Amante Inalcançável - Ian

16 Capítulo 16 - Epílogo


Notas iniciais
Surprise! Surprise! Surprise!Não resisti e escrevi um epílogo!!!Juro q ele não iria existir. Mas aí iria parecer que a estória poderia ter uma continuação. E, imitando a J.K.Rowling nisso, eu realmente acho que ela acabou e que não vai mais haver capítulos pra frente.Por isso o epílogo encerra definitivamente esse conto.Grande beijo!Deixem reviews pra eu me animar a escrever de novo no futuro... #dramáticaBeijos!Tilda

Foi muito estranho.

Parecia que eu estive fora do ar por três dias inteiros.

Não conseguia me lembrar o que tinha feito nesse período quando acordei na minha cama do dormitório no domingo.

Tudo estava nos mesmo lugares. O Sol continuava a nascer no leste, a gravidade apontava para o centro da Terra, mas alguma coisa essencialmente estava muito errada.

E essa mesma estrela estranha e amarela nascia cada vez mais tarde quanto mais próximos do fim do ano. As festas estavam a uma semana de distância. Iria finalmente a Dallas. Eve levaria Mitsuo para apresentar a nossos pais. Eles dariam uma super festa de Natal. Haveria pinheiros de verdade e muita comida.

Nada disso me trazia alguma felicidade.

Nos dias que se seguiram me senti melancólico e constantemente tinha de me trancar no banheiro para chorar sem saber ao certo porque motivo estava tão triste.

Uma coisa que tinha me deixado arrasado foi que Paul Blaylock simplesmente desapareceu. A última vez que me lembro de tê-lo visto foi na quinta feira antes de eu perder três dias de memória, quando ele foi tão espetacular no treino de vôlei. Os colegas que eu encontrava casualmente pelo campus ainda me perguntavam por ele. E minha resposta era vaga. E triste.

E treinar vôlei perdeu a graça pra mim. Não queria mais voltar àquela quadra. Principalmente, ao entrar no vestiário meu peito se oprimia e eu tinha crises de pânico. Não conseguia fazer meus joelhos me obedecerem e levantarem o resto do meu corpo. Da última vez que tentei jogar não consegui sair dali e me dirigir para o ginásio. Fiquei o treino inteiro sentado num banco sentindo meu peito apertado e sem conseguir respirar.

Quando fomos para Dallas para o Natal tomei a decisão de que não voltaria.

Nada de Nova Iorque pra mim. Ou faculdade de medicina. Não iria mais me enganar ou enganar meus pais. Eu jamais seria um médico. Nunca tinha sido viável essa opção.

Enquanto vi através da janela do meu quarto no segundo andar, Mitsuo e Eve partindo, sentei na minha cama sem ter nenhuma ideia do que faria em seguida.

Aquela tristeza absurda que me perseguia como uma nuvem preta me deixava apático e inerte.

Se eu ficasse muito tempo parado assim, será que conseguia desaparecer?

***

Aquela grande bola laranja iniciava seu caminho descendente para se esconder atrás das colinas do deserto. Era o momento do dia que eu mais apreciava. A luz do dia já não me era mais bem-vinda. Todos os dias eu esperava pelo cair da noite, como se ele fosse sinônimo de algo bom. Como se me desse alguma esperança.

Suspirei alto e me virei no tapete caro do escritório.

Faz dez anos que larguei a faculdade de medicina.

Eve já é médica. Se casou com, adivinha quem? Um cara sério, alto forte e japonês. Yuuko Mitsuo.

Eu, depois de desistir da economia e passar quase um ano em casa sem vontade de viver, fiz economia e administração em Harvard. Bem longe de tudo e todos.

Agora havia o império do meu pai pra eu administrar. E o velho queria só sombra a água fresca, indo com minha mãe para a europa todo mês, me deixando segurando as rabudas que apareciam.

Eu olhava pela janela panorâmica ao minha sala, no vigésimo segundo andar de um prédio que me pertencia no centro de Dallas. Estava vestido com um terno Zegna cinza chumbo. Os fios de seda deixando o tecido levemente prateado. Meus mocassins italianos brilhavam como um espelho. Usava uma colônia de toque levemente oriental. Era um cheiro que me trazia bons sentimentos. Lembro de ter sentido um fiozinnho tênue de alegria quando escolhi pessoalmente a fragrância.

Depois daquele Natal, 10 anos atrás, sinto que nunca mais fui feliz como tinha sido antes. E o motivo para essa tristeza me escapava. Então, cada coisa que pudesse fazer ou sentir em busca de uma felicidade perdida eu fazia. Incluso usar esse perfume.

Quando chegava essa época de fim de ano eu ficava sempre tão melancólico...

Apesar de saber que tinha acertado em deixar a medicina, que minha conta bancária era uma fábula, que não havia nada que eu quisesse que não pudesse comprar sem nenhum remorso, de estar noivo da Miss Texas, não conseguia me sentir feliz.

Nessa época do ano então, isso era mais e mais evidente.

Enquanto o Sol se punha rapidamente no horizonte à minha frente, avermelhando as barrigas das nuvens, eu me virei subitamente e peguei as chaves do meu Bentley que estavam sobre a escrivaninha de aço e granito preto.

A descida no meu elevdor privativo até o estaconamento foi silenciosa e amarga.

Kate, minha noiva, tinha mandado uma mensagem. Ela me conhecia bem e sabia que eu precisava ficar a sós. Estávamos juntos a cinco anos e tudo o que eu conseguia sentir sobre ela era um desejo carnal absurdo, que no entanto, ela não conseguia suprir completamente.

E não. Não houve outros homens. Eu não era gay. Eu só fui muito apaixonado platonicamente por outro cara quando estava em Colúmbia. E esse cara sequer me beijou, portanto... Não sei.

Paul Blaylock.

Seu nome jamais deixou minha mente. Nem seu rosto. Nem seu sorriso. Nem seu aroma, que meu perfume tentava, em vão, copiar. O vermelho dos seus cabelos contra sua pele branca. Jamais houve ou haverá alguém como ele.

Cheguei na minha cobertura eu menos de quinze minutos.

Afrouxei a gravata de seda e joguei o paletó no sofá. A Cobertura estava vazia como um mausoléu. Seus 400 metros quadrados ecoando minha melancolia em cada parede.

Fui até o bar e servi uma dose dupla de scotch 25 anos num copo de cristal fino Swarowski. Essa dose foi virada de uma vez, para então o copo ser enchido novamente.

Fui para minha varanda, de onde, vira e mexe, eu olhava desejoso para os metros e metros de altura pra baixo.

No fim não poderia fazer isso. Não poderia abraçar o vazio infinito abaixo de mim. Não por mim. Ou por Kate. Mas pelo sofrimento que seria pro meu pai e minha mãe. E pra Eve no final das contas.

O vento era mais seco e quente do que em Nova Iorque. Mesmo nessa época do ano. Apesar de longe do litoral, estávamos bem mais perto do Equador.

Eu já estava sem camisa naquele imenso terraço, deixando o vento do deserto chicotear meu corpo. Fechei os olhos para respirar.

Enchi meu peito do vento que vinha de longe.

Então meus pulmões reconheceram um cheiro há muito esquecido. Uma mistura de pimenta rosa, cravo e almíscar.

Abri os olhos assustado e ali do lado estava Blaylock materializado na minha frente como um deus.

— O que..? Como...? — não conseguia formular as peguntas. Era tão surreal vê-lo novamente, como se um ser oniciente estivesse lendo meus pensamentos e resolvesse ser legal comigo.

Ele riu. E as pontas de seus caninos longos apareceram sobre seus lábios. Aquilo me parecia tão familiar...

— Todo ano você reage da mesma froma, amado Adam. — ele disse e sua voz era como os sinos dos anjos: doce e profunda, tocando cada fibra dos meus músculos, cada osso, toda a pele e os nervos.

E em segundos todas as lembranças voltarm em um turbilhão.

Estavsa de olhos arregalados enquanto ele vinha na minha direção. E eu lembrava do que aconteceu depois do treino de vôlei há 10 anos atrás, dos beijos que trocamos saindo do bar, no hospital, no vestiário. No dia que passamos juntos naquele quarto de hotel perto do Central Park. E de todos os anos em que ele veio me encontrar em Dallas e ficamos trancados por três dias inteiros sem conseguirmos nos separar mais do que alguns metros.

E a urgência de estar novamente naqueles braços foi muito maior do que qualquer coisa na minha vida.

Ele estava tão lindo como sempre. Todo vestido de preto. O cabelo tão vermelho quanto em todas as vezes que o vi e seus olhos azuis tão brilhantes como duas safiras. Seu gosto também permanecia o mesmo. E sua boca era tão macia e receptiva quanto eu me lembrava.

Como todo ano, esse primeiro beijo durava muito tempo. Eu não conseguia deixar sua língua, meus dedos se recusavam a soltar suas roupas, sua pele, seus cabelos. Os 362 dias de sofrimento seriam recompensados por esses 3 de júbilo.

— Vamos. — disse segurando sua mão e o puxando para dentro. Não podia mais esperar.

Ele ria. E eu quase podia gozar só de vê-lo. Ele iria dar o melhor uso possível para meu corpo por 72 horas e eu estava ansioso para que isso começasse logo.

— Por que tanta pressa? — ele me provocou, chegando sua boca ao meu pescoço, onde em um futuro bem próximo, haveriam marcas das suas mordidas.

— Não me torture mais do que eu tenho me torturado. Só temos 3 dias e depois será outro ano de sofrimento sem lembrar de nada disso que acontece conosco.

— Mas eu sempre volto pra você. Não importa o tempo. Eu sempre volto.

Olhei dentro daqueles olhos azuis, agradecendo por Qhuinn fazer essa pequena concessão todo ano.

Mas minha imensa alegria tinha uma nota de tristeza. Blaylock nunca foi nem nunca será meu.

— Eu sei. Mesmo assim você continua inalcançável.

Toquei seu rosto e fui andando para minha suíte. Sabia que ele me seguiria e que minhas roupas estariam jogadas pela casa em três, dois...

FIM

Notas finais
Muito obrigada por tudooo!!!A vcs, que tiveram a paciência de ler até aqui e aos meus personagens que tiraram meu sono até eu deixar de ser preguiçosa e colocar suas estórias no papel.Beijos!Til
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!