Amando um amigo
16 Espetos no coração
Notas iniciais
Os pensamentos de Eduarda foram interrompidos por uma batida na porta, revelando o rosto de Maria Marta.
Marta: Du, Lucas, desçam. A filha de minha amiga chegou dos Estados Unidos, ela vai ficar aqui hospedada por um tempo... Até o apartamento ficar pronto, preciso apresentar ela a vocês. Espero vocês lá em cinco minutos.
Du: Tá beleza, Marta. — Lucas não respondeu, ele parecia estar em outro mundo. Seus pensamentos longe.
Eduarda chamou as babás para observar seus filhos, enquanto ela fazia sala para a tal garota. Assim que desceu as escadas, foi vítima do olhar de uma morena que a olhava dos pés a cabeça.
Ela se sentia envergonhada com a situação. Sempre fora uma mulher segura, e agora, estava com as pernas bambas em frente aquela mulher que parecia uma modelo.
Marta: Vocês chegaram... Ângela, esta é Eduarda, minha nora. Eduarda, Ângela. — as apresentações mal começaram e Du já queria que aquilo terminasse logo — João Lucas, lembra da Ângela? — Du se sentiu incomodada.
Pelo jeito, já se conhecem...
JL: Claro. Oi Ângela!
Ângela: Oi, Eduarda. Oi, Luquinhas. — aquela voz de metidinha — Marta, será que você pode me mostrar meu quarto? Estou tão cansada... Foi um trânsito horrível do aeroporto até aqui, sem falar que esse calor acaba comigo! Eu definitivamente, não estou pronta para esse Rio de Janeiro.
Marta: Claro, me acompanhe. — elas saíram daquele lugar e Eduarda deu graças a Deus, por aquilo.
Ao subir as escadas, sem nem olhar na cara de João Lucas, ela andou pelo corredor, passando pela frente daquele cômodo do qual ouvia vozes. "Ah, querida, eu mesma pedi para o João Lucas lhe buscar no aeroporto..." Eduarda se amaldiçoou por ter a maldita ideia de ouvir a conversa das duas, aquela era a voz da Marta.
Então foi por isso que Lucas mentiu pra mim? Eu sou uma idiota mesmo..., aquelas lágrimas teimosas caía de seus olhos, ao entrar dentro de seu quarto e se trancar no banheiro.
Enfim ela pôde perceber que João Lucas não o amava de verdade, apenas se casou com ela por causa de seus filhos. Ela foi tão burra... Como ela pôde acreditar nos eu te amo que ouviu dele? Ela não iria passar pra ele de uma amiga, e só. Ela se iludiu. Era o que pensava.
João Lucas, ao entrar no quarto e perceber os soluços vindo do banheiro, lembrou-se de sua esposa.
"Du? Du, você tá bem?", ela ouviu a voz dele do outro lado do quarto.
Du: VÊ SE ME DEIXA EM PAZ! — ela gritou.
João Lucas não entendeu. Ele não sabia o quê tinha feito, mas lhe conhecia o bastante pra saber que ela estava bolada com ele. Lucas não conseguia entender a indiferença. Ele sentia a indiferença.
Eduarda pensava em como ele devia estar interessado pela morena. Aquela morena bonita, dos cabelos longos e ondulados, estilo patricinha. Era demais para ela. Logo ela, que pensava que Lucas gostava de outros tipos de mulheres. E não aquelas que se acentuavam naquele estilo que pertencia à Ângela.
Seu telefone tocou em seu bolso, era um numero desconhecido. Ela enxugou suas lagrimas, atendendo.
"Alô... Mãe? O que você quer, Natalia?... Vê se me esquece, agora tá arrepedinda? Quero ver mudar alguma coisa com o teu arrependimento!... Ah, tchau, vê se me erra!", foi o que Lucas conseguiu escutar, depois de ouvir novamente o choro abafado.
JL: Du, abre aqui pra mim... Tô preocupado! Abre, Du! Deixa eu te ajudar... — ele não teve resposta — Por favor, que que tá pegando, hein? — ela abriu a porta e ele viu seu leve rímel borrado pelas lagrimas.
Du: Cara, tu me iludiu da pior forma... A forma mais nojenta! Tu não precisava ter se casado comigo só por causa de um filho, de dois filhos. Tu podia ter corrido pros braços dela, quando tu soube que, — ela parou, pra chorar — que ela viria pro Brasil. Porque é claro que tu sabia, né? Tu me feriu... Eu não consigo mais acreditar em você! Você mentiu pra mim! — ela soluçava, as palavras saíam de sua boca, como se estivessem enfiado espetos em seu coração. Aquilo machucava tanto, tanto, mais que um tapa na cara.
João Lucas não sabia porquê ouvia aquelas palavras horríveis. Ele sentiu o peso das palavras o engolir. Ele a via chorando na sua frente, com lágrima nos olhos, o condenando por algo que ele nem sabia que tinha feito. Ele havia mentido, sim. Mas não sabia de quem ela estava falando quando citou uma mulher na situação. Será que ela pensava que ele a traía?
JL: Do que você tá falando, Du? — ela o olhou e não o respondeu, apenas saiu chorando de sua frente.
Até Marta, da qual ela pensava que estava do seu lado havia lhe traído. Talvez ela não tenha feito por mal. Talvez só quisesse que Lucas a buscasse no aeroporto. Mas por quê ele mentiu, ao invés de falar a verdade: que ele havia buscado outra mulher no aeroporto? Ela queria morrer. Mas juntou suas ultimas forças para pensar em seus filhos. Foi falsa cada palavra. Ela não acreditava mais nele. Se negava a acreditar.
Joao Lucas continuava plerpéxo, encostado na porta do banheiro sem saber o que fazer. Se antes ele não entendia, agora então...
O celular de Du apitou novamente, em seu bolso, e ela o pegou. Era uma mensagem de Felipe. Era só o que lhe faltava, agora, Felipe encher sua paciência. Mesmo assim, ela olhou.
Felipe — Contato whatsapp
Eai Du, teu maridinho deu uma crise de ciume... Se eu te dizer o que ele aprontou, tu fica sem acreditar. Mas então, vamos sair? Te espero às oito, hoje, naquele barzinho de São Gonçalo, já que tu não responde minhas msgs... Beleza? Beijo.
Ela não entendeu. Se decidiu tirar a limpo toda a historia, e respondeu a mensagem com um "beleza".
Vou me encontrar com o Felipe e vou tirar essa historia a limpo!, ela estava decidida a entender toda a confusão. Mas até lá, continuaria como estava com Lucas. Sem lhe responder nada, nem dar satisfações.
Ela sabia que se fosse tudo só uma confusão, Lucas ia ficar mordido com a situação do encontro dela com Felipe. Mas ela não podia faltar a essa oportunidade de tirar as coisas a limpo. E se caso não fosse tudo um mau entendido, ela já sabia o quê fazer.
Pediria o divórcio.
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