Amanda
4 Pra sonhar
Notas iniciais
Lucas no dia seguinte acordou feliz, e nem seu pai poderia tirar-lhe sua felicidade. Acordou após uma boa noite de sono. Acordou com o canto dos pássaros. nem ele sabia ao certo o motivo, mas foi para a escola e percebei que era seu último ano ali e que depois iria embora, viveria sua própria vida.
As primeiras aulas passaram rapidamente e logo o intervalo veio e ele se sentou em um dos bancos de madeira do grande pátio com seus fones e um pequeno caderno de desenhos.
Quando viu Amanda passar ele ficou paralisado, tremeu dos pés a cabeça como num terremoto. Ela o observou e andou apressada indo se sentar ao lado dele.
Ele se imaginou na praia, com o sol a se por e o mar sendo banhado pelas lindas cores de fim de tarde, se imaginou num navio a navegar e num avião a decolar. Imaginou Amanda vestida de branco num altar.
Ela lhe contava sobre a cidade que havia acabado de deixar, de como as coisas eram chatas por lá, de como ela sentiu falta dele por todo aquele tempo. Lucas apenas sorria rabiscando em seu caderno o rosto dela.
Minutos depois ele acabou e fechou o caderno e o sinal tocou. Todos voltaram para suas salas e dessa vez as aulas passaram devagar. Lucas se sentia ansioso e na volta para casa parou na cafeteria e bebeu uma xícara de café expresso.
Foi para casa, saindo logo depois pois seu pai estava a tentar lhe machucar novamente. Ele o ameaçava com uma cinta de couro marrom. Seu para era um pouco acima do peso, tinha os cabelos quase grisalhos e quase sempre estava com alguma garrafa de bebida em mãos, ele trabalhava como faxineiro em um bar qualquer e trocava seu salário pelas bebidas de lá.
Lucas sentia muito medo de seu pai quando ele agia assim e sempre que podia fugia para a casa de algum de seus amigos. Mas hoje ele correu para o parque e se sentou aos pés de uma árvore de ipês amarelos e ficou lá até que todos fossem embora e as luzes da rua fossem acesas.
E quando estava prestes a dormir, Amanda apareceu por lá. Sua pele pálida ficava tão linda á luz da Lua.
– Amanda! – ele a chamou e ela se virou abrindo um grande sorriso – eu...
– O que está fazendo aqui? – sua voz saiu preocupada – está tarde...
– Meu pai bebeu muito... Não vou voltar para casa hoje.
Amanda arregalou os olhos e o convidou para dormir em sua casa e ele, após muita relutância se deixou levar pela garota que o segurava pela mão.
A casa dela ficava a quatro quadras do parque, era muito bonita. Os dois assistiram a filmes, comeram pipoca e tomaram sorvete, riram bastante e dormiram um ao lado do outro. Dormiram ao som de Marcelo Janeci.
Se a gente se casar domingo
Na praia, no sol, no mar
Ou num navio a navegar
Num avião a decolar
Indo sem data pra voltar
Toda de branco no altar
Quem vai sorrir?
Quem vai chorar?
Ave maria, sei que há
Uma história pra sonhar
Pra sonhar
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