Amante Amado

19 Dezenove - Vishous


Foi quase impossível dormir. Mas eu fingi, é claro. Olhar para o teto era entediante, então decidi observar Butch dormir.

O que era muito estranho.

Ele tinha a respiração pesada, e já tinha jogado o cobertor longe. Se contorcia na cama algumas vezes e não sonhava com nada. Se estivesse, eu saberia. Saberia da pior forma.

Isso me fez lembrar minha vida humana, quando eu era um órfão no meio de muitos outros, e não tinha controle das minhas habilidades. No prédio em que vive a infância, todos nós dormíamos colados uns aos outros pela falta de espaço, então era impossível dormir: minha cabeça chicoteava entre um sonho e outro, ou melhor, um pesadelo e outro, das pessoas ao redor. Sonhos e pensamentos entre fúrias, angústias, tristezas e desejos.

Eu não tinha minha chance de dormir. Os outros não me deixavam em paz na minha própria cabeça, apenas raramente de dia. E pior, eu não podia dividir esse peso com ninguém.

Eu sabia o que aconteceria se eu dissesse que consigo “ler pensamentos” (ou ver e ouvir, para ser mais exato)... Eles achariam que eu estava louco. E, seu pudesse provar, minha vida a partir daí se resumiria a “rato de laboratório”.

Então, passava o dia tentando tirar cochilo pra resgatar o sono perdido.

Agora, eu estava quase com medo de reviver isso, mas Butch apresentou-se ser um homem de sono pesado e sem sonhos.

Pelo menos eu poderia dormir se conseguisse.

***

Eu esperava que ele estivesse acordado quando eu levantasse. Humanos não dormem tanto (vampiros dormem durante o dia, por causa do sol). Mas ainda estava lá, esparramado na cama improvisada.

Eu achei, por um momento, que fosse dividir minha cama com ele. É claro que isso seria estranho em vários sentidos...

Entretanto ele se virou sozinho.

Rhage estava recolhendo as garrafas quando passei pela sala em direção ao frigobar.

— O tira... Vishous.

— O que tem ele? — Retruco.

— Está aqui.

Olho para ele. — Está, por quê?

Rhage soltou a sacola de latas que estava segurando. — E vai ficar aqui, conosco?! — Ele parecia ultrajado.

Eu cruzo os braços. — E o que você tem contra?

Ele suspira. — Então é isso que Wrath quer conversar na “reunião emergencial”.

— Acho que sim. — Rhage não queria Butch aqui, então? Ele saiu logo em seguida, então decidi tirar a “bela adormecida” da cama, e me aprontar.

***

Os irmãos estavam quietos demais. Wrath esperou que todos chegassem para se dirigiu ao centro da sala. A última a entrar foi Elizabeth, que ficou ao lado do seu Hellren.

— Bem, como já devem ter percebido, eu me uni a Beth. — Olhares se desviaram a ela — e temos um visitante humano conosco. Ele ficará conosco, já que nem Beth, nem eu, nem... — Ele olhou para mim em busca de uma confirmação, e eu fechei os olhos — Vishous; queremos a morte do humano.

— O humano tem nome. — Butch falou em voz alta. É claro que todas as atenções se voltaram a ele. — Butch O’Neal.

— Tudo bem, senhor O’Neal — Wrath retruca em voz controlada. — Apenas não me interrompa mais.

W. caminha de volta para sua posição inicial e anuncia:

— Decidi que subir ao trono que é meu por direito. Nossos hinos e cultos voltaram, nossa raça ressurgirá ainda mais forte. Esse é um novo começo.

Notas finais
Amanhã tem mais!!! xoxo ♥