Perder o chão, o ar e o controle de tudo ... Eu nunca senti por ela e puder ver isso claramente agora.

Claro que a amo, mas como amiga. Ela sempre foi uma amiga...

Eu estava confundindo as coisas.

Mas agora tudo estava claro... Amor mesmo . Como meu irmão falou eu estava sentindo agora! Pela primeira vez em toda a minha vida , existência...

Em meus 178 anos, estou finalmente “amando”... E é um homem.

Vishous!

Oh porra, isso não podia estar acontecendo...

E como Stefan disse é algo que não conseguimos controlar... E assim estava acontecendo. Todos os dias era uma tortura ver Vishous e me manter afastado. Sem falar com ele, sem se quer o olhar...

Eu estava fudidamente em pedaços por isso. Tudo estava mal. Eu estava tentando me manter em controle mas estava sendo quase impossível...

Na única tentativa que eu tinha, eu saia com os meninos John , Blay e Qhuinn onde todas as noites pulávamos de boate em boate . E eu procurava pelo menos alguns segundos de paz, na bebida. Eu bebia horrores. Cada dia mais. E na hora da raiva eu ia pro banheiro matar meus desejos, que estavam totalmente aflorados, intensos... Com aquelas mulheres. As fodia com raiva, tentando colocar todos os sentimentos pra fora.

Raiva por não entender porque eu estava o amando e por me sentir tão culpado. Eu não podia chegar perto dele porque eu não era algo bom pra ele. Uma companhia boa...

Todas as pessoas que eu cheguei a gostar e que viviam em minha volta acabam se machucando ou eu as magoando. E não quero que isso aconteça com Vishous.

Aquele sentimento que eu tinha quando transava, que “nunca estava satisfeito”. Só piorou depois disso tudo.

Transava , transava e transava . Várias e várias vezes. Com várias mulheres em todas as malditas noites. E eu nunca estava satisfeito. Pelo contrário. Depois do sexo eu me sentia confuso, perdido e tão vazio.

Um vazio horrível...

Onde no final eu ficava mais ainda insaciável e eu acabava tendo que me tocar pensando e lembrando de Vishous.

Eu bebia mais e mais e voltava pra mansão tentando parecer bem.

Mas eu estava péssimo essa é a verdade.

Meu pai estava vendo meu estado e estava louco de preocupação. E sei que todos comentavam sobre mim , sobre meus comportamentos. E até havia um certo cochicho que era referente ao acidente de Vishous e por eu ter saído do PIT. Ninguém teve coragem de me perguntar algo e eu não ligo pra isso.

Pelo menos no meio dessa merda de confusão... Eu havia feito amizade com todos ali. Todos os irmãos e eu realmente gostava deles. E eles de mim.

Meu relacionamento com meu pai ia até muito bem. Estávamos indo aos poucos, devagar criando nossa ligação de pai e filho. E eu estava muito feliz por isso. Finalmente eu estava tendo um “pai”.

Pra minha surpresa eu estava me encaixando bem ali... Essa sempre foi pra ser minha vida.

Mas meu passado e minha outra vida, minha outra realidade estava mais viva que nunca também.

Todos os dias eu conversava com meu irmão, Elena e Ric . Por ligação ou por mensagem.

Também mantia contato com Liz e a Carol.

Eles sentiam minha falta. E eu também sentia a deles...

Era tão estranho me sentir dividido. Me sentir de dois lugares e situações tão diferentes...

Metade de mim era o príncipe, Damon filho do rei Wrath, descendente de Wrath. E a outra metade era Damon Salvatore, irmão mais velho de Stefan Salvatore, nascido em Mystic Falls...

Não podia negar ou fugir. Eu era os dois. Eu era as duas vidas, as duas situações. E sempre seria... Eu nunca seria totalmente só de um lugar e só de uma descendência.

Eu teria que levar e controlar as minha duas vidas... E assim seria.

Stefan ele é um filho da puta muito esperto. Que me conhece muito bem ... Ele sabia claramente que estava acontecendo alguma coisa comigo. Era tão difícil falar com ele e não poder contar a verdade. Pelo menos por agora...

Wrath me disse que as pessoas não podem saber sobre eles. Sobre a irmandade... Mas infelizmente isso era algo que eu não conseguiria controlar e esconder por muito tempo de Stefan. Pois mesmo se eu não contar uma hora mais cedo ou mais tarde ele irá descobrir. Nada fica oculto ... Ainda mais a verdade.

Não bastava todos esses sentimentos intensos, esse meu nervosismo, essa tristeza sufocante e insatisfação, eu não estava conseguindo dormir . Não estava me acostumando, me adaptando a isso de trocar o dia pela noite. Dormir cedo e acordar a noite.

Fiquei dias, acordado, deitado olhando pro teto sem poder sair da mansão, na luz do sol... Sem nada pra fazer.

E isso de não dormir me deixava tão irritado, instável. Mais do que eu já me encontrava né ?

Então foi onde eu tive a ideia, de ir pro centro de treinamento enquanto todos dormiam. Eu ia lá e treinava, treinava, treinava tudo que eu podia. Gastava todas as minhas energias... Na tentativa de me deixar “cansado” e assim conseguir dormir. E pra minha alegria essa ideia deu muito certo.

Estava fazendo isso por meses. Enquanto todos dormiam eu estava me exercitando. E ninguém tinha descoberto, até então.

Mas hoje deu erro, ele descobriu... Ele, Vishous, meu amor, minha perdição...

Quando pude perceber ele estava ali dentro da sala me encarando.

Droga...

Tudo que eu menos precisava agora era ele ali tão perto... E ainda mais descobrindo meu segredo!

Ele estava lindo só de calça moletom. Seu corpo perfeito, forte, tenso...

Céus... Eu preciso manter ele longe. Preciso continuar assim.

E sabia se ele continuasse ali eu não teria forças de continuar com aquilo. Já estava sendo difícil me controlar nesses 6 meses...

Na tentativa de o afastar. O tratei com rispidez, gritando e eu ordenei que ele saísse. Me deixasse em paz ...

Pude ver a tristeza em seus olhos. Ele estava péssimo.

Mas ele fez o que pedi. Saiu me dando as costas e prontamente puder ouvir ele correndo pelos corredores e assim sumindo.

Silêncio...

Oh Vishous... Porra.

Continuo desesperadamente com raiva socando com força e rapidez. E fiquei por um bom tempo referindo golpes no saco de pancadas.

(...)

Até que cansei, afastei suspirando.

—Drogaaa... -grito caminhado até parede.

Onde apoio minhas mãos e tento me acalmar. Virei encostando minha costa naquela parede fria. E deslizei até o chão, sentando.

—O que eu faço agora ?

Pergunto pra mim mesmo, sem obter uma resposta.

Só silêncio...

E ali deixei meu rosto cair em minhas mãos, me sentindo totalmente perdido.