Amante Amado
8 Oito - Butch
Esperei ela chegar do trabalho no jardim de sua casa, parado no carro. Ela não ficou feliz ao me ver, diria até que irritada porque veio bufando na minha direção.
— O que está fazendo aqui, O'Neal?
Sorriu para ela, mas recebo um olhar irritado de volta. Então desembucho rápido.
— Queria entender o que aconteceu. Alguém entrou na sua casa a meu mando?
— Já disse que me equivoquei, O'Neal.
— Por favor, aja como uma pessoa adulta e sente-se aqui comigo. Vamos conversar.
Ela suavizou o olhar, abriu a porta e sentou no banco do passageiro.
— Esse cara veio a mando de meu pai, não de você. Eu disse que havia me equivocado.
— Ah...
Silêncio constrangedor se seguiu.
Ela estava abrindo a porta do carro quando eu irrompi de repente.
— Espere, espere, eu abro para você.
Sai desajeitadamente e contornei o carro. Abri teatralmente a porta curvando-me e sorrindo maliciosamente.
— Por que você tenta ser cômico o tempo todo? — Beth diz depois de um momento de hesitação.
Era assim que ela me via, alguém que tenta ser engraçado o tempo todo. Isso é péssimo.
— Por você, sou qualquer coisa. — Nem era a intenção ser galanteador, mas queria evitar isso. Evitar falar de mim.
Eu a encarei. — Por que não me dá uma chance? Qual meu problema?
Pareceu fora de hora, mas acho que já era tempo. A chamava para jantar e sair, mas ela sempre recusava. Uma hora eu era o pobre solitário Butch e na outra era sem-graça Butch.
Ela passou a língua no lábio e se demorou.
Aquela era a deixa que eu precisava.
Aproximei-me e toquei seus lábios com meus lábios. O beijo foi suave para um delegado duro e sem coração como eu.
Quando nos afastamos, um vento forte soprou. E escutamos sussurros e farfalhar localizado de folhas.
Fiquei em posição de alerta, estava armado e com a farda ainda.
— Tem algo errado, irei averiguar. Já volto.
Ela assentiu e se virou. Acho que ela estava pensando sobre o beijo. Será que algo ia mudar? Algo para melhor?
Afastei-me mais porque queria lhe dar espaço do que porque achava que tinha algo perigoso ali.
Empurrei os galhos e dei uma olhada ao redor: percebi que o farfalhar se repetiu, e ouvi rosnados baixos.
Ao contrário do que eu achava inicialmente, sem dúvida havia alguém ali.
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