Amando um amigo
10 Degraus
Notas iniciais
Duas batidas na porta do quarto, e Eduarda se assustou. Ela estava com os olhos fechados, virada para uma mulher, que fazia sua maquiagem forte e marcada.
Ouviu-se de trás da porta, a voz de sua irmã, já pronta, com um vestido azul turquesa longo, com o cabelo loiro em uma trança, sua maquiagem era leve, como os raios solares. Ela estava bonita, aos olhos de Eduarda, se encontrava perfeita.
Natielle: Du? Posso entrar? — ela lhe chamou por seu nome.
Du: Entra, Nati! — logo que abre a porta, e a mulher se afasta numa distância, para que a noiva pudesse ver sua irmã, Eduarda a elogia — Tu tá linda, maninha!
Natielle: Obrigada! Como está minha noivinha preferida?
Du: Ótima! Hoje até os lekinhos deram folga, tô sem dor nenhuma. — ela se permitiu dar um sorriso enorme e radiante.
Natielle: Que bom! E aí, quando vai contar que são gêmeos?
Du: Hoje! Mas só depois do casamento... Não quero arriscar no Lucas dar um troço lá embaixo sem casar antes. Imagina a confusão! — elas gargalham. Ao ouvir seu celular apitar, avisando uma mensagem, Eduarda o pegou, lendo:
Tem certeza do que vai fazer? Se caso desistir, estou aqui, te esperando. Com amor, Felipe.
Era um número desconhecido, por um segundo, ela pensou em rir. Aquilo parecia filme. Balançou sua cabeça para espantar aqueles pensamentos. Aquele seria o dia dela, o dia deles. Não podia deixar nada nem ninguém o estragar.
A marcha nupcial tocou, e João Lucas suou ainda mais quando começou aquela ópera que lhe dava sono. Ao olhar para a escada, ele viu os sapatos de Eduarda aparecer nos primeiros degraus. Um sapato, fino, preto, alto. E a cada degrau descido por Du, mais se descobria um pedaço de si. Suas pernas, desnudas, com um vestido branco com uma faixa preta em sua cintura, curto. As mangas compridas, com detalhes pretos ao decorrer do tecido que cobria seu braço. Em seu pescoço, estava presente um colar delicado, do qual Lucas havia lhe dado de noivado. Seus cabelos ondulados, presos com um penteado meio solto. Logo que pôde, viu sua boca em vermelho. Os mesmos olhos marcantes que o atraía. Suas unhas da mão, em preto.
Silviano entregou Eduarda para Lucas, e logo que ele a recebeu em seus braços, ele a deu um beijo estalado em sua testa e dois beijos em sua barriga, já grande e bem visível. Ela sorria radiante, grande era sua emoção.
JL: Lek, tu tá bem? E o lekinho? — ele a pegou em sua cintura.
Du: Tô ótima! Ele, eles tão muito bem... — Lucas não entendeu, mas não a questionou naquele momento.
João Lucas a levou, virando com ela em direção ao padre, o que o mesmo dizia, nenhum dos dois prestavam atenção. Eles nunca foram religiosos, mas tinham total fé em Deus, e sabiam que ele existia. Pela cabeça de João Lucas, passava-se um filme de seus momentos com Eduarda. Mas não conseguia se lembrar dos momentos de dor, dos ruins, mas sim, dos bons, em que se compartilhavam sorrisos e gargalhadas a todo instante. A primeira noite, o primeiro beijo. O primeiro olhar e encontro. Todos os primeiros tinham real significado. Eduarda, por sua vez, só conseguia sorrir. Ela estava tão nervosa, que pensou que fosse cair ali mesmo. No entanto, todos esses pensamentos sumiram de sua mente, quando olhou para Lucas e percebeu o quanto ele também estava feliz. Ele segurava sua mão, acariciando suas unhas de leve.
O padre anunciou o beijo, terminando assim a cerimônia. Ele virou-se para ela, com o sorriso bobo que se estampava em seu rosto. Ela correspondeu, suspirando. Os olhos de Lucas, cravados nela. Ele se aproximou, iniciando um beijo calmo. Suas bocas se encontraram num doce movimento, arrancando sorrisos e palmas de todos que estavam aos arredores. Os olhares curiosos, e as lentes dos fotógrafos que a família tinha contratado, registrava aquele momento. Sobre seus ombros, Eduarda depositou suas mãos. Sua cintura, envolvida com os braços fortes de Lucas. Quando suas bocas se separaram, e ele pôde olhá-la, os olhos dela brilhavam. Naquele instante, era impossível esconder o sorriso, enorme em seus rostos. Virando-se para todos, José Pedro entregou a João Lucas uma garrafa de champanhe, da qual brindaram.
Du, puxou João Lucas para um canto no sofá. Ele lhe sorriu.
JL: Dois lekinhos? — perguntou, sorridente.
Du: Dois lekinhos. — ela lhe confirmou, e ele vibrou, a beijando.
As mãos de Lucas, voltaram a tocar sua cintura, o beijo doce, terminou por falta de ar.
JL: O que tu acha da gente ir pro quarto, hein? — ele abriu um sorriso de canto.
Du: Já ouvi ideias piores... — Lucas riu.
JL: Vem cá, vem... — ele puxou sua mão, a levando para a escada.
Os degraus, pouco a pouco, ficavam pra trás. Uma nova vida se iniciaria ali. Choro de bebês, dor. Mas também sorrisos, brincadeiras. Eles podiam não saber de nada do que viria pra frente, mas de uma coisa, eles tinham certeza: o amor e companheirismo, nunca iriam deixar pra trás.
A porta do quarto se abria. João Lucas, abraçava por trás sua recém-esposa, enquanto beijava seu pescoço. Ele parou para trancar a porta novamente, e se colocou em sua frente.
JL: E aí, o que a gente faz agora? — ele lhe olhava com um olhar malicioso.
Du: Não sei... Tá a fim de jogar um game? — eles riram.
JL: Ah... Tem coisa muito mais interessante pra fazer, Eduarda... — Lucas acariciava sua nuca, com a outra mão em sua cintura.
Du: É? — ela sorriu — Então o que você me sugere?
Ele começou a beijá-la e aos poucos, abria o zíper de seu vestido.
JL: Vem cá que eu te mostro... — os beijos continuavam. Apenas os estalos se ouviam. Alguns murmúrios de "eu te amo", saíam de suas bocas.
Ao deixar aquele vestido branco cair no chão, Eduarda tira seu paletó, e logo em seguida, sua gravata. A noite começava para eles, e cada detalhe de Eduarda, encantava Lucas. João Lucas passa para seu pescoço, o beijando, enquanto a ajuda a tirar sua camisa. Logo, não havia mais nada no corpo dos dois. Eles se encontravam deitados na cama, se beijando euforicamente.
Parecia mentira. Parecia conto de fadas. Logo ela, que não era mulher de se importar com clichê, agora estava se saindo uma mulher dessas. Podia-se dizer melosa. João Lucas, que nunca fora de casa, andava pelas ruas, curtindo noites. Hoje, casando, com sua melhor amiga amando pela primeira vez como mulher. Ele sorria, ao pensar isso.
Eduarda deitava em seus braços, depois de senti-lo dentro de si. Sentia-se bem. Confortável. Seu coração, disparado no peito. Ela lhe beijava o pescoço, enquanto ele lhe acariciava os cabelos.
Eu te amo., pôde-se ouvir das duas partes.
Eles subiram ali, degraus importantes a serem subidos.
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