Amando um amigo
1 Quase
Notas iniciais
Eduarda estava pronta para mais uma noite de aventuras com seu amigo, ela terminava de passar o rímel em seus olhos pretos e marcados, em sua casa.
Logo que termina, sai correndo de casa para não ter de aturar as conversas chatas e assustadoras, que haviam tido faz um tempo.
Ela o esperava na esquina de sua rua, quando um carro preto, de janelas fumê, passou e encostou do seu lado. Ela ergueu-se no meio fio, enquanto ele abria a janela.
Du: E aí, lek. Qual vai ser a boa de hoje? — ela abria a porta do carro, sentando-se no banco de carona.
João Lucas: Nem tem boa, Du. Queria ficar de bobeira, sem puts puts. Sacomé? — ela o olhava, surpreendida. Arqueou então uma de suas sombrancelhas, pensando em rir.
Du: Qual é, lek. Tu bebeu, foi? Tu? Não querer sair de casa? Tô até estranhando... Qual foi?
João Lucas: Não quero não, Du. Tô afim de curtir um vídeo game...
Du: Tu não cansa de perder, não? — ele a olhava seus olhos marcados, pensava em como aquele preto o atraía e em como eles só sendo amigos atrapalhava toda a química.
Pô, João Lucas. Desiste de olhar pra essa boca...
João Lucas: Tu gosta de tirar um sarro, né. Não canso é de te deixar comendo poeira nos game.
Du: Tá, sei... — ficaram num momento sem assunto, Eduarda, se perguntava em como ela podia ter se ferrado em se apaixonar pelo amigo dela. Que azar! — Acelera aê, lek.
João Lucas acatou seu pedido.
Ele dirigia sem rumo pelas ruas, até que parou frente a praia.
João Lucas: Vamo ficar batendo papo aqui, na frente da praia...
Du: Qual é, tu tá estranhão... Tu não é disso! Que tá pegando? — Eduarda se vira pra ele, que também se vira, eles encostam seus joelhos cobertos. Suas peles separadas pelo tecido jeans de Lucas, e da meia calça de Du.
Maldita meia calça! Sempre me atrapalhando...
João Lucas: Tô normal, pô. Só quero uma paz. Tô numa vibe boa, hoje.
Du: Tô ligada! — ela se aproxima mais, ao ver o colarinho da camisa de seu amigo pra dentro. Ela ajeita sua camisa, e por um segundo consegue tocar em sua pele. Perto de seu peitoral, ela toca, e se arrepia.
Puta que pariu. Para Eduarda!
Du: Tu nunca vai aprender a se olhar no espelho antes de sair, né? Só anda com uma coisa errada no corpo, ou na cabeça. — ela lhe sorriu, e ele admirou seu sorriso.
João Lucas: Caralho, eu tenho qu. — por um segundo, ele se arrepende de ter começado. O que era pra sair em pensamento, saiu-se em palavras em alto e bom tom. Eduarda lhe olhou com cara de interrogação, e ele suou com medo de falar algo, errado.
Du: Quê?
João Lucas: Nada não, pô. Esquece aí!
Du: Desenrola, João.
João Lucas: Caralho, odeio quando tu me chama assim! Meu nome é Lucas, lek pra você. — ele lhe fez cosquinhas em sua barriga, que ao tocar, sentiu sua cintura que tanto sonhava em apertar.
Caralho, Lucas! Porra!
Ele, sem prestar muita atenção no que fazia, segurou a cintura de Du, apertando-a e indo de encontro ao corpo dela. Ele sorriu.
Eduarda, surpreendida, colocou suas mãos em torno do pescoço do seu amigo, e pensou na possibilidade de, de repente, rolar.
João Lucas se aproximou, devagar. Ele teve certeza que iria beijá-la, e ela, fica sem reação, apenas observando seus rostos quase colarem.
Quê que eu tô fazendo? ...
Estava quase feito. Quase, tudo perdido. Suas respirações estavam tão próximas quanto as poucas vezes que lhes compartilhavam abraços.
Quase lá.
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