Amante Inalcançável - Ian
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Oh, Virgem, obrigada pela minha audição...
Blaylock agradecia mentalmente, fechando os olhos enquanto tinha Adam desmaiado em seus braços.
Os dois ainda estavam abraçados encolhidos atrás da seção de armários de ferro do vestiário.
Há um minuto atrás Blaylock tinha nas mãos as duas ereções, dele e de Adam, que resfolegava rouco em seu ouvido. E cada gemido dele era um catalizador para seu próprio orgasmo, que vinha inexorável até a cabeça de seu pênis. Porém no momento em que ele sentiu o corpo quente e suado de Adam contraindo-se e o seu prórpio corpo seguindo a mesma sensação, o ruído indistinto de alguém abrindo a porta lateral do ginásio chegou até ele.
Blaylock sabia que ele sozinho não conseguiria seguirar o mhis no vestiário e que se o zelador, cujo cheiro chegava ao nariz sensível do vampiro, entrasse naquele banheiro e os visse como estavam seria complicado resolver a situação.
Apesar disso, mesmo correndo o risco, não conseguiu parar sua mão, e, apagando Adam e as luzes do vestiário com uma ordem mental, proseguiu o segundo a mais suficiente para chegar ao clímax.
Soltou um suspiro quando sentiu quentes em sua barriga os jatos do orgasmo de Adam e do seu, que aconteceram praticamente ao mesmo tempo. Mesmo apagado Adam se contorceu e gemeu deliciosamente, o que fez com que Blaylock o apertasse ainda mais contra si e não conseguisse evitar alcançar a boca aberta e molhada do outro.
Uma das primeira coisas que chamou sua atenção em Adam foi esse cheiro delicioso que ele tinha. Fresco e doce, como um maracujá. A respiração de Adam no seu nariz o deixava louco. Blaylock não conseguia se soltar dos lábios. Não conseguia se soltar de Adam, mesmo quando o zelador veio em direção ao banheiro, mas deu meia volta, confundido pelo fraco mhis, pensando que já tinha limpado o vestiário.
Demorou algum tempo depois que a porta foi fechada do lado de fora e o ginásio foi trancado para que Blay acendesse uma luz.
— Virgem... Você é tão lindo... — Blaylock deitou Adam sobre um comprido banco de madeira e adimirou o conjunto. O rosto relaxado, a boca sorrindo levemente, o pescoço delgado e bronzeado, descendo pelo peito musculoso, que subia e descia cadenciadamente no ritmo da respiração satisfeita. Sobre o abdomem trabalhado as evidências das duas liberações na forma de gotas peroladas de geléia.
Segurando Adam pela nuca, mas hipnotizado pelo que havia em sua barriga, Blay usou a outra mão para tocar o líquido. Com o indicador misturou os dois gozos sobre o umbigo, o que fez com que Adam se mexesse levemente, sorrindo ainda mais, como se sentisse cócegas.
Blay ergueu o dedo em frente ao rosto para examiná-lo. A ponta estava molhada e recoberta da mistura da essência dos dois. Sem mais hesitar, colocou o dedo na boca para sentir, com delícia, seu gosto amadeirado temperado por maracujá doce. Fechou os olhos degustando a mistura. Imediatamente sua ereção acordou novamente.
— Oh, merda... O que diabos eu estou fazendo?... — abriu os olhos novamente para olhar o corpo quente e desejável deitado sobre aquele banco de madeira, à sua frente.
Com delicadeza, deitou a cabeça de Adam, cuja penugem loira nascia, sobre a dura madeira e foi procurar uma maneira de limpar aquela bagunça do corpo dos dois. Voltou com uma toalha úmida de água quente para passar sobre a pele da barriga de Adam. E o fez com devoção, como se estivesse tocando um anjo.
— Caralho... Caralho... — murmurava para si mesmo. — Humano, o que você fez comigo?...
Era hora de encarar os fatos. Ou talvez a hora até já tivesse passado enquanto Blaylock tentava se enganar sobre o que estava acontecendo. Esse loiro deitado à sua frente havia se instalado sorrateiramente na sua cabeça e no seu coração, e estava ficando insuportável continuar tentando fingir que não se importava. Porque Blay se importava. E muito mais do que estava disposto a admitir.
Seu odor de vinculação preenchia o ar enquanto ele executava a limpeza, depois passava a vestir Adam novamente. Era incontrolável não exalar seus feromônios quando tinha algo tão desejável nos seus braços.
E uma culpa grande como o monte Fuji caía sobre sua cabeça, porque, afinal de contas, isso não deveria estar acontecendo. Não agora que desfrutava de tudo o que sempre desejou, que era estar vinculado a Qhuinn, seu amor eterno, seu objeto de desejo, seu pyrocant. E a vida era uma grande piada, porque Blaylock poderia apostar que, conhecendo Adam antes de conseguir Qhuinn para si, talvez não tivesse se esforçado tanto. Talvez pudesse estar satisfeito com esse humano somente. E eles dois teriam uma vida longa juntos. Algumas gotas do sangue de Blay poderiam fazer milagres para Adam.
Ser um irmão, combater a Sociedade Redutora. Tudo isso estaria tão longe dos dois... E essa rotina parecia tãaaaao cansativa... Passar o resto dessa existência lutando... Ou se aposentar, como seu pai, mas permanecer refém das regras da glymera e suas babaquices.
Depois de vestir Adam, Blaylock se limpou e se vestiu. Em seguida, sustentando o corpo semi-desmaiado, seguiu o corredor administrativo saindo no ginásio apagado. Sua visão era perfeita mesmo naquela situação, por isso conseguiu chegar sem dificuldades à porta lateral.
Com um comando mental a tranca se abriu e os dois sairam para a noite calma de Nova Iorque. Do lado de fora não havia ninguém. Tudo silencioso e sereno. A temperatura cada vez mais baixa quanto mais perto estavam do final do ano.
O vampiro foi caminhando em direção aos dormitórios apoiando Adam como se o rapaz estivesse bêbado. Ninguém estranharia isso.
Chegaram ao dormitório de Adam. Blaylock entrou sem nenhuma dificuldade, já que o segurança não olhou para os dois mais de uma vez. Do corredor ele pode ouvir o quarto silencioso pelo lado de dentro e agradeceu novamente à Virgem por mais essa graça. De nenhuma maneira gostaria de encontrar com o colega japonês de Adam. Não sabia por quê, mas tinha a sensação de que o rapaz conseguia enxergar sua verdadeira face com mais clareza do que as outras pessoas.
Dentro do quarto escuro levantou Adam nos braços com a facilidade que levantaria uma criança de 5 anos e o deitou em sua cama. Dessa vez pode ter a liberdade de tirar seus sapatos e sua calça e deixá-lo dormindo só com sua camiseta e cueca. Não sabia se os seres-humanos costumavam dormir nus como os vampiros, mas achava difícil que fosse assim num quarto dividido com outra pessoa que não era seu parceiro.
Antes de sair ajoelhou-se ao lado do corpo quente e confortável de Adam, que parecia tranquilo e satisfeito, confortavelmente deitado em sua cama. Passou o dorso dos dedos na sua face e o loiro sorriu levemente, ainda dormindo.
— Já que estou no inferno, o que custa abraçar o capeta? — perguntou-se, para então inclinar-se sobre o outro e lhe roubar mais um beijo da boca aberta.
Aquele cheiro de maracujá jamais sairia do seu corpo, pensou triste enquanto se desmaterializava.
***
Em segundos o corpo gigante de Blaylock se formou num beco sujo do centro de Caldwell.
Enquanto saía para a rua deserta e acendia um Dunhill vermelho, protegendo a chama com a mão esquerda e acionado o isqueiro Zippo com a direita, a chama avermelhando seu rosto, Blaylock sabia que não deveria estar ali.
Se ele fosse um bom garoto, como todos acreditavam que ele era, estaria sentado numa cadeira de faculdade assistindo sua aula de Citologia I, anotando as digressões do professor em seu Mac Book Air, pensando nas características celulares, olhando para mitocôndrias desenhadas à aquarela no seu livro.
Mas ele era um gradessíssimo filho-da-puta, e como tal, só havia uma maneira de aliviar os pensamentos conflitantes que borbulhavam na sua cabeça: o negro sangue dos redutores escorrendo.
Nos bolsos da sua jaqueta de couro havia duas Sig Sauer, como sempre. Ele jamais deixara de sair armado. Apesar de não haver registro da Sociedade Redutora agindo na cidade de Nova Iorque, sempre era bom prevenir.
Então, mais uma vez, obrigado Virgem.
Andando pela rua escura, seus instintos estavam aguçados. Farejava o ar esperando captar os traços ou do aroma enjoativamente doce de talco de bebê, ou do almíscar dos vampiros. Se encontrasse um dos Irmãos então, seria perfeito.
Seguindo a lógica se dirigiu à rua Trade. Os redutores não eram grandes inteligências, porque, apesar das baixas, dificilmente mudavam seu modus operandi, continuando a buscar exterminar civis, comendo pelas beiradas. E na Trade, com os bares, os poucos vampiros civis da cidade tinham maior oportunidade de se misturar à humanidade e poder desfrutar um pouco da liberdade limitada que a raça tinha.
Duas quadras antes da Trade Blay sentiu o perfume inconfundível. E agradeceu pela boa sorte. Mais forte, bem perto do seu nariz, o odor distinto de especiarias escuras, e além o traço fraco de talco Johnson. Havia Irmãos caçando ali, e ele iria se juntar à caçada.
De uma rua lateral ele viu surgir um enorme vulto todo de preto, andando rapidamente na mesma direção que ele ia.
— Ei, Zadist. — chamou baixo, apressando o passo para o alcançar.
A cabeça raspada olhou na sua direção, com aqueles poços sem fundo negros que eram os olhos do guerreiro quando em missão.
— O que você está fazendo aqui, garoto? — o Irmão se dignou a responder, se alterar nenhum músculo da sua cara carrancuda. — Não deveria estar na faculdade?
— Sim, mas... — não tinha como justificar.
Zadist apertou os olhos e balançou a cabeça para os lados minimamente.
— Vocês desprezam as oportunidades que têm como bebês inconsequentes.
— Desculpe. — Blaylock falou sem nem mesmo entender porque estava se desculpando.
— Seria ideal estar no meu quarto com minha filha e minha shellan, mas eu estou caçando, enquanto você, podendo usufruir da licença especial dada por Wrath, está aqui, parado feito um idiota na minha frente. — Zadist se aproximou, encarando-o com seu olhos cruéis. — Vá para casa.
E virou-lhe as costas.
— Zadist, espere. — Blay foi atrás do gigante que apressava seu passo em direção aos traços de odor que tinha capturado.
— O que você ainda está fazendo aqui, Blaylock?
— Por favor, me deixe te acompanhar. — implorou. Se preciso ajoelharia. A última coisa que queria fazer agora era voltar para a mansão.
Zadist suspirou alto, colocando as mãos no quadril.
— Qual o seu problema, garoto? — perguntou sincero.
— Não pergunte, Zadist, por favor. Só me deixe ir junto com você atrás desses redutores que estão fedendo por aqui.
O vampiro olhou Blaylock nos olhos, estreitando as pálpebras, maquinando por um segundo.
— Eu sou um idiota, mesmo... Ok, você pode vir comigo, mas estou mandando uma mensagem agora para Wrath avisando do “reforço”. — usou a última palavra com ironia. Em seguida sacou o iPhone do bolso para digitar o SMS.
Os dois seguiram a calçada enquanto Zadist terminava de digitar lentamente no seu telefone. Sua habilidade com as letras já era incrivelmente melhor do que a pouco tempo atrás e ele aprendia com muita velocidade. O celular de Blay apitou indicando o recebimento da mensagem de Zadist, que era retransmitida a todos os Irmãos e recrutas pela rede da Irmandade. Sentiu um frio na espinha quando lembrou que Qhuinn também estaria recebendo essa mensagem e não entenderia nada.
Invariavelmente, dez segundo após a mensagem, o celular de Blay passou a vibrar no seu bolso. Ele retirou o aparelho para constatar a caveira branca com presas e o nome de Qhuinn piscando na tela. Voltou a guardar o aparelho. Ainda não tinha pensado no que dizer e deixaria isso pra depois, bem depois, quando estivesse voltando para casa, de preferência esgotado fisica e mentalmente pela luta.
Os bastardos cheirosos eram escorregadios e esquivos. Os dois vampiros tiveram de apressar o passo para alcançar o trio de redutores que parecia fugir deles.
E realmente era o que acontecia. Os desalmados buscavam se misturar aos traseuntes, despistando Zadist e Blay. Mas os dois eram predadores altamente treinados, e usaram sua noção espacial para conduzir os dois redutores recentes, cujos cabelos ainda eram escuros.
Os patos foram diretamente para onde os vampiros os induziam: direto para um beco sem saída. Sem vizinhos, sem janelas. Nenhuma testemunha da sua guerra secular.
Quando os dois redutores entenderam a burrada que eles fizeram, voltaram-se para a entreda do beco, que estava fechada pelos dois gigantes.
— Nós já pedimos reforços. — um deles se adiantou, tentando demonstrar controle e frieza. Mostrando o celular aceso para os vampiros.
— Vocês são tão bonzinhos pra gente... — Zadist repondeu sarcástico, o sorriso cruel repuxando a cicatriz da sua face.
Todos os instintos alertas. Todos esperando quem faria o primeiro movimento.
A tensão entre os quatro quase insuportável. Gotas de suor fedido à bebê brotando da testa dos redutores encurralados.
Até que o da frente, que tinha assumido a liderança, faz um rápido movimento colocando sua mão dentro da jaqueta para puxar sua pistola.
Antes de conseguir terminar o arco de seu braço, ouvem-se dois ruidos surdos tão rapidamente que parecem um só. Blaylock puxou sua Sig com silenciador e disparou dois tiros certeiros: um acertou o braço do que puxava a arma e outro entre os olhos do que assistia.
— Mas que porra!!... — Zadist mal terminou a frase. Blaylock agachava-se para saltar como um gato em direção aos corpos que ainda caíam. Foi em direção ao menos pior, o que estava com o braço inutilizado, mas tentava buscar se defender com o outro.
Em segundos o ruivo alcançou o corpo que se debatia, olhos brancos como um cavalo assustado. Virou o bastardo de cara para o asfalto, sem nenhuma piedade, pulando sobre suas costas. O barulho do crânio batendo no chão quebrou o silêncio da madrugada fria. Usando seus dois braços como alavanca, Blaylock torceu cada um dos membros superiores do redutor. Ouviu-se o barulho desagradável dos ombros se desencaixando da clavícula.
Esses filhos da puta não sentem dor?
Blaylock se perguntava por um segundo, para então descer as presas e dilacerar o pescoço da criatura com os dentes. A carótida espirrava sangue negro no rosto e no peito de Blay.
Zadist tinha apunhalado o outro redutor no vazio de seu peito, a explosão de luz e pólvora iluminando o beco por um instante. Em seguida virou-se para acompanhar o desenrolar do outro corpo-a-corpo. Apesar de ser um Irmão a mais de cem anos, de ter sido conhecido pelo seu sangue frio e crueldade, olhava enojado para o ruivo se comportando como um cachorro raivoso.
A cabeça do redutor finalmente de desprendeu do pescoço, cujo osso da coluna aparecia branco no meio da carne preta. E aquele objeto esférico rolou para perto dos pés de Z, parando com o rosto para cima. Os olhos do redutor piscavam para o vampiro, implorando por piedade.
Sem muito pensar, Zadist chutou aquela merda para longe, enquanto a visão da cabeça solta olhando para ele permanecia lhe assombrando.
— O que há com você?!?! — perguntava a Blay, que se levantava, cuspindo o sangue preto que havia ficado na sua boca. Sua imagem assutadora, muito próxima dos mitos humanos sobre os vampiros: olhar cruel e sádico, desvairado; sangue escorrendo pelo rosto e peito, as mãos negras e brilhantes.
O ruivo olhou em sua direção, ainda desfocado de ódio, em seguida puxou a arma e apontou na direção da cabeça de Zadist. Àquela distância o tiro seria fatal, e Blay nunca errava.
— Blaylock!! — Zadist gritou sabendo que no transe assassino em que o outro se encontrava, não perceberia que estava atacando um Irmão. Só iria perceber quando o seu corpo já estivesse vazando no chão, miolos para todo lado.
Então mais dois tiros.
E Zadist teve a consciência de que ainda estava vivo.
Em seguida ouviu um barulho atrás de si. Mais dois redutores haviam chegado como reforço, porém Blaylock os acertou na testa antes de eles sequer conseguirem entender o que se passava.
De olhos arregalados o Irmão olhou para frente, enquanto Blay, calmamente, baixava a Sig.
— Você perdeu a porra da cabeça?!?! — não pôde evitar gritar, as veias do seu pescoço saltando para fora. Em um pulo seu nariz praticamente encostava no de Blay. Os perdigotos de sua saliva cuspidos na cara do ruivo enquanto Z gritava.
— Salvei sua vida. — o ruivo falou baixo.
— Você está me assustando, caralho!!
— Acertei os dois redutores que você não estava vendo. — Blaylock respondeu, ainda calmo. Seu semblante sereno contrastando com o rosto imundo do sangue de redutor.
— Você é um muleque! Vá para casa! — Zadist empurrou o ombro do ruivo, sem se importar com o fato de ele ainda estar segurando a pistola na mão.
— Precisamos exterminar esses três que sobraram. — Blaylock apontou com o silenciador os corpos.
— Você está me ouvindo? — o ruivo teve a gola do seu casaco apertada entre os dedos inexoráveis de Zadist. — Seu louco, você vai para casa agora, antes que se mate ou me mate. — e empurrou o outro contra a parede lateral do beco.
Blaylock permaneceu ali parado enquanto Zadist se movia rapidamente, apunhalando cada um dos redutores abatidos.
A cabeça do Irmão estava quente. Não só do fato do ruivo estar parecendo um louco com sede de sangue, como com o fato do garoto ter acertado todos os quatro redutores, deixando para ele o trabalho de lixeiro, de limpar a bagunça.
Depois do último flash, Zadist olhou de volta para o ruivo, ainda encostado contra o muro, a Sig ainda na mão direita, cabeça baixa.
— O que você ainda está fazendo aqui? — perguntou baixo e ameaçador.
— Não vou voltar pra casa. Se você não me deixar continuar caçando contigo, eu saio sozinho.
O garoto estava falando sério. Zadist soube imediatamente.
Ele mesmo conhecia o que era estar tão atordoado que só a matança fazia sentido.
— Escuta aqui, Blaylock. — chegou novamente próximo ao outro, que levantou o rosto. — É sua última chance. Mais uma palhaçada e você está fora.
— Ok.
— Quando eu digo fora, quero dizer fora do treinamento também. Você me entendeu? — perguntou com os olhos negros apertados. Dedo apontado para o nariz do outro.
Blaylock só balançou a cabeça.
— Espero que não tenha de falar de novo.
Em seguida virou-se para sair do beco.
Blaylock, depois de um segundo, desencostou-se do muro e o seguiu.
***
Esse cheiro delicioso enche meus pulmões, e eu não posso evitar sorrir.
A pele é tão macia e suave, sedosa contra meus dedos.
Ah, como é bom afundar meu nariz contra o seu pescoço, e lamber essa carne branca.
Um gemido...
Um sussurro...
E meus olhos se abrem no escuro do meu quarto, percebendo que eu estava sonhando com Blaylock.
Mais uma vez.
Respiro fundo quando noto tudo em volta. Ou melhor, não noto, porque o quarto está totalmente na penumbra. À minha frente a parede do meu lado da cama.
Seria muito bom pra ser verdade estar tão intimamente abraçado ao corpo quente de Blay...
Então eu ouço um ruído bem baixo. E entendo que o sussurro que ouvi nos meus sonhos acontecia na cama ao lado.
Meu queixo quase cai quando me toco que o Japa está com alguém na sua cama, no mesmo quarto que eu!
Que safado!!!
Tenho que me segurar para não rir alto.
Então, é claro que eu apuro os ouvidos para escutar o que os dois estão sussurrando. Cara, vou sacanear muito esse Japonês!
— Ele vai acordar... — ouço sua voz quase inexistente tentando argumentar com a garota. O barulho do tecido de seu lençol se movendo era muito baixo, mas constante.
— Vai não. — a garota respondeu mais baixo ainda que ele.
— Se ele...
— Shhhh... — ela cortou. — Ele não vai acordar.
Ouvi os ruídos de beijos beeeeem molhados. Tive de tapar a boca com a mão para não rir como um retardado. Eu estava ficando excitado em pensar que o cara iria transar bem na cama ao lado.
Então o idiota continuou conversando... Era um mané mesmo. Mas eu estava contente por ele. Podia apostar que antes da faculdade ele ainda era virgem.
— Por que ele não pode saber?
Ouvi o Japa perguntando isso perfeitamente. Ele estava falando de mim?
A garota suspirou.
— Porque eu estou cansada de dividir tudo com Adam. Desde que nasci tudo o que acontece comigo ele está junto. Mas você é só meu.
E mais uma vez meu queixo caiu e meus olhos se arregalaram.
O filho-da-puta estava fodendo a minha irmã!!
Agora que eu estava mais acostumado ao quarto escuro, pude ver pelo reflexo num porta-retrato de vidro na minha cabeceira, que Mitsuo estava deitado de costas na sua cama sem camisa e Eve estava por cima, coberta pelo edredom. Graças aos deuses, porque a última coisa que eu queria ter gravado no meu lobo frontal era sua imagem nua sentada sobre meu colega de quarto.
Mas que escrotos os dois! Estavam juntos há algum tempo e escondiam isso de mim!
Caralho, que ódio deles!
Minha respiração estava rápida enquanto ouvia os dois se beijando e podia acompanhar Eve descendo em direção à boca do Japa. Fechei meus olhos para não ver mais.
Como essa piranha era mesquinha! E eu que sempre pensei que nós éramos os irmãos perfeitos, que combinávamos, que éramos parceiros. Sempre achei que causava inveja em todos os outros pares de irmãos, porque, ao contrário da maioria, a gente se dava muito bem, dividia tudo.
Estava muito, muito magoado com ela.
Com Mitsuo não, coitado. Afinal eu no seu lugar também jamais contrariaria a mulher pela qual eu era apaixonado, mas Eve... Que decepção, viu.
Eles continuaram se beijando. O colchão rangendo sob o peso do casal. E eu tentava dormir mesmo com aquela sensação de perdedor, de decepção.
Nunca esperei que eu fosse um fardo para minha irmã.
Infelizmente acho que soube disso da pior forma.
Mas a partir de amanhã ela não precisaria mais se incomodar comigo.
Nossas vidas seriam independentes, como ela queria.
Fiquei muito triste quando percebi que sentiria muita falta dela, mas se ela estava incomodada comigo, o máximo que eu poderia fazer era me afastar.
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