Amanda
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Notas iniciais
O dia seguinte amanheceu lenta e lindamente com o sol se despontando atrás das grandes árvores e os pássaros voando, as luzes dos postes se apagando gradativamente.
Lucas partiu para a escola, sua casa estava mergulhada em um silêncio mortal, onde apenas sua respiração poderia ser ouvida. Tudo transcorria normalmente, assim como suas aulas e o almoço feito mais uma vez por ele. Há tempos sua mãe deixara de se preocupar, havia se entregado a fácil vida do álcool, assim como seu pai.
Na sala era recluso e se sentava na carteira mais perto da porta. Seus livros e a música se tornaram suas únicas escapatórias do doloroso mundo em que ele vivia. Não sentia falta dos amigos de verdade que uma vez tivera. Não sentia remorso por afastar as pessoas a sua volta. Mas sentia falta de Natalie. O começo e o fim, onde por seu coração partido se fechou, e a parede construída era tão alta que fazia cócegas no céu.
Até que, ao voltar, parou em uma pequena cafeteria que havia sido inaugurada há poucas semanas. Foi até uma das mesas e fez seu pedido. Café expresso descafeinado.
Ao olhar para o lado, ele a vê. A mesma garota com a qual havia sonhado. Os mesmos cabelos negros balançando ao vento que ele vira ontem. Os mesmos olhos vibrantes e negros. E ele vê a corrente prateada em seu pescoço e a letra “A” se balançando cordialmente.
Seu café chegou e ele bebia em pequenos goles, olhando vez ou outra a garota pelo canto do olho. Tocava ao fundo uma música, impossível de identificar. A mesma pegou uma caneta dentro de sua bolsa e um pequeno papel esverdeado e começou a escrever. Ela estava com um vestido bege na altura dos joelhos e sapatilhas pretas.
Lucas voltou seus olhos para sua xícara, agora pela metade. Ele queria dizer algo, mas não sabia o que havia de errado. Estar ao lado dela não bastava, ele queria mais. Queria conversar com ela, queria se tornar alguém para ela.
A garota se levantou, guardou a caneta de volta na bolsa, começou a caminhar e ficou com o papel na mão, enquanto passava pela mesa de Lucas ela deixou o papel lá. Tinha cheiro de erva doce e camomila.
Lucas não acreditou ao ver naquele pequeno papel esverdeado o nome dela.
“Amanda, 996457328”
E ele repetiu seu nome várias vezes e seu coração tamborilava.
Pensou em ligar para ela durante a noite, porém foi espectador de mais uma briga, desta vez, seu pai havia bebido muito mais. A policia foi chamada. Sua mãe acabou hospitalizada. E assim que voltou para casa, foi embora, deixando Lucas sozinho com seu pai.
E nisso, duas semanas se passaram sem mais ver Amanda, pensou mais uma vez em lhe ligar, mas o momento passou quando ao ver Natalie, ela se jogou em seus braços e o prendeu em outra armadilha.
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