Notas iniciais
Xentiiiiii, eu estou morrendo de sono e fome, mas deixa, eu sempre estou assim (perguntem pra Incrível)... Enfim, trocamos a capa da fic (Uhuuuul), faz tempo e eu venho falar disso hoje hahaha. Bem, obrigada por todos os favoritos maravilhosos, e todos os comentários também. Espero que ainda gostem de capítulos longos porque os futuros capítulos serão grandes.. Desculpe por isso kkk.

Na tarde de quinta-feira, depois que Diego chegou do Studio, ele me ligou e nós tivemos uma discussão nada legal.

Era para ser uma de nossas conversas habituais, diárias, mas então ele perguntou por que eu estava agindo estranhamente naquele dia. Eu insisti que não tinha nada demais, que só estava tendo um dia ruim, e, de repente, estávamos gritando como loucos um com o outro.

— É por causa da Violetta, não é? — perguntou gritando.

— Eu já te disse ontem que não! — Respondi furioso. — Eu não me apaixonei por ela!

— Ah, é? — debochou. — Então por que a ignorou o dia inteiro? Por que ficou conversando com a loura que não se dá bem com ela?

— Porque eu quis. Não posso mais conversar com ninguém, agora?

— Você está fazendo tudo errado, seu idiota! — gritou Diego, muito bravo. — Tudo errado! — Repetiu.

Nunca o tinha visto tão irritado. Ele estava fora de si, mas eu não ia deixar as coisas desse jeito.

— Ah, okay — falei. — Então, Diego, o que é o certo? — desafiei. Ele ficou quieto do outro lado, só podia ouvir sua respiração desregular. — Hein? O que é o certo? — repeti, gritando com ele.

— Eu não sei — respondeu irritado, mas não abaixando o tom de voz.

— Se você não sabe, por que está me criticando? Questionando meu modo de agir?

— Cala a boca, León! — retrucou. — Você não me pediu para te ajudar? É isso que estou fazendo. E estou dizendo que você está fazendo a coisa errada.

— Eu...

— Cala a boca! Eu não terminei — gritou Diego. — Me deixa refrescar sua memória: você tem que se aproximar da Violetta Castillo, virar amigo dela, fazê-la confiar em você. Em outras palavras, você tem que a iludir.

— Eu não quero me aproximar dela.

Esse era o ponto crucial: eu não queria me aproximar dela. Odeio pessoas falsas, fingidas, e, ao me aproximar dela, EU estaria sendo uma.

— Não interessa o que você quer! A questão é que você precisa aproximar-se dela. — Ele respirou fundo. — Você aceitou, León. Você assinou um compromisso com seu pai. Seu pai .

Desliguei a chamada. A adrenalina junto com a raiva corria pelas minhas veias e ia direto ao meu coração que bombeava de volta para o resto do meu corpo. Não havia percebido que apertava meu celular. Joguei o aparelho no chão, minhas juntas estavam brancas devido à força descomunal que fazia. Eu precisava bater, gritar, quebrar algo, socar até minha raiva cessar.

Estava em meu quarto. Eu poderia quebrar todos aqueles troféus cobertos por uma fina camada de pó, empilhados em diversas estantes. Poderia jogar tudo para o alto, mas me sobraria tudo para arrumar depois. Sentei na cama, com os pensamentos mais que confusos. Passei minhas mãos desesperadas por meu cabelo, o penteando para trás.

Fechei meus olhos, controlando minha respiração. Perdi a noção do tempo.

Levei um susto quando ouvi o celular tocar. Peguei do chão, percebi que estava um pouco quebrado. Deslizei para atender a chamada de um número desconhecido, mas não obtive resposta da parte do aparelho inerte em minhas mãos. A pessoa ligou mais umas quatro vezes. Só consegui atender na sexta tentativa e descobri que era Violetta. Irritei-me no mesmo instante. Deixei claro naquele dia que não queria papo e, de repente, todo o Studio decidiu falar comigo.

Acabei estragando tudo, mais do que já estava. Ao final da nossa conversa, joguei meu celular contra parede e o mesmo se quebrou mil pedaços.

Pronto, era disso que eu precisava, pensei.

Eu não fui pra faculdade, estava sem cabeça e paciência para isso. Sentei na cadeira da minha escrivaninha e peguei um caderno, arranquei uma folha e comecei a fazer alguns quadros, anotações, uma delas sendo o prazo que meu pai havia me dado, dois meses, tudo o que fiz com Violetta e o que fiz para me aproximar dela. Quando terminei, encarei a folha e contei os minutos, três minutos, sete minutos, quinze minutos. Cheguei a conclusão de que talvez não estivesse indo tão mal na minha missão, mas preciso melhor, e muito.

Na manhã de sexta-feira, Diego ligou no meu celular reserva que apenas ele sabe que eu tenho, nem meu pai tinha ciência desse aparelho. Ele me pediu desculpas por ontem e eu fiz o mesmo, ou seja, já havíamos resolvido tudo, e sem ressentimentos ou coisa do tipo.

A conversa com Diego foi útil para alguma coisa: eu pude abrir meus olhos e perceber o quão ridículo eu estava agindo, e, depois da briga decidi uma coisa, eu não vou mais agir como um otário se tratando de Violetta.

Afinal, pensei, um otário nunca conseguirá sua confiança.

Passei meu domingo inteiro na casa de Diego. Ficamos jogando e nos deliciando com as panquecas de dona Marina e balas de menta, muitas balas de menta. Em um momento, a mãe de Diego disse que ia ao mercado fazer umas compras básicas, e então, eu aproveitei para fazer uma pergunta que estava me incomodando há certo tempo:

— Diego — chamei, ele resmungou um "hum" para eu prosseguir e continuou olhando para a TV, que reproduzia uma partida de Battlefield 4 —, o que você vai fazer... cuidado, atrás de você... quando eu... do seu lado, à esquerda... sei lá, terminar minha missão?

— Aonde quer chegar, Vargas?

— Quando eu... — comecei a falar, e não conseguia terminar a frase. Por mais que eu tentasse, as palavras eram duras demais para serem ditas em voz alta. Ou talvez eu só não quisesse aceitar o fato que terei de encarar no futuro. — Você sabe, concluir a proposta de meu pai. Eu vou sair de Buenos Aires, viver minha vida em um lugar longe daqui. Acho que não suportaria... vira à direita, tem um cara atrás de você... olhar para os rostos dos amigos dela.

— Ah, entendi — expressou. — Olha, eu... — respirou fundo, mostrando sua frustração. — Eu não sei, eu gosto da Francesca, e ela gosta de mim. Quando você concluir sua missão... — respirou fundo novamente — Tá, eu não sei.

E a conversa ficou aí, sem uma resposta de Diego, mas conheço bem meu amigo e tenho certeza de que ele ficou pensando em uma e que também a minha pergunta o assombrou e o assombra agora, assim como está sendo comigo. Diego não é tão diferente de mim, como ele disse.

Na manhã seguinte, acordei um tanto animado, por um motivo: a aula de Angie é a primeira às segundas-feiras, e eu amo as aulas dela. Ela sempre gosta de brincar comigo, ou, até mesmo, tirar onda com a minha cara, além de ser um doce de pessoa e tia... Um sentimento ruim me atinge quando lembro que Angie é tia da Violetta.

Cheguei no Studio, cumprimentei uma galera, destranquei meu armário, peguei meu caderno e corri para a sala de canto. Fui o primeiro a chegar, mas logo Tomás chegou. Ele me lançou um olhar inexpressivo: não era normal, doce, repulsivo, severo.

— Oi — falei, mas só porque tinha educação.

— Oi, Vargas — respondeu, talvez revirando os olhos.

Uns cinco minutos de total silêncio se passou e nenhuns dos outros alunos chegaram, só Angie.

— Oi, meninos... Nossa! — cumprimentou feliz, mas notando que só havia Tomás e eu na sala. — Onde estão todos?

— Não sei — respondi.

— Bem, vamos esperá-los — notificou. — Então, como foi o final de semana de vocês? Soube que foram à casa de Violetta.

Esperei Tomás começar a falar, não estava a fim de entrar em um diálogo clichê: "fala você" "não, fala você". Ele percebeu que eu não falei nada e então começou:

— Foi incrível. No sábado, nós assistimos muitos filmes de comédia, cantamos — ele suspirou, lembrando. Revirei os olhos e meu estômago se contraiu ao lembrar de Violetta e ele juntos em um canto, dividindo um cobertor. — Ontem, Fran, Cami, Maxi e eu fomos lá de novo e Olga fez um almoço maravilhoso.

Uau! Deveria ter aparecido ontem lá, então — brincou — e realmente espero que vocês ainda tenham voz para cantar hoje.

Não posso dizer que não fiquei chateado ao notar que não fui convido ontem por Violetta. Mas lembrei que passei a manhã de sábado com ela e um sorriso surgiu em meus lábios.

— León?! — chamou Angie, despertando-me de meus pensamentos. — Já está sorrindo, e olha que Violetta nem chegou.

— O que tem eu? — indagou uma voz da porta. Olhei rapidamente pra lá e meu olhar encontrou com o dela. Vilu desviou, olhando para sua tia.

— Nada não — disfarçou Angie, com um sorriso bem falso.

Pois bem, o povo que não estava na sala, inclusive Diego, chegou junto, parecia que haviam combinado.

A aula foi um pouco diferente. Angie, no começo, pediu para Diego e eu cantarmos a música que cantamos na nossa audição.

— Oba! — gritou quando eu me posicionei atrás do teclado. Todos olharam para ela e Angie justificou: — Que foi, gente? Eu amo essa música.

Cantamos e logo ela chamou Violetta e Fran, que cantaram uma música que elas mesmas compuseram, Junto a Ti é o nome, e eu achei bem fofa. Estranhei porque Angie pediu que apenas nós quatro cantássemos, porém não questionei.

Faltando uns quinze minutos para a aula acabar, Angie se prontificou:

— Bem, turma, vou passar um trabalho e antes que vocês façam um coro reprovando, ele será em dupla, e vocês mesmo podem escolher. Escolham agora, rápido.

Diego se voltou para mim, mas eu falei:

— Pode fazer com a Francesca — ele falou:

— Não, cara, eu vou fazer com você — mas eu percebi que ele queria fazer com ela, então falei:

— É sério, pode fazer com a Fran — ele falou:

— León, eu... — interrompi:

— Eu não vou fazer com você, e você vai fazer com a Francesca — mandei. Rimos.

— Tá legal. Mas eu não vou te agradecer. — Disse se levantando.

Vi ele caminhar até ela, não percebi, mas eu sorria por causa da alegria do meu melhor amigo. Meus olhos desviaram para Violetta, que estava ao lado de Fran, ela olhava pra mim, o que fez meu sorriso crescer em relativamente 40%, mas então ela desviou o olhar para Tomás, que estava do seu outro lado. Ele fez uma pergunta pra ela, que assentiu, e Tomás sorriu. O meu sorriso se desfez na hora. Violetta olhou para mim de novo, contudo, fui forçado a desviar o olhar dela. Abaixei minha cabeça.

No final, as duplas ficaram:

Fran e Diego;
Violetta e o espantalho magricelo de olhos claros (Tomás);
Naty e Maxi;
Eu e... Ninguém.

— León, não quer entrar em nenhuma das duplas? — sugeriu Angie.

Olhei bem para todos e juro pela minha vida que Tomás me lançou um olhar de "se entrar aqui, eu te mato, León Vargas". Óbvio que eu não fiquei com medo, mas falei:

— Não, Angie, estou bem. Seremos o teclado e eu — brinquei, fazendo rir.

— Tem certeza? — perguntou.

— Claro.

— Tudo bem, então. — Falou. — O trabalho será o seguinte: vocês vão escolher uma música em inglês e vão cantá-la para mim na segunda-feira, da próxima semana. Esse trabalho valerá nota para o semestre, e também, ajudará vocês a conhecer os tons e timbres dos outros idiomas, além do espanhol.

— Mas, Angie — protestou Maxi —, os meninos e eu cantamos See You Again, e é em inglês.

— Ah, eu sei, agora vocês vão cantar outra música em inglês e se sair melhor.

Han... Okay — falou Maxi, e rimos da careta que ele fez.

+++

Estava saindo do vestiário — fui me trocar para a aula de Gregório — quando me deparei com Violetta na porta, e adivinhem... Ela estava me esperando. Diego me lançou um olhar malicioso e seguiu pra sala de dança.

— Oi, Vilu — falei, com um pequeno sorriso.

— Oi, León. Tudo bem? — perguntou receosa.

— Claro, e você?

— Nada mal. — Respondeu. — Han... Você ficou bravo comigo? — perguntou um pouco envergonhada.

— Pelo que?

— Você sabe... O trabalho que Angie passou.

— Ah, não, eu... — comecei, mas ela interrompeu.

— Eu sei que... — Tudo o que vai, volta. Interrompi-a também. Coloquei as mãos em seus pequenos ombros, a fiz olhar profundamente para mim e falei:

— Relaxa, é só um trabalho. Além disso, não me lembro de termos assinado um termo de responsabilidade afirmando que você teria que fazer trabalhos comigo — completei em um tom divertido, arrancando uma pequena risada dela.

— Eu jurava que você tinha ficado chateado.

É, fiquei um pouco, pensei.

— Que nada — menti, fazendo um gesto de desinteresse. — Olha, não é querendo te preocupar, mas nós estamos atrasados para a aula do senhor rabugento e você ainda precisa se trocar.

— Droga, é verdade — disse Violetta. — Viu o que você faz comigo? Sempre me distrai — completou brincalhona.

— Com a minha beleza encantadora de outro mundo, não é? — provoquei.

— Vai pra merda, seu metidinho — falou apressada, me fazendo rir. — Me espere aqui.

Entramos correndo e atrasados na sala de dança e automaticamente recebemos não só um olhar raivoso de Gregório, mas também de Cami — especialmente para Violetta.

— Posso saber onde as princesas estavam? — indagou Gregório. Diego começou a rir atrás dele, mas sem fazer barulho.

— Claro, senhor Gregório — comecei, logo recebendo um olhar de Violetta, mas ignorei e continuei — Eu estava saindo do vestiário, até que ela — apontei pra Vilu — me parou para me pedir desculpa por algo muito besta, que sinceramente, não faria diferença na minha vida, aí eu lembrei que ela estava atrasada, pois ela precisava se arrumar adequadamente para sua aula, então, ela me obrigou a esperá-la, senão, disse que arrancaria meu pulmão direito e venderia e eu seria forçado a respirar só com o esquerdo.

Diego, Broduey, Maxi, Marco, Fran e Andrés caíram na risada, mas Gregório virou e lançou um olhar nada amigável e os fez retomar a postura de seriedade. Camila e Ludmila, ao contrário, encaravam Violetta e Violetta encarava o chão, com um sorriso, talvez segurando a risada. Sorri com isso.

— Você quer que eu acredite em você, León?

— Seria bom — respondi rapidamente e baixo. Violetta ouviu e então começou a rir.

— O que disse?

— Nada.

— Olha, só vou deixar vocês dois fazerem aula porque depois eu terei que fazer um relatório chato, falando sobre vocês e eu não estou com vontade de fazer isso. — Reclamou. — Então, vamos ter que criar uma nova coreografia para apresentar na sexta, ou seja, vocês não vão sair daqui hoje sem a nova dança.

— Sexta? Essa sexta? — indagou Diego.

— Sim, Pablo quer montar um mini show para os produtores e pediu para vocês dançarem a música nova que terão de compor — explicou. Como não tínhamos a música pronta, não tínhamos um som.

Gregório começou a fazer uns passos para nós imitarmos. Camila, durante a aula, ficava me olhando de uma forma estranha, que já estava me incomodado.

— Poderíamos fazer algo diferente, que tal pegarmos baldes e baquetas? — sugeri, um pensamento louco me ocorreu.

— Como assim? — perguntou Gregório.

Expliquei para ele a minha ideia e digamos que Gregório e todo o pessoal gostaram dela. Pegamos baquetas e baldes. Ficamos praticamente duas horas montando os passes e mais uma hora pra ensaiar.

+++

— Meninos, tenho que lhe dar os parabéns pela apresentação. O vídeo ficou incrível, eles postaram na sexta-feira, à noite, e já têm mais de 15 mil visualizações — anunciou Pablo.

— Sério? — perguntei agitado.

Pablo concordou com um sorriso alegre. Abraçamos-nos (os meninos da banda e eu), esfregamos os cabelos uns dos outros, demos tapinhas nas costas, gritamos. Enfim, comemoramos bastante. As meninas nos parabenizaram pelo sucesso. Pablo também comentou do vídeoclip da Ludmila e da Natália, elas conseguiram 14 mil, e todos as parabenizamos.

O que era pra ser apenas um aperto de mão em Ludmila, tornou-se um abraço. A loura me puxou no último momento, o que me fez rir.

— Obrigada, Lion — agradeceu Ludmila me chamando com esse apelido ridículo que ela colocou em mim. Sorri retribuindo.

Pablo contou que quer fazer um mini show — na verdade, Gregório já nos havia falado — que deixe os produtores do You Mix de boca aberta. Ele quer que nossa banda toque uma música, de preferência, exclusiva e composta por nós. Pablo também falou da coreografia que estamos fazendo com Gregório e falou que ela está incluída no show, junto com a música em grupo. Ludmila, Naty, Marco e Tomás vão cantar uma música chamada Tienes El Talento, mas Pablo pediu para que eles deixassem a música mais animada.

— Gente, na música que temos de compor em grupo, as meninas podem fazer a letra e os meninos a melodia — anunciou Violetta. — O que vocês acham?

Nós Concordamos.

Depois da aula de Pablo, os meninos da banda, Marco e Tomás, e eu nos juntamos na sala de dança.

Maxi e eu tomamos a frente do trabalho, ficamos um bom tempo pensando, tínhamos que compor algo que combinasse com a dança, além de algo único.

Conseguimos fazer uma parte, e adivinhem: ela se enquadrou perfeitamente com a dança.

+++

Na terça-feira, quando cheguei ao Studio, percebi que não era um de seus dias mais organizados. Tinha uma penca de alunas conversando, alguns alunos tocando violão, e isso virou uma mistura que o barulho quase chegava a ser insuportável. Avistei Pablo e Beto indo de um lado para o outro conversando com uns alunos.

Fui para o meu armário, quando estava quase abrindo ouvi a voz de Maxi e Andrés.

— Acho que não será necessário caderno hoje, León — avisou Andrés.

— Verdade — concordou Maxi. Olhei confuso para eles, tirando a mão do armário. — Pablo nos dispensou de todas as aulas de hoje.

— Ah, então... O que vamos fazer?

— Temos que ver a música que vamos tocar, aliás, temos que compor uma — falou Maxi.

— Os meninos já chegaram?

— Diego foi atrás de uma sala para nós e Broduey está pra chegar. — Assenti.

— Bom, eu tenho uma letra — revelei.

Diego me mandou uma mensagem dizendo que conseguiu uma sala. Os meninos e eu fomos para lá, Broduey chegou uns seis minutos depois, batemos um papo rápido, até que o baixinho rapper disse:

— Então, Vargas disse que tem uma letra.

Todos olharam para mim em busca da confirmação.

— Sim — respondi.

— Isso é uma brincadeira? — indagou Diego rindo.

Olhei feio pra ele. Diego estava duvidando do meu talento? Pode isso?

— Não, Diego — comecei. — Me veio inspiração, eu peguei um papel e uma caneta, e simplesmente surgiu a letra de uma música, mas ela acabou antes de eu compor uma melodia. Então, podemos criar uma em grupo e apresentar na sexta.

— Mostra a letra — pediu Diego.

Dei a folha em que estava escrita minha composição inspirada em Violetta Castillo.

— Queen Of the Dance floor — leu Andrés.

Depois de uns cinco minutos encarando a folha, eles resolveram se manifestar.

— Ui, quem é a rainha da pista de dança do León? — provocou Maxi.

— Deve ser a Violetta — Diego falou.

— Nunca ouviram falar no eu lírico? — justifiquei nervoso.

— Vargas tá bravinho, cuidado com ele — brincou Broduey.

Revirei os olhos, cruzei os braços e respirei fundo. Eles perceberam que eu não estava pra brincadeira e pararam de rir.

— Relaxa, León, seu segredo está a salvo conosco — disse Diego.

— Que segredo?

— Que a Violetta é a rainha da sua pista de dança — respondeu Andrés.

Puxa vida, até ele?

— Ah, vão se ferrar. Mas então, o que acharam da letra?

— Muito boa, estava inspirado mesmo — elogiou Broduey.

— Olha, Andrés e eu estamos trabalhando em uma melodia — anunciou Maxi. — Talvez dê certo com a letra.

— Claro, vamos tentar.

Maxi tirou o notebook da mochila, conectou em uma caixa de som e ligou. A melodia era incrível, era um rock antigo misturando com pop.

— Canta aí — Maxi pediu.

Todos nós cantamos e no final chegamos à conclusão de que provavelmente Pablo vai gostar, assim como os produtores.

— Eu acho que um pouco instrumental ficaria legal — sugeriu Maxi.

— Eu vou no teclado! — Gritei.

— Eu no baixo — avisou o brasileiro.

— Quero ir na bateria, posso? — pediu Andrés.

Concordamos.

— E vocês? — perguntei me referindo a Maxi e Diego.

— Estamos bem, e tu? — zoou, obviamente, Diego. Ele olhou para Maxi e concluiu — Podemos ser guitarra 1 e 2. Ou então Maxi vai no violão quando necessário.

— Por mim, tudo bem. — Maxi deu de ombros.

Começamos a ensaiar junto com os instrumentos e a melodia do computador. Fizemos algumas alterações na letra e no ritmo, mas no fim ficou incrível.

Olhei para janela da sala de música e havia muitos alunos nos observando. Fiz um movimento com a cabeça indicando a janela para eles olharem. Começamos a cantar para nossa plateia, no final da música eles nos aplaudiram e nós agradecemos.

O ensaio acabou e eu fui beber água. Dei uma volta no Studio e encontrei Violetta um tanto pálida e "pra baixo" perto da entrada.

— Vilu — chamei sua atenção. Ela me fitou, mas seus olhos estavam tão caídos. — Você está bem?

Ela abriu a boca, achei que fosse para me responder, mas não, ela sem querer espirrou em mim, na minha roupa, pra ser sincero.

Droga — reclamou com a voz rouca. — Desculpa, León — falou envergonhada.

— Sem problemas. O que aconteceu contigo?

— Respondendo sua primeira pergunta: sim, estou bem, respondendo a segunda: peguei uma gripe um pouco forte.

Por instinto, aproximei dela e medi sua temperatura.

Puxa! Como está quente, pensei.

Além das blusas de frio que vestia nesse dia de calor, Violetta estava meio fraca, parecia que ia cair a qualquer momento.

— Vem comigo — peguei sua mão. Estranhei ao pegar sua mão e sentir que ela estava muito gelada.

— Aonde vamos? — perguntou quando já estávamos fora do Studio.

— Ao hospital — respondi normalmente.

Ela soltou minha mão automaticamente. Parei de andar e virei para olhar ela.

— O que foi?

— Eu não quero ir pro hospital.

— Por quê?

— Porque não quero — respondeu. — Eu estou ótima — completou.

— Claro — concordei irônico. — Vamos, é sério. — fui tentar pegar sua mão, mas ela tirou.

— León, eu não tenho convênio e o hospital mais próximo daqui fica a um quilômetro e precisa do convênio.

— Não importa — falei. — Vamos, por favor.

— Não, além disso, eu tenho que cantar para o Pablo daqui a pouco.

— Você não vai cantar desse jeito.

— Ah, é? — debochou. — E quem vai me impedir? — desafiou.

— Eu — respondi. — E se não for por bem, vai por mal — ela me olhou com desdém, duvidando de mim.

Peguei ela no colo, estilo noiva, e comecei a andar. Violetta começou a sacudir, espernear e eu só rindo da sua tentativa falha de se libertar.

— Me solta, León! — ordenou brava. — Estão todos nos olhando.

— Sim, eu sei, e não, nós vamos ao hospital.

— Você é chato. Quero ver eles me atenderem sem um convênio e os dois sendo menor de idade.

Eu tenho 19 anos, Violetta, mas tive que mentir para entrar no Studio, pensei.

— Eles vão atender — falei destemido. — Confia em mim.

— Prefiro não confiar em você e depois esfregar na sua cara o nosso fracasso.

— É o que veremos, Castillo.

— Você não se cansa nunca?

— Do que?

— De andar e me carregar nos braços.

— Ah, não. Eu sou bem forte — disse eu rindo um pouco. — Ao contrário do seu amigo magricelo.

— Tomás? — indagou, eu assenti. Violetta começou a rir.

Viramos o centro das atenções de Buenos Aires, mas eu não estava nem aí. Vilu começou a tossir sem parar, fiquei preocupado com ela e a coloquei no chão.

— Acho que é melhor você andar, se conseguir — concluí, coçando a nuca.

— León, eu estou gripada, e não aleijada — falou, fazendo-me rir. Continuamos a andar. — Sabia que você está me levando para o mau caminho?

— Sério? Por quê?

— Já é a segunda vez que saio do Studio sem a aprovação dos professores.

— Claro, até porque fui eu que te levei para o Parque de diversões, não é?

— Estava brincando, seu bobo.

Caminhamos em silêncio, por um certo período, mas era tão chato andar sem falar nada, ainda mais com ela.

— Vilu, me responda uma coisa, mas seja sincera, muito sincera mesmo.

— Okay — falou, porém senti-a ficando tensa.

— O que Camila tem? Tipo assim, ontem, quando chegamos atrasados na aula de Gregório, ela te olhou de um jeito muito estranho e depois ficou me olhando de um jeito estranho.

— É, eu percebi — comentou. — Bem, eu não deveria te contar. Promete que não vai falar nada pra ninguém, principalmente pra ela?

— Eu prometo — disse.

— Sério mesmo, você está colocando minha vida em jogo — falou. Assenti, não entendendo a gravidade da situação. — Camila gosta de você.

Engasguei com o nada que tinha em minha garganta. Violetta começou a rir de mim.

— É sério? — perguntei. Vilu concordou. — Por que ela gosta de mim?

— Ah... Bem... Você é bonito, talentoso, canta bem — conforme ela ia falando, sua face ficava um pouco vermelha. — Por favor, não faça nada, continua agindo normalmente com ela porque se Camila descobrir que eu falei isso pra você, ela me mata.

— Calma, eu nunca vou te meter em problemas com suas amigas —essa frase soou de um modo tão fofo.

— Obrigada.

Uns 10 minutos depois, chegamos ao hospital, que para nossa infelicidade estava um pouco cheio.

— Olha, senta lá que eu vou falar com a recepcionista — Vilu concordou.

Cheguei ao balcão, chamando a atenção da mulher.

— Posso ajudá-lo?

— Aqui tem pronto atendimento? — perguntei.

— Sim, mas precisa ter convênio.

Ótimo, pensei feliz. Tinha um plano muito bom.

— Tudo bem, eu tenho — falei, fingindo uma tosse horrível. Olhei pra trás e vi Violetta me olhando com uma expressão confusa.

Tirei minha carteira do bolso e peguei a carteirinha do convênio do meu pai. Pelo menos para uma coisa de útil serve meu pai.

— León Vargas, dezenove anos — leu as informações.

— Isso.

— Consulta clínica?

— É, estou com uma tosse estranha.

— Okay, vou fazer sua ficha, é só retirar uma senha e aguardar.

— Obrigado.

Retirei a senha de número 324. Olhei o painel que informava a senha e o consultório, e o número ainda estava no 239.

Isso vai demorar, pensei.

— Pronto, você vai passar no médico.

— O que você aprontou, León? — perguntou Violetta, desconfiada.

— Nada — falei na cara lisa.

— Sei — ela voltou sua atenção para a TV, onde passava um filme. Vilu bocejou e logo seus lábios começaram a tremer, o ar condicionado estava deixando o ambiente muito gelado.

Tirei minha jaqueta e dei pra ela, que pensou em recusar no começo, mas eu insisti que ficasse. Ela bocejou mais uma vez.

Passei meu braço esquerdo delicadamente por sua cintura, assustando-a.

— Deita aqui, vai demorar muito e acho que você está com sono.

— Não, eu estou legal.

— Violetta, para de ser mentirosa, pode dormir um pouco.

— Tá, papai — brincou.

Ela deitou relutante em meu ombro, mas deitou e uns dois minutos depois pegou no sono. Aproximei ela um pouco mais para ficar confortável.

O tempo parecia passar muito devagar, mas com ela ali tudo era melhor. Em alguns momentos ela acordava, me encarava e dormia de novo. Em outro, ela acordou fez um carinho no meu cabelo e voltou a dormir. Eu apenas ria. Se eu contasse isso pra ela, provavelmente Vilu ficaria mais vermelha do que uma pimenta.

Faltando dois números para a nossa vez, eu a acordei, perguntei se ela estava dolorida ou desconfortável ela negou. Senti seu rosto no meu pescoço e percebi que ela estava muito mais quente do que antes.

Por sorte, havia chegado nossa vez. Peguei na mão dela e a guiei até o consultório 8.

Abri a porta pra ela e entramos. Uma moça de cabelos louros e olhos verdes estava lá, provavelmente a médica. Óbvio que era a médica.

Vilu sentou na cadeira e eu fiquei em pé, atrás dela.

— León Vargas? — perguntou pra Vilu e eu comecei a rir.

— Não, doutora. Bem... — comecei a falar. — Eu vim passar ela, só que ela não tem convênio. Tem algum problema passar com meu nome só que a paciente ser ela?

Estava preparado para ouvir um belo não, quando ela disse:

Awnnnn. Que fofo da sua parte. São namorados?

— Oi? — disse Vilu.

— Não, somos apenas amigos — respondi.

— Que pena, vocês são tão lindos juntos, ainda mais que chegaram de mãos dadas, formam um belo casal, sabia?

— Obrigado — respondi com um sorriso enquanto Violetta ficava mais vermelha do que já estava. — Esta é Violetta.

A médica, que descobri se chamar Eliane, fez uma série de perguntar à Violetta, que respondeu todas. Ela examinou Vilu e disse que ela está com uma infecção forte de garganta. Ela passou dois medicamentos, algumas precauções e explicou tudo.

— Obrigada, doutora — agradeceu Vilu.

— Não agradeça a mim, e sim ao seu amigo que te trouxe. Se você não tivesse vindo hoje ver isso, a infecção poderia se espalhar e acabaria sendo pior pra você.

Já fora do médico, resolvi passar em uma farmácia e comprar os dois remédios. Quase rolou um protesto da parte de Violetta, mas no fim ela aceitou. Ela sempre acaba aceitando.

— Espero que goste de andar de ônibus — falei.

— Fica tranquilo, eu gosto sim.

O ônibus passou rápido no ponto em que estávamos e também ele estava quase vazio. Sentamos juntos, passei meu braço por seus ombros. A viagem foi tranquila e rápida, a acompanhei até sua casa.

— Obrigada, León, e me desculpe por ser tão cabeça dura.

— Tudo bem, pra isso que serve os amigos — disse eu, meio sem jeito.

— Gostaria de tomar um café da manhã amanhã comigo? — convidou de repente. — Tenho que te agradecer de alguma maneira, oras — justificou.

— Não precisa me agradecer, mas eu aceito o café.

— Eu que vou pagar, e não ouse me contrariar, León Vargas — falou autoritária.

— Tá bem, você paga, então — joguei as mãos par cima.

— Acertamos os detalhes de noite, okay? Só o que quero agora é tomar um banho e deitar, minha cabeça está explodindo.

— Okay. — Me aproximei dela e dei um beijo na sua bochecha rosada. — Tchau, Vilu.

Ela sorriu envergonhada, logo abaixando a cabeça.

— Tchau, León. Obrigada, de novo.

Estava quase na esquina de sua rua quando virei rapidamente e vi ela no portão, ainda me olhando. E percebi que esqueci minha jaqueta com ela, mas deixei pra lá.

Ela deixou seu sorriso comigo.

Notas finais
Que final clichê, meu unicórnio rosa também achou isso. Well, sinceramente, espero que tenham gostado do cap e da cena Leonetta, tentei caprichar, mas saiu isso. Um beijo bem grande no topo da testa de vocês, terráqueos. Eu gosto de usar termos astronômicos hehe. Comentem, certo? E se tiverem sugestões comentem também XD #Miimi