Amante Amado
10 Dez - Butch
A falta de ar tomava-me a consciência vez sim vez não. Eu estava sendo carregado, mas estava fraco para me debater ou até mesmo verificar quem me sequestrava.
O último lapso de consciência foi em uma escada de prédio luxuosa.
***
Sabe aquele momento inicial que você não se lembra de nada e acabou de sair de um sono maravilhoso? Eu não queria que esse lapso acabasse, mas o sentimento de desespero se apoderou de mim na medida que recuperava os sentidos.
— Você está bem?
Um murmúrio soou ao longe, enquanto minhas memórias retornavam. Primeiro devagar demais, tentando ligar sentido entre uma coisa e outra, e depois depressa demais, não dando tempo de meditar cada informação.
Quando compreendo minha posição: sequestrado depois de uma surra que valia minha vida, congelo. O cara que se pronunciou aproximou-se de mim, e eu não tinha dúvidas de quem ele era. Como era mesmo o nome dele...?
Vishous.
Minha respiração fica mais pesada e tento olhar para ele: o que me surpreende. Facilmente pude encará-lo e me mexer, ele não havia me algemado.
— Quem verdadeiramente é você? — Resmungo com a voz baixa.
Ele suspira. — Já disse, sou Vishous.
— Onde estou?
— Na minha casa.
A escuridão do cômodo não possibilita enxergar o que se tem aqui. Mas pude perceber que estava numa cama king size, com lençóis vermelhos, ou talvez cor de vinho...
— Como se sente? — Vishous repete, num canto próximo a uma vela, servindo-se de alguma bebida sem rótulo.
— Por que me trouxe aqui? — Jogo a pergunta, ignorando a dele.
— Você quase morreu naquele beco, e eu devia a morte daquele... Cara. Que me deu um tiro e que você matou.
— Olha Vishous. Já estou bem, admiro seu gesto, mas podia ter me levado a um hospital. O que seria mais efetivo.
— Acontece que há outra coisa.
Engulo em seco. — Que coisa?
— Você sabe demais.
Saber demais? SABER DEMAIS?
Está tudo uma enorme confusão, tudo que eu sei é que nada sei!
— Você tem as descrições de mim e de W. Além disso, viu um cara virar fumaça na sua frente.
Então o que eu vi foi real.
— Olha cara, se era para me matar por que não deixou seu amigo terminar o trabalho?
Ele me encara longamente. — Eu devia?
Esse cara só pode estar de brincadeira comigo!
— O que vai fazer agora, sabichão? Resgatou-me, trouxe-me até aqui. Vai atirar em mim? Jogar-me contra a parede? A morte teria sido melhor se me tivesse deixado partir àquela hora. Isso podia ser a recompensa por matar o cara que atirou em você.
Dito isso, Vishous fica pensativo. Aproveito a deixa e passo as mãos no meu cabelo... que estava melequento. Precisava de um bom banho, remédio para dor de cabeça, horas de sono, comida de verdade (parecia que fazia anos que não comia uma verdadeira refeição).
— Me deixa ir para casa e prometo-lhe que não vou atrás de vocês. — Resmungo.
— Não posso aceitar sua palavra, tira.
— Quero uma morte rápida e prática. — Retruco.
Levanto-me e caminho até a porta, esperando a reação de Vishous.
Quando estou quase com a mão na maçaneta, Vishous magicamente parece na minha frente e agarra meus pulsos. — Acho que essa não é uma boa ideia.
Estamos tão próximos que posso sentir o cheiro do perfume do macho, percebo seu tamanho ante a mim. Eu parecia um brutamonte e ele alguém mais esquelético perto de mim, mas ele era, sem dúvidas, muito mais forte que eu, e nem precisava de muitos músculos para confirmar isso.
Então algo na sala muda, o clima muda. E não estou falando de frio e calor, algo mais sensível que perceptível.
Vishous parece notar essa mudança também.
A curta distância entre nós fica ainda menor. Eu exalo medo enquanto ele exala... Excitação.
Mas ora, tudo que eu precisava. Além de morto serei estuprado.
Quando quase que nossas testas se encostam, ele sussurra:
— Eu sou um vampiro, Butch. Mas você não vai se lembrar disso depois.
Fale com o autor