Amante Amado
4 Quatro - Butch
Eu não podia alegar que o cara virou cinzas. Mas o disparo foi dado. O que eu diria por quanto o caminho da bala?
— Tira, o sujeito escapou? — Um cara me tirou do devaneio.
— Sim — digo. — Foi você que ligou?
Ele assentiu.
— Sabe o que motivou o tiro?
Como estávamos um pouco longe do bar, seria bom saber se a briga podia ter começado lá. Estava pessoalmente intrigado com que tinha acabado de ver.
— Não, só ouvi os tiros e liguei. Ninguém viu quando a briga começou.
— Ele estava com identidade?
— Não.
Ótimo, teria que ir ao hospital. Meu turno acabava em vinte minutos, mas não sairia com assuntos em aberto.
***
Menos de 20 minutos depois, eu estava na recepção do hospital mais próximo, onde o sujeito baleado deveria estar. A mulher que me atendia, uma idosa arrisca que não foi com a minha cara, estava começando a se irritar.
Ela viu meu distintivo, que eu apresentei um pouco agressivamente demais, só que sentiu meu hálito também e tirou suas próprias conclusões.
— Mas, minha senhora, eu tenho certeza absoluta que ele deu entrada aqui.
— Deixa eu ver se entendi bem — diz a mulher carrancuda — um cara tomou um tiro na rua 29 e foi encaminhado para cá, sabendo-se que nenhuma ambulância foi para lá entre hoje e ontem. E para completar, você nem sabe o nome desse cara. Já disse senhor policial, ninguém deu entrada aqui.
— Tá bom, veia — bufo em direção à ela. Não sou bobo nem nada então me viro e não olho mais para trás. Posso escutar o murmúrio indignado dela.
Saio aborrecido do hospital. Ora, onde o cara foi parar? Aonde ele iria baleado?
***
Depois de descansar, decido voltar para a delegacia.
— Jo? Podemos bater um papo?
José que estava lendo B.O.'s, se virou amargurado. Acho que estava de mau humor comigo, só acho.
— Fala, tira.
— Ontem um cara foi baleado, eu vi a ambulância pegar ele e levar. Quando fui ao hospital resgatar documentos do cara, disseram que ele sequer apareceu. — José levanta a sobrancelha — eu passei hoje lá de novo para perguntar e aqueles bêbados do bar não se lembram de nada. Como se tivessem com amnésia.
— O que me garante que os bêbados são eles e não você? — José retruca.
O.k., essa ofendeu. Fechei a cara para o sujeito, e decidi fingir que não tinha acontecido nada.
***
Fui ao ZeroSum ao entardecer. Estava começando a achar que estava maluco mesmo.
Aquela história mal contada não saia da minha cabeça. Aliás, várias coisas giravam na minha cabeça.
Estava pedindo a segunda rodada de cerveja quando precisei ir ao banheiro.
Claro, no caminho para o banheiro eu precisaria passar pela multidão eufórica que se esfregava.
Não estava atento as pessoas ao redor, mas uma luz me chamou a atenção no fundo do bar perto da área VIP. Decido averiguar, então mudo a rota do banheiro.
Então reconheço, sentado no canto ao lado de um cara loiro extremamente atraente até para um hétero como eu, o cara que foi baleado noite passada.
Fale com o autor