Amante Sofrido
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Notas iniciais
PDV DAMON
Ali seu celular , começou a tocar freneticamente , foi assim que eu voltei a realidade ...
Usando minha força o empurrei.
—Você está ficando louco ? Não me toque seu idiota. -berrei.
Vishous ficou um instante paralisado olhando minha raiva , até que afastou pegando o celular e atendendo com muito ódio por ter sido interrompido.
Céus se não fosse pelo celular eu teria cedido a passagem...
—Fala...
(...)
Era meu pai...
“Meu pai”. Isso soa tão estranho...
Precisávamos voltar pra mansão. Eu estava tão confuso que nem tinha forças pra contrariar Vishous.
Apenas entramos em meu carro e eu segui correndo pelas ruas. Percebi que ele me olhava, analisando a tudo. Mas não fez nenhum comentário.
Quando adentramos a mansão, todos aqueles caras , mais Wrath estavam na entrada .
Logo ele veio preocupado ao nosso encontro. E dava pra ver a preocupação e a tristeza em seu olhar. Eu não sabia como agir, o que falar e muito menos o que pensar.
Apenas o olhava ... Logo segui pro PIT . Ele me deve achar um cara frio , ingrato.
Mas eu só não sabia como agir. Essa é a verdade.
Fiz o Vishous me falou, abri o guarda roupa, pegando tolha, uma calça de algodão e uma camiseta.
E fui direto pro banho.
Demorei um bom tempo ali. Já havia me lavado, mas fiquei ali deixando a água quente cair sobre meu rosto. Tentando me acalmar. Não sei quando tempo exato fiquei ali...
Quando desliguei o chuveiro. Fui me enxugar . Quando já havia vestido a roupa e eu olhei no espelho... Eu estava horrível, pálido e com um pouco de olheiras.
—Misericórdia Damon... Agora você literalmente está parecendo um defunto. -sussurro pra mim mesmo me amaldiçoando por estar tão péssimo.
Quando abri a porta do Banheiro. Apenas estava olhando pro chão até que vi aquelas enormes botas de combate.
Levantei o olhar o vendo ali na minha frente. Preocupado? Simm
Perguntou como eu estava e nem se quer me deixou responder. Eu já estava sendo envolvido por aqueles enormes braços ...
Em um abraço ? Sim...
Céus , durante toda minha vida. Eu nunca recebi muito afeto e carinho. Muito menos abraços. Únicas pessoas que eu abraçava e me permitia ser abraçado era por Stefan, Alaric e Elena.
Fiquei em choque não sabia o que fazer. Totalmente sem reação. Mas também não o afastei. Não queria o afastar. Era tão bom receber um apoio. Um carinho...
Até que senti algo diferente. Esse abraço não era comum, ele transmitia entendimento, respeito, força, apoio e carinho, muito carinho.
E sem conseguir controlar fui relaxando em seus braços.
Sentia-me tão bem ali que era assustador.
Vishous... Porque você me faz me sentir assim ? Me faz sentir coisas novas. Coisas que nunca senti ?
Até que ele afastou e ficamos conversando um pouco pra relaxar , distrair. Até não aguentando mais, deitei na cama e acabei apagando.
(...)
Estava tudo bem . Até que cenas horríveis invadiram minha mente.
Todas as surras, os castigos, as torturas, as queimaduras e a fome... Tudo de ruim. Que Giuseppe me fez veio a tona naquele momento.
Eu queria esquecer aquilo... Queria apagar essas lembranças, esse passado...
Foi naquele momento que eu escutei aquele voz... Tão potente e rouca me chamando. Sua mão quente me segurando.
Voltei a realidade. Abri os olhos vendo a luz do quarto acesa e o vendo ali em minha frente tão...
“ lindo” .
Oh droga... Pior que ele é lindo.
Balancei a cabeça tentando afastar esse pensamento ridículo... Suspirei profundamente tentando me acalmar . Ele dizia que eu apenas tive um sonho ruim.
Me perguntou como eu estava.
—Eu poderia mentir. E sei que você não acreditaria . — Mas... Isso tudo está fodendo com minha cabeça ... -digo sincero enterrando a cabeça nas mãos. (...)
Levantei andando de um lado pro outro, agitado, desesperado... Até que pude perceber , ele já estava em minha frente me segurando.
—Tudo vai ficar bem... -sussurrou mexendo em meu cabelo e acariciando a minha bochecha.
—Vishous, eu...
—shhhh. Não diga nada, apenas relaxe.
Suspirei rendido e novamente fui agraciado com aquele abraço dele. Senti novamente aquele carinho que só ele conseguia me transmitir.
Abaixei o olhar, mais ele segurou meu queixo fazendo-me o olhar. Quando encontrei com aqueles olhos me senti forte. Ele me passava força.
—não quero te ver triste. -ele sussurrou tirando uma mecha de cabelo que caiu em meus olhos.
—estou achando isso difícil. -digo agora dando um passo pra trás e andando pelo quarto, parando em frente a janela.
Senti um vento frio bater contra o meu rosto. Suspirei fechando os olhos.
Naquele pequeno instante eu comecei a pensar...
Em tudo que estava acontecendo, toda proximidade com Vishous...
Tinha hora que era algo sexual, intenso, desejo. Mas em outros momentos era tão amigável, verdadeiro, sincero e com tanto carinho . Tão forte.
Ele conseguia me acalmar... me dar a paz que falta em mim, em minha vida .
Eu não conseguia entender isso, essas coisas que ele me faz sentir...
Estou tão confuso, que chega a ser assustador. Suspiro. Sentindo o vento bater mais forte ainda contra meu rosto
—Droga Damon. -ele fala bravo me despertando dos meus pensamentos. -eu odeio não saber o que você está pensando. -ele diz completamente irritado.
—eu... -gaguejo.
—como queria saber o que você pensa. Em te entender, saber sobre a sua vida.
—suspiro. -eu não gosto de falar disso.
—é. Eu estou percebendo. Mas seria bom, muito bom.
Serio que ele quer saber sobre minha vida? O que eu fui, o que me tornei e o que eu sou agora ? Dou uma risada mentalmente. Se ele soubesse o que já fui capaz e o que sou capaz de fazer... Ele nunca teria vontade de saber sobre mim. Ou me querer por perto.
—o que você quer saber? -pergunto curioso.
—tudo. -diz direto .
O olho e o vejo rígido, de braços cruzados e mexendo em seu cavanhaque.
Sorrio. -curioso não?!
—um pouco. -ele sorri. -mas, ainda um dia eu vou saber tudo sobre você.
—sorrio. -não fique tão esperançoso assim. Isso tem grandes chances de não acontecer. -digo sendo sincero.
—espero que você esteja errado.
Suspiro me sentindo cansado. Mais o que eu realmente preciso agora é sair daqui, ficar trancafiado nessa mansão não vai me ajudar em nada. Não vai me fazer entender as coisas... Apenas me sufocar. Fazendo-me sentir acuado e louco pela minha liberdade.
—você está fazendo de novo. Pensando e me deixando louco.
—desculpe. -digo.
—você parece cansado porque não volta a dormir um pouco? Ainda há algumas horas pra dar a hora de levantar.
Eu suspiro vencido.
—agora sobre descansar um pouco eu necessito mesmo. -digo me sentindo exausto.
Ele fica mais calmo e arruma a cama enorme de casal que têm ali. Com certeza aquela cama é dele. Logo eu já estava de baixo dos edredons novamente. Fechei os os olhos tentando desligar minha mente. Meus pensamentos.
—boa noite, Damon.
—boa noite, Vishous.
Logo o quarto ficou escuro novamente e ele adentrou ao banheiro. Sem resistir mais, deixei que o cansaço me atingisse. Pois queria que pelo menos naquele momento eu esquecesse os meus problemas...
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