Amaldiçoado.

5 V - Aperfeiçoamento?


Notas iniciais
Bom, demorou mais saiu. Acabei passando por alguns problemas e não consegui escrever e agora voltei. Espero que gostem.

Sofia bebia num canto do bar pensando o quanto Daniel havia sofrido em apenas três anos naquela cidade. Virou mais um copo. Dan e Cath já tinham ido embora e ela estava ali, torcendo para que Cath conseguisse algumas respostas, mas mesmo assim, precisava interrogar alguém, precisava se sentir produtiva quando um cara parou em frente a sua mesa.

– Posso me sentar? – perguntou o homem. Moreno e jovem usava roupas simples, uma camisa pólo azul, calça jeans e tênis, tinha um brinco e um sorriso largo e malicioso.

– Se me disser seu nome. – disse Sofia por fim, indiferente.

“My name's like the kiss of death

Then we embrace, we turn to dust

We turn to dust”

– Matthews — disse enquanto sentava-se – você não é daqui, né? – perguntou ele parecendo um tanto nervoso.

– Não, sou de New York, por quê?

– Porque nunca a vi por esses lados e sou policial,logo, conheço quase todos. – comentou explicando-se e enrolando. Sofia, porém, viu aí sua chance de interrogar alguém e se colocou melhor na cadeira, jogando fora o clima ruim que se instalava nela.

– Policial? Que legal – dando um sorriso. – Daquele que prende pessoas? – rindo de mansinho.

– Exatamente. – rindo também – daqueles que carregam distintivos e armas.

– E você está aqui por quê? –perguntou Sofia olhando em volta.

– Eu amo histórias de terror! – disse ele com uma alegria. – Mortes, mistério, sangue, assassinos em série e até monstros. – completou com sorriso de menino estampado no rosto.

–Então você mora na cidade certa, não é?! Cheia de mistérios... — investiu cautelosamente.

– Realmente, essa cidade é bem misteriosa, mas, está bem paradahá um ano mais ou menos. – disse aparentemente decepcionado. – Não que seja algo ruim sabe, só queria mais ação. – se explicou dando um sorriso forçado.

“Brown leafed vertigo

Where skeletal life is known

I remember Halloween

This day anything goes

Burning bodies hanging from poles

I remember Halloween”

– Entendo – respondeu sorrindo calorosamente-, precisava que ele contasse algo. – Mas o que exatamente parou a um ano?

– Nós o chamávamos de “Ghost”, porque nunca deixou um vestígio sequer. – disse como se remoesse memórias nostálgicas.

– Ele era um assassino? – fingindo perplexidade – Conte-me sobre isso...

– Tudo começou há dois anos, depois do sumiço de Helena Hamsworth. Ela sumiu do nada, escafedeu-se e Daniel começou a beber, beber muito.

“Frequentava o maior prostíbulo da Região, o “Amor-Amor”, e sempre era arrastado pelo seuirmão de volta pra casa. Dizem que quase faliu o hotel várias vezes se não fosse pelo irmão.”

“Mas o pior mesmo aconteceu um mês depois. Com uma ligação anônima, alguém avisou que encontrou um corpo numa viela no centro da cidade, fomos até lá e não era um corpo; não um corpo inteiro, mas sim um picotado e esquartejado. Aí que a coisa ficou feia.”

“Um mês depois recebemos outra ligação, no mesmo horário e a mesma voz dizendo sobre outro corpo. Foram 12, um a cada mês, todos de prostitutas, prostitutas que Daniel contratara um mês antes.”

“Daniel logo virou o principal suspeito e mesmo com todos os álibis a população o enxergava como um monstro assassino. Ele sempre estava com uma prostituta nova na data e hora do assassinato.”

– Mas elas não negavam se deitar como ele sabendo dessa ligação com Daniel e os assassinatos? – perguntou Sofia abismada.

“Struggling to breathe, go

The sweet asphyxiation and dismemberment

Sex puts me in the mood to make you die

Obsessive hands gently grab your neck

Look into sick eyes... I hate people”

– Não, como eu disse, Daniel quase faliu por conta do montante que pagava. – disse refletindo o quanto de dinheiro — A parte horrível mesmo é isso: Quando fez um ano do desaparecimento de Helena, seu irmão foi assassinado, do mesmo jeito que as outras pessoas, sem nenhuma pista e o assassino nunca mais apareceu.

– Que horror!

– Até semana passada. – Completou Matthews.

– E tem certeza que é ele? – indagou Sofia.

– Absoluta. – Respondeu prontamente o rapaz — O trabalho foi perfeito, como os anteriores era uma prostituta, a que Daniel estava no dia da morte do irmão.

– Mas por que ele demorou um ano?

– Ah, talvez estivesse melhorando.

– Em que aspecto? – Perguntou meio assustada.

– Não sei, digo, esse foi mais cruel que os outros – respondeu gaguejando – não sei como explicar, não quis parecer estranho, só...

– Tudo bem, não pareceu – sorrindo para acalmá-lo. – Mas além do Daniel não teve nenhum outro suspeito?

“The corpses all hang headless and limp

Bodies with no surprises

And the blood drains down like devil's rain

We'll bathe tonight

I want your skulls

I need your skulls”

– Teve sim, o dono do prostíbulo, 2G ou Rogger. – pegando um papel do bolso. – Ele não gostava de nenhuma das mulheres que morreram e mal tem álibi a não ser os que comprou, mas como eu disse, não havia pistas suficientes para se abrir um caso.

– E ficou por isso mesmo as investigações?

–Não tínhamos o que fazer. – disse ele indiferente – e não temos nada nesse de novo.

– Nada mesmo?

– Nada além de uma vizinha, também prostituta, que alega ter visto um homem mascarado, igual o Jason do “sexta-feira 13” entrando na casa dela com uma mala de médico. – disse dando uma risadinha nervosa. – não que a idéia de ele usar fantasia seja ruim.

– Bem original também – disse Sofia com sarcasmo.

– Eu acho ótima, renderia uma história e tanto de terror – respondeu meio duro. Sofia sentiu uma tensão subindo e decidiu continuar por outro caminho. – Realmente, mas, me conte mais sobre esse 2G, 3G ou sei lá como chamam ele.

– O que você quer saber sobre ele? – indagou confuso.

– Não sei, personalidade, porque vocês suspeitaram dele, essas coisas. – tentando ser indiferente–.

– Ele é desses nervosos sabe? – começou pensando. – Ninguém sabe seu nome de verdade ou de onde veio...

“She walked in in silence

Never spoke a word

She's got a rich daddy

She's her daddy's girl

She loves naked sin

He loves evil sex

She has lost control

They are growing old”

– Mas nunca o investigaram? – perguntou interrompendo-o.

– Não... – disse com um olhar duro pra ela. – Ele é muito liso, é líder do tráfico também, mas nunca conseguimos ligar ele com um crime.

– Me parece um sujeito perigoso então. – comentou Sofia.

– Dizem que é só não o tirar do sério que ele é até sociável. – enquanto dizia isso foi focando em algo atrás da Sofia no outro lado do bar perto da entrada. – falando no próprio Diabo... – Sofia imediatamente olhou para trás e viu quem era: O único com terno completo cercado de dois seguranças a curta distância. Usava chapéu, era moreno e bonito, muito alto e forte como um touro dando sentido ao apelido, mas tinha um rosto tão jovem que parecia não ter vinte anos.

– É ele? – questionou incrédula.

– Sim, ninguém acredita na primeira vez que o vê, mas olha como se veste. – disse dando uma risadinha.

– De onde venho isso se chama estilo. – comentou analisando “2G” novamente.

– Estilo de cafetão– completou Matthews rindo – Mas, com licença, não vou mais te incomodar – disse levantando –se – Foi um prazer te conhecer, Sofia de New York, boa sorte com suas buscas.

– O prazer foi todo meu, Matthews, o policial. – cumprimentando ele com um aceno e sorrindo.

“Torn from the heavens, they fall from the sky

And walk the streets among mortal men

They hide in shadows, keepers of the night

Mortal life is weak, can't hold back the demons

The blood pours as rain and soon you'll be alone

Whaaoo

Descending angel

Stand by my side”

Assim que Matthews se foi Sofia se levantou e caminhou até o outro canto do bar, pôs-seao lado de “2G” e pediu uma bebida.

– Você não é daqui, né, meu bem?! – puxou papo “2G” dando um gole em seu drinque.–

– Como saber? Posso ter acabado de me mudar.

– Nesse caso, muito prazer, Rogger – disse estendendo a mão.

– Sofia, de New York. – estendeu a mão também e Rogger a beijou.

– O que a trás de tão longe, Sofia de New York?

– Histórias de terror. – disse com um olhar impassível. – Tenho um blog famoso sobre histórias de terror em cidades pacatas.

– Ah, histórias. -virou seu drinque de uma vez batendo o copo na mesa. – Então vejo que sabe quem eu sou.

– Sim, eu sei quem você é – quando disse isso, Rogger se levantou. – Mas não quero interrogar você, quero só conversar. – tentou se explicar, mas ele já tinha virado as costas e ido.

Sofia já tinha desistido da noite e caminhava para seu quarto rumo a uma bela noite de sono, quando viu sua porta entreaberta e um barulho proveniente de lá de dentro. Caminhou lentamente até a porta maldizendo-se por ter escolhido o quarto mais afastado do hotel. Parou ao lado da porta, respirou fundo sentindo seu coração cada vez mais acelerado e entrou no quarto.

– Parado! – gritou tentando tirar seu spray de pimenta da bolsa, mas não deu tempo e a pessoa em seu quarto estava totalmente encapuzada, pulou pra cima dela empurrando-a em direção ao armário, fazendo-a bater a cabeça e desmaiando enquanto saía correndo do quarto.

Sofia abriu os olhos e a luz lhesincomodou juntamente com a vista embaçada, fazendo-a ter um leve enjôo enquanto gemia de dor.

– Fique deitada. – disse uma voz que ela reconheceu

– Cath, tinha alguém aqui...

– Eu imaginei Sofis, ta tudo revirado e encontrei você aqui no chão.

– Suas coisas também estão reviradas, ele deve ter errado o quarto e quando viu que errou saiu correndo. – disse com certa dificuldade.

– Não Sofis, acho que não – disse se levantando e indo até o armário.

– Como assim? – disse Sofis confusa.

– Encontrei esse guardanapo em cima da sua cama. – disse entregando pra Sofia.

Sofia o abriu e leu perplexa: “Pare de perguntar pelo que não quer realmente saber.”

Enquanto isso no centro da cidade...

Edna terminava de se trocar para receber mais um cliente quando a campainha de sua casa tocou. Ela caminhou até a porta, olhou-se no espelho que se encontrava à suas costas, ajeitando o cabelo, e abriu a porta.

– Você chegou mais cedo, amor, eu... – sua voz foi morrendo quando o viu parado em sua porta. Aquela máscara. A mesma que viu saindo da casa de sua vizinha há algumas semanas. Suas pernas estremeceram, seu corpo estremeceu. Antes que pudesse soltar um berro, um pedido de ajuda ele tampou sua boca. Seus olhos se arregalaram e ela entendeu quase desmaiando. Sabia que ia morrer.

Notas finais
Ele está de volta? Deixem seu comentário, por favor. É muito bom ter opiniões.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.