Amante Infernal
7 Outros Momentos
Notas iniciais

Parei de fazer o que estava fazendo e dei uma olhadela para as três mulheres atrás de mim, Christa estava com os olhos um pouco arregalados e pressionava os lábios parecendo tensa, Beatrix carregava uma expressão de irritação embora eu pudesse ver a preocupação em seus olhos e Cordelia sorria com deboche e ironia enquanto seu olhar carregava um forte brilho de diversão, eu tinha a leve impressão que ela seria um problema.
Yui havia paralisado no lugar do qual avistara as mães dos garotos e estava pasma tentando processar o que estava vendo, suspirei e virei-me encarando as fantasmas.
— Não saíam daqui. – pedi calmamente e a única que entortou a boca por eu estar sendo exigente foi a vaca, estreitei os olhos para ela e fui até Yui.
— Yui-chan, por que você está assim? Eu já não tinha te falado que as almas das mães dos meninos estavam presas aqui? – perguntei lentamente e a encarei intrigada, ela piscou algumas vezes e balançou a cabeça.
— Eu sei, é só que é um pouco chocante ver tantos fantasmas juntos depois de tanto tempo e ainda fantasmas de pessoas que foram tão desunidas em vida. – explicou-me parecendo abalada, eu pressionei os lábios ainda me decidindo sobre uma questão.
— Certo. Você quer conhece-las? Quer dizer, conhecer algumas delas? – questionei corrigindo-me ao lembrar que Yui já conhecia uma delas muito bem.
— E-eu acho que sim. – respondeu-me com nervosismo, provavelmente rever Cordelia não seria uma boa experiência para ela, então se a mulher tentasse qualquer gracinha iria levar um soco pior do que o da primeira vez. Peguei na mão da loira e a levei até o coreto parando em frente às três mulheres.
— Bem, vocês já devem conhecer a Yui-chan, mas ala não conhece a maioria de vocês. – falei dando ênfase em “a maioria” e dando uma olhadela para Cordelia em seguida, sim, eu realmente gostava muito de implicar com ela.
— Olá, Yui-san, eu sou Christa, mãe do Subaru, mas você já sabia disso, não é! Fico feliz em conhecer a noiva que conseguiu fazer um pouco de diferença na vida dos meninos. – a albina foi a primeira a se apresentar, ela abriu um pequeno sorriso enquanto falava. Fiquei surpresa pelo modo como ela falou de Yui, mas, além disso, senti uma onda de ciúmes me invadindo e me senti inútil, como se minha presença na mansão não valesse de nada. Resolvi deixar esses sentimentos para lá e me concentrei nas apresentações.
— Bem, talvez isso seja desnecessário, mas eu me chamo Beatrix. Agradeço por ter dado a atenção que eu nunca dei aos meus filhos, à todos eles na verdade. – ela se apresentou sem nenhum sorriso, parecia até um pouco indiferente, porém nem por isso deixei de sentir o mesmo que senti quando Christa falou sobre Yui ser importante para os meninos. Fechei a cara e esperei pelo comentário que, obviamente, Cordelia não deixaria de dar.
— Olá, Yui, há quanto tempo! Sentiu minha falta? – e aí estava o comentário debochado que eu sabia que a vaca diria, Yui cerrou os punhos, contudo preferiu não revidar e se voltou para as outras.
— É um prazer conhece-las e fico muito feliz em saber que estão satisfeitas por eu estar ajudando os garotos, mesmo que eu não esteja fazendo muita coisa. – a loira disse com um leve sorriso alegre e as outras duas retribuíram o gesto, mordi o interior das minhas bochechas tentando suprimir a onda de raiva que me atravessou.
— Bem, agora que vocês já se conheceram oficialmente acho que precisam conversar, não é mesmo? Eu vou voltar aos meus afazeres. Se comportem, garotas! – avisei fazendo uma brincadeira e fingindo um sorriso de divertimento, Cordelia havia sumido há alguns segundos, ela com certeza sabia que não seria bem-vinda na conversa, depois me virei e peguei a tesoura de poda do chão seguindo para outro arbusto. Não queria ouvir a conversa que elas teriam, não queria me sentir irritada e com ciúmes dos elogios que fariam à Yui, não queria sentir que não era importante para os Sakamaki e para os Mukami, por isso preferi ignorá-las.
Continuei a arrumar o jardim e em certo momento me esqueci das coisas que vinham me irritando e me azucrinando desde que cheguei nessa mansão, sorri e me empolguei com minha tarefa de organizar toda aquela bagunça, quando me dei conta Beatrix e Christa tinham ido embora e Yui havia começado a me ajudar com a arrumação do local, sem dúvidas éramos muito mais rápidas trabalhando juntas e nem sequer notamos quando finalmente terminamos aquela parte.
— Nossa! Arrumar essa parte do jardim foi tão rápido! Que horas são? – perguntei ainda agitada, eu estava tão enérgica que poderia terminar de arrumar todo aquele jardim naquele momento, entretanto eu não podia já que ainda precisava jantar e ir para a escola.
— Falta uma hora para o jantar. – respondeu-me Yui olhando rapidamente no delicado relógio que tinha no pulso, era prateado e parecia um bracelete, muito bonito de fato. – Se continuarmos nesse ritmo, com certeza, vamos conseguir terminar de arrumar todo o jardim antes do baile. – acrescentou satisfeita enquanto admirava o nosso trabalho, eu fiz o mesmo e vi como aquele lugar havia ficado bonito.
O coreto estava limpo e sua antiga beleza havia sido recuperada, o mármore brilhava com todo seu esplendor; a grama estava aparada e graças ao clima não havia morrido com a passagem do tempo, somente precisava de um pouco mais de cuidado para voltar a ser totalmente verde; os arbustos e árvores foram todos podados de formas padronizadas, voltaram a decorar o jardim da forma como deveriam; o caminho de cimento continuava com seu aspecto envelhecido, mas agora estava bem limpo e deixava escapar certo charme. Tudo estava como deveria ser e eu sorri quando imaginei aquela mesma imagem com toda a cor que as flores proporcionariam depois que estivessem devidamente plantadas.
— É o que eu espero. – murmurei para mim mesma e fechei os olhos quando um vento gelado chacoalhou as folhas das árvores e emaranhou meus cabelos, por um segundo eu senti paz tomar conta do meu peito e aproveitei esse breve momento sabendo de sua raridade. Respirei fundo uma última vez e abri meus olhos virando-me para Yui, peguei a mão dela e comecei a correr pelo jardim puxando-a animadamente até a mansão. – Vamos, Yui-chan, temos que nos aprontar para o jantar! Hoje vamos tomar banho juntas para ser mais rápido! – falei empolgada.
Entramos na mansão como dois furacões e passamos direto por quem quer que estivesse perambulando pelos corredores, ao chegar ao banheiro nós paramos e ficamos ofegando de cansaço com a corrida, depois nos entreolhamos e demos uma risada com nosso breve momento de loucura imaginando o que teria acontecido se o Reiji tivesse visto essa “falta de modos”.
— Por favor, nunca mais faça isso, Tora-chan. Eu estou morta, não sirvo para correr. – Yui disse enquanto tentava recuperar o fôlego, eu ri de seu drama e quase me engasguei com o ar o que a fez rir também.
— Vamos logo tomar banho! – falei fazendo uma careta e liguei a água para encher a banheira, nós tiramos nossas roupas rapidamente e nos recostamos na enorme pia de mármore cor de creme para esperar a banheira terminar de encher, ficamos em silêncio e eu espiei pelo canto do olho o corpo da Yui. Ela tinha seios pequenos, cintura fina, quadril estreito e pernas longas e esguias, corei e olhei para mim mesma, eu também tinhas seios pequenos e cintura fina, no entanto meu quadril era um pouco largo e minhas pernas não eram tão longas e eram mais carnudas. Fiquei com um pouquinho de inveja do corpo da loira, pelo menos nós duas tínhamos algo em comum. – Como será ter peitos grandes?
— Ehhhh! Você está mesmo me perguntando isso? – Yui exclamou surpresa e pasma com meu devaneio repentino, ela me encarou incrédula esperando uma resposta e eu apenas assenti em afirmação, a loira engoliu em seco e abriu a boca para responder. – Bem que eu queria saber, mas meus peitos também são pequenos. – respondeu ruborizada de vergonha.
— Na minha opinião, a garota deve sentir um peso dependendo do tamanho. Se forem muito grandes deve ser mais difícil de sustentar a coluna e eu vi que eles ficam flácidos e caem mais rápido que os pequenos. – supus calmamente como se nós estivéssemos conversando de um assunto normal, nem eu entendi muito bem como a gente chegou nesse assunto, mas está tudo bem.
— Nesse caso é melhor ter seios pequenos. – Yui opinou, parecia mais que ela estava pensando alto.
— Concordo. Além disso, os nossos também são macios então não tem muita diferença, não é? – falei naturalmente fitando o teto.
— Acho que sim. – respondeu e nós duas ficamos encarando o teto em silêncio enquanto pensávamos sobre ter seios grandes ou pequenos. – Oe, a banheira! – exclamou assustada e correu até a banheira desligando a água, suspirou aliviada ao ver que ela não havia transbordado e olhou para mim antes de entrar nela. Eu andei até lá e também entrei, com isso a água acabou escapando pelas beiradas e molhando o chão.
Aproveitamos a água por um momento até que eu resolvi, com todo meu descaramento e ousadia, perguntar:
— Yui-chan, será que eu posso tocar nos seus seios? – na mesma hora ela arregalou os olhos e cobriu o busto me olhando assustada, eu comecei a gargalhar pela cara que ela fez e minha barriga começou a doer de tanto rir, quando a olhei novamente ela havia estreitado os olhos e me encarava irritada. – Você tinha que ter visto sua cara! – debochei gargalhando ainda mais, com essa distração não percebi quando Yui pulou em cima de mim e começou a me apalpar.
Primeiro começou pela minha cintura e eu ri sentindo cosquinhas onde ela tocava, depois ela foi subindo e eu continuava rindo até que sem querer ela apertou meus seios e eu gritei totalmente surpresa com o toque, Yui saltou para longe assustada e nós nos entreolhamos.
— Gomen, Tora-chan. – pediu arrependida.
— Só te desculpo se você me deixar fazer o que tinha pedido antes. – retruquei maliciosa com um sorrisinho pervertido, eu já sabia que ela não iria aceitar, mas queria brincar um pouco.
— T-tudo be-bem... – gaguejou timidamente enquanto corava e foi minha vez de ficar pasma, provavelmente ela achava que eu não iria desculpa-la se ela não me deixasse fazer o que eu pedi. Yui era tão inocente.
— Você é tão fofa, Yui-chan! – exclamei com um olhar brilhante e a abracei com força, de um jeito meio hesitante e desajeitado ela retribuiu meu abraço, ficamos alguns segundos assim até que eu a soltei e falei. – Me deixa esfregar suas costas, a gente tem que terminar logo com isso. – avisei e peguei a esponja colocando um pouco de sabonete líquido de romã e fazendo espuma, ela assentiu e virou de costas para mim, eu comecei a esfrega-la delicadamente.
— Hum, isso é bom. – Yui confessou depois de um suspiro relaxado e amoleceu o corpo tentando aproveitar a sensação, eu sorri e terminei de esfrega-la entregando-lhe a esponja, ela virou para mim e eu dei as costas para ela que logo começou a me esfregar. Eu percebi o quanto aquilo era bom e também dei um suspiro enquanto relaxava o meu corpo, alguns minutos depois nós já havíamos terminado nosso banho e eu passei no meu quarto para pegar o uniforme e me trocar no quarto da Yui.
Depois que nos trocamos a loira pediu para escovar os meus cabelos e eu, sendo a boa filha que sou, deixei. Esses momentos que eu tinha com a Yui sempre me lembravam de algumas das coisas que minha mãe fazia quando ainda estava viva, exatamente como ela estava agora penteando as minhas madeixas ruivas mamãe fazia toda vez que eu saia do banho, mesmo depois que eu já estava grande. Lembrar-me dessas memórias era nostálgico de um jeito bom, embora também fosse triste por eu saber que ela jamais faria qualquer dessas coisas que eu tanto amava.
Dei um sorriso triste e ao mesmo tempo conformado e enquanto sentia as delicadas mãos de Yui arrumando o meu cabelo pensei em como todas as pessoas de todos os cantos do mundo já devem ter perdido alguém ou algo importante e mesmo assim continuaram em frente, preservando as boas lembranças que elas deixaram para nós.
— Yui-chan, eu te amo. – declarei num sussurro embargado, no mesmo segundo a garota parou o que estava fazendo, eu a olhei preocupada e ela parecia desnorteada então lágrimas brotaram de seus brilhantes olhos rosados e ela me abraçou com força. Eu não entendia o que havia acontecido para ela agir assim, mas parecia ser algo muito importante, então eu retribui seu abraço enquanto afagava seus cabelos.
— Obrigada, Tora-chan.
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