Naquele lugar escuro e sem vida onde nada entrava e nada saía a não ser o vento frio que atravessava as paredes de pedra, as pessoas preferiam dormir juntas, amontoadas uma as outras para lutar contra o frio que cortava como navalha as finas e rasgadas roupas de malha. Naquela noite sem estrelas, naquela escuridão congelante, soava um choro baixnho, gemidos mistos com soluços. Longe do amontoado de gente, no cantinho, uma pequena e indefesa menina de cabelos ruivos recostada nas paredes frias de pedra procurava controlar suas lágrimas que caiam como cachoeiras por seu rosto corado.

O menino despertou ao ouvir o choro incessante da pobre menininha e procurou se aproximar com cuidado para não tropeçar nos companheiros que dormiam profundamente ao seu lado.

- Por que está chorando, Erza? – Perguntou o menino preocupado.

A menina exaltou-se ao ouvir a voz acolhedora do menino de cabelo azulado. Não o tinha ouvido se aproximando.

- Quero ir embora, Jellal. – Dizia a menina virando os olhos molhados para olhá-lo – Quero ir embora com você.

Jellal sorriu docemente ao ouvir a menina.

- Nós iremos, Erza! Eu juro a você, um dia nós conseguiremos a liberdade que você merece!

- Mas Jellal, é tão difícil! Nós teríamos que fugir e... se formos pegos nós...

- Não se preocupe, eu te protegerei até o fim. – Disse Jellal entrelassando seus dedos aos da menina que chorava.

- Você jura? – Disse a menina olhando em seus olhos.

- É claro que eu juro! – Brandou Jellal esboçando um lindo sorriso. – E pare de chorar, você é mais bonita quando sorri!

A menina corou, mas limpou suas lágrimas e esboçou um sorriso tão lindo quanto ao do garoto que a confortava.

- Bem melhor! – Disse o garoto sorrindo ainda mais.

- Jellal, o que é... isso? – Perguntou a menina se referindo aos dedos entrelassados.

- Isso? É que antes de vir pra cá, alguém me disse que o melhor jeito de fazer uma menina parar de chorar é segurar a mão dela deste jeito. – Disse Jellal – Parece que funciona!

A menina soltou um risinho.

- Nós ficaremos junto pra sempre! Não é, Jellal? – Disse a menina recostando sua cabeça no peito magro de Jellal.

- Sim, ficaremos! – Disse o garoto abraçando protetor a menina ruiva. – E eu lhe protegerei até o fim, você não precisa se preocupar com nada! E nós...

Jellal não terminou sua frase pois a menina já havia adormecido em seus braços. Sorriu ao observar que um sorriso jazia em seus lábios enquanto dormia. Deitou sua cabeça nos belos e curtos cabelos ruivos e lá adormeçeu.

Já perdera a conta de quantos monstros ela já derrotara. Já perdera a conta de quantas feridas possuia e de quantas vezes o chifre daquela fera perfurara seu corpo. Ela era diferente de tudo que tinha visto, sua força era completamente diferente dos monstros que enfrentara no pandemônio, mas ela não se importava, derrotava um monstro atrás do outro com a força digna daquela que é chamada Titânia.

O Projeto Eclipse não dera certo, Mercurios havia desmoronado e aberto uma porta para feras com uma força absurda. Aquela era a última fera do campo de batalha, mas mesmo assim, não sabia até onde aguentaria.

Cada vez que era obrigada a virar o rosto para desviar dos poderosos ataques do chifre daquele monstro, uma dor, pois era obrigada a avistar o campo de batalha coberto de cadáveres de feras... e de seus companheiros de guilda. Tinha medo, medo de virar o rosto e avistar os cabelos azuis daquele que amava... Mas ela não podia pensar nisso, não naquele momento, pois ela não era a única de pé naquele campo. Lucy e Levy estavam de pé logo atrás dela, sendo protegidas pelos golpes de espada da poderosa Titânia. Ela não podia deixar aquela fera as alcançar, ela não deixaria mais ninguém morrer na sua frente enquanto vivesse. Mas ela não poderia aguentar por mais muito tempo, sentia a morte se aproximando, sentia sua visão ficar turva, sentia o sangue escorrer por seu corpo... Tinha que terminar aquilo logo, tinha que proteger suas amigas.

Um momento de distração. A fera virou a cabeça lateralmente, mas não atacou com seu poderoso chifre, e sim foi de encontro com a Tintânia como um touro desordernado e a lançou longe. Erza não mais levantaria. A visão turva que ela ainda possuia avistava a fera se preparar para dar o ataque final. A Titânia nada fez, a não ser fechar os olhos e esperar a escuridão eterna que tentara a todo custo evitar. Mas ela não veio.

Em seu lugar, os cabelos azulados que ela esperava não ver naquele dia. Jellal se colocara a frente do ataque da poderosa fera e teve seu peito perfurado pelo chifre.

Os olhos incrédulos da Titânia observavam os cabelos azuis se esvoaçarem a medida em que o rapaz lutava contra a poderosa besta. Seu corpo estava tão ferido quanto o de Erza, e sua capa e sua máscara foram provavelmente rasgados e descartados durante a batalha. Com um grito vitorioso, Jellal quebrou o chifre da poderosa besta que lhe era enfiado no peito, retirou-o e fincou no pescoço da fera que rugiu de dor. O monstro cambaleou e caiu inconsiente no chão.

Os olhos de Erza ainda não acreditavam no que viam, O rapaz havia sacrificado a si mesmo para salvá-la da morte que já era certa. Sua visão turva observava um Jellal cambaleante se aproximar, seus dedos ainda segurando firmemente o chifre ensanguentado.

- Eu... consegui... te proteger? – Perguntava Jellal com a voz fraca, mas audível.

A Titânia nada disse, mas seus olhos se enchiam de lágrimas. Jellal continuava a se aproximar até ficar de pé ao lado do corpo da fada caída, e sem forças, desabou de joelhos, e caiu deitado ao lado do corpo inerte de Erza.

- Jellal... você... – Disse a Titânia fraca.

- Eu jurei... que te protegeria até o fim... não jurei? – Os olhos de Jellal já transbordavam em lágrimas, mas em seus lábios, um grande sorriso formava.

- Jellal... seu tolo... como pôde? – Dizia a maga fracamente com lágrimas brotando de seus olhos brilhantes. – Minha morte já é certa... Por que se arriscou tanto para me salvar?

- Erza... eu sempre sonhei... – Jellal cospe sangue – Eu sempre sonhei... em passar... o resto da minha vida ao seu lado.

- Jellal... seu grande... idiota... – Disse Erza com os olhos transbordando em lágrimas – Por que você...?

- Por favor... você não deve chorar... – Disse Jellal entrelaçando seus dedos nos de Erza – Você sabe... que fica muito mais bonita quando sorri...

Erza sorri, mas ela não pararia de chorar.

- Jellal... o seu sonho... o nosso sonho... – Erza geme agarrando a ferida no estômago – Ele... ainda pode ser realizado...

Jellal sorri calorosamente, da mesma forma que sorria ao consolá-la quando chorava às escondidas no Torre Celestial. A nostalgia tomou conta do sorriso da ruiva, e ela sorri da mesma forma.

- Você tem razão... você sempre teve razão.

Mesmo sem forças, Jellal abraça o corpo da ruiva, apoiado a cabeça da mesma em seu peito ensanguentado sem soltar sua mão.

- Me desculpe... por não poder te fazer feliz – Disse o rapaz

- Não seja tolo... você me fez feliz. – Dizia Erza se aninhando nos braços do azulado e apertando mais a mão que segurava. – A partir... do momento em que voltou pra mim... eu não poderia ter ficado mais feliz... Eu... te amo... Jellal.

- Eu... também te amo... Erza.

Os olhos de ambos se fechavam simultânea e vagarosamente a media em que o primeiro raio de sol aparecia no horizonte. Levy e Lucy assistiam a cena de uma distância razoável. Levy possuía duas grandes feridas, uma na testa e outra na bochecha que enchiam seu rosto de sangue, enquanto Lucy procurava estancar o sangramento do braço direito que havia perdido na batalha. Elas se abraçavam, com os rostos molhados com lágrimas e sangue, lamentavam-se pela queda da corajosa Titânia e seu amado Jellal, aquele que, por amor, tentara protege-la até o fim.

Elas não sabiam, mas naquele momento, em direção aos raios de sol do último amanhecer, uma sorridente garotinha de cabelos curtos e ruivos caminhava. Essa garotinha nunca mais choraria, pois seus dedos estariam eternamente entrelaçados aos dedos do também risonho menino de cabelos azuis. De mãos dadas eles caminhariam em busca de uma nova aventura, de um novo amanhecer, um mais brilhante e escarlate.

Notas finais
Oi! ^-^ ~le apanha~ Espero que tenha ficado bom! T^T Como eu já disse, é minha primeira fic!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!