Esperei ela chegar do trabalho no jardim de sua casa, parado no carro. Ela não ficou feliz ao me ver, diria até que irritada porque veio bufando na minha direção.

— O que está fazendo aqui, O'Neal?

Sorriu para ela, mas recebo um olhar irritado de volta. Então desembucho rápido.

— Queria entender o que aconteceu. Alguém entrou na sua casa a meu mando?

— Já disse que me equivoquei, O'Neal.

— Por favor, aja como uma pessoa adulta e sente-se aqui comigo. Vamos conversar.

Ela suavizou o olhar, abriu a porta e sentou no banco do passageiro.

— Esse cara veio a mando de meu pai, não de você. Eu disse que havia me equivocado.

— Ah...

Silêncio constrangedor se seguiu.

Ela estava abrindo a porta do carro quando eu irrompi de repente.

— Espere, espere, eu abro para você.

Sai desajeitadamente e contornei o carro. Abri teatralmente a porta curvando-me e sorrindo maliciosamente.

— Por que você tenta ser cômico o tempo todo? — Beth diz depois de um momento de hesitação.

Era assim que ela me via, alguém que tenta ser engraçado o tempo todo. Isso é péssimo.

— Por você, sou qualquer coisa. — Nem era a intenção ser galanteador, mas queria evitar isso. Evitar falar de mim.

Eu a encarei. — Por que não me dá uma chance? Qual meu problema?

Pareceu fora de hora, mas acho que já era tempo. A chamava para jantar e sair, mas ela sempre recusava. Uma hora eu era o pobre solitário Butch e na outra era sem-graça Butch.

Ela passou a língua no lábio e se demorou.

Aquela era a deixa que eu precisava.

Aproximei-me e toquei seus lábios com meus lábios. O beijo foi suave para um delegado duro e sem coração como eu.

Quando nos afastamos, um vento forte soprou. E escutamos sussurros e farfalhar localizado de folhas.

Fiquei em posição de alerta, estava armado e com a farda ainda.

— Tem algo errado, irei averiguar. Já volto.

Ela assentiu e se virou. Acho que ela estava pensando sobre o beijo. Será que algo ia mudar? Algo para melhor?

Afastei-me mais porque queria lhe dar espaço do que porque achava que tinha algo perigoso ali.

Empurrei os galhos e dei uma olhada ao redor: percebi que o farfalhar se repetiu, e ouvi rosnados baixos.

Ao contrário do que eu achava inicialmente, sem dúvida havia alguém ali.

Notas finais
Espero que gostem. xoxo ♥