Amando um amigo
13 Amo
Notas iniciais
Passou-se horas. Eduarda, já num quarto do qual foi colocada quando a primeira tentativa de parto foi falha. João Lucas, estava em sua frente. Ele não saía de perto dela, o que a confortava.
Suas palavras de carinho e encorajamento, era o que mais Du queria ouvir.
Duas batidas na porta, anunciaram a entrada de dr Marcos, dois olhares esperançosos o olharam.
JL: E aí, doutor?
Du: Fala logo, pelo amor de Deus!
Marcos: Bom... Vamos fazer novamente o toque em você, Eduarda, e depois, se o local ainda estiver aberto, vamos fazer a segunda tentativa de parto com um soro mais forte.
JL: Mas e se o lugar não tiver aberto? — seus dedos entrelaçados com o de Du.
Marcos: Aí, provavelmente, não existirá mais nenhuma opção para nós e vocês. O líquido amniótico está secando a cada segundo que se passa, acredito que se for pra passar mais seis horas, os bebês podem morrer sufocados... — Eduarda, pôs-se a chorar ardidamente.
Du queria poder morrer ao perder seus filhos. Ela não queria mais ouvir nada, apenas ter seus bebês em seus braços.
Deus, não tire meus filhos de mim! Não tire...
Ela não podia nem imaginar o tanto amava aqueles dois seres que cresceram dentro dela, e agora, estão morrendo dentro de si. Sentiu a insegurança tomar conta de seu corpo. Suas pálpebras pesavam. Sua cabeça doía em pontadas.
Ela nem viu quando seu médico saiu do quarto, e deixou-a sozinha novamente com Lucas.
JL: Vai dar tudo certo... Eu te amo! Muito! — ela apenas assentiu.
O procedimento do toque, ocorreu de forma rápida. Logo, eles já tinham a notícia que o útero estava aberto. Suspiros de alivio, seguidos de lágrimas, cobriam o ambiente. Ela estava sendo levada numa maca, novamente, para sala de parto. Ela olhou pro lado e viu o soro, que estava sendo colocado dentro de si aos poucos. As lágrimas ainda escorriam de seu rosto. Ela sentia as mãos de seu amigo lhe acariciar as unhas. E logo depois, sentiu o soro fazer efeito.
O médico, em um sinal de positivo, lhe ordenou começar a fazer forças.
Ela tinha de admitir que não havia de onde tirar forças, com a excessão do soro. As lágrimas desciam junto com o suor. O sofrimento era nítido. A cada segundo que se passava, mais se desesperavam.
Assim, como numa luz no fim do túnel, o médico conseguiu ver seus filhos que estavam para sair. Eduarda pensou que iria desmaiar, e os médicos notavam seu cansaço. Seus olhos ameaçavam fechar, quando Lucas lhe encorajou no ouvido. Ela colocava mais força. Olhou para Lucas que chorava, ele depositou um beijo em sua testa.
Os gritos de dor, os gemidos roucos, toda a tempestade foi substituído por um maravilhoso som de choro de bebês.
As pálpebras de Eduarda, ameaçavam fechar. O desespero tomou conta de João Lucas, quando ele a viu desmaiar em sua frente.
Os bebês foram tirados dali, e começou todo o procedimento para ver a saúde dos gêmeos. Enquanto Eduarda, era levada para o quarto desmaiada. A respiração de Du, continuava funcionando, o quê deixaram os médicos e João Lucas, aliviados.
Logo que saiu da sala em que Du estava, João Lucas deu de cara com Maria Marta, José Pedro e Maria Clara. Eles aguardavam notícias. Provavelmente, os médicos deixaram para Lucas dar a notícia que os gêmeos haviam nascido. Ele deu alguns passos em direção à sua família, e abriu um sorriso.
JL: Meus filhos. — uma lágrima solitária, escorreu de seu olho — Eles nasceram! — Marta, abriu um sorriso imenso, e sem pensar duas vezes, correu de encontro aos braços do filho, deixando lágrimas caírem.
"Eu te amo, meu filho... Obrigado! Obrigado por me dar dois netinhos...", Lucas ouviu aquelas palavras saírem da boca de sua mãe, e o aperto do abraço que seus irmãos tinham se juntado.
JL: Eu também te amo, mãe! — eles se afastaram, enxugando suas lágrimas que insistiam em cair — Mas na verdade, quem te deu dois netinhos foi a Du.
MC: Falando nela, como ela está? — um silêncio torrencial cobriu o local.
JL: Ela, ela desmaiou depois do parto... Mas já está tudo bem, o médico disse que nas próximas duas horas ela já deve acordar... Mãe, eu amo a Du. Amo ela! Amo minha melhor amiga e minha esposa, minha companheira, a mãe dos meus filhos... Eu amo, amo ela. Amo demais! Amo meus filhos... — ele se permitiu chorar novamente.
Marta: Acredito que eles também amam muito você... Muito! Pode acreditar... Sou eu que estou falando, então, é coisa certa!
Um abraço novamente tomou conta do local, mas logo foi interrompido pelo médico.
Marcos: A dona Eduarda está chamando lek... Vocês sabem quem é ele? — eles riram.
JL: Sou eu, doutor.
Marcos: Ah, me acompanhe, lek... — ele riu.
Eduarda ouviu a porta se abrir e olhou Lucas aparecer na sala.
Du: Lek...
JL: Eu te amo, lek... — ele lhe beijou.
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