N/A: Que fique claro que o apelido — Vale – lê-se VÊIÔU. Tipo, in english certo? Não vão ler em português tipo VÁLI! Por amor de Deus. :D

Imagine essa situação: Sua querida mãe quer tirar conclusões da SUA vida e te arranja um encontro às cegas. Ótimo. Eu, uma garota solitária, sem autoestima, que não tem paciência e não é legal o bastante pra fazer novos amigos. Ainda mais ir a um encontro com um garoto que eu nunca vi antes na minha vida.

Não posso negar que estou um pouco nervosa e até animada com a possibilidade de esse cara gostar de mim... Ou me achar bonita, sei lá... Nunca se sabe né... Perai! O que eu tô pensando? Era pra eu estar com raiva!

Entrei com passos fortes e pesados no restaurante. Aquele vestido curto demais me incomodava e eu tinha medo de aparentar ser vulgar. Me lembro de como minha mãe tentou me convencer a usá-lo.

- Vale, esse vestido vai valorizar seu corpo! Vai mostrar todas as suas curvas, meu bem.

- Que curvas, mãe? Acorda. – rebati.

- não começa com drama uma hora dessas. Você já está atrasada.

- não vou colocar esse vestido.

- vale, você vai ficar sexy com esse vestido. Vai que disfarça seu mau humor e o garoto se interessa? – ela disse. Porque não, certo? Certo.

Patético.

De acordo com as instruções, eu devia falar com a recepcionista, dar meu nome, e ela me encaminharia a uma mesa reservada.

Ela pediu para que a acompanhasse e nós subimos uma escada. Uma única mesa estava posicionada ao lado de uma grande janela que mostrava boa parte da cidade de Nashville. Sentando-se à mesa? Bom, apenas DAVE. THOMAS. Dave Thomas estava ME esperando sentado numa mesa. Ele era o meu companheiro de encontro às cegas. Dave Thomas, o menino lindo e simplesmente o cantor country adolescente mais famoso da atualidade. Ele tinha apenas 18 anos e já tinha um Grammy e mais não sei quantos prêmios. Eu não era fã dele, mas era impossível não saber tudo isso.

Me aproximei da mesa e ele se levantou. Era um garoto absolutamente normal. Ele não brilhava nem soltava faíscas e não havia dançarinas atrás dele. Era apenas um garoto alto – mais do que eu. Ufa! – de cabelos curtos e olhos cor de mel. Lindo, mas normal. Cheguei a sua frente e ele estirou sua mão esperando ela minha. Toquei sua mão e era macia, mas as pontas dos dedos pareciam meio grossas, acho que por causa do violão que sempre o acompanhava nos shows e nas apresentações. Achei que ele fosse apenas apertar minha mão como um cumprimento comum, mas para a minha surpresa, ele curvou o corpo e encostou os lábios nas costas de minha mão direita. Enquanto beijava, olhava diretamente nos meus olhos e eu tentei não transparecer meu nervosismo.

- Você é... Linda. — Ele disse e eu congelei. — Muito mais do que eu imaginava. — Completou. Então, decidi que devia dar um daqueles tickets de exame de visão que tinha ganhado da minha tia no verão passado. Esse garoto não podia ser normal.

- Muito obrigada. – falei e ele veio pra trás de mim, puxando a cadeira e me ajudando a sentar. – Obrigada – falei de novo ao me sentar.

- Então, como você já deve saber, eu sou Dave. Dave Thomas. – ele disse. Achei meio idiota da parte dele dizer isso. Era como se estivesse se gabando por ser famoso e lindo. Sim, ele sabia que era lindo e estava se aproveitando de minhas fraquezas nesse exato momento.

- É, eu sei... – eu consegui dizer finalmente. – Isso é o que me faz pensar o que você está fazendo aqui num encontro às cegas com uma garota completamente normal.

- O que? Você acha que eu não saio com garotas normais? – ele falou dando um sorriso de lado. Gente, como é que respira mesmo?

- Eu tenho certeza que não. Até hoje, que eu saiba, só vi você com famosas. Tipo, atrizes ou cantoras... Ou até socialites.

- Ah, então você é minha fã? Sim, porque está sabendo muito da minha vida não acha? – ele sorriu debochado e arqueou uma sobrancelha. Tô começando a odiar esse garoto.

- Não. Eu sou fã das atrizes ou cantoras que você pega. Por isso eu sei. — rebati e o sorriso dele desmoronou. Touché. Ele engoliu e mudou de assunto.

- Você ainda não me disse seu nome.

- Valentine. – eu disse e sorri por ter pelo menos um nome apresentável.

- Então, Valentine, porque você está num encontro a cegas comigo? – Porque minha mãe me odeia, pensei em dizer.

- Porque minha mãe acha que eu sou antissocial só porque eu prefiro ficar sozinha. E ela não admite, mas morre de medo que eu termine sozinha numa casa com 27 gatos e cuidando dos filhos da minha irmã. – despejei e ele riu.

- Quase a mesma coisa aqui. Minha mãe acha que minha carreira me sufoca e que por isso eu não saio com ninguém de verdade. Não conte pra ninguém, mas quando você me vê saindo com alguma famosa na maioria das vezes é um acordo entre os empresários. Pra nos colocar na mídia e coisas do tipo. – ele me falou e eu arregalei os olhos. – Pois é... Então minha mãe teve a gloriosa ideia e me arranjar um encontro – ele falou com ironia. – Sem ofensas, não tem nada a ver com você.

Ri e então o jantar chegou. Comemos e conversamos ao mesmo tempo. Descobri que ele não era não mau assim. Era até um pouco engraçado, mas quando queria ser chato, ele conseguia.

Entre outras milhares de coisas, ele me disse que nunca tinha se apaixonado e que achava que nunca iria se apaixonar e então ele passava a mão nos cabelos inconscientemente, como se fosse uma mania, e eu ria comigo mesma torcendo pra ele estivesse errado e se apaixonasse por mim. Sua cor favorita é verde e nós quase brigamos quando eu disse que a cor é feia.

Ele perguntou coisas sobre mim e eu lhe contei cada detalhe. Mesmo os vergonhosos. Eu me sentia a vontade contando.

Contei as cores no seu olho e achei três: verde, castanho e a mais predominante era mel. Impressionante. Ele me disse que tinha os olhos da mãe e ele era idêntico a ela.

- Então ela é linda. – falei sem pensar e quando ele disse obrigado e riu, comecei a rir de nervoso. Pigarreei três vezes e mudei de assunto.

- Então, você tem irmãos?

- Tenho. Uma irmã. Seu nome é Faith... Tem só dez anos e é a coisa mais linda do mundo! – ele falou orgulhoso e eu sorri. – Você ia gostar de conhecer ela. Vocês são muito parecidas. Ela é cabeça dura como você e adora discordar em tudo o que eu digo, mas também é tímida, fofa, gentil... Talvez seja por isso que eu gostei de você. É como se eu já te conhecesse. – sorri envergonhada. Cara, nenhum garoto nunca disse que gostava de mim. O sentimento era ótimo.

- Também gosto de você. – assumi, mas no mesmo tempo olhei pra baixo.

- Já tá tarde. É melhor nós irmos embora. – ele disse. Logo agora que finalmente a conversa tinha engrenado?

- Tudo bem. – respondi e dei um sorriso fraco. Nos levantamos e ele me ofereceu uma carona. Aceitei, claro. Nada como dez minutos ao lado do cara mais lindo do mundo.

Saimos do restaurante e ele me encaminhou até um Audi R8 preto e luxuoso. Abriu a porta do carro pra mim e depois entrou no lado do motorista. Ele deu partida do carro e ficou em silencio por um tempo até olhar pra mim.

- Meu banco de passageiro nunca ficou tão bonito. – ele falou e eu quase derreti ali mesmo. Ruborizei, sorri e olhei para minhas mãos. Tecnicamente essa era a única coisa que eu conseguia fazer quando estava nervosa. Ele riu elo nariz e voltou a olhar para a estrada. Ele parou em frente a minha casa e abriu sua porta, saindo do carro. Sai também, obvio, e ele me levou até a porta.

Ficamos um de frente pro outro e ele segurou minhas mãos.

- Sabe, quando minha mãe me contou que tinha me arranjado um encontro, eu quase surtei. – ele disse e riu. – mas nem foi tão ruim – ele disse brincando e eu o olhei com cara de indignada. – é sério... Gostei de você. Queria te encontrar de novo.

Sorri radiante com aquilo. Aceitei e nós trocamos os telefones. Ele prometeu ligar. Me abraçou forte e me deu um beijo na bochecha.

- Se cuida. – ele disse e virou as costas, entrando no carro. Tirei minha chave da bolsa e entrei pra dar de cara com minha mãe e minha irmã olhando pra mim com expectativa estampada em seus rostos.

- Calma, respirem. Eu vou contar tudo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.