Amando um amigo
15 Mentira?
Notas iniciais
Eduarda abria a porta de sua casa. Como era estranho pensar isso. A casa de Lucas, agora também era sua. Era a moradia dos três amores de sua vida. Os seus maiores amores. Ela nunca pensou em sentir tanta falta daquele lugar. Todas as horas que ela passou naquela maternidade foram pra ela, uma eternidade.
João Lucas segurava as duas pequenas malas de seus filhos, enquanto ao mesmo tempo, segurava a cintura de sua esposa. Para ele, aquele pequeno gesto era proteção, carinho, cuidado. E era mesmo. Pelo menos para Eduarda, era e é.
As babás, segurando os bebês, atrás deles, a passos lentos.
Naquele meio tempo em que ficou na maternidade, sua irmã havia lhe informado da mudança repentina de comportamento de sua mãe. Dizia ela que queria mudar, Eduarda duvidava. Dizia que seu pai, tinha se separado dela, e ela percebeu o psicopata que ele era, por descobrir que ele mechia com drogas. Mas ela não sabia de sua profissão proibida? Du se perguntava.
Marta: Até que enfim... Pensei que tinha acontecido alguma coisa. Que demora!
JL: O trânsito tava terrível. — Lucas sentou Eduarda no sofá — Vovó, chegamos vovó! — ele falava com voz de criança, e Du riu com seu jeito bobo.
Marta: Vovó é sua... Esqueça! — ela revirou os olhos — Olha que fofura, vem cá com a Marta, vem. — Marta ergueu seus braços, pegando Martinha no colo. O pequeno José Alfredo, começou a choramingar.
JL: Que foi, filho? — ele fez voz de criança novamente — Vem com o papai, vem...
Du: Lucas, eu vou subir e dormir um pouco... Tô cansadona!
JL: O Alfredinho não tá com fome, não Du? — ele já perguntou, preocupado com o choro do filho — Ele tá chorando muito...
Du: Fome não é... Ele mamou quando saiu da maternidade! Será que é fralda suja?
Zezé: Deixa comigo, dona Du... Eu cuido dele! — a babá pediu Alfredinho, e logo detectou o motivo do choro — É cólica!
JL: E os bebês tem isso? Dói é? Será que não é melhor levar ele no pediatra?
Marta: Claro que não, Lucas... Cólica é normal em bebês recém-nascidos, claro que dói, mas passa. Não é Martinha? — ela brincava com sua neta — É só fazer uma massagem de levinho nele, que já já passa. — Martinha começou a choramingar, também.
Du: Vamos pro quarto... A Martinha já tá enjoadinha, deve ser sono!
Subiram as escadas, e os levaram pro quarto. Martinha, logo dormiu. Por que bebês dormem tanto? Alfredinho, começava a se acalmar da cólica, com a massagem confortante. A dança que os dedos da babá fazia na barriga do bebê, aliviava as leves dorzinhas. Logo, o pequeno também dormiu.
Eduarda estava morta. Tamanho era seu cansaço. Ela nem sabia o porquê estava com o corpo cansado e dolorido. As babás haviam passado a maior parte do tempo cuidando de seus filhos, ela só compareceu na hora de dar para mamar. Caiu na cama, relaxando sobre os lençóis. João Lucas a observou dormir.
Ele a admirava. Aquela mulher que ele tinha como melhor amiga e esposa, havia lutado pela sua vida e a vida de seus filhos numa sala de parto, por duas vezes. Os olhos marcados pelo delineador, o espantou, por perceber uma marca leve, quase invisível. A pouca cor em sua boca, o encantava. Olhou em suas unhas, e percebeu o mesmo preto que ela gostava.
Seus pensamentos foram interrompidos pelo toque de algum celular. Ele se levantou, rapidamente, para desligar e impedir que aquele ruído atrapalhasse o sono de seus filhos e sua esposa.
Quase saiu pra trás, quando percebeu de quem era a mensagem no celular de Du.
Felipe — Contato Whatsapp
Oi Du, eai, nunca mais deu notícia... Pô, to com saudade. Beijo
Ele passou seu dedo, subindo para cima, lendo as mensagens que ele mandava, e eram todas ignoradas por Du. Entre elas, uma do dia de seu casamento com ela. Foi visualizada. Sem resposta.
Esse cara parece que não cansa...
Ele deixou o celular, com raiva em cima da mesa. Pegou suas chaves e saiu daquele quarto.
João Lucas saiu voando de casa. Dentro do carro, remoía os pensamentos. Ele estava decidido acabar com Felipe, por ficar mexendo com Eduarda. Seus olhos mostravam raiva. Até perceber o que estava fazendo. Pelo amor de Deus, eu não posso dirigir assim... Cê tá maluco, cara? Reduziu a velocidade. Parou o carro em frente à casa de Felipe, e chamou por seu nome.
Felipe: João Lucas? O quê tu tá fazendo aqui? — ele abriu a porta de sua casa, ficando de frente para Lucas — Eu esperava a tua mulher, agora você... Ela mandou recadinho, foi?
João Lucas acertou seu olho, num soco. Ele o olhava com raiva.
JL: Cala essa tua boca. Escuta o que eu tô te falando, se tu voltar a procurar a minha mulher, ou ficar mandando mensagenzinha de texto pra ela insistindo, eu acabo com você! Tô avisando. Isso aí que eu fiz na tua cara, é só uma amostrinha. — ele deu as costas, entrando novamente no carro.
Ele suspirou e saiu cantando pneu, mas logo entrou numa velocidade segura. Entrou novamente em casa, e quando abriu a porta de seu quarto encontrou Eduarda andando de um lado para o outro.
Du: Até que enfim. Onde tu tava? Te liguei, só dava na caixa postal.
Ele a olhou. Lucas sabia que Eduarda o daria lição de moral. Ele não queria agir como um adolescente rebelde de novo, mas foi Felipe mesmo quem procurou. Ele parou, sem saber o quê dizer.
JL: Fui na Império... Me ligaram, pedindo pra eu ir lá. — Eduarda o olhou desconfiada.
Ele estava mentindo para ela. Ele nunca mentiu pra ela, e agora, mentiu. Pra onde ele realmente foi? Seus olhos se encheram de lagrimas, mas ela escondeu, voltando seu olhar para a parede e fingindo não se importar.
Du: Hum, tá. Entendi.
Ele não estava na Império. Ela ligou pra lá perguntando se ele estava, e a secretária negou. Ele mentiu. Mentiu na cara dura!
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