Amada pela escuridão
7 Por pouco
Depois de adiar por dois dias a minha volta o colégio , me levantei da cama, me perguntando de onde tiraria forças para enfrentar a realidade depois dos momentos maravilhosos de alivio que passara com Erick me sentindo incrivelmente grata por tê-lo conhecido.
Tomei um banho quente demorado, me vesti, tomei um café bem forte. Dirigi a picape ao som de Beatles. Cheguei atrasada, me senti confortável com isso.
Eu odiava aula de biologia, e para piorar o professor nos pediu para analisar um pedaço de cebola no microscópio e anotar as partículas ali presentes e quem acertasse, ganharia uma nota extra. Pra variar eu acertei, e todo mundo ficou me olhando como se eu fosse uma gênia, eu odiava isso.
No almoço, fiquei sozinha, desejando que Erick estivesse ali.
Percorri o corredor até os armários, me sentindo acuada. Peguei o livro de física, que era muito grosso, acho que era o livro mais pesado que já tive. Ouvi o riso de Clara, já dando um suspiro achando que ela estava atrás de mim. Mas quando me virei, ela estava rindo com um grupo de amigas e não me notou.
Enquanto ouvia a risada exagerada de Clara, feliz como se nada a abalasse, uma sensação forte surgiu em mim. Olhando para a nuca dela, tive vontade de jogar o livro pesado nela, me preparando para faze-lo, mas minhas mãos começaram a tremer e derrubei o livro no chão, fazendo um som estrondoso. Todo mundo olhou para mim.
– Lesada! – Clara gritou.
Sai correndo dali. No fim da aula fui para o estacionamento, pasma com que me deparei. A minha picape estava destruída. Não havia mais vidros, só cacos, tudo estava arranhado, os pneus tinham sumido. O capô havia escrito “Virgem e lesada”.
Em lagrimas pensei em como arranjaria dinheiro para concertar tudo aquilo, se realmente valia a pena. Tinha um valor sentimental por ela, foi presente dos meus pais quando sai de casa.
– Agora sim, Virgem, tem um carro a sua altura! – Clara riu.
Encarei ela por um segundo, e sai a pé dali.
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