Amando Meu Sensei
17 Mil Vezes
Acordei com uma luz forte batendo no meu rosto. Olhei em volta e encontrei uma Tsunade desesperada. Eu mal a consegui ver, pois meus olhos mal abriam. Tentei focalizar minha visão, mas, novamente, apaguei.
Mais tarde, acordei em um quarto branco. Eu estava sozinha ali, sem ninguém ao meu lado.
Tentei levantar, mas as agulhas em meus braços me impediam. Tirei todos os aparelhos ligados ao meu corpo e aquele aparelho cardíaco começou a apitar. Quase que imediatamente, lembrei de Obito, de como aquele som me desesperou.
Tentei levantar, mas minhas pernas não tinham forças e eu acabei por cair. Ouvi a porta ser aberta com brutalidade e quatro pernas entrarem pela mesma.
– Está louca, garota? Vai se matar! – ouvi Tsunade gritar, me ajudando a levantar e me colocando na cama.
– Não pode fazer isso, Helena. Ainda está muito fraca. – disse Sakura, ligando os aparelhos a mim.
– E Obito? Eu consegui? – perguntei, desesperada. Tsunade e Sakura se olharam, se preparando para me contar algo ruim.
– Conseguiu, Helena. Mas, em consequência, você ficou sem chakra algum. – respondeu Sakura.
Alegrei-me, afinal, havia salvado o amor da minha vida. Ele estava bem.
– Então tudo bem, logo voltarei ao normal, certo? – disse, animada. Mas minha animação se foi quando vi as duas se olharem novamente. – certo? – insisti.
– Na verdade, Helena, você, basicamente, forçou seu corpo a produzir mais chakra, o que acabou danificando seus pontos de chakra. – explicou Tsunade.
Meu coração deu um leve solavanco.
– E o que acontece? – perguntei, receosa com a resposta.
– Você ficará um bom tempo sem chakra. Na verdade, acreditamos que vá ficar para sempre sem seu chakra. – respondeu Sakura, tentando manter-se calma.
Como isso pôde acontecer? Eu sabia das consequências, mas quando chegou a hora, eu nem lembrei delas, elas simplesmente se esvairam da minha mente.
Não era o fim do mundo, mas eu sempre tive o controle de chakra como meu objetivo, mas agora isso não era possível. Mas, por outro lado, essa perda de chakra me proporcionou algo que faria mais mil vezes.
Eu perderia mil vezes meu chakra apenas para salvar Obito. Ele, sim, era a coisa mais importante da minha vida, e eu morreria por ele.
– Preciso vê-lo. – disse.
Precisava saber se ele estava bem e se já voltara à sua atividade diária. Talvez ele estivesse em casa e elas o chamassem; mas não foi isso que aconteceu.
Elas me levaram até um quarto da UTI, onde um homem pálido e abatido se encontrava, dormindo. No primeiro momento, pensei que elas tivessem me levado ao quarto errado, mas, quando olhei seus cabelos, percebi que era Obito.
– O que houve com ele? – perguntei, segurando sua mão.
– Você acabou criando uma ligação quando transferiu todo seu chakra para ele. Então, quando você está mal, ele também. – explicou Tsunade.
– Mas eu estou bem, por que ele não está também? – exclamei, preocupada.
– Enquanto não se acalmar, ele não ficará bem. Tente entender os fatos e tente salva-lo.
Elas foram embora, enquanto eu fiquei com Obito.
Eu esperava vendo-o acordado e alegre como sempre, mas, como sempre, eu estava errada. Eu não queria estar vendo a imagem de um homem que parecia ter 40 anos, eu queria ver a imagem de um homem de 19 anos, sorridente e com sua pele colada com a minha. No entanto, aquilo parecia impossível no momento.
Não era para deixa-lo ir naquela missão, não era pra ele estar nessa cama, não era para eu estar na sua vida, apenas complicando tudo; era para eu ter sido reprovada naquela prova Gennin, era para eu nunca conhece-lo, era para ele estar com alguém que sempre cuidasse dele, não o levasse para a morte.
Por que digo isso? Porque ele está nessa cama por minha causa. Sei que foi Madara que fez isso, para me dar um aviso. Eu já sabia o que ele queria e faria de tudo para conseguir, mas, ao invés de dar logo o que ele queria, eu pus todos em perigo, inclusive a Obito.
Sabia que Madara não sossegaria enquanto não tivesse o que queria. Eu teria de dar logo o que ele queria, ou mais pessoas que amo estariam em perigo.
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