Am I loving you?
17 Para de ser tão complicada
Notas iniciais
(POV Chloe)
—Um brinde as noivas! – o pai de Cynthia disse erguendo sua taça e todos os outros na sala faziam o mesmo.
Estávamos na casa dos pai dela. Durante essa semana os pais de Cynthia haviam combinado de irmos lá. Eles queriam fazer uma comemoração só para os íntimos já que a filha estava prestes a casar.
Desde ontem, depois da briga, o clima não estava bom entre mim e Beca, mas não podíamos não comparecer a celebração do casamento de uma das nossas melhores amigas. Eu me sentia extremamente magoada e com raiva de mim mesma por toda essa situação que estávamos passando. Mas mesmo assim, coloquei uma roupa e um sorriso no rosto. Afinal, eu não demonstraria fraqueza para os outros. Jamais.
Fiquei pensando em minhas palavras para Beca e tentei me dizer que eu estava completamente certa mas, eu não estava. Uma parte de mim sabia que, por mais que ela tivesse me magoado com toda sua indecisão, não podia me esquecer de que ela namora e não pode simplesmente esquecer o Jesse do jeito que eu quero. Infelizmente, não temos nenhum tipo de relacionamento amoroso então não posso cobrá-la da maneira que eu havia feito. Depois do meu momento de fúria, iria arranjar uma maneira de me desculpar, mas não agora e talvez não hoje.
Depois de erguer minha taça e tomar um gole do delicioso champagne, sentei-me no sofá daquela enorme sala. A casa conseguia ser maior do que a de Cynthia e Anna.
Olhei para elas ali ao centro da sala com diversos amigos e parentes comemorando. Elas pareciam tão felizes e radiantes, igualmente a seus pais, que riam como bobos ao ver Cynthia tão feliz. Era evidente que eles também gostavam muito de Anna. Eu não a conhecia muito, mas ela parecia ser realmente uma garota muito boa. Sorri de leve ao imaginar que uma amiga minha estava prestes a casar. Será que eu casaria um dia?
—Ei, Chlo! – uma Stacie sentou ao meu lado no sofá, me tirando de meus pensamentos – O que você acha daquele cara ali? – ela apontou discretamente para um rapaz que conversava com Anna.
Ele era realmente muito bonito. Era alto, forte, cabelos castanho-claros e olhos verdes.
—Ah... ele é bem gato – falei, dando de ombros. Não estava muito no clima.
—Eu achei ele muito gostoso. Pretendo investir e ai queria sua opinião, né? – Stacie continuou enquanto dava goladas em sua bebida – Ele é irmão da Anna. Dá pra acreditar? Quando a genética é boa...
Não pude deixar de sorri. Stacie sempre falava alguma merda para me animar. Pude ver pelo canto do olho que ela estava me observando, então, tocou sua mão na minha perna e suspirou:
—Chloe, não fica assim. Ela fez muita merda mas confia em mim. A Beca gosta de voc...
—Stacie – coloquei minha mão sobre a sua – Relaxa. Está tudo bem. Sério – menti.
Ela levantou uma sobrancelha, como se estivesse discordando da minha frase.
—Tá bom. Sei. Mas é sério... não se prenda a isso. Na MINHA opinião, ela te quer, SIM, mas é uma lerda. Não fique presa a ela. Tem tantos gatos aqui. Aproveita, Chlo. Tem muitos quartos aqui também...
—Stacie! – dei um tapa em seu ombro, rindo.
Ela sorriu de volta e me abraçou.
—Vou a caçada. Qualquer coisa me grita.
Comecei a rir. Coitado do menino, já vai sofrer nas mãos da Stacie. Realmente havia alguns rapazes bonitinhos mas não muitos. A verdade é que eu realmente não estava com cabeça para nada disso no momento.
—Chloe! – uma voz me chamou vinda de um corredor daquela enorme casa.
Era Emily. E vinha puxando Beca pelo braço. Ela estava com um copo em mãos e não parecia nada bem.
—Emily, me solta... – Beca balbuciou e naquele momento eu percebi que ela estava bêbada. Bem bêbada.
—Chloe – Emily ignorou Beca e se dirigiu a mim – Me ajuda. Olha o estado dessa menina!
Apontou para Beca, que parecia muito cansada, como se não tivesse dormido bem na noite passada. Não tínhamos mais nos falado desde a briga de ontem e mesmo depois dessa confusão, meu coração ainda batia forte quando eu a via.
—Emily, eu realmente não estou muit...
—Por favor. Eu não quero ve-la desse jeito e você é a única pessoa que ela escuta. E eu não quero atrapalhar a comemoração das meninas. Elas não podem ver a Beca assim.
Beca terminou de beber a última gota de álcool que havia no copo e fez um biquinho:
—Poxa, já acabou? Vou pegar mais.
Como que por reflexo, agarrei seu braço, a impedindo de ir.
—Onde ela estava? – perguntei, nervosa.
—No jardim. Só tenho medo dela fazer alguma coisa aqui na casa dos pais da Cynthia.
Merda. Emily tinha razão. Deixei meus sentimentos de lado por um moento e segurei a cintura de Beca junto ao meu corpo.
—Vou subir com ela. Vejo o que posso fazer.
Emily suspirou, aliviada.
—Obrigada. Eu já subo para te ajudar.
Assenti e levei Beca para o andar de cima e tive a sorte de ninguém ter nos visto, já que estavam ocupadas demais rindo e sendo felizes. Me perguntei desde quando Beca bebia desse jeito. Isso não era muito típico dela.
Abri a porta de um quarto ao final do corredor do segundo andar. Era um quarto enorme e de casal mas não estava com quase nada. Talvez fosse para hóspedes.
—Chloe, me deixa. Eu só te faço mal – Beca resmungou ao meu lado enquanto se afastava de mim.
Seu tom de voz era baixo e triste e ve-la assim me doía o coração. Estávamos de frente uma para a outra mas seus olhos fitavam o chão.
—Beca, por que você bebeu? – perguntei, na esperança de termos uma conversa.
Ela deu um sorriso fraco e se aproximou de mim.
—Por que eu sou uma idiota e não sei fazer nada direito. Eu só estrago tudo.
—De qualquer forma, beber não vai ajudar em nada – respondi.
Seus olhos encontraram os meus e aquilo me deu um arrepio. Beca tocou meu rosto delicadamente e passou uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha. Deu um leve sorriso e eu vi seu olhar abaixar para meus lábios.
—Você é tão linda.
Meu coração acelerou diante de seu toque e, principalmente do que ela acabara de falar. Tirei sua mão de meu rosto e tentei me afastar mas ela me segurou pela cintura e me puxou para ela, juntando nossos corpos.
Eu queria sair dali. Realmente queria. Mas não conseguia. Nossos rostos estavam muito, muito pertinho e eu sentia seu coração batendo. Ela tocou meu rosto novamente e tocou a ponta de seu nariz no meu. Fechei os olhos por um minuto sabendo que não conseguiria escapar de seus braços.
—Eu estava morrendo de ciúmes de você. Por isso me encontrei com o Jesse.
O que? Então naquela noite meu plano havia funcionado? Ela estava com ciúmes? E realmente estava confessando isso? Não, eu não podia me deixar levar mais uma vez por essas palavras. Ela não estava falando por si mesma. Era a bebida ali em seu lugar.
Tentei, de novo me afastar, empurrando seu corpo do meu, mas ela abraçou ainda mais a minha cintura.
—Chloe... – sua mão deslizou para minha nuca – Não me deixa. Por favor...
A emoção tomou conta de mim. Sua respiração, sua pele tão próxima da minha... Como ela podia fazer isso comigo? Eu queria gritar e sair dali mas ao mesmo tempo só queria dizer que eu a queria. Mais que tudo.
Antes que eu percebesse, ela puxou meu rosto para o seu e grudou nossos lábios. Eu precisava me afastar, precisava fazer alguma coisa, mas meus braços apenas envolveram seu pescoço. Eu era fraca, eu sei. Ela me deixava fraca.
Nosso beijo foi ficando mais intenso e meu corpo ardia por dentro. Raiva e desejo misturados de um jeito que eu não entendia. Por um momento, voltei a quando nos beijamos pela primeira vez e pude sentir que agora eu a amava ainda mais. Havia mais sentimento e emoção. Não era um beijo desesperado, era um beijo gostoso, daqueles que você poderia ficar horas ali que estaria tudo certo.
Nossas línguas se uniam de uma maneira bastante intensa e diferente. Beca puxou mais minha cintura para seu corpo, eliminando qualquer tipo de espaço entre nossos corpos e descia os lábios para o meu pescoço. Enterrei minha mão em seu cabelo macio enquanto sua boca me explorava. Soltei alguns gemidos e então, como que em um estalo, meu cérebro associou o que estava acontecendo e automaticamente me afastei dela.
O que eu estava fazendo? Ela estava bêbada.
—Chloe, o que foi? – ela perguntou rindo tentando me puxar de novo.
—Beca, para! – empurrei seu corpo.
Seu sorriso desapareceu na mesma hora e ela me encarou, confusa enquanto eu negava aquela situação com a cabeça.
—Chloe, eu quero você. Por favor. Para de ser tão complicada – ela disse.
Ri em ironia. A raiva estava ali comigo de novo.
—Eu? Eu sou a complicada? Faça-me rir!
Eu já estava prestes a começar uma nova briga quando, mais uma vez meu subconsciente me alertou: ela estava bêbada. Não ia adiantar de nada falar ou tentar qualquer coisa nessa situação. Respirei fundo e tentei me acalmar.
—Chloe? – uma Emily desesperada abria a porta do quarto – Ah! Finalmente te achei. Tem muito quartos nessa casa, nossa.
Ela olhou para Beca, que estava com um sorrisinho no canto da boca e depois voltou a olhar para mim, confusa.
—Está tudo bem aqui?
—Emily... a Chloe não é linda? – Beca perguntou enquanto seus olhos não desgrudavam dos meus.
Merda! Eu estava mais vermelha do que eu podia imaginar. Emily também pareceu ficar sem graça mas eu vi que estava se segurando para não rir da minha situação.
—Beca, cala a boca. Por favor.
Coloquei as duas mãos no rosto, envergonhada. Logo ela, que menos queria se expor nessa situação, soltando essas coisas.
—Chloe – Emily tocou minhas mãos, as retirando de meu rosto – Você está bem? Pode deixar, eu cuid...
—Não – a cortei – Pode deixar. Eu vou levar a Beca para casa. Por favor, depois explica pra Cynthia e para a Anna. Em casa eu converso com elas.
Dei um abraço nela e agradeci. Ela apenas assentiu, ainda confusa com a situação, mas achou melhor não perguntar nada.
Peguei Beca pelo pulso e a puxei daquele quarto.
***
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