América

1 Capítulo 1 - 23 de Julho


O sol do verão esquentava a sala de estar da minha casa. Os pequenos raios de sol que entravam pelas frestas das cortinas a iluminavam e davam vida ao cômoda, por assim dizer, mais ridículo da casa. Ainda não sei o que minha mãe tinha na cabeça ao decorar essa sala. Ok, vamos as apresentações: sou América Evans, filha de dois advogados não tão importantes, tenho 19 anos, prestes a fazer 20, e estou, além de gravida, com câncer. Leucemia para ser mais exata. Estudava pediatria na faculdade de Oxford, aqui na Inglaterra, mas tive que desistir para cuidar da doença que foi descoberta, graças a Deus, no estagio um. Se não eu estava lascada.

Agora vou ter que dedicar longos anos para cuidar de mim e da minha filha. Muitos desejam dinheiro. Outros desejam sorte. Alguns desejam amor. E eu, bem eu desejo viver e cuidar da minha filha. Alice, esse é o nome que eu escolhi. Não sei por que o nome Alice sempre foi o meu preferido.

- Filha? — mamãe me tirou da minha rede de pensamentos. — Vou ao super — mercado, quer alguma coisa?

- Estou com desejo de comer morango com chocolate. — gritei enquanto ela fechava a porta.

- Ok, trago o seu morango. — gritou de volta.

- E o chocolate! — berrei alto para ela ouvir.

- E o chocolate. — gritou novamente. Minha mãe é advogada como eu já falei, ela é um coroa de 42 anos com tudo, tudo mesmo, em cima. O nome dela é um dos mais bonitos que eu já ouvi, Emily. Eu gosto de Emily, acho um nome legal.

- Bom dia, querida. — papai depositou um beijo na minha cabeça e se encaminhou para porta. — Vou trabalhar. Qualquer coisa é só ligar e a Beth...

- Vai está sempre disponível. — completei por ele. — Sem problemas, pai. Eu vou ficar bem.

- Eu sei que vai, querida. — disse fechando a porta. Em questão de minutos ouvi o ronco do motor do carro dele.

Meu pai também é um cara muito bonito para idade, 51 anos, além de não ser um daqueles gordos que vivem bêbados. O nome do meu coroa é James Evans, o nome mais britânico que eu já vi. Minha vida é cheia de ironias e uma delas é que meu pai é britânico e minha mãe brasileira mais eu me chamo América, bem melhor que Estados Unidos ao menos.

Descobri que tinha leucemia a uns cinco meses atrás e dois meses depois descobri está gravida do meu ex, Alex, que quando descobriu que eu tinha câncer terminou comigo na hora. Quando liguei para ela para contar da gravidez, eu já estava com uns dois meses na época, sei lá. Hoje estou com quatro meses e vale acrescentar que eu estou enorme.

O meu celular tocou naquele som insuportável de tlim tlim demoníaco. Tenho que mudar esse toque. Me levantei para atender rezando para que não seja o meu medico dizendo que a minha quimioterapia foi adiada.

- Alô? — atendi.

- América? — ufa. Era a Cindy, minha amiga. — Ta sozinha?

- Não. Tem um monte de pomba — gira aqui ao meu lado. — ri em deboche enquanto ela bufava.

- Fala serio, tem alguém ai diva do humor? — perguntou novamente.

- Só a Beth. — respondi alisando a madeira maciça do móvel. — Por que?

- Posso ir para ai? Meus pais tão tendo um DR e eu odeio ficar no meio disso. — os pais da Cindy vivem tendo DR, nunca concordam em nada. Se a Mônica, mãe da Cindy, diz algo e o Patrick, pai dela, discorda pode se preparar que lá vem briga.

- Claro. Pode trazer o Leo também. — desliguei o celular e voltei a me sentar no sofá de estampas árabes. Leo era o irmão mais novo de Cindy, ele era um príncipe, sempre bem educado.

Não demorou muito para a campainha tocar. Levantei novamente para atender e quando abri a porta recebi um abraço apertado de Leo. Cindy apenas sorriu e me deu um leve abraço. Ela é uma das mulheres mais lindas que eu jpa vi na vida. Uma mulata de cabelos cacheados e olhos mel brilhantes e Leo era um moreno de olhos mel também.

- Como vai a bebê? — Cindy perguntou enquanto colocava o casaco no cabide.

- Bem. Já contei uns dez chutes só hoje, fui no banheiro umas vinte vezes essa manhã e minha fome anda maior que o normal. — ri. Leo se jogou no sofá e ligou a TV no canal favorito dele, Disney XD, estava passando Marvel Heroes.

- E a doença? — murmurou baixo. Ela sabe que eu odeio falar sobre isso, mas é necessário. É um tipo de terapia.

- Como sempre. — suspirei. — Mas de acordou com o Dr. Phelps, pode ser que a doença seja anulada em um tempo de seis meses.

- Um mês depois do nascimento da pequena. — ela fez careta. — Você vai ter que se empenhar nas quimioterapias.

- Eu sei que eu vou. — concordei levemente com a cabeça.

- Dor de cabeça não é? — Cindy pousou o copo com agua devagar na mesinha de centro.

- Um pouco. — respirei fundo e pus Leo em meu colo. — E ai, garotão? Como vai na escola?

- Bem. — respondeu corado. Olhei para Cindy que soltou uma risada abafada. A musiquinha irritante da abertura do desenho é ligeiramente ruim para a droga da minha dor de cabeça. Alice se mexeu na minha barriga.

Senti uma forte pontada na cabeça e em questão de minutos perdi a consciência, mas deu para ouvir o gritou de Cindy:

- BETH!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.