Amante De Sangue
7 Capítulo 6
Notas iniciais
–Bem, vamos começar! — ela anunciou por fim dando um sorriso gentil.
Arregalei meus olhos temendo que ela fosse começar a drenar meu sangue.
–Contanto que não seja sugar meu sangue. — pensei em voz alta.
–Que?! — ela perguntou incrédula, mas notei um sorriso hesitante no canto de seus lábios.
Tentei decifrar se aquele sorriso era um sorriso de que achou graça do que pensei ou se era uma confirmação para meus temores. Praguejei mentalmente por ter falado de mais, mas mesmo sendo tarde de mais procurei fingir descrença e de alguma forma tentar fugir com vida dali.
–Estou um pouco nervosa. É isso... eu, er... nunca me consultei com psicólogo, nem quando perdi minha mãe que era a única família que tinha... Ma-mas agora eu... — gaguejei.
–Tudo bem. — ela disse gentilmente. -Às vezes temos momentos em nossas vidas que conseguimos lidar com certas coisas mesmo sendo muito difíceis, mas tem horas que não conseguimos agüentar a carga. No entanto esse é o motivo de que um dia explodimos. Os seres humanos têm a tendência de viver como um balão de gás... Ele vai enchendo, vai enchendo, até estourar ou, se não, até começar a murchar. Alguns vão conseguindo lidar com a pressão até certo momento, mas não agüenta e acaba explodindo, mas outros agüentam e no fim esvaziando, essas são as pessoas que tem a casca resistente. Mesmo assim essa resistência acaba sendo canalizada em um ponto em seu corpo que no fim acaba não resistindo... E os frágeis que explodem eles podem se restaurar.
Escutei as suas palavras e não vou mentir que todo o meu medo de antes cessou enquanto ela falava, porque me senti tranqüila e que poderia confiar nela. Porém tirei essa ideia de confiança, porque não poderia confiar em nenhum vampiro, seja ele com olhos amarelos e sorriso gentil ou de olhos vermelhos com sorriso maligno.
–Então... Diga-me porque veio me procurar. — ela tomou uma postura profissional e por um instante não vi uma vampira diante de mim, mas um ser humano cumprindo com o seu dever de fazer o seu trabalho.
Mesmo assim, não queria ser analisada por uma vampira, não queria confiar nela mesmo que por um lado eu poderia dizer a verdade de meus problemas, mas isso já era confiar de mais, até porque nem sei o que essa vampira iria fazer com a informação que a contei para ter meu caso analisado.
–Bem, olha... Eu acho melhor deixar isso para outro dia, eu não... — comecei a fazer menção de me levantar, mas ela me interrompeu.
–Srtª Swan, um momento. — ela disse seriamente. Nesse momento um calafrio percorreu minha espinha.
“Agora sim eu to ferrada. Parabéns Isabella, você se entregou.”
–Olha, não me leve a mal... — ela disse deixando a prancheta em cima da mesinha e entrelaçando seus dedos em seu colo. -Como paciente você tem o direito de querer ter ou não a consulta, e não vou lhe impedir de ir embora e lhe devolver o seu dinheiro devido à consulta, já que não houve uma para ser mais específica. No entanto, sou uma médica que me importo com as pessoas que me procuram por minha ajuda profissional, ou até mesmo para somente escutar os seus problemas sendo uma ouvinte. Sei que não veio até a mim a toa e pela sua atitude deve ter pensado muito até decidir em procurar uma ajuda psicológica. Portanto, se está aqui, não deve desistir... Não lhe prometo ser a salvação para seus problemas, mas darei o melhor de mim para lhe ouvir e te ajudar. Mas se mesmo assim não quiser, entenderei sua decisão, mas lhe digo que se foi assim comigo também será com os outros já que mesmo decidida em se deixar ser ajudada não permite ninguém te ajudar. E digo mais senhorita Swan, outro médico pouco irá se importar se a senhorita quer ou não se consultar com ele... Ele irá cobrar não pela consulta, mas por tê-lo feito perder tempo.
Uau! Ela tinha um discurso bom. Se queria me convencer de que é a doutora boazinha que se importa com seus pacientes, digo que pelo choque inicial quase caí em sua conversa, mas o seu discurso de devolução de dinheiro e que outro psicólogo não irá se importar me fez ter a resposta na ponta da língua... Primeiro: Querer desistir daquela consulta não era por não querer ser ajudada e sim por que a doutora era uma vampira... Segundo: Mesmo procurando ajuda com outro psicólogo eu não fugiria porque ele terá um coração dentro dele batendo, não terá uma pele dura, gelada e fria, e muito menos olhos vermelhos, ou pior ainda, ter presas que podem estar prestes a fincar em minha garganta... E terceiro: Era óbvio que algo em mim a intrigou e por mais que ela tentou ser sutil no franzir de seu nariz quando me aproximei para cumprimentá-la para não ser mal educada, ela sentiu o cheiro de Jared em mim, ou seja, de seu inimigo natural, de um lobo. Bem, sei que da mesma forma que o cheiro de vampiro incomoda os lobos, é recíproco aos vampiros... O que me leva a me perguntar como Jared não havia reparado antes de me deixar aqui. No entanto não vou culpá-lo, porque eu mesma só vim a sentir o cheiro da vampira assim que passei pela porta da recepção para sua sala de consulta.
Sendo assim não vou cair nessa de doutora vampira boazinha, porque está na cara que ela está curiosa para saber algo de mim... E não vou dá-la o que quer... E se ela sabe fingir, também irei, mesmo que fracasse por às vezes ser uma péssima mentirosa.
–Doutora, me desculpe mesmo... É que eu não estou bem, estou nervosa. E a senhora está certa, foi difícil tomar uma decisão de procurar ajuda médica, no entanto essa coragem de desabafar a causa de estar aqui se esvaiu. Então se não se importar, prefiro ir e deixar para uma outra consulta, quando estiver mais calma... Pelo pouco que falamos sei que terei o que preciso, mas não hoje e nem agora.
Ela parecia analisar meu rosto como se procurasse sinal de mentira, não recuei o meu olhar e mantive firme, então ela sorriu levemente por fim.
–Certo. Então lhe aguardo para outro dia. — ela disse.
Ao sair de sua sala ela me acompanhou.
–Nyta... Devolva o que a senhorita pagou da consulta... — ela disse a sua secretária, mas antes dela concluir eu a interrompi.
–Não precisa. — eu disse. -Mesmo que não conversamos o tempo reservado a mim, nos conhecemos, então não precisa devolver o dinheiro.
–Tem certeza? — ela se certificou.
–Absoluta. — sorri.
Saí do consultório em passos cautelosos, não queria dar a impressão de que estava fugindo. Não liguei para Jared avisando de que estava saindo porque assim eu iria entregar mais o jogo para a vampira loura espetacular, que apesar de tudo não posso negar que é muito bonita. E se ela visse Jared e ele a ela, não iria prestar, então me enfiei no elevador deixando para enfrentar os fatos quando estivesse dentro do carro e bem longe daquele prédio. Sei que Jared logo vai querer satisfação por eu estar fedendo a sanguessuga, mas não vou mentir ou esconder algo dele. No entanto por ter a sorte de estar sozinha no elevador recostei na parede de aço respirando um pouco aliviada por ter saído viva daquele lugar, porém me ocorre que não estava segura totalmente.
Eu ainda estava num elevador e a vampira por não ter conseguido chupar meu sangue pode aproveitar o lugar para encenar um acidente com a queda do elevador... Tendo ela invadindo o elevador e o parando, se alimentando de mim até a minha morte e depois sair por ele cortando os cabos de aço e meu corpo sendo estraçalhado, tirando todas as evidências de uma morte por perda de sangue... E outra, a vampira pode estar acabando de ler minha ficha e visto o meu endereço... E se eu a intriguei para insistir a me consultar com ela, com certeza vou atrair ela para La Push. É obvio que vampiros sabem da existência de lobisomens, mesmo que cada um se mantêm em seu canto a não ser que um invada o espaço do outro acontecendo um embate de ambos.
Bati em minha testa praguejando mentalmente por mais uma vez estar atraindo atenção de um vampiro para La Push... Outra vez minha culpa... Pulei de susto com o elevador dando sinal de que chegou ao térreo, e com a mesma velocidade que entrei no elevador saí porta afora sem me importar de parecer uma louca fugindo do capeta.
Ao entrar no carro, Jared me encarou assustado enquanto eu tentava puxar o ar para meus pulmões.
–Bella o que aconteceu? E que cheiro de... — olhei para ele de forma afirmativa.
Seu corpo começou a tremer...
–Olha, liga esse carro e vamos embora daqui, pelo menos dessa rua. – eu disse por fim.
Ele estava meio relutante e eu sabia por quê... Os seus instintos o faziam querer sair do carro e ir atrás do vampiro em questão, mas ali não era o lugar e nem o momento.
–Jared. — disse tocando em seu braço. Notei sua pele quente arrepiar com o meu toque, mas acho que o medo me fez gelar, mesmo assim não recuei minha mão. -Eu estou bem. Viva. E o melhor a fazer é sair daqui sem dar mais bandeira do que já dei. Por favor.
Mesmo mostrando não se agradar, ele assentiu ligando o carro. Assim que tínhamos três quarteirões de distância ele começou a me interrogar.
–Agora me explica que diabos aconteceu e como você foi parar numa redoma de vampiro. — ele exigiu.
–Não fala como se eu soubesse ou tivesse culpa. — rebati.
–Me desculpa... É que...
–Tudo bem. — o interrompi. Eu sei que ele está nervoso, ainda mais que ele estava tomando cuidado para que algo do tipo não acontecesse, no entanto aconteceu e isso deve estar atordoando-o. –Olha, como eu disse, não imaginava que a psicóloga fosse uma vampira. Só percebi quando entrei em sua sala, quando toquei sua mão em cumprimento, mesmo sua pele pálida e seus olhos mostraram a verdade. Mas Jared, essa vampira tem algo de diferente.
Ele me olhou com um olhar de poucos amigos.
–Vai me dizer que agora tem vampiros bonzinhos. — ele rosnou.
–Não. Não é isso... O que quero dizer é que os olhos dela... Eles não eram vermelhos, e sim dourados, e era visível que não eram lentes de contato, eram bem naturais.
Dessa vez ele me olhou incrédulo.
–Dourados? Sério? — ele disse.
–Sim. — assenti.
Ele ficou um pouco pensativo e, por fim, mais calmo voltou a falar.
–Não sabia que poderia ser verdade. — ele disse para si mesmo.
–O que? — perguntei sem entender.
–Bom, eu já ouvi dizer que tem alguns vampiros, mas não muitos, que sobrevivem de sangue animal, porque são condescendentes a vida humana. E como sua alimentação não é a mesma dos outros vampiros, seus olhos ganham a cor dourada, os diferenciando dos outros.
Meus olhos abriram de surpresa, porque para mim não importa cor dos olhos, vampiros continuam sendo vampiros, bebem sangue, são mortos vivos.
–Sério? — perguntei surpresa. -Então quer dizer que a doutora Denali é uma vampira boazinha, que não se alimenta de sangue humano?
Jared bufou com a minha pergunta, mas respondeu.
–Não sei se pode dizer ‘boazinha’, porque são tudo uma corja só de sugadores fedorentos. Mas esses vampiros que se alimentam de sangue humano conseguem viver livremente entre os humanos sem se exporem ou dar sinais de que eles correm perigo de vida.
–Então isso quer dizer que eu corri daquele consultório à toa? Porque não corria nenhum tipo de perigo com ela?
–Não, você fez o certo. Seja vampiro bom ou ruim tem que ficar longe. Conviver ou se relacionar com eles é o mesmo que cruzar com um vampiro sem escrúpulos prestes a lhe matar, porque cedo ou tarde alguma coisa ruim irá acontecer.
Quem sou eu para dizer não.
–Bem... Mas mesmo assim ela percebeu o seu cheiro em mim e como eu entrei em pânico, isso chamou mais atenção... Será que ela pode tentar investigar ou algo assim?
–Não sei, mas vamos ficar alertas. — ele disse. -Vamos para casa e contamos para os outros, e você da à descrição de como ela é, então deixaremos toda a matilha em alerta. E quanto ao cheiro já está em minha memória bem arquivado.
Assenti, mas ao perceber ele prestes a fazer o retorno para voltarmos à estrada que leva de volta em direção a outra cidade, lembrei de que queria comprar umas coisas.
–Jared, espere. Preciso comprar umas coisas e depois dessa quero evitar sair da reserva. — eu disse.
Embora não era legal fazer isso já que mais uma vez estou atrasando ter que me consultar com um psicólogo, era preciso, mas não precisava ser um médico de Seattle, pode ser um de qualquer cidade.
–Mas Bella, é melhor voltarmos para casa o quanto antes. — ele argumentou.
–Mas se essa vampira não é tão do mal, não há necessidade de sairmos correndo como fugitivos, assim chamará mais atenção, no entanto não creio que ela possa nos seguir e se fizer vai nos ver tranqüilos... Bom, preciso comprar lingeries. — falei.
Bom, pelo seu sorriso ele voltou atrás.
Minutos depois estávamos dentro de uma loja da Victoria Secrets , em um shopping no centro. Enquanto eu experimentava peça por peça, Jared me esperava do lado de fora para eu poder fazer um pequeno desfile da nova peça que colocava no corpo. Era visível o quanto ele estava excitado, louco para invadir a cabine de troca, se não fosse a oferecida da vendedora que fez questão de nos atender, não porque eu tinha cara de milionária pronta para gastar rios de dinheiro enchendo seus bolsos de comissão e sim para ficar babando para o meu lobo... Mas como ele não dava nem a mínima para ela por estar completamente dando toda a sua atenção para mim, não me incomodei.
–Que tal essa? — perguntei saindo da cabine e dando uma volta para mostrar outros ângulos.
Havia posto um espartilho negro, algo bem mais ousado do que realmente vim comprar, mas quando o vi não resisti em pegá-lo para experimentar e usá-lo.
Por sorte a parte dos provadores era bem escondido da área principal da loja, assim dando mais privacidade para que as clientes pudessem sair das cabines e fazerem uma verificação melhor no espelho de fora ou quem estiver lhe ajudando poder dar uma opinião.
Jared ainda me olhava boquiaberto e confesso que isso aumentava muito meu ego e vaidade.
–Linda... — ele disse todo bobo, mas no fim deu um sorriso malicioso. -Mas é uma pena que ele logo perderá sua utilidade, a não ser que antes que qualquer uma dessas peças que comprar não esteja em seu corpo para não serem rasgadas.
Mordi meu lábio, mas dei meia volta para experimentar uma nova peça, no entanto parei antes no mesmo lugar ao ver uma loira silicone GG sair de sua cabine usando uma lingerie que dava para ver o seu útero, fazendo questão de desfilar na frente de Jared na maior cara de pau. Senti o desejo fervoroso de caçar uma tesoura e estourar seus silicones, mas antes que cometesse um homicídio, Jared resolveu intervir.
–Amor, eu confio no seu gosto, então vou te esperar na frente da loja. — ele disse levantando de um dos puffs que haviam no meio.
Ele me deu um selinho, mas fiz questão de lhe puxar e lhe dar um beijo. Mas que droga! Já era a segunda vez que fazia isso para marcar território. Em compensação notei a loira rolar os olhos numa careta de desdém e voltar para sua cabine frustrada já que não conseguiu chamar atenção para ela.
Jared sorriu notando o meu ciúme, mas antes dele falar qualquer gracinha o meu olhar para ele foi de alerta para ele manter a boca fechada.
–Quer saber? — ele disse. -Acho que vi uma coisa que gostaria que usasse para mim.
Arqueei a sobrancelha...
–Pensei que me queria sem nada. – eu disse.
–Só para uma preliminar. — ele rebateu.
Voltei para o provador fechando a cortina atrás de mim enquanto Jared foi buscar o que ele viu para eu poder usar. Enquanto isso comecei a retirar as peças e como havia posto todo o conjunto inclinei apoiando meu pé direito num banquinho que havia ali dentro deslizando delicadamente a meia por minhas pernas... Como estava de costas para a entrada da cabine e atenta em não destruir as peças ao retirá-la de mim, não percebi uma certa presença atrás de mim.
Retirando uma meia passei a retirar a outra, então fui para a outra etapa, retirar o espartilho, mas antes de retirá-lo totalmente mãos envolveram minha cintura delicadamente fazendo com que minhas costas pousasse em algo duro envolvido por um tecido, ao mesmo tempo identifiquei uma ereção coberta roçar em minha bunda.
Fechei meus olhos sorrindo, por deduzir ser uma artimanha de Jared querendo causar algum atentado ao pudor na loja, mas antes que eu o repreendesse uma de suas mão que envolvia minha cintura deslizou até minha coxa. No mesmo instante notei que aquele toque era diferente, mas ao mesmo tempo conhecido... Não era do meu lobo, isso já estava evidente, mas ao mesmo tempo a pessoa que veio em minha mente não poderia ter aquele toque, não estando um toque morno em minha pele, ao contrário do que deveria ser... Gelado.
Mesmo assim não poderia ser real, mas sanando todas as minhas certezas uma voz sedutora sussurrou em meu ouvido, tendo ao mesmo tempo seus dentes roçando no lóbulo da minha orelha.
–O vermelho combina mais contigo, amoré mio... — aquela voz sussurrada causou um tremor em todo meu corpo e uma excitação que não deveria estar sentindo, mas o meu coração acelerou sem hesitar uma batida e meus olhos miraram o espelho em minha frente, prendendo em olhos que não eram de longe negros, nem eram vermelhos, eram de um laranja alcançando um tom mais claro, não sei identificar... Mas a questão era que não importavam seus olhos e sim quem era.
O terror se apoderou de mim e tudo o que fiz foi gritar fechando meus olhos, tentando espantar aquele pesadelo. Não era possível que aqueles malditos pesadelos estavam afetando a minha realidade. Não percebi o momento em que poderia ter dormido... Ou talvez possa estar como essas pessoas que começam a dormir de olhos abertos e não percebem, seria isso que está acontecendo. Mesmo assim só gritei. Não queria olhar novamente para o espelho, não queria olhar para trás.
–BELLA! BELLA... Amor, hei... Me escuta... Bella! — escutei uma voz conhecida me chamar, e essa eu conhecia muito bem.
Senti o meu corpo convulsionar de soluço, e lentamente ainda temendo em ver algo que não queria ver, encontrei pares de olhos me encarando com terror, dentre eles um par de olhos que tanto amo que ao encontrar os meus me embalou em seu colo.
–Bella o que aconteceu? — ele sussurrou temeroso.
–Eu...eu... — tentei dizer algo coerente, mas não consegui. Reparei que estava no chão deitada.
Sem conseguir me conter voltei a chorar. Jared me pegou no colo e me levou até onde tinham os puffs. Uma das lojistas trouxe-me um copo com água e um comprimido que deveria ser calmante. Algumas clientes me encaravam de longe como se eu fosse louca, mas pouco me importei com elas. Ainda estava tremendo pelo terror que passei e temerosa em ver Demetri. Se bem que não posso dizer se ele realmente esteve ali, foi tão real que me deixa mais confusa.
–Você está melhor amor? — Jared perguntou quebrando o silêncio.
Queria dizer que sim, ou qualquer coisa, mas a pergunta que veio não era bem a resposta que ele queria.
–Você sentiu cheiro de vampiro por aqui? — minha pergunta causou um franzir em sua testa.
–Não, nenhum sanguessuga entrou na loja, por quê? — sua voz era um sussurro o suficiente para somente eu escutar, porém antes de respondê-lo fomos interrompidos.
–Com licença. — disse a lojista que nos atendia antes do meu surto. -Queria saber se precisam de mais alguma coisa ou se querem que eu leve as peças que vão levar. — ela apontou em direção da cabine que usei para me trocar.
–Sim, ela está bem, obrigada. — disse Jared respondendo a ela. -E se não for incômodo pode pegar as peças que estão na cabine, levaremos todas, inclusive a que eu tinha em mãos.
Não protestei as ordens dele, mesmo tendo algumas peças ali que não tinha a intenção de levar, mas pelo transtorno que causei com o meu surto ele queria compensar de alguma forma levando todas as peças que experimentei e a que eu não experimentei.
A lojista assentiu indo pegar as peças.
–Eu vou me vestir. — eu disse estando ainda com o espartilho. Ele não disse nada, até porque ali não era lugar para que conversássemos.
Jared me deixou a sós para me trocar e foi no caixa pagar as compras. No entanto enquanto eu me vestia senti um novo tremor em estar ali naquela cabine... Ali parecia ter um sentimento carregado... Me senti sufocada ali e corri em me vestir rapidamente. Mas a minha mente permanecia trabalhando sobre tudo o que aconteceu.
Jared afirmou que nenhum vampiro entrou aqui. E mesmo que um suposto vampiro tivesse usado algum truque para chegar até a mim, eu não estaria viva, ou o vampiro usaria a ilusão de Demetri em mim, a não ser que eu esteja subestimando os truques de vampiros, usando alguma ilusão refletida em meus medos. Sei que era mais fácil acreditar que seria assim do que uma possibilidade de Demetri estar vivo. E se estivesse vivo, ele com certeza não perderia tempo em me deixar ali ilesa, sendo que chegou tão longe para estar ali comigo sem ser detectado.
A não ser que me enganei com a doutora Denali e tenha sido ela com algum truque...”Não, não, Isabella, você só pode estar ficando louca, só pode.” Se ela é do tipo de vampira compassiva com os humanos, porque diabos ela faria isso comigo? Tudo bem! Estou levando uma vampira em boa fé, mas eu não acredito que tenha sido ela, algo em mim diz que não, por mais que ela a princípio tenho soado perigosa.
No fim só concluí que estou realmente ficando louca... Porque primeiro sonhos, pesadelos, e tudo passa a refletir fisicamente na realidade e agora estou tendo visões quando estou acordada ou são resultados de minhas noites de insônias e relutância para dormir... Infernos! Não sei.
Jared e eu saímos da loja em silêncio e quando já estávamos dentro do carro ele se manifestou.
–Quer ir a algum lugar fora daqui para comer alguma coisa? — ele perguntou.
Olhei para ele pegando em sua mão.
–Não. Quero ir para casa.
Ele assentiu sem dizer mais nada, ele sabia que eu não queria falar sobre o que aconteceu na loja, pelo menos agora, mas depois teria que dizer. Minha mente estava aérea e só tive minha atenção tomada quando senti o carro parar em pouco tempo que começamos a sair. Havia uma fila de carros a nossa frente direcionada a saída. Respirei fundo frustrada, mas tirei a atenção do que havia em frente, meus olhos caíram no espelho retrovisor do meu lado da janela.
Pela segunda vez, em poucos minutos, o meu coração voltou a bater descompassado.
Alguns metros atrás de onde o nosso carro estava, parado encostado numa pilastra, estava ele... Lindo, impecável, com vestes diferentes, bem mais casual, uma aparência diferente de como era antes. Cabelos mais curtos, um olhar de um Deus grego. Ofeguei, tendo minhas pernas dormentes pelo choque.
Continuei encarando assustada através do espelho, como se em um piscar de olhos ele pudesse sumir. Naquele instante não era só medo e terror que sentia, parecia que havia alegria em mim, excitação por vê-lo. Mas não poderia ter certeza de que ele era real... E como poderia estar vivo? Não havia resposta para nada naquele momento.
Como se nossos olhos estivessem presos um no outro, tendo nossas almas reconhecendo uma a outra, ele sorriu lindamente. Tive a sensação de que estava lhe retribuindo o seu sorriso, no entanto o carro começou a se movimentar, e sem ao menos pensar abri a porta saltando para fora do carro na intenção de ver se ele estava ali mesmo.
Escutei o carro frear, por sorte não havia nenhum carro atrás de nós. Porém a minha loucura insana foi em vão. Eu tinha a certeza de que não despreguei os olhos da imagem do espelho para não perdê-lo de vista, mas não foi o suficiente. No mesmo lugar que há poucos segundos o vi, estava vazio, nenhum sinal dele, porém meus olhos caíram em direção ao chão encontrando algo da cor vermelha... Mesmo estando longe identifiquei como uma rosa vermelha.
Pode parecer a coisa mais estúpida a se fazer, mas me vi tentada a ir até ela, dei um passo em direção, mas uma mão em meu braço me impediu de prosseguir.
–O que significa isso Bella? Porque saltou do carro desse jeito? — a voz de Jared tinha um misto de aturdido com recriminação.
Engoli em seco por ver o transtorno que minha loucura está causando. Seus olhos por um instante olharam além de mim... E percebi que agora finalmente poderia ter minha resposta... Se realmente o que vi foi real. Notei suas feições, ele franziu a testa, mas não enrugou o nariz como se algum cheiro desagradável o incomodasse.
–O que tem naquela direção? — foi tudo o que ele perguntou, após um minuto de avaliação.
Não o respondi. Voltei a olhar na mesma direção para ver se a rosa que havia ali ainda estava jogada, mas não, não havia mais rosa ali, nada além de nada... Uma frustração passou por meu peito e voltei a ficar confusa, mas dessa vez não demorei o meu olhar naquela direção vazia, voltei a encarar meu lobo que ainda esperava uma explicação. Mesmo assim não tinha condições de dar explicações a ele naquele momento.
–Desculpa. – sussurrei. -Pensei que tinha visto algo.
–E esse algo tem nome? — sua pergunta tinha uma entonação de irritação, mas não o culpo.
–Tem... Mas direi somente depois.
Ele me encarou mais um pouco, mas não disse nada. Então finalmente voltamos para o carro. Não nego que fiquei tentada a olhar novamente para o espelho e ver se o via novamente, mas não vi nada, nem em nenhum canto que o carro passou durante o caminho de volta para casa.
Sinceramente já não sei mais o que pensar... Será que é possível que Demetri esteja vivo? Mas não no sentido de existir e sim vivo dentro de mim? Esse é um enigma para mim... E que temo desvendar.
Notas finais
Aviso: Povo meu para os proximos caps,tenham paciencia,porque vou ter que fazer umas pesquisas para relembrar cetas coisas que colocaria na fic,como também peço paciencia caso eu venha demorar a postar...ok? Bjs e comentem.
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