PDV DAMON

—Eu imagino e entendo ...

—Damon... Por favor! -Ele disse com firmeza. -Eu mereço saber . Eu quero a verdade! Eu quero entender tudo isso. E principalmente saber o que você passou nesse tempo. Eu sou seu irmão. Quero que confie em mim. Quero cuidar, te ajudar, te amparar. Sinceramente eu preciso de você.

—É. Disse balançando a cabeça em confirmação. -É confuso, mas eu também preciso de você. Preciso de você, de seu apoio, irmão. -disse mexendo em meu cabelo . -Sentindo o nervosismo aumentar e a ansiedade invadir totalmente cada pedaço de meu corpo.

(...)

—Eu irei contar tudo. Desde do começo, desde de quando eu fui embora de Mystic Falls. -disse.

—Esta bem. -Ele disse super ansioso, me olhando com grande atenção.

—Eu naquela noite, sai sem rumo. Não sabia pra onde iria. Só queria ficar o mais longe possível, deixar e esquecer o passado...

—Damon , sentimentos, amor não se esquece. Ainda mais assim fugindo, sumindo pelo mundo. -Ele disse me cortando.

—Stefan! Me escuta. Me deixe contar, se não eu não vou ter coragem de contar tudo que aconteceu e está acontecendo... -disse firme.

Ele me analisou suspirando.

—Desculpa, continua, por favor.

—Suspirei profundamente. -Eu sai sem rumo, dirigi por horas nas estradas, até chegar em alguma cidadezinha qualquer. Dali em diante, comecei a planejar minha viagem, procurar cidades grandes, lugares onde tivesse luxo, festa, curtição, mulheres de todos os tipos e as mais belas. E assim foi feito, de pouco em pouco tempo eu pulava de cidade em cidade. Viajando sem me apegar a nada a ninguém muito menos aos lugares. Até que um dia li sobre esse lugar. Sobre Caldwell, cidade grande. Com muita boates, festa. E sobre uma dessas boates me chamou atenção. Tudo que falava dela era ilegal, proibido. E mesmo assim polícia não fazia nada. Sei lá senti curiosidade e ate certa forma atraído para vir pra cá. No fundo sabia que tinha algo “místico” aqui...

—Ah, que droga... É como Mystic Falls? E algo fora de base. Atrai todos seres sobrenaturais.

—Exato. E assim eu fiz. Vim pra cá , “aluguel” uma casa e fui conhecer a cidade. Claro que logo já fui conhecer essa boate tão famosa, tão errada.

—E o que tinha de então ilegal nela?

—Bom. -dei um risada irônica. -De tudo um pouco. Bebida, droga, sexo, prostituição. Menores frequentando. Brigas, sempre aparecendo corpos por perto mortos. Pessoas sumindo...-suspirei. -Quando cheguei na boate ela era pior do que imaginei. Sinceramente é algo escancarado que é ilegal. E mesmo assim estava sem sinal de polícia. Entrei avistando muitos humanos, bebida, droga a vontade. Sem falar nas prostitutas, você mal entra e elas está todas se oferecendo pra você. Sinceramente, eu amei isso. E era isso que eu queria, precisava.

—Que droga, Damon. -Ele disse bufando irritado.

—Olha eu não vou mentir. Eu queria aquilo e assim foi feito. Paguei e transei com várias e várias delas... -Suspirei. -Eu tinha a sensação que eu estava sendo vigiado, mas conformei isso, pois estava lotado a boate, mal dava pra andar . Todas as pessoas se olham, então... Depois de algum tempo quando eu estava indo pro banheiro com duas prostitutaa, eu senti um grande poder tentando invadir minha mente. Estranhei porque até então eu só tinha visto “humanos”. Mas usei meu poder tentando achar o responsável por isso . E eu acabei dando de cara com um cara alto de cavanhaque, tatuagem no rosto .

—Vishous? -ele perguntou chocado.

—Sim, ele mesmo. Bom, ele assustou percebendo que eu tinha um grande poder que eu não era como aqueles humanos idiotas... -suspirei. -E assim foram durante dias... Todas as noites eu ia lá, e ele estava lá com seus amigos tipo numa sessão vip. Eu chegava ele sempre me olhava. E eu não agia diferente não conseguia não o olhar , não sentir curiosidade em saber o que ele era. E porque ficava me olhando, porque havia tentado entrar em mim mente. Era como uma atração, ambos se observavam. É isso, esse sentimento foi crescendo. -disse passando a mão pelo meu cabelo o olhando.

Stefan não disse nada , apenas piscava me olhando. Sentia que ele estava com os pensamentos a mil.

—Bom, um dia cansado disso, dessa curiosidade, desses olhares. Eu fui em outra boate. Lembra aquele dia que você me ligou e eu estava saindo da boate tonto?

—Sim.

—Foi esse dia. Eu estava saindo da boate e no beco eu dei de cara com ele. Vishous... Ele estava me procurando. Disse que precisava conversar comigo. -suspirei. — Bom, lembra que na minha infância, adolescência sempre sonhava com homens pálidos, de cabelo loiro que me perseguia?

—Sim, claro. Você mal dormia a noite . Lembro de todos os sonhos que você me contava.

—Então... Eles existem! E você os viu. Tanto que lutou com eles quando foram me resgatar.

—Que ? Como assim... Damon , meu Deus. Eu não estou entendendo. Você está querendo me dizer que...

—Sim. São os lesser’s.

—Céus.. Mas como? Nada disso esta fazendo sentindo.

—Calma. Logo você entenderá.

—Estou confuso.

—Enquanto estávamos conversando, os lesser’s apareceram, nós atacando. Matamos eles. Só que estava amanhecendo e eu já suspeitava que Vishous era um vampiro. Então o trouxe para minha casa, onde tive a confirmação. Enquanto eu fui fechar as cortinas, eu pude ouvir uma ligação que ele recebeu, onde o homem na linha, chamado Wrath, perguntava de mim, sabia meu nome, tudo. E me chamava de ... -Minha voz morreu.

—Te chamava como?

Fiquei em silêncio olhando para minha mão, sentindo todas essas lembranças me invadirem... Me sentia até tonto.

—Damon! -Stefan disse firme preocupado. -Te chamava como?

—Suspirei o olhando , dentro de seus olhos. -De... Filho.

Pude ver ele ficar confuso, transtornado, sem chão. Totalmente pálido.

—Não, isso não é possível. Que história doida é essa Damon? Como você pode acreditar nisso?

—Stefan! -disse firme. -Essa é a verdade. Giuseppe não é meu pai!

—Não. Isso não faz sentindo algum. Como não ?

—Suspirei profundamente. -Quando anoiteceu Vishous me trouxe aqui, pra essa mansão. Onde tudo poderia ser esclarecido. E assim foi feito, fiquei cara a cara com esse tal de Wrath. E ele me contou tudo... -disse calmamente contando tudo, o que meu pai havia me contado, como ele conheceu minha mãe, como foi a história deles, o que aconteceu, como Giuseppe sumiu com minha mãe grávida de mim pelo mundo. Em como Wrath nós procurou por anos, que quando me achou acreditou que eu estava morto, que foi no meu enterro. Contei simplesmente tudo, até mesmo os traumas que Giuseppe fez a mim, as agressões, as torturas, os abusos... Onde tudo se encaixou e fez sentindo... -É isso Stefan! -sussurrei terminando de falar, suspirando profundamente fechando os olhos.

Eu podia sentir o ar tenso... Esperava Stefan começar a falar feito um papagaio, dar um show de leves, surtar... Mas nada disso aconteceu , pelo contrario o silêncio se fez presente.

Silêncio.

Silêncio.

Silêncio.

Silêncio.

Não aguentando isso abri os olhos o olhando. Dei de cara com ele, paralisado, pálido, era como se estivesse em transe , mergulhado em pensamentos, lembranças. O choque era visível em seu rosto.

—Stefan? Ei? -disse firme tentando o trazer de volta pra realidade.

—M-meu D-deus... -Ele disse gaguejando. -Tudo faz sentido agora.

—Sim. -Sussurrei.

—Por que você nunca me contou sobre isso ? Sobre as agressões sobre... -sua voz morreu. -Oh meus Deus. -ele sussurrou começando a chorar, podia ver a revolta em seu rosto.

—Eu não queria estragar a imagem que você tinha do Giuseppe, mesmo que ele não fosse “tão bom” pai assim.

—Mesmo assim Damon! Olha o que ele fez. Droga , eu tinha que saber. Porra eu nunca desconfiei de nada. Eu tinha que te ajudar, que te proteger. Inferno!

—Calma! -pedi ansioso.

—Que caralhoo! -ele gritou.

—Eu também não conseguia falar. Eu não queria pensar nisso. Que eu havia sido... -minha voz morreu.

Ali pude o sentir me envolvendo, me abraçando fortemente.

—Eu sinto muito . -ele disse desesperado.

—Esta tudo bem, Stefan!

—Não. Não está irmão. Droga, não precisa mais fingir, continuar com essa máscara que nada aconteceu, que eu não sei de nada...

Suspirei o abraçando fortemente.

—Ah Damon, como conseguiu guardar isso por tanto tempo?

—Eu fingia que nada havia acontecido...

Ele suspirou profundamente me abraçando mais forte ainda.

Onde ficamos um tempo assim em silêncio, apenas abraçados...

—Teve uma vez, quando eu era criança... -Stefan começou um tempo depois que já estava um pouco mais calmo... -Que ele chegou a falar que não era seu Pai. Mas eu achei que era viagem da cabeça dele. Que era implicância, birra. Bom, ele também estava caindo de bêbado... Eu não podia imaginar... Acreditar nisso!

—Sim, uma vez quando eu era criança, poucos dias depois da morte da nossa mãe, ele tonto chegou a me falar isso também. Mas como você disse nunca fez sentido isso. Achei que não passava de implicância, de algo nada a ver , saindo da boca de um homem trebado, que mal aguentava parar em pé. Então , não tinha como eu ou você acreditar nisso...

—Damon... Oh Damon. Eu sinto muito . Eu , eu... Droga ! -Ele disse confuso balançando a cabeça.

—Esta tudo bem .

—Não, não esta. Meu pai.... Que merda, pai porra nenhuma. -ele gritou alterado, levantando, andando de um lado pro outro. -Nem pra mim ele soube ser isso. Não soube assumir seu posto, sua responsabilidade, cuidar, dar amor e carinho. Giuseppe é um monstro. Eu sinto vergonha, nojo... Eu me sinto horrível em saber que o sangue de um ser desse circula em minha veia. Eu tenho repulsa por tudo o que ele fez com você... Em como destruiu nossas vidas!. Ah Damon, você sim, foi um pai para mim, me cuidou , me amou, me protegia... Você foi e é inúmeros significados para mim... Pai, irmão, melhor amigo... -Ele dizia transtornado, com muita raiva e tristeza. -Eu sinto muito.

—Se acalma. -disse indo até ele o envolvendo em meu braços, em um abraço bem apertado. -Esta tudo bem. Isso é passado.

—Tudo podia ser diferente... Ser melhor. -Ele sussurrou.

—Sim. Mas não foi assim, então , sem culpa, sem pensar nisso. O que foi , foi. O que está feito, está feito.

—Sim, mas...

—Mas nada Stefan ... Se não tivesse sido assim, eu não teria você ... Não teria um irmão.

—Você ainda me vê como irmão? -Ele perguntou confuso, me cortando.

—Por que eu deixaria de ver ?

—Por Giuseppe, por tudo que aconteceu... Por não termos o mesmo pai... E...

—Pare! -Disse bravo o cortando. -Olha a besteira que você está falando Stefan! -disse furioso. -Você não deixou de ser ou nós tornamos “menos irmão” por causa disso! -suspirei. -Você é meu irmão! Como sempre foi e como sempre será!

—Ah, eu pensei, tive medo de você não sentir mais o mesmo por mim. Não me querer em sua vida, não me querer mais como irmão.

—Não fale asneiras. -disse segurando seu rosto. -Você é meu irmãozinho e sempre será. Eu te amo, Stefan...

—Eu também te amo, com todo meu ser. Você fez e faz parte de mim. E nada e ninguém mudará isso. Estamos ligados Damon e isso não mudará, nem agora e nem nunca .

-Exatamente. -disse dando um pequeno sorriso o abraçando fortemente.

Ficamos por um bom tempo assim , até que afastei o olhando.

—Me conta como tem sido? Você passou esse ano vivendo aqui ? -Stefan perguntou curioso.

—Sim. -disse Sentando na poltrona.

Ali contei tudo como foi a convivência, com meu pai, com os irmãos. Sobre o Centro de Treinamento, os alunos, os amigos que fiz. E até sobre Alexx e seus amigos. Como tudo aconteceu, na boate e depois no Centro de Treinamento, em como ele implicava comigo e com todos os alunos. A briga que tivermos que eu o deixei em coma, o pai dele tentando se vingar. Contei tudo mesmo, simplesmente tudo, nós mínimos detalhes...

—Esse Alexx era um tormento. Credo.

—Tormento é elogio viu?!

—Ainda bem que está morto. Assim não irá mais fazer mal algum a você e os outros alunos.

—Sim. Finalmente teremos paz... -Disse.

Ali pisquei os olhos, olhando para o nada. Sendo consumido por vários pensamentos, lembranças...

—Você está bem ?

Continuei em silêncio.

—Damon? -Stefan disse mais firme me trazendo de volta a realidade.

—Que ? -Perguntei confuso.

—Você ficou estranho, aéreo... Te perguntei se você esta bem.

—Ah sim. Estou . -disse dando um sorriso.

—Você está mentindo.

—Não...

—Esta Sim. -Ele disse me cortando. -Que foi? Tem mais alguma coisa que você tem pra me contar ?

Suspirei profundamente olhando para o chão .

O silêncio se instalou no ar... E assim foi por algum tempo até que ele cortou o clima.

—Irmão?

—Hm. -disse passando a mão pelo meu cabelo.

—por favor... Fale!

—Sim, eu tenho mais uma coisa pra te contar. Mas... Mas eu não sei como você irá reagir... -disse balançando a cabeça.

O medo, a insegurança, invadindo cada pedaço do meu corpo eram frenéticos

—Droga... Você está me deixando nervoso e assustado assim.

—Tenho medo de você não me querer mais como seu irmão.

—Que ? Por que ? Damon, estou preocupado agora.

—De não entender... Me aceitar... -sussurrei.

—Entender? Aceitar? Como assim? Eu sou seu irmão... E você pode me contar qualquer coisa. Eu estou aqui, sempre. Confie em mim. -Ele disse firme olhando dentro dos meus olhos.

—Droga. -disse fechando meus olhos suspirando profundamente. -Quando eu vim para cá, eu só “conhecia” o Vishous. -disse fazendo sinal de entre aspas com a mão. — E ele cuidou de mim, e eu confiava nele. Bom, criamos intimidade, dormia em seu PIT. E ele entendia e me ajudou no começo, quando não queria aceitar. Foi difícil irmão. Entender e aceitar que minha vida poderia ter sido diferente.

—Eu imagino. Imagino o quanto doeu, foi difícil, o quanto você deve ter rejeitado tudo isso.

—Sim. Tentei negar, tentei fugir daqui, tentei de tudo. Era sufocante de mais os sentimentos...

—Entendo.

—E ele me ajudou. Cuidou... Se importava... -suspirei. -Bom, aquilo que eu estava sentindo em relação a ele, quando o via na boate se intensificou ainda mais. Eu não entendia o que eu estava sentindo, pensando. Era algo tão espontâneo, eu não tinha e não tive controle...

—O que você está tentando me dizer ?

—Eu senti sentimentos por ele que eu nunca pensei ou ousei sentir . Era incontrolável.

—Como assim? Que sentimentos?

—Quando ficávamos perto, próximo eu não conseguia controlar. Quando eu estava com ele eu tinha pensamentos, vontades, desejos...

—Que vontade, desejos Damon? -ele perguntou surpreso.

—Eu sentia atração por ele, Stefan. -disse o cortando, sendo direto. -Queria estar perto, queria senti-lo, queria me permitir sentir e usufruir todos àqueles sentimentos novos, intensos e confusos que eu tinha.

—Céus... -Ele sussurrou.

—Lembra quando você me disse sobre o amor? Que quando eu finalmente sentisse eu seria consumido, controlado por isso? Que eu não conseguiria fugir ou controlar? Que eu iria ansiar por mais e mais ?

—Sim...

—É, você tinha razão, irmão.

—Damon você está me dizendo que ...

—O que eu sinto por ele, eu nunca se quer senti por mulher alguma. Ele faz eu me sentir vivo, Stefan. Me fez conhecer e ter sentimentos até então imagináveis...

—Você o ama? -Ele perguntou diretamente me analisando.

—Sim. -sussurrei.

Ele nada disse apenas ficou quieto me olhando .

Silêncio.

Silêncio.

Silêncio.

Eu sentia o ar tenso, pressão, o medo e angústia que eu sentia eram horríveis.

Suspirei. Estava com muito medo de sua reação... Não sabia o que pensar, o que esperar...

—E-eu tentei mentir pra mim mesmo... -comecei a explicar. — Tentei fugir, tentei negar, tentei de mais lutar contra isso. Eu juro Stefan eu lutei, lutei muito contra isso ... Mas eu não consegui. Eu fui consumido, fui vencido... E sinceramente foi a melhor coisa que já me aconteceu. -disse transtornado enfiando meu rosto em minhas mãos.

—Eu... Calma, está tudo bem. Se acalma! -ele pediu ansioso. -Eu , bom , não nego estou um pouco surpreso. Você sempre foi o mais mulherengo, o que sempre tinha milhares e milhares de mulheres em sua volta, em seus pés... Mas..

—Eu nunca me senti satisfeito, nunca me senti completo, bem... -confessei o olhando.

Ele paralisou me olhando, me analisando.

—Como assim?

—Bom, isso entra bastante sobre a minha descendência/ transição. É normal antes de passar pela transição, sentirmos assim. -comecei a explicar como era a transição e tudo mais. -Mas é isso. Eu transava e transava, mas nunca me senti satisfeito, completo. Por isso saia com várias mulheres, na busca de encontrar alguém que me completasse, me fizesse sentir bem. Eu não entendia isso, não entendia essa minha insatisfação... Era confuso. Conseguia varias mulheres lindas, que fodiam muito, muito bem por sinal. Mas eu não ficava satisfeito. Parecia que faltava algo, me sentia perdido, incompleto...

—Damon...

—Não só sobre o sexo que eu sentia assim. Na vida mesmo eu sentia que faltava algo. Sei lá acho que meu próprio corpo, mente estavam me avisando que faltava algo. Que algo não estava batendo na minha vida. Não sei ... Muitas vezes senti que não fazia parte daquela vida, daquele mundo. Principalmente na adolescência. Era complicado, confuso.

—Por que Você nunca me contou sobre isso?

—Eu ia explicar como? Era um sentimento que simplesmente me consumia por dentro. Eu me sentia vazio... Ninguém iria entender. Nem mesmo eu entendia.

—Não sei, você poderia ter me contado . Talvez você se sentisse melhor se abrindo...

—Agora entendo, meu corpo estava avisando. Mas nunca naquela época iríamos entender irmão.

—É... Mas você poderia ter me falado. Quantas vezes briguei com você por viver transando cada noite com uma ou várias mulheres. Falava que você estava as usando... -Ele suspirou. -Desculpa. Eu não podia imaginar.

—Tudo bem Stefan. E no fundo você tinha razão, eu as usavas. É isso... essa é a verdade.

—Droga. -Ele sussurrou balançando a cabeça. -E ele? O Vishous? Qual é o sentimento dele por você? Vocês... Vocês estão juntos? -Ele perguntou curioso, com um sorrisinho malicioso.

—Reciproco, super recíproco. Sim, estamos juntos. Ele, sempre desde do começo deixou claro que se importava, gostava e queria estar comigo... Bom, eu que dei trabalho, lutei contra e tentei negar e ele quem acabou sofrendo -disse dando um sorriso triste.

—Ah irmão. Por que você fez isso?

—Era confuso, eu não conseguia entender. Não quis aceitar isso. Eu não podia estar atraído e me apaixonando por um homem. -confessei olhando para o chão.

—Quando é pra ser, quando amamos não tem isso de sexualidade irmão. Apenas sentimos. E é isso. Você nunca amou ninguém, por um tempo achei que você estava conhecendo esse sentimento por Elena...

—Não. -disse o cortando. -Amo Elena, mas agora vejo e entendo que é como amiga/cunhada. Eu confundi as coisas... -suspirei. -Tirando você irmão, depois quando me transformei em vampiro ninguém quis se aproximar de mim, que via esperança ou bondade em mim. Elena por mais que eu errasse ela acreditava que eu poderia ser alguém melhor, que tinha salvação. Então sei lá fui cego em pensar que era amor carnal, de homem e mulher... Sinto muito tudo que causei. Nunca iria atrapalhar vocês ou ousar roubar “ela”. Por isso afastei.

—Eu sei. -Ele disse firme. -Eu sei. Por isso doeu mais ainda quando você foi embora. Você não queria ficar pra me magoar . Mas sofri mais ainda com sua ida.

—Sinto muito... Então... Meu amor por ela é de amizade. Agora eu sei e entendo o que é um amor de verdade, carnal, de casal, aquele sentimento que você mataria e morria pra estar e proteger a pessoa que ama.

—Bem, concluindo meu pensamento... Amor não tem sexualidade, não tem classe social, não tem religião, não tem passado , erros, não tem “proibições” não tem barreiras.. Quando é pra ser, simplesmente é. Simplesmente acontece, sente. Aquele sentimento que vem, chega e se instala, que consome completamente, que faz mudar pensamentos, atitudes, ações, que faz querer ser alguém melhor. Amor é isso: “Esperança” irmão.

—Sim. -Sussurrei emocionado, concordando .

—E sobre o que você me disse de ter medo de eu não o querer como meu irmão... De não saber minha reação, se entenderia, aceitaria... Não tem isso . Você é meu irmão mais velho, e eu te apoio . Apoio sua felicidade, seu amor, seu desejo de ser alguém melhor. Em amar e ser amado... E eu estou muito feliz e orgulhoso de ti. Eu sempre quis e desejei ver você feliz, em paz... Em ver você ser alguém melhor. E eu estou vendo isso aqui e agora na minha frente. O que mais eu poderia querer ? Sempre acreditei e desejei sua salvação... É veja bem, estava certo. Eu estou muito realizado. -Ele disse rindo, abrindo os braços.

—Ah, Stefan... -sussurrei levantando indo para seus braços, que me envolveram com grande força, num abraço bem apertado. -Obrigado, irmão... -sussurrei emocionado.