Andava por uma noite fria e sem estrelas. A densa névoa cobria os grandes pinheiros de cima a baixo, galhos secos se espalhavam pelo chão da floresta, cada vez que pisava, faziam pequenos barulhos e este era o único som. Estava silencioso, até demais.

Não conseguia ver por onde corria, só não conseguia parar, não queria. Sabia que alguém estava atrás de mim.

Corria o máximo que conseguia, mas não estava suportando... Meus pulmões gritavam por ar, meu corpo tremia todo, então decidi parar... Meus joelhos dobravam-se lentamente, louco por um descanso. Pude ouvir sons aproximando-se cada vez mais alto, tentei continuar a correr, porem tropecei em uma raiz e cai de bruços, virei-me rapidamente para descobrir o que estava me seguindo.

Só conseguia enxergar meu corpo naquela névoa, meus joelhos estavam ralados e sujos, sangue e terra misturavam-se pela minha perna. Pude distinguir sombras atrás da névoa, gritei e arrastei meu corpo frágil para trás.

Acordei em meu pequeno quarto, não gritei, só acordei assustada, já estava me acostumando a ter esses pesadelos.

Tomei banho, comi e fui para a escola enfrentar mais um dia de aula. Era uma quinta agradável, não estava muito calor, nem muito frio, perfeita para sair. Na aula inteira fiquei com um frio na espinha e com uma sensação de estar sendo vigiada. Olhei em volta e a sala estava vazia, então fui procurar Wendy no intervalo.

Ela estava sentada na mesa afastada de todas, fitando a comida com cara de nojo, ri dessa cara e me aproximei sentando ao seu lado.

– Oi Wendy, ta de TPM? – perguntei rindo – a comida não esta nada ruim – acrescentei comendo uma tortinha de morango.

– Nada não Soh – disse ela forçando um sorriso.

_ Ta... – assenti estranhando-a.

De repente ela arregalou os olhos e se levantou, olhou ao redor até me fitar.

– O que foi Wendy? – disse preocupando-me com ela.

– É... Acho melhor eu ir até a enfermaria- disse ela saindo até a porta do refeitório.

Olhei ao redor me preocupando, meus olhos fixaram-se em um lugar, mas não em qualquer lugar, e sim nele, o irmão de Miguel.

Ele estava parado do outro lado da rua, em frente ao ponto de ônibus, com um sorriso discreto me olhando. Enxuguei meu olhos para tentar ver melhor, mas logo, ele desapareceu de lá. Voltei para o apartamento e deitei em minha cama. Wendy não voltou mais para a aula, e achei que ela estava passando mal. Pensei no que eu vi hoje no refeitório ou estava realmente doida, ou tinha visto aquilo mesmo. Meu celular tocou, peguei-o no chão e atendi sem olhar no visor.

– Alô?

– Alô. Oi Sophie quer ir ao cinema amanhã? – perguntou ela com animação.

Pensei bem, fazia bastante tempo que eu e a Wendy não tínhamos uma noite de garotas.

– Ta... Wendy está tudo bem? – perguntei lembrando-me de ter fugido do refeitório hoje.

– Ta... Já melhorei, então vamos ter uma noite de garotas! Você pode dormir aqui amanhã?

– Posso! – disse sorrindo, minha amiga Wendy estava de volta.

– Que legal! Então, até amanhã.

– Até!

Sorri, desliguei o telefone, peguei meu caderno e comecei a estudar. Desejei não ter nenhum pesadelo esta noite, mas, sabia que isso não aconteceria.