Amami
1 Amami
Amami come la terra, la pioggia, l'estate
Ame-me como a terra, a chuva, o verão
Amami come se fossi la luce di un faro nel mare
Ame-me como se fosse a luz de um farol ao mar
Amami senza un domani senza farsi del male
Ame-me sem pensar no amanhã, sem nos machucarmos.
– Amami, Emma Marone
Já havia escurecido quando ele retornou ao templo Namimori.
A temperatura estava amena e o começo de noite agradável. Seus olhos ergueram-se, fitando aquele belíssimo céu estrelado e imaginando que o dia seguinte seria tão ensolarado quanto aquele. Não havia visitas depois das 17h, então Hibari não se preocupou em encontrar nenhum herbívoro perambulando por sua propriedade. E eu já tive minha cota de gentalha. Recordar-se de onde havia vindo fez seus lábios se crisparem em uma fina linha. Não existiam muitas coisas que ele gostaria de fazer ou lugares para ir naquela quinta-feira, mas participar de uma reunião com os Vongola definitivamente não estava em sua lista.
Hibari poderia não ter ido, ele sabia.
Quando Gokudera Hayato apareceu há algumas semanas, avisando sobre a reunião, a negativa deixou seus lábios naturalmente. Encontrar-se com os demais Guardiões era sempre penoso, por isso ele raramente agraciava-os com sua presença. Havia semanas em que ele não tinha nenhum contato com aquelas pessoas e, verdade fosse dita, poderia ter passado meses ou anos que seus sentimentos permaneceriam inalterados. É culpa dele. Aquele tolo disse que eu iria e me infernizou a semana inteira sobre isso. Eu deveria tê-lo mordido até a morte.
O culpado tinha nome, sobrenome e uma (bela) face; um charmoso sotaque e um sorriso fácil e brilhante, além de ser incrivelmente persuasivo. Aquela reunião era prova de sua persistência, ainda que pudesse ser resumida em uma luta atrás da casa principal do templo, que terminou mais rápido do que ele imaginou. Quando Dino queria obrigá-lo a fazer alguma coisa, tudo o que precisava era desafiá-lo para uma luta. Hibari sabia muito bem as intenções por trás do desafio, porém, sempre aceitava. O italiano tinha um recorde quase inquebrável de vitórias e nos últimos três anos quase todas as reuniões que o moreno participou foram resultados de derrotas.
A vontade de mordê-lo até a morte tornava-se mais forte conforme ele se aproximava da casa principal. A longa escadaria que ligava a rua ao templo foi percorrida sem problemas, acostumado a cada degrau. A caminhada por dentro do jardim era sem dúvidas a melhor parte, não somente pelo silêncio e tranquilidade da noite, mas pela paisagem. Lanternas de papel eram acessas pelo caminho e sua luz conseguia chegar até ali, embora Hibari conhecesse cada pedacinho daquele lugar como a palma de sua mão. Ele costumava brincar na propriedade quando criança e, ao herdá-la, foi como calçar um velho par de sapatos.
Sua ira precisaria esperar. Dino havia retornado à Itália na semana anterior e aquele foi um dos motivos que o levou a frequentar a reunião... bem, um pequeno motivo. Quando o italiano não estava na cidade seus dias se tornavam estranhamente mais longos. Um de seus hábitos favoritos era sentar-se na soleira da porta da sala enquanto admirava o largo e bem cuidado jardim, degustando uma deliciosa xícara de chá e aproveitando o silêncio. Quando o louro estava em Namimori aquele momento particular era praticamente impossível. Dino era uma pessoa barulhenta e falante, além de não conseguir deixá-lo quieto. Suas mãos estavam sempre o tocando, seus lábios procurando beijá-lo a todo instante e a noção de tempo e espaço tornavam-se quase inexistentes. Era como se o restante do mundo deixasse de existir.
"Eu não estou deprimido," ele murmurou baixo para si mesmo ao subir os quatro degraus da escada de madeira que unia o jardim ao corredor.
A residência principal era grande, comportando mais de vinte quartos, e uma passagem para a base subterrânea. Seus aposentos estavam localizados no meio, e havia um longo corredor de madeira que ficava entre a casa e o jardim, emoldurado por uma cerca que batia na altura de sua cintura. As luzes do lado de fora também eram lanternas de papel e na metade do caminho sua gravata foi afrouxada. O moreno ansiava por um longo banho e trocar a roupa social por um de seus confortáveis kimonos. Eu comerei qualquer coisa e depois passarei o restante do tempo sentado na varanda, lendo e tomando chá. A ideia levou um meio sorriso aos lábios, que se manteve até ele parar em frente à entrada.
A porta de madeira estava arrastada e as luzes acessas. Eu tranquei tudo antes de sair e Kusakabe não entra na casa se eu estou ausente. Os sapatos foram retirados sem pressa, enquanto seus olhos corriam a sala, procurando o menor sinal de companhia. No entanto, quem demonstrou que ele não estava sozinho foi seu nariz ao sentir um delicioso cheiro de carne. Seu estômago roncou, lembrando-o de que naqueles dias suas refeições foram basicamente macarrão instantâneo e sopa misô. Eu não fiz compras. Minha despensa está vazia, com exceção dos Cup Noodles.
Hibari entrou em sua casa, retirando o par de tonfas de dentro do terno e dando um passo de cada vez, silencioso como um gato. As luzes do corredor também estavam acessas, assim como as dos demais cômodos. O cheiro delicioso vinha da cozinha e conforme se aproximava foi possível ouvir os sons dos utensílios serem usados e uma conversa baixa. Um dos interlocutores tornou-se visível quando ele virou o corredor, encostado à porta e de braços cruzados. O moreno abaixou os tonfas, respirando fundo e imaginando que seus planos com relação à noite tranquila estavam cancelados.
Romário o recebeu com um meio sorriso, pousando uma das mãos em seu ombro e afastando-se em silêncio.
Hibari o viu se deslocar pelo corredor, contudo, sua atenção logo foi para aquele que havia invadido sua cozinha. Dino estava de costas e usando um avental negro ao redor da cintura. Sua camisa social estava dobrada até a altura dos cotovelos e ele retirava cuidadosamente alguma coisa de dentro do forno. A máquina de arroz trabalhava em um canto da pia e o cheiro de molho de tomate fez novamente seu estômago roncar.
Mordê-lo até a morte naquelas circunstâncias seria fácil. Não havia sinal do chicote em sua cintura e Hibari se conhecia o suficiente para saber que conseguiria derrubá-lo em segundos. Entretanto, em algum momento entre seus desejos e a realidade, o par de tonfas foi guardado dentro do terno e ele pegou-se observando Dino, sabendo que o cabeça de vento estava concentrado demais na tarefa para percebê-lo. Romário ainda está na casa.
A destreza com que o italiano retirou a travessa do forno jamais poderia ser obtida se o Braço Direito houvesse se afastado. Embora ele não seja tão desastrado como antes. Romário disse que o magnetismo do Chefe para desastre era evitado quando ele estava próximo de alguém que considerava importante e insubstituível. Hibari não pensava muito a respeito, ou escolhia não pensar, mas sabia que havia se tornado essa pessoa.
Vê-lo tão concentrado, com os belos olhos cor de mel sérios e atentos, fez o Guardião da Nuvem sentir algo aquecido em seu peito. Quantas vezes não assisti a essa mesma cena nesses últimos anos? Soava incrivelmente estranho imaginar-se naquela situação, ainda mais por Hibari, bem, ser ele. Ter Dino em sua casa, cozinhando ou perambulando pelos cantos, soava como uma vida vivida por outra pessoa. A realidade, todavia, era exatamente a que se mostrava diante de seus olhos: o charmoso estrangeiro que cruzava oceanos para vê-lo, trocando dias de descanso para simplesmente estar ao seu lado, quando poderia muito bem estar em alguma praia paradisíaca com alguma modelo belíssima.
E a única pessoa no mundo capaz de vencê-lo.
"Ah! Kyouya!"
Dino o viu ao virar-se para pousar a travessa sobre a bancada de madeira. Os olhos sérios brilharam e os lábios formaram um genuíno sorriso. As luvas de cozinha foram retiradas e ele aproximou-se, abrindo os braços para cumprimentá-lo.
"O que você faz aqui?" Hibari puxou rapidamente um dos tonfas e o colocou entre eles. "Por que invadiu minha casa?"
"Eu estava te esperando." Dino parou na metade do caminho e seus braços se cruzaram. O sorriso desapareceu e as sobrancelhas se juntaram. "Eu quase me esqueci, mas eu estou bravo com você, Kyouya!" Uma de suas bochechas encheu-se de ar e por um breve momento (muito breve!) o moreno o achou quase adorável.
"Então saia." Ele tinha certeza absoluta de que não havia feito nada. Na maioria das vezes era o italiano que o irritava.
"Não, eu estava... digo, eu estou bravo!" Os passos se afastaram e Dino abriu uma das portas da despensa, apertando os olhos e tentando ao máximo parecer irritado. "Como você explica isso? Você passou todos esses dias comendo esses macarrões? Tem ideia do mal que eles fazem à saúde?"
"Saia." Hibari deu as costas e revirou os olhos. Ele desconfiou que ouviria represálias por causa da escolha de sua dieta, mas não estava com humores para discussões.
"Então, esta noite, você pode comer esses seus macarrões enquanto eu jantarei os hambúrgueres que preparei. Tão macios... Tão suculentos~"
A pior derrota para o Chefe dos Cavallone aconteceu há cerca de dois anos enquanto treinavam. O Guardião da Nuvem havia desafiado seu tutor e amante, e a disputa só aconteceu depois que ele ameaçou proibi-lo de entrar na casa do templo e consequentemente passar as noites em seu quarto. Ele tirou o chicote de dentro da jaqueta e de repente estava incrivelmente motivado. Por vinte minutos eles correram pelo largo jardim, desviando e deferindo golpes. Quando as caixas foram utilizadas, a brincadeira tornou-se um pouco mais séria, o que apenas adiantou sua inevitável derrota.
Dino poderia aparentar ser somente mais um cabeça de vento, idiota, inútil e tolo, porém, nunca decepcionava quando o assunto era uma boa briga. Mesmo que sempre dissesse que gostaria de resolver os problemas verbalizando ao invés de violência, Hibari respeitava e admirava sua posição como tutor. Foi aquela pessoa, entre gracejos e sorrisos, que o ensinou o que era realmente ser forte e como usar aquela força para proteger o que lhe era querido e importante. Ele sabia que era o Guardião mais forte (ainda que não se colocasse como parte dos Vongola), mas tinha plena consciência de que sua força não se equiparava a do louro. Portanto, quando ele se virou, tonfas em punho e uma incrível vontade de mordê-lo até a morte por causa do comentário, Hibari sabia bem que seu golpe nem sequer tocaria aquela pessoa. Ele está sem o chicote, eu tenho uma vantagem.
Ele não tinha, realmente.
Dino não possuía nenhuma arma além dele mesmo, e não pensou duas vezes em utilizar-se. O moreno virou-se, o braço direito um pouco mais levantado e pronto para acertá-lo. No entanto, sua companhia moveu-se e antes mesmo de completar o movimento o louro estava à sua frente e instinto o fez recuar um pouco o braço, o bastante para que pudesse ter seu pulso imobilizado ao mesmo tempo em que a mão esquerda era passada por sua cintura. O sorriso que se formou naqueles perfeitos e bem preenchidos lábios rosados foi suficiente para fazê-lo entender sua situação.
O beijo foi acompanhado por um fraco empurrão na direção da parede de madeira. A língua que invadiu sua boca conhecia muito bem o caminho, pois encontrou a do moreno com facilidade, envolvendo-a e tocando-a com carinho. Hibari tentou mover-se e a tentativa infeliz serviu apenas para prendê-lo completamente. Dino deu um passo à frente, tornando a distância inexistente e colocando a perna esquerda entre as suas. Os olhos negros se tornaram pequeninos, contudo, o italiano parecia se divertir com suas reações, rindo antes de intensificar o beijo.
Por alguns minutos ele esqueceu-se da invasão, da despensa vazia e das noites solitárias em sua grande casa. O louro o fazia sentir-se daquela forma, capaz de afastar todo e qualquer pensamento e deixá-lo em um estado completamente neutro. As línguas se tocavam e se acariciavam, enquanto uma das mãos afagava sua nuca e o relaxava aos poucos. O moreno conseguia sentir o cheiro da colônia de seu amante e aquela familiaridade foi responsável por amolecê-lo.
"Eu realmente estou bravo, Kyouya..." os lábios tocaram sua orelha esquerda e a mordiscaram, "eu infelizmente não posso ficar todo o tempo ao seu lado para garantir que você se alimente e durma, portanto, não me deixe preocupado."
"Eu não sou uma criança." Sua própria resposta soou baixa. Ele sentia falta daqueles lábios entre os seus embora as mãos tocando sua cintura por baixo do terno e da camisa social muito lhe agradasse.
"Não, não é." Os olhos cor de mel se abriram e Dino segurou uma de suas mãos, beijando-a com ternura. "Você é o amor da minha vida e me preocupar com você é tão natural quanto respirar."
Hibari precisou de muita força de vontade para endireitar-se. Seu terno foi arrumado, os tonfas guardados e ele deu as costas para omitir as bochechas coradas.
"Por quanto tempo você ficará?"
"Uma semana, talvez duas."
Ele ganhou o corredor e seguiu na direção de seu quarto, imaginando que precisaria de um banho muito frio se quisesse esquecer a cena que acabara de vivenciar e as fantasias projetadas por sua mente do que poderia ter acontecido naquela cozinha.
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O banho foi mais longo, pelo menos se comparado àqueles tomados quando ele estava sozinho. Quando Dino estava na cidade, ele se dedicava um pouco mais, sabendo que suas noites (e muitas vezes seus dias e madrugadas) nunca eram calmas e solitárias. Após deixar o banheiro, Hibari parou em frente ao largo guarda-roupa que ocupava boa parte de seu quarto. Fosse ele a única pessoa que habitava aquela casa, certamente o local de guardar suas vestes seria menor e mais discreto. O louro, por sua vez, fez questão de mandar fazer o móvel, deixando-o perfeitamente colocado ao fundo do quarto. A madeira era clara, assim como os tatames, e não causava uma má impressão aos olhos. Sua parte dominava o lado direito, onde havia alguns kimonos e roupas sociais em cabines. Nas gavetas havia as demais peças, como roupas de baixo e meias.
A escolha para aquela noite foi um confortável kimono azul escuro. A decisão não veio fácil e ele passou alguns segundos com a toalha branca ao redor da cintura, encarando o interior do guarda-roupa de braços cruzados antes de deixá-la escorrer por suas pernas. A faixa negra foi passada pela cintura com maestria e o Guardião da Nuvem assentiu consigo mesmo que não havia nada mais confortável para se vestir depois de um dia cansativo do que um kimono, além, claro, do antigo uniforme do colégio Namimori.
O Chefe dos Cavallone terminava de arrumar a mesinha de jantar quando ele chegou ao cômodo. A sala de jantar ficava ao lado da grande sala de estar, um cômodo grande demais para a singela mesa, e o local onde ele fazia todas as suas refeições. Os hambúrgueres estavam em uma travessa grande, cobertos por molho e queijo. Havia ainda arroz, saladas, dois copos de água e uma garrafa de vinho. Seu estômago roncou ao ver o prato principal, lembrando-se de que fora domingo o último dia que saboreou uma refeição completa. Do domingo até aquela quinta-feira-feira seu corpo vinha sendo sustentado por Cup Noodles.
"Como foi o seu banho?" Dino sentou-se na almofada ao lado, enchendo a única taça com vinho. A coloração avermelhada contrastava perfeitamente com os hambúrgueres.
"Bom..." Hibari espetou um hambúrguer e o colocou em seu prato. Sua boca encheu-se de saliva ao sentir o aroma do molho e dos temperos. Aquele cabeça de vento poderia ser a pessoa mais inútil e despreparada da face da Terra, mas seria um crime negar que era ótimo cozinheiro.
As refeições entre eles raramente eram barulhentas. No começo, quando o italiano era somente seu tutor (e esse passado tornava-se cada vez mais distante, a ponto de ele às vezes se esquecer de que ambos não começaram sendo amantes), eles geralmente comiam no terraço do Colégio Namimori depois de horas de treino. Dino era naturalmente falante, e muitas vezes seus monólogos se estendiam por uma hora inteira. O moreno nunca o interrompia e raramente dizia qualquer coisa, mas sempre o escutava. As refeições consistiam em melonpan ou pão de yakissoba, acompanhados por caixinhas de suco ou energéticos.
Os sons dos talheres tocando a louça eram os únicos ouvidos e aquela íntima tranquilidade durou até o celular do amante tocar. Os hambúrgueres já estavam no fim e ele limpou o canto da boca, pedindo licença e retirando-se. Hibari havia levado um suculento pedaço de carne à boca, deliciando-se com sua maciez, mas sentindo que a refeição perdera um pouco de sua magia. Os olhos negros pousaram sobre a mesa e sua mão esticou-se para pegar o copo de água, entretanto, não o fez. Os dedos foram um pouco mais à direita, segurando a taça de vinho e levando-a aos lábios. O líquido desceu por sua garganta, misturando-se ao hambúrguer e criando uma tentadora combinação. A língua tocou o lábio inferior, degustando até a última gota aquela peculiar sensação.
Dino retornou após cinco minutos, sorrindo ao ajoelhar-se e tocando em sua bochecha com gentileza.
"Você está bem?" Os dedos apertavam a pele. "Você bebeu metade da garrafa, Kyouya."
"Eu estava com sede." Os olhos cor de mel o fitaram antes de se erguerem. As travessas estavam vazias, então o Chefe dos Cavallone se pôs a retirá-las.
"Vá para a outra sala, eu farei um chá."
Hibari não retrucou, levantando-se e deixando a sala de jantar.
Ele raramente permitia-se beber bebidas alcoólicas e, quando isso acontecia, uma pequena dose de sake era o bastante para saciar sua vontade. O louro, por sua vez, gostava de degustar seus pratos com um pouco de vinho, não para alterá-lo, apenas, como ele gostava de dizer, "deixar a refeição mais saborosa". Por sua falta de costume, o Guardião da Nuvem evitava seguir aqueles passos, visto que um pequeno cálice de vinho já era suficiente para deixá-lo diferente. E eu bebi meia garrafa. Que tolice.
O ar da noite entrava pela porta, inundando o cômodo com os cheiros da primavera. Hibari parou na entrada, fechando os olhos e respirando fundo. Ele conseguia identificar os diferentes odores, as flores e o cheiro da terra. Aquele era seu local favorito da casa e dali seus olhos conseguiam ver o vasto jardim. A tranquilidade decorrente do silêncio era sua companheira inseparável e mesmo com o amante na propriedade aquilo não deixava de ser verdadeiro. Ele era barulhento e falante, todavia, de certa forma combinava perfeitamente com o entorno, como um móvel comprado a dedo e cujo espaço havia sido reservado previamente na decoração.
Dino retornou após alguns minutos, trazendo uma xícara de chá verde. O moreno havia se sentado em uma das almofadas no centro da sala, os olhos baixos e sentindo as bochechas quentes devido ao vinho. Eu não estou bêbado, somente um pouco devagar. O italiano sentou-se atrás dele e colocou suas longas pernas ao redor de seu corpo. Normalmente tal atitude teria rendido uma surra, mas ele não se sentia em seu estado normal. Uma das mãos tocou seu ombro e desceu por suas costas, arrepiando-o e preparando-o para os lábios que tocaram seu pescoço, beijando-o devagar e com certa cautela. Ele está me testando e esperando que eu faça alguma coisa. Meus tonfas não estão comigo. Dino parecia ter adivinhado que ele se encontrava pseudo-indefeso, porém, fez questão de subir uma das mãos por seu peitoral somente para certificar-se de que não havia nenhuma arma mortal escondida.
"Por que você decidiu beber esta noite?" A voz rouca entrou por sua orelha e seus olhos se fecharam. O louro sabia falar japonês fluentemente, mas havia sempre um evidente sotaque, principalmente no final das frases. Hibari amava isso. "Algo aconteceu?"
"Eu estava entediado," a resposta soou baixa, pois foi muito difícil juntar forças para falar, "meu dia foi longo, graças a você e suas promessas aos herbívoros inúteis."
"Ele é seu Chefe, Kyouya," Dino riu baixo, "agora tome um pouco de chá para te ajudar a dormir."
Dormir?! Ele juntou as sobrancelhas e seus olhos se abriram imediatamente. O cenário que se mostrou à sua frente era o mesmo que ele via desde que se mudou para o templo. Sentar naquela sala, confortável em sua almofada e bebendo uma deliciosa xícara de chá era um de seus momentos favoritos do dia. No entanto, ouvir aquilo soava errado, não, uma perda de tempo... Seu corpo virou-se e os dois se encararam. O amante tinha a mesma expressão bondosa e despretensiosa de sempre e isso o incomodou. O que ele esperava?
"Você bebe primeiro."
"Certo..."
Dino levou a xícara aos lábios em um movimento vagaroso. Hibari conservou-se atento, esperando o momento certo de agir. Seu corpo então se projetou à frente e sua mão esquerda tocou aquela bela face enquanto seus lábios procuravam os dele. O italiano pareceu visivelmente surpreso, contudo, não se importou. Seus olhos voltaram a se fechar e o moreno sentiu o chá entrar por sua boca junto com uma furtiva língua. Um pouco do líquido escorreu por seus lábios, mas não chegou a ir muito longe. O beijo foi interrompido e Dino subiu a língua por seu queixo, lambendo o chá de maneira extremamente erótica.
O vinho havia sido bebido propositalmente.
Sua personalidade jamais permitiria que ele assumisse que não havia nada que ele quisesse mais naquela noite do que perder-se naqueles braços e fazer amor até que seu corpo não aguentasse mais as investidas e sua consciência se desvanecesse. Aquela relação sempre andou lado a lado com a sensualidade, mesmo que o Chefe dos Cavallone houvesse tentado, no começo, manter certa distância. O que começou com três semanas de lutas no terraço e castos beijos nos intervalos transformou-se em roupas pelo chão da sala do Comitê Disciplinar e gemidos sobre o sofá. As prioridades de Hibari deixaram de ser lutas e mordidas até a morte, uma vez que, embora fosse um segredo, fazer sexo com aquela pessoa tornou-se muito mais interessante do que surrar herbívoros.
Ele esperou que o tempo amenizasse aquele desejo, entretanto, nada aconteceu. Tecnicamente sexo era um ato repetitivo, cuja variação estava nas posições, intensidade e parceiros. Em oito anos de relacionamento ambos já haviam feito amor de todas as maneiras possíveis e em humores variados. Ele apreciava a gentileza e preocupação do louro, a paciência em prepará-lo e o carinho na cama; todavia, ele não negaria que ser possuído após uma luta não lhe desagradava. Em matéria de parceiros, a ideia de ter outra pessoa tocando-o era suficiente para enojá-lo. Não ter Dino em seu futon estava simplesmente fora de cogitação.
Independente de seus segredos mais íntimos era difícil deixar suas intenções na superfície. Na verdade, era desnecessário. Ele me conhece muito bem e provavelmente sabia o porquê de eu ter bebido. O beijo retornou e o amante o trouxe um pouco mais para perto, segurando-o em seu colo com uma das mãos sobre as costas, ao mesmo tempo em que a outra subia por suas pernas. O toque arrepiava sua pele, entrando por dentro do kimono e fazendo-o quase suspirar. Sua boca e língua retribuíam ao beijo, mas a atenção foi parcialmente para os dedos que apertavam o interior de suas coxas. Hibari esperava ansiosamente pela próxima reação.
O vinho não fora a única surpresa da noite.
O beijo parou por um momento e os lábios de Dino formaram um largo sorriso antes de retomarem a carícia. A mão tocou a ereção, segurando-a firme entre os dedos e passando a masturbá-la sem pressa. A escolha por não vestir roupa de baixo surgiu enquanto ele encarava o fundo de seu guarda-roupa. Não era de seu feitio sair parcialmente nu, mas a curiosidade em descobrir a reação da outra parte ao notar aquele detalhe valia a pena. Hibari permaneceu ajoelhado durante o jantar, logo, não houve como seu segredo ser descoberto. Porém, naquela altura do campeonato não haveria mais nada que precisasse ser omitido, pelo contrário. Aquelas camadas de roupas estavam no caminho.
O primeiro gemido aconteceu em menos de dois minutos. O Chefe dos Cavallone mantinha o mesmo ritmo vagaroso, no entanto, o pré-orgasmo tornou o ato mais fácil e... barulhento. Ele conseguia ouvir claramente o som molhado e suas bochechas tornaram-se coradas ao imaginar a situação em que se encontrava. Seu rosto afundou-se no peito e então gemer já não era tão embaraçoso. Ele vai continuar me tocando somente ai? A impaciência o fazia ansiar por outro estímulo, que combinava perfeitamente com sua necessidade por alívio, visto que não foi preciso muito tempo para que seu corpo ficasse condicionado a ser tocado em lugares diferentes na obtenção por prazer.
É um pouco preocupante saber que preciso dele para essas coisas. Hibari temia que chegasse o dia em que ele não conseguisse atingir o clímax se Dino não estivesse dentro dele. Sexo com o italiano conseguia ser mais satisfatório do que uma luta, e ele amava lutas.
"Kyouya..."
A voz o trouxe de volta à realidade e também foi responsável por torná-lo mais sensível. Ele sentia os arrepios que antecipavam o orgasmo, e suas mãos tocaram os ombros do amante, apertando a camisa social sem se importar que uma peça tão cara fosse utilizada para anular um pouco aquelas incríveis sensações. Quando o clímax aconteceu, o moreno tentou encolher-se, afastar-se daquela mão, mas não conseguiu. Seu corpo não lhe obedecia e sua garganta tornou-se seca devido aos gemidos baixos e roucos.
"Kyouya..."
Novamente a voz, baixa e um pouco séria. Ele teve tempo somente para erguer o rosto, pois no instante seguinte fora deitado sobre o tatame. Seu kimono estava totalmente aberto, deixando à mostra sua nudez e o rastro de sêmen em seu abdômen. Dino ficou de joelhos, abrindo a camisa social e retirando-a com um charme que somente ele possuía. A calça desceu pelas longas pernas e Hibari mordeu o lábio inferior ao ver a roupa de baixo negra e apertada. A peça era perfeita, como se fosse feita sob medida, marcando a ereção e fazendo-o ter pensamentos impuros.
"Você está esperando alguém?" Ele ajoelhou-se e o encarou com seriedade. Seu rosto e pescoço estavam vermelhos.
"Desde quando eu recebo visitas? A não ser as indesejáveis."
"Ótimo..." O louro sorriu seu melhor sorriso, "porque eu farei amor com você aqui e espero que ninguém apareça."
Ele não precisou se virar para saber que a larga porta de madeira estava aberta. A iluminação da sala dependia totalmente das lanternas de papel que ficavam no corredor externo, e se alguém aparecesse certamente conseguiria ver o que acontecia. Aquilo, entretanto, não importava. Sua atenção estava totalmente na apertada roupa de baixo negra, e não havia nada que ele desejasse mais naquele instante do que senti-la entre seus dentes. Por isso, quando Dino pediu que ele se virasse, Hibari tentou soar o mais displicente possível ao sugerir que ficaria por cima. Os olhos cor de mel se arregalaram e o brilho emitido quase foi capaz de iluminar a sala, tamanha sua felicidade. Estúpido...
O moreno raramente opinava sobre posições. Dino sabia quais lhe agradavam, então sexo era um acordo mudo em que um sabia como oferecer prazer ao outro. Todavia, havia exceções, como aquela noite. Nesses momentos oportunos ele se permitia um pouco de ousadia, já que sabia que aquilo seria benéfico para os dois lados. O italiano deitou sobre o tatame e o Guardião da Nuvem retirou o kimono, deixando que o tecido escorresse por seus pálidos ombros em uma velocidade torturante e sob um fiscalizador olhar. Hibari virou-se e ajoelhou-se de costas e sobre o baixo-ventre do louro. Duas mãos subiram por suas pernas, apertando a pele e deslizando por suas costas em um movimento tão sensual que o arrepiou. Ele está aproveitando a visão... O moreno arrastou-se um pouco para trás, tentando encontrar a melhor posição para poder começar o que seus lábios tanto ansiavam.
O gemido ecoou pela grande sala.
Todos os seus pensamentos se tornaram embaralhados, como peças de um quebra-cabeça. Suas costas arquearam-se e ele sentiu a cabeça pender para trás, fechando as mãos em punhos e deixando que aquela sensação percorresse todo seu corpo. A língua voltou a tocar sua entrada, levando uma nova onda de arrepios e deixando-o dócil. Hibari pendeu-se à frente, tocando o tecido com os dedos trêmulos e tentando ser novamente dono de si. Eu não posso deixar que ele me vença. Seus planos iniciais incluíam provocá-lo antes de ser provocado, mas ele percebeu que aquela ideia fora deveras inocente.
Dino era excelente na cama e se ele não desse o seu melhor certamente perderia aquela batalha.
As pontas dos dedos entraram por dentro da roupa de baixo, empurrando-a para cima devido à posição em que ele se encontrava. Sua garganta tornou-se seca e o moreno o amaldiçoou por gerações, o que sempre acontecia quando ele inevitavelmente fazia comparações físicas. Eu pareço uma criança perto dele. O italiano era mais alto cerca de dois palmos, ombros e peitoral largos. Os músculos e curvas estavam onde deveriam estar e se seus dotes físicos já não fossem suficientes, somavam-se aos belos olhos cor de mel e ao sorriso infantil que era capaz de fazer as garotas suspirarem. Hibari havia mudado com o passar do tempo, mas não conseguia sentir-se superior, uma vez que a realidade estava literalmente à sua frente.
A ponta da língua tocou o sexo antes de permitir que ele entrasse por sua boca. Dino tremeu e um baixo gemido chegou até ele, porém, não o distraiu de seu trabalho. O membro tocou o fundo de sua garganta, mas o Guardião da Nuvem não conseguia abocanhá-lo completamente. O corpo do louro era totalmente proporcional à sua altura e porte físico e ele sentia sua masculinidade colocada à prova todas as vezes que o recebia em sua boca.
Não demorou a que as reações começassem a ecoar pelo local. A porta aberta e a luz vinda do corredor davam à sala a estranha impressão de que alguém chegaria a qualquer momento. No começo Hibari oferecia olhares na direção de seu jardim, mas em poucos minutos sua atenção estava em outro lugar. Sua pele estava quente e úmida com suor, e seus lábios trabalhavam em conjunto com sua língua, tentando esquecer o que acontecia com seu próprio corpo. Dino já começara a prepará-lo e era muito difícil não reagir aos dedos e a língua que o invadiam, ainda mais devido à sensibilidade do primeiro orgasmo. A tortura durou mais algum tempo, até o amante chamá-lo pelo nome.
Ele moveu-se um pouco à frente, no entanto, manteve-se na mesma posição. Dino tocou suas costas com as mãos, sentindo a pele úmida e contornando seu quadril antes de penetrá-lo sem hesitação. O nervosismo era sentido através de seus dedos trêmulos e havia certa pressa em consumar o ato. O moreno abaixou as costas, escondendo o rosto nos braços dobrados e gemendo baixo ao sentir-se invadido. Aquela posição era facilmente sua favorita, pois o italiano tinha total controle sobre os movimentos, conseguindo penetrá-lo completamente.
Hibari tentava manter a respiração nivelada ao mesmo tempo em que omitia suas reações. Devido ao clímax anterior, seu corpo estava sensível o bastante para fazer com que cada movimento o arrepiasse. O ritmo de Dino inicialmente era lento, ainda que conseguisse tocá-lo o mais fundo possível. O Guardião da Nuvem já não estranhava aquele tipo de invasão, acostumado a fazer amor há vários anos, além de praticar em seus momentos solitários. Contudo, nada se comparava aos instantes em que estavam juntos e a forma como ser tocado por aquela pessoa significava tanto. O ato em si não era exatamente o que ele buscava quando os corpos se encontravam. Aquilo era uma reação natural a um estímulo e não se compararia ao turbilhão de emoções experimentado quando estavam juntos.
Não era de seu feitio permitir-se tal nível de vulnerabilidade. Quando faziam sexo, Hibari se doava por completo e as mãos que geralmente estavam sempre empunhando seu habitual par de tonfas passavam a acariciar outro ser humano, outro homem. Ele poderia fazer o que quisesse comigo. Dino poderia simplesmente me morder até a morte e eu não teria tempo de me proteger. O pensamento, entretanto, nunca realmente cruzou sua mente além de mera ideia corriqueira. Por mais estranho que soasse, vindo dele, o louro era a única pessoa que ele confiava no mundo (com exceção de Reborn), do contrário jamais teria passado todos esses anos ao seu lado.
As reações começaram após os minutos iniciais e qualquer vestígio de racionalidade que ainda existisse se esvaiu. Hibari ansiava por esse momento, deixando um gemido mais alto escapar por seus lábios quando Dino acertou seu ponto especial. Não havia som vindo do jardim, o que o fez imaginar o que aconteceria se de repente alguém aparecesse e os visse naquela situação. A ideia o fez rir baixo, tendo certeza de que a pessoa provavelmente seria Gokudera Hayato. O Guardião da Tempestade já havia presenciado várias demonstrações de afeto entre eles durante aqueles anos, embora a primeira vez, no colégio Namimori, tenha sido proposital, mas isso é outra história...
Ele encostou a testa ao tatame, deixando que sua voz ressoasse pelo cômodo. As pontas dos dedos tentavam em vão arranhá-lo e seus joelhos tremiam devido à pressão. Naquela posição ele podia sentir totalmente os movimentos e o caminho que a ereção fazia dentro de seu corpo, invadindo-o a cada estocada e o tocando tão intensamente. Cada segundo o aproximava do inevitável auge que aquela relação teria, mas aquele conhecimento era paradoxal, já que, independente do momento que seu corpo atingisse o orgasmo, o Guardião da Nuvem sabia que não havia a mínima chance daquela noite terminar tão cedo.
Para sua surpresa, todavia, Dino foi o primeiro. Ele sempre aumentava o ritmo no final, penetrando-o mais fundo e o chamando sensualmente pelo nome. Hibari mordeu o lábio inferior ao sentir-se preenchido, tentando não deixar transparecer que ele, na verdade, apreciava muito mais sexo sem preservativos e que uma parte nele achava incrivelmente erótico receber o clímax do louro. A pressão em seu quadril diminuiu e por um instante ele achou que o amante descansaria antes de continuar, mas não esperava que seu próprio corpo estivesse também no limite.
O italiano movia-se devagar e uma de suas mãos deixou o pálido quadril, tocando a ereção do moreno. A reação foi imediata. As pontas dos dedos somente desceram sobre seu membro e ele sentiu a onda de eletricidade percorrer todos os seus músculos, acompanhada por um gemido parcialmente omitido. Sua pele tornou-se arrepiada e até mesmo seus braços tremiam. Eu vou precisar trocar esse tatame. Os olhos negros encararam parcialmente o rastro de sêmen. Não foi a primeira e não será a última vez.
O Chefe dos Cavallone retirou-se devagar, sentando-se e jogando a cabeça para trás. Hibari deixou seu corpo cair para o lado, virando-se de barriga para cima e cobrindo o rosto com um dos braços. Ambas as respirações eram desniveladas e os dois permaneceram em silêncio por alguns segundos, até o louro inclinar-se sobre ele, exibindo um sorriso tão, ou mais, belo do que a lua que brilhava no céu naquela noite.
"Seus joelhos estão vermelhos." O sotaque tornava-se mais evidente devido à voz rouca. Dino sorriu e depositou um terno beijo no joelho direito de Hibari. "Nós deveríamos ter ido para o quarto."
"Aqui está bom," e você nunca se preocupa com lugares.
"Alguém poderia aparecer agora e nos ver... nessa situação."
O Guardião da Nuvem arqueou a cabeça para trás, vendo a entrada da sala. Daquele ângulo tudo estava de ponta cabeça e o mundo havia se transformado em um campo escuro e salpicado por estrelas.
"Como o Sawada Tsunayoshi?"
"N-Não!" Os olhos cor de mel se arregalaram e Dino corou. "Eu não sei o que faria se Tsuna aparecesse agora."
"Por quê? De repente ficou com vergonha?" Ele sentiu-se sorrir. O moreno sabia que Dino considerava o Chefe dos Vongola como seu irmão mais novo e imaginar tal cena o divertia. "Ele ficaria traumatizado e nunca mais falaria com você."
"Isso não, por favor." O italiano olhou ao redor somente para constatar que estavam sozinhos. "Vamos para o quarto, Kyouya."
"Está com medo?" O Guardião da Nuvem divertia-se internamente com aquele medo bobo. Se alguém realmente surgisse naquele momento ele não faria absolutamente nada além de mandar o intruso embora. Aquela era sua casa, sua sala e aquele o seu amante. Não havia espaço para mais ninguém.
Dino o encarou e seus olhos brilharam. Hibari esperou alguma represália, mas tudo o que recebeu foi um gentil meio sorriso que o deixou totalmente desconfiado.
Os lábios se aproximaram, encostaram-se levemente, ensaiaram a carícia... porém, o beijo nunca aconteceu. Maldito! Os olhos negros se tornaram pequeninos, enquanto o louro sorria ainda mais largamente, arrastando-se para baixo e parando apenas ao ficar entre suas pernas. O pescoço ergueu-se a tempo de vê-lo passar uma das mãos sobre os cabelos, enquanto a outra segurava o membro e guiava-o na direção de sua boca.
O suspiro foi discreto e então seus olhos fitaram o teto de madeira. Suas mãos fecharam-se em punhos e ele sentia sua ereção retornar entre os lábios do amante. Ele ainda estava sensível, no entanto, seu corpo não parecia satisfeito. Aquela fome só acontecia quando ele estava acompanhado, visto que, quando precisava cuidar de sua intimidade sozinho, duas vezes era suficiente para acalmar sua libido. Por outro lado, Dino era uma história completamente diferente. Os beijos e toques o embriagavam e não eram raras as noites em que passavam sobre seu futon ou em uma aconchegante cama de casal, não fazendo nada além de se amarem.
O Chefe dos Cavallone era habilidoso e não demorou a que o Guardião da Nuvem passasse a encará-lo. A ereção sumia dentro de sua boca, atingindo o fundo da garganta e fazendo os pelos de seus braços se arrepiarem. Ele poderia usar os dedos... Hibari pegou-se passando a língua sobre os lábios, desejando que o italiano percebesse que havia outro lugar onde ele gostaria de ser tocado. Os suspiros se transformaram em gemidos esporádicos e ele sentia que muito em breve chegaria ao seu limite. Só mais um pou...
Dino parou.
A sensação úmida e quente desapareceu e o moreno abriu os olhos devagar, juntando as sobrancelhas e encarando-o com surpresa. O louro o observava com o mesmo sorriso e naquele momento ele entendeu.
"E... Eu juro que vou mordê-lo até a morte." Sua voz soou baixa e rouca. Todo o sangue de seu corpo parecia estar localizado em seu baixo ventre.
"Vamos continuar, Kyouya, mas no quarto".
Uma grande mão foi oferecida em sua direção e Hibari não precisou ponderar suas opções.
Ele teria tempo suficiente para morder aquele idiota até a morte depois que seu corpo e coração estivessem plenamente satisfeitos.
- FIM.
Notas finais
E eu termino as postagens de 2015!
Peço desculpas aos fãs desse fandom. Eu estou a quase um semestre enrolando para postar esses spinoffs, mas acabei adiando e adiando. No entanto, eu não poderia terminar o ano sem postá-los, porque me faria sentir que deixei algo inacabado para trás.
A fanfic é bem direta e eu diria que é um bônus para os fãs de D18. Como sempre, minhas fanfics nunca abordam somente um casal e se naquele universo existir mais personagens que eu shippo eu me sinto na obrigação de que façam uma participação, mesmo que pequena. Espero que os fãs de D18 estejam um pouco satisfeitos o/
Bem, 2015 ainda não acabou e eu não gosto muito de falar essas coisas antes de ele ter, de fato, terminado, pois até dia 31 muita coisa pode acontecer, mas como esse é meu último trabalho postado no ano, eu me sinto na obrigação de fazer alguns comentários breves sobre o que já passou. Este ano foi facilmente um dos piores que já tive hehehe por vários motivos eu gostaria de deletá-lo da minha vida ou trancá-lo em uma caixinha e jogar a chave fora. Por esses vários motivos eu quase cheguei a parar de escrever, pois simplesmente não conseguia. Tive uma época de bloqueio tensa que só passou depois que percebi que seria incrivelmente injusto eu abrir mão do que mais amo fazer somente porque estava relacionado a momentos e pessoas tristes. No instante em que percebi isso foi como se uma mão invisível houvesse me ajudado a levantar. Eu só pude postar este especial, por exemplo, porque percebi que meu amor pela escrita está acima de qualquer decepção e desapontamento. E não importa se eu posto minhas histórias. O que realmente importa é que eu as escreva!
Enfim, como mencionei antes, eu sai do meu hiatus, ainda que não volte a postar assiduamente como há uns três anos, por exemplo. Eu tenho algumas responsabilidades hoje que não podem ser deixadas de lado, mas não passarei meses sem dar as caras, mesmo que seja com algum oneshot random. Também já disse que os fandom que pretendo trabalhar em 2016 envolvem Free, KHR, Kurobasu e Haikyuu, além de minha primeira original. Como não sei como farei, não farei promessas que não poderei cumprir, então fico devendo a ordem e data exata. No momento estou trabalhando animada a longfic de Free e se conseguir um tempinho escreverei algo sobre algum fandom e algum casal para o Valentine's Day. Deixo em aberto ehehehe
Gente, obrigada pelo apoio neste ano. Eu definitivamente não teria conseguido sem vocês!
Vejo vocês em 2016!!
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