Amanhecer dos Anjos

11 Capitulo VIII – Voltando ao Passado


Notas iniciais
Uma unica nota Inicial:

"Joyeux Noel", "Buon Natalie ", "Shinnen omedeto", "Merry Christmas", dá tudo no mesmo... FELIZ NATAL!!!!!!

Encontrei com Thiago e Lílian numa clareira não muito longe do lugar onde estávamos antes. Eles estavam lá me esperando impacientemente e de lá seguimos um caminho para qualquer lugar. Não ousamos olhar para trás, somente voamos para qualquer lugar onde poderíamos colocar a cabeça em ordem. Desviamos da cidade para evitar alguma alteração comigo (eu ainda era um recém nascido sedento por sangue). Paramos numa clareira em alguma outra floresta do qual não sabíamos nem o nome. Thiago ainda não havia se alimentado o que eu achei estranho, mas me lembrei que ele havia.... Cortei meu pensamento no meio.

-Sangue humano é assim! Por mais você o beba, mais você irá querê-lo! – Disse Ele antes de sair a procura de algum bando de alguma coisa. Isso explicaria o olhar sedento quando ele fitou eu e minha irmã.

Como eu e Lily já havíamos nos alimentado ficamos ali, esperando que ele voltasse para seguirmos nosso caminho. Eu não sabia para onde iria, e algo em Lílian me causava curiosidade. Pelo que ela havia me dito, Thiago a havia transformado um ano antes de mim, no caso, ela estaria eternamente com 17 anos, mas ela não me dissera o que andara fazendo nesse um ano vagando pelo mundo.

-O que você está pensando? – Lílian perguntou me surpreendendo. O silêncio da floresta era propicio para eu me perder em devaneios.

-Somente o que você fez nesse um ano que você se libertou! — Ela riu com a minha resposta.

-Não é mais fácil perguntar em vez de ficar ai preso em si mesmo se imaginando?

-Ok;Ok; o que você fez nesse um ano que você saiu do lugar onde você estava?

Ela suspirou antes de me responder.

-Bom basicamente rodei o país inteiro atrás de onde você estava!

Dessa vez foi eu que ri com a colocação dela. Ela possivelmente fez muita gente infeliz, pois pelo que conhecia dela e pela colocação da explosividade dela proposta por Thiago diziam que ela era muito pavio curto.

-Mesmo quando você era recém nascida?

-Não... Teoricamente passei os três primeiros meses tentando me controlar. Não é fácil quando você está nun lugar que tem humanos em todos os lugares!

-Você já matou algum? – Não deu para mim prender a pergunta que saiu antes mesmo que eu tivesse pensado nela.

Ela ficou em silêncio por um tempo, com o olhar perdido no sol que se punha no horizonte. Me arrependi de soltar a pergunta na mesma hora. Não havia sentido de perguntar aquilo. Eu havia sido um insensível de fazer justamente aquela pergunta.

-Desculpa eu....

-Uma única pessoa! – Ela cortou minha fala. – Um garoto de 30 anos que veio para cima de mim enquanto Thiago via sua conta no banco. O garoto estava drogado.... Num instinto o levei para um beco e ali.... A policia nunca soube quem o matou e colocou que ele morreu de overdose.

-Eu sinto muito! – eu resmunguei.

-Não há muito o que sentir! É o instinto de um vampiro! Geralmente eu e o Thi evitamos sangue humano, mas às vezes pode haver um escorregão! Mesmo por que tenho apenas um ano... Ele é mais concentrado... Também tem um século e meio de vida! – Ela riu.

-150 anos?

-Não na verdade 141!

Eu assoviei em admiração. Não era a toa que ele pensava em tudo e parecia um pouco mais concentrado do que eu e Lílian.

-Ele transformou por que?

-Antes dele me libertar daquele hospício, geralmente ele disse que ficava a me observar do topo de uma arvore enquanto eu ficava no meu quarto. Isso até que ele viu quando os enfermeiros me pegaram no quarto para um exame e eu não queria ir. Eu comecei a brigar e eles me amarraram. Naquela noite ele colocou todo mundo para dormir e me tirou de lá. Na verdade pegaram ele. Houve uma pequena briga, mas ele ganhou. Ele iria me levar para um lugar que cuidassem de mim como humana, mas eu pedi. Varias vezes o via me observar e acabei me apaixonando por ele, mas eu pensava que ele era uma pessoa na minha cabeça, até que ele apareceu e me explicou.... Eu quis virar um vampiro como ele.

-E vocês estão...

-Namorando? – ela me ofereceu um sorriso – Ele também era apaixonado por mim.... Sim... Nós estamos namorando sim!

A historia pareceu como um conto de fadas. O cavaleiro que salva a sua dama do castelo impenetrável da bruxa, a após isso vive com ela pela eternidade. A diferença é que para eles a eternidade era literal, e que esse príncipe e a princesa agora eram vampiros. Uma coisa irônica até certo ponto, já que na maioria das histórias cavaleiros lutariam até a morte para salvar sua princesa DOS vampiros a transformar numa vampira. Mais uma brincadeira do tempo.

Observei a clareira enquanto ela ganhava a cor da noite. As arvores tingindo-se de um verde escuro enquanto uma névoa começava a levantar do chão. AS pedras enlaçadas nas raízes das arvores e a relva rasteira a ser encoberta por aquela fumaça. A lua surgia no céu quase sem nenhuma nuvem. Uma noite calma.

-Você procurou papai ou mamãe?

Eu não sabia por que havia feito essa pergunta mas algo abateu meu espírito.

-Não! Tive medo deles me mandarem de volta para lá. Pensei que se te achasse poderíamos viver como uma família nós dois mesmo, ou então juntos poderíamos procurar nossos pais!

-Não creio que eles iriam nos mandar de volta depois de nos verem. Acho que eles vão ficar contentes!

Ela se remexeu, foi onde notei que tanto eu quanto ela não havíamos movido um músculo durante nossa conversa, como se fossemos duas estatuas plantadas no meio da clareira encostadas a uma pedra. Ela se remexeu e me fitou no que eu me virei também para ela.

-E se não ficarem?

A simples pergunta dela planou no ar de forma horripilante. Eu não sabia o que responder. Para falar a verdade eu nem sabia o que pensar. Ficava com medo da rejeição. Nesses anos todos, eu sempre sonhei ansiosamente em encontrar Lily e voltarmos para casa, mas na poucas vezes que cogitei a idéia de que nossos pais não nos aceitariam de volta uma tristeza me engolfava. Eu não saberia o que fazer se aquilo acontecesse. Era desorientador. Não sei quanto tempo as palavras dela ficaram no ar, mas também não sei quanto tempo se passou até que eu disse:

-Eles ficarão!

Eu não tentava convencer ela, mas acima de tudo tentava me convencer que nossos pais nos aceitariam de volta. Eu precisava certificar para mim ma que algum dia nossa família estaria reunida inteira mais uma vez.

-Para onde estamos indo? – eu perguntei.

-Thiago tem que resolver um imprevisto no banco...

-Ele tem conta no banco?

Ela sorriu de uma maneira fraca, diferente daquele dia em que passamos juntos. Era a primeira vez que ela sorria fraco.

-Tem uma conta num banco e uma casa. Estive com ele lá uma vez, antes de irmos atrás de você! Também não arriscaríamos ficar lá... Tem gente demais... Fica bem no centro de um bairro!

Isso era perigoso. A combinação de gente mais um vampiro recém nascido eram muito propensos a resultar numa catástrofe sem nenhuma consideração. Mas me admirou que Thiago tivesse alguma coisa com banco. Bom não deveria ser algo assim a me assustar. Ele tinha 147 anos, tinha que se ocupar de alguma, e certamente nesses anos todos deveria ter juntado algum dinheiro. Uma pergunta rodou minha mente: No que será que ele empenhava seu oficio? Era algo de se estranhar já que ele passara um ano fora para me procurar junto com Lílian, então deveria ser algo que lhe desse essa regalia. Mas não gostaria que sua irmã pensasse que eu estava desconfiado ou que ele estava escafunchando a vida de Thiago.

-Eu pensei que enquanto Thiago fosse ao banco nos poderíamos passar na nossa casa, quer dizer na casa do nosso pai... É na mesma cidade!

-Boa idéia!

Thiago voltou alguns minutos depois. Incrivelmente do mas jeito que ele havia ido ele voltou. Sem nenhuma manchinha na camisa branca e muito sem nenhuma rasura. Limpo e bem arrumado, o que me causou uma bela admiração, da pessoa que futuramente, se eles casassem, viraria meu cunhado. Não gostei do jeito que a palavra cunhado se aplicava no meu contexto.

-Qualquer hora te ensino a ser bom igual eu! – O sorriso convencido dele me fez querer pular em sua garganta, mas o olhar de Lily me impediu.

Ficamos ali por mais umas duas horas. Eu me afastei para qualquer lugar a fim de deixar aqueles dois morcegos apaixonados namorarem um pouco. Não era eu que queria ficar ali segurando vela para eles. Fui até outro lugar onde comecei a treinar meu poder. Claro que descobri que com uma boa concentração já conseguia mover facilmente pedras grande e quem diria, até algumas arvores. O mar difícil para mim (pelo menos naquele momento) era mover líquido. Tentei fazer algo num riacho ali perto, mas o máximo que consegui foi causar uma ondulação na superfície.

Marchamos assim para a cidade nem passo que eu pelo menos considerei lento. Levamos toda a madrugada para chegar lá, e somente chegamos quando o sol despontava no horizonte. Ou pelo menos deveria estar despontando, já que era impossível ver com a grossa cama de nuvens no céu. Certamente Lílian deixaria os meteorologistas loucos, já que as previsões eram de puro sol. Na entrada da cidade Eu e Lily despedimos de Thiago. Enquanto ele iria para o banco, eu e Lílian iríamos até a casa de nossos pais. Nos encontraríamos na casa dele assim que fosse possível.

Não diria que o caminho conhecido para a nossa suposta casa foi fácil de ser traçado. Para mim foram reviver todas as lembranças de meu passado que supostamente era feliz, mas aquilo era tudo falso. Era uma chama que com o menor soprar do vento se apagou de uma forma dolorosa congelando tudo o que algum dia eu julguei ser minha vida, mas era tudo falso. Uma mortificação de minha própria alma que queria distância daquilo que me fazia sangrar dolorosamente. Não sangue de verdade. Isso fora uma metáfora, mas que tinha um poder de me matar como nada mais podia. Não matar meu corpo físico e intransponível de vampiro, mas meu corpo em minha mente. Minha alma.

Passamos pelas praças que ainda ressoavam as risadas que permaneceram ali por mais de 11 anos para agora finalmente rirem de minha miséria. Aquelas risadas que ecoavam de cada arvore, de cada balanço. O ranger dos balanços, aliás, que balançavam iguais a pêndulos a contar as batidas que meu coração não dava, me causava um tremor. Algo que engalfinhava maus sentidos e clamavam por lágrimas que eu não podia derramar. Estava lacrado meu destino nessa maldição sem fim.

Passar por aquele caminho não pareceu o que deveria parecer. Não foram lembranças felizes que se projetaram em minha mente. Aliás, eram as únicas lembranças que tinha, mas que não significaram para mim aquilo que eu pensei que significaria. Não deram a esperança que eu pensei que sentiria. Não era aquele sentimento quente e caloroso de volta ao lar que eu estava sentindo, mas aquele fio sentimento de abandono, de solidão, de desolação como se eu fosse o peregrino numa terra estranha onde milhares de olhos me vigiavam e se eu desse um passo em falso, um passo fora daquilo que eu deveria andar, eles pulariam em cima de mim a me condenar. Minhas lembranças humanas não deveriam desaparecer? Aquilo não era para estar acontecendo. Definitivamente eu naquele momento desejei que o veneno que corria em minhas veias queimasse para sempre aquelas memórias que ao invés de serem felizes me causavam sensações tais que eu queria morrer. Poderia não morrer mais já que em minha transformação meu desejo não se realizara, mas aquelas memórias estavam sendo tão dolorosas. Não deveria ser assim. Eu não deveria lembrar. Eu não deveria lembrar!

Cada soprar do vento trazia murmúrios. Cada cair de uma folha de qualquer arvore cortava o vento me sussurrando algo. Eram sussurros que não me alegravam. Eram sussurros da morte que me rondava. Eram sussurros que me diziam claramente que minha vida era uma mentira sem fim. Um sonho onde eu estava afundando num lago congelante e que dali eu nunca iria sair e muito menos acordar daquele pesadelo.

Não consegui dar nenhum passo. Meus pés enraizaram no chão enquanto eu sentia o vento frio acariciar minha pele de mármore e eu por momentos de insanidade me deixava perder nos braços gélidos da solidão. Meus cabelos balançavam levemente enquanto eu ouvia o ar trazer mais que uma história a qual eu era o personagem principal. Os ventos traziam mais que minhas memórias do passado distante. Eles traziam mais que solidão, mas ao mesmo tempo um reconforto gelado. Eles traziam muito mais. Algo incompreensível a qualquer humano, eu era um vampiro. Eu era mais um personagem que via seu passado definhar no tempo. Foi com um acariciar do vento em minhas bochechas que compreendi que, mais que me passado, aquelas vozes perdidas no vento trazia meu futuro.

-Mark? – Lílian se aproximou tocado meu braço enquanto eu engolia o fluido em minha boca.

-Pensei que as memórias humanas deixariam minha cabeça. – Abri os olhos e lhe fitei a face bela.

-Leva um tempo... Elas vão embora com o tempo.

-Preferia que elas já houvessem deixado minha mente! – Comecei a caminhar tentando não me perder em devaneios, com Lílian do meu lado.

Ela me ofereceu o braço ao qual eu enlacei tentando me apegar a qualquer coisa que me fizesse ficar preso a essa realidade, não a um passado que nunca existiu.

-Pensei que perder as memórias humanas fosse doloroso para você! – ela comentou.

-Não quando elas me fazem sentir que estou perdido em mentiras! Para você é fácil... Talvez você não consiga se lembrar tão detalhadamente quanto eu consigo.

Eu conseguia ver detalhadamente cada cena de minha vida. Claro que poderia ser por um véu negro muito opaco que nublava aquilo que eram minhas memórias, mas estava tão claro. Mas era verdade que elas ainda estavam lá. Perdidas num canto escuro de minha mente.

Ela não soube o que me responder e eu não deixei mais nenhuma palavra escapar de minha Boca. Talvez a minha ultima frase pronunciada a ela tenha sido muito duro, mas era assim que me sentia. Talvez tivesse ferido os sentimentos dela, mas eu preferiria não pensar nisso. Eu não queria pensar mais em nada. A única coisa que eu queria era correr para muito longe, e me perder para nunca mais voltar para casa, nunca mais voltar para qualquer coisa que me ferisse daquele jeito.

O resto do trajeto foi trilhado no silencio. Eu ignorei qualquer coisa externa, me concentrando somente no que era a minha realidade agora. Ignorei quaisquer murmúrios no vento e sussurros que chegassem ao meu ouvido. A queimação em minha garganta pareceu voltar. Tirei do bolso da jaqueta os óculos escuros que Thiago me dera quando saímos do que eu agora começava a encarar pelo que realmente era: um hospício. Coloquei-os em minha face. Posso dizer que não era muito legal ver aquela tela em minha visão, mesmo por que, eu podia observar em sua superfície qualquer embaçado ou até pequenos riscos superficiais, e, além disso, tudo pareceu que mundo havia caído numa pequena escuridão. Nada que pudesse atrapalhar minha visa é claro, mas que incomodava, ah isso ninguém podia negar, mas como muitas coisas em minha nova vida, eu teria que me acostumar pelo menos até meus olhos voltarem a ter uma cor menos ameaçadora.

-Talvez... Nesse ano você não sabe o quanto lutei para me lembrar de você! Você não sabe o tanto que lutei para me lembrar e ter alguma esperança de que você tivesse em algum lugar e alimentar a pequena chama de que um dia eu te encontraria.

As palavras de Lílian chegaram aos meus ouvidos como a confirmação de que eu havia falado demais da conta. A confirmação que ela estava magoada comigo. Eu deveria me bater, me maltratar por fazer aquilo com minha irmã. Ela correra o pais teoricamente e minha procura e é assim que eu a trato? Eu sei... O correto a fazer naquele instante era me ajoelhar na sua frente e pedir desculpas por tudo o que fiz ela passar e pedir desculpas pelas minhas malditas palavras, mas ela poderia me compreender. Eu poderia fazer isso mais tarde. Naquele momento quem precisava de uma desculpa era eu. Não era dela, nem de ninguém a não ser do destino. Eu precisava que o destino se materializasse na minha frente e me pedisse os milhares de desculpas pela deturpação em meu passado.

Finalmente chegamos na nossa casa. Pelo menos no que deveria ser ela. E por um segundo eu pensei que Tudo na minha vida fora uma ilusão. Que eu estava nesse momento vivendo uma ilusão. Engoli o veneno em minha boca vendo pela escuridão dos óculos o meu passado. E eu não quis acreditar nele!

Notas finais
N/A: desculpe pelos erros, mas como queria postar no Natal, tiver que postar sem a revisão da Helo (Minha mini-beta grandiosamente especial)! Qualquer coisa é somente me avisar Ok?



Abraços a todos!



Jhow