Além do que se vê

1 Capítulo Introdutório


Notas iniciais
Está é a primeira história que publico, estou muito ansiosa. Espero que gostem. Me deixem sugestões para que eu posso melhorar, boa leitura.

Acordei no mesmo horário de todos os dias, o Sr. Miau deixava meus pés ainda mais quentinhos e isso deixava minha tarefa de levantar ainda mais difícil. Reunindo forças consegui me arrastar até o banheiro, e até assustei quando vi meu reflexo no espelho. Eu não faço o tipo colegial gata, Líder de torcida e com vários amigos, na verdade, eu sou meio o oposto de tudo isso, sou baixa demais, magra demais e me preocupo mais com os meus estudos e com o meu futuro do que com maquiagem. Eu sei que não sou bonita, mas hoje eu acordei terrível até para o meus padrões.

Tentei brigar com meu cabelo, mas quando ele não quer ajudar não tem conversa. Lutei bravamente e desisti rapidamente. Coloquei uma blusa de frio mais larguinha e minha calça jeans e desci. A mesa do Café estava pronta mas não tinha nem sinal da minha mãe, ela trabalha em uma grande multinacional, é a primeira a chegar e a última a sair. Desde que meu pai morreu ela achou conforto no trabalho, e eu entendo como ela se sente, porque todos os trabalhos sociais que faço, todas as matérias extracurriculares começaram depois que papai se foi.

Não é que a minha mãe é louca por trabalho e não me da atenção, ela é uma ótima mãe e eu sei que ela me ama muito, mas ela ainda está de luto e eu respeito seu espaço porque ela respeita o meu.

Depois do Café peguei minha bicicleta e fui para o Colégio, eu adoro esse momento de vento na cara, me ajuda a pensar. Cheguei e fui direto para a classe, eu sei que o segundo colegial é horrível para todo mundo, mas se você é a nerd esquisita vai ser bem pior para você, eu garanto. Aos poucos a sala foi enchendo e em poucos minutos a classe já estava cheia e a conversa estava alta, as rodinhas já tinham se formado logo ao fundo.

A aula fluiu rápida e silenciosa assim que o professor Marcos entrou. As outras aulas até a hora do almoço não foi tão ruim, me acertaram com apenas 3 bolas de papéis, o que significa que é meu dia de sorte. Já sou acostumada com as piadas e as risadinhas, eu sei que são pessoas sem chance de se tornarem pessoas de bem no futuro, e isso me dava até um pouco de pena deles, mas só um pouco.

A hora do almoço era sempre a mais difícil, me sentar bem no fundo perto da saída ajuda a me manter afastada desses monstros adolescentes. Tudo corria muito tranquilamente, meus fones me mantinham em segurança das risadinhas e a comida estava realmente saborosa mas mesmo de cabeça baixa concentrada na comida eu senti o clima mudar. Levantei o olhar bem a tempo de ver as criaturas entrando no refeitório, os quatro filhos mais novos de satan. Eu sei que em todos os colégios tem os atletas legais que são adorados por todos, garotos marrentos mas bondosos de coração. Mas esse não é o tipo de história que estou contando aqui.

Esse atletas estão mais pra gangue, não são do tipo que rouba lanche de criança mas se eles tiverem a oportunidade de tirar alguma coisa de você, eles faram. Claro que se dão bem com os super populares e as garotas fazem roda atrás deles mas se você for só um aluno normal do ensino médio, é mais saudável manter distância. Felipe, Jean, Carlos e Mateus. Se você estuda nesse Colégio tem que saber esses nomes, mesmo que eles não sejam motivo de interesse pra você. Eu tracei o perfil psicológico deles para tentar intender o motivo de serem pessoas tão horríveis, mas não obtive muito sucesso. Felipe é o pior de todos, ele é riquinho, filho de papai e acha que é o dono do Colégio e de todos os alunos que estudam aqui, ele é inteligente e tem boas notas mas nada que justifique seu comportamento meio psicopata. Jean e Carlos são alunos considerados intermediários, tiram nota suficiente para passar de ano e só, se não fosse pelo talento no basquete eles seriam zuados como qualquer outra pessoa normal nesse refeitório. E por último mas não menos importante Mateus, ele já beijou todas as garotas bonitas dessa escola e das escolas dos bairros vizinhos, ele está sempre á frente quando algo ruim acontece com algum pobre coitado, suas notas são horríveis e eu acho que ele só conseguiu chegar ao segundo colegial porque o diretor tem pena dele, a mãe dele morreu a dois anos e o pai se tornou alcoólatra, eu sei que é horrível perder uma pessoa que você ama muito, mas quando eu perdi meu pai eu não enlouqueci e comecei a bater em todo mundo com quem eu não ia com a cara.

Acordei do meu devaneio e vi eles indo em direção a uma mesa, tinha um grupinho de seis pessoas sentada na mesa mas eles levantaram voando assim que filhos do demo se aproximaram da mesa. Os quatro sentaram na mesa recém desocupada e algumas meninas vieram com a bandeja de almoço para eles, revirei os olhos quando vi isso. Como pode existir pessoas tão patéticas?

Terminei meu almoço rapidamente e sumi do refeitório antes que alguém notasse minha presença. Todas as aulas do período da tarde passaram voando, e graças aos deuses dos nerds desesperados eu passei despercebida o dia todo. Segunda feira era dia de escola de recuperação, eu ajudava a dar aulas de recuperação depois da escola e isso me rendia pontos extras para o meu currículo escolar, como era só alguns dias por semana não atrapalhava meu desempenho escolar e também era divertido ajudar as pessoas.

— Boa tarde Bia, está atrasada! — falou Mary, minha orientadora nas aulas de recuperação. Mary era uma loira baixinha e muito rigorosa, mas também era um amor de pessoa e minha professora de História da Arte no Colégio.

— Boa tarde. — falei sorrindo para ela — não sei se 30 segundos pode ser considerado atraso, porque dependendo do relógio que você estiver usando não dá para ver os segundos, por exemplo, no meu celular são 15:45 apenas, sendo assim... Estou no horário pontualmente.

Mary me encarou com seus olhos redondos, me analisando e disse:

— Enquanto você argumentava comigo sobre o seu atraso o relógio mudou para 15:46, então está oficialmente atrasada! Mas eu te perdoou dessa vez.

Bufei e revirei os olhos, nunca se ganha da Mary em uma discussão, não sei porque ainda tento. Caminhei até o quadro auxiliar e peguei a prancheta em baixo do nome " Beatriz Hozera". Olhei as grades que eu teria que desenvolver e fiquei chocada, meu futuro aluno estava por um fio em quase todas as matérias. Virei a página para ver o nome do coitado e entrei em choque assim que li " Mateus R. Ferrara". Meu queixo caiu e minha mão começou a suar automaticamente, por que eu tinha que dar reforço pro filho de satan? Justo eu, com tantos auxiliadores aqui. Andei aos tropeços até a minha mesa, estava vazia e eu respirei de alívio, me sentei na cadeira e deixei meu corpo relaxar. Talvez ele simplesmente não aparece afinal de contas, sorri para mim mesma. Os minutos foram passando e eu fui relaxando mais a cada minuto, tirei meu livro da bolsa e comecei ler e já estava me sentindo bem melhor quando senti que ele chegou. Não sei explicar como, já que eu estava de costas para a porta, mas assim como aconteceu no refeitório eu não precisei olhar para saber que aqueles passos pesados vindo na minha direção eram do Mateus. Fechei os olhos e clamei pelos deuses dos nerds novamente.

— Vai ser um bimestre muito longo — suspirei bem baixinho.

E eu nunca estive tão certa em toda a minha vida.

Notas finais
Esperem que gostem. Não esqueça de deixar sua sugestão.