Além do que se vê
5 Capítulo 4 - Sex Yeah
Notas iniciais
PDV — Victor
Eu não estava irritado. Eu estava puto. Ela é uma menina! Como ela ousa me chamar assim?
Não disse uma palavra sequer no restante do trajeto até o motel onde eu levava minhas ex-alunas, quando comecei a trair minha primeira esposa. Fazia um bom tempo que não ia até lá.
Meu sangue fervia. Detesto ser desafiado. Mas adoro mostrar do que sou capaz.
O caminho até o quarto foi um borrão, mas o que aconteceu está bem vivo na minha memória.
Quando entramos no quarto, perguntei, enquanto trancava a porta:
–O que você disse que eu era, Giulia?
PDV — Giulia
Eu tinha de falar sem pensar? Merda, merda, merda.
Ele se virou para mim.
–Vai me fazer repetir, Giulia? – perguntou novamente.
Engoli seco.
Ele ergueu as sobrancelhas:
–Um gato comeu sua língua, princesa? Se arrependeu? – o sarcasmo era ridiculamente explícito na sua voz.
Não conseguia falar nada, nem me mexia. Victor me fez sentir observada por um leão caçando: se eu fizesse qualquer movimento brusco, ele pularia na minha jugular.
Ele se aproximou de mim, afagou meu rosto de maneira delicada e declarou, com a voz aveludada:
–Você foi uma menina muito má.
Meus olhos ficaram vidrados nos dele.
–Eu só... – engoli seco de novo. Seus olhos ainda prendiam-me. Ele continuava a se aproximar do meu corpo. – Eu só...
–Você só o que, meu bem? – Ele envolveu minha cintura. Meu corpo esta todo tensionado. Ainda não conseguia me mexer. Ele ficou brincando com os botões da minha saia. – Só queria me provocar? Conseguiu.
Ele puxou os botões com maestria, deixando-me de cropped, de lingerie preta com rendas, e de salto.
–Espero que esses botões não tenham saído da saia! – falei, irritada. Ele os puxou de uma forma grosseira.
Ele me trouxe para bem colado de seu corpo, e, com o mesmo tom aveludado de momentos antes, comentou:
–Não era essa a sua fantasia, princesinha? Roupas rasgadas, hematomas nessa sua linda pele de porcelana, e você como minha submissa?
Fiquei perplexa. Ele estava certo.
–Como...? – questionei, num fiapo de voz.
Ele tirou meu cropped sem olhar para o zíper. Ele foi parar em algum canto do quarto.
A minha excitação era tamanha que o vinho começou a queimar no meu estômago.
Victor puxou meu cabelo pela nuca, mantendo-me firme onde eu estava. Então, aproximou sua boca da minha orelha, mordiscou-a, e murmurou:
–Não foi tão difícil... Eu conseguia ver através de seus olhos verdes, a malícia queimando por trás dessa sua cara de santa do pau oco. – sua mão que estava na minha cintura começou a descer pela minha barriga. – Você já foi assunto de mesa de bar, entre eu e meus colegas de trabalho, sabia? Essa sua cara de santa não enganava a mim, mas a alguns outros, sim. Eles achavam você meio puritana e bobinha, rostinho de menina, corpo escondido pelo uniforme... Também pudera, esses seus olhos grandes podem enganar aos desavisados, inexperientes, ou desatentos, mas não a mim: eu discordei deles... Algo dentro de mim dizia o quanto você deveria ser quente e insaciável entre quatro paredes... Uma mulher sem frescuras nem pudores. Também tenho fantasias com você, Giulia... – Victor colocou a mão na minha boceta e começou a me masturbar por cima da calcinha.
Soltei um gemido.
–Há quanto tempo que você não faz sexo? – ele perguntou.
–Tem um tempo... – consegui responder. – Terminei um namoro e tinha o ENEM...
–Ah, então vamos resolver esse nosso problema agora. Também tem um bom tempo que não faço sexo, minha esposa não é muito presente.
Tudo a minha volta girou.
Victor me beijou com uma ferocidade enorme. A língua dele explorava minha boca por inteiro. Seu beijo tinha ritmo. Rima. Métrica. Era uma poesia profunda e lenta, mesmo sendo selvagem. A lascívia nos transportou para um clima denso e sensual.
Paramos por um breve momento, e eu disse:
–Won’t you give me something to remember? ¹
Ele sorriu, e arranquei os botões de sua blusa com um puxão grosseiro. Seu sorriso se alargou. Ele tirou a calça, os sapatos e as meias. Nos encaramos por outro intervalo. Victor assumiu o papel de macho alpha. Ele me segurou com mais força. Meus olhos ficaram vidrados em sua expressão. Ele impunha um controle absurdo sobre mim. O que ele me mandasse fazer, provavelmente, eu faria. Tentei tocá-lo. Ele deu um tapa na minha bunda.
–Não me toque até que eu permita. – disse. – Agora, deite na cama.
O fiz sem dizer uma palavra sequer.
Olhei, curiosa, para ele. Victor se deitou sobre mim, me beijando de forma lenta, chupando minha língua de leve. Ele deixou que colocasse as minhas mãos na sua nuca, puxando seu cabelo, querendo o mais perto. Então, quando viu que eu estava sem fôlego, começou a descer pelo meu pescoço, sugando minha pele com força. Gemi, e ele continuou a descer até chegar ao meu sutiã. Vitor o tirou de forma rápida e fácil, jogando em algum lugar do quarto. Ele brincou com um de meus seios enquanto passava a língua e mordia o mamilo. Outros chupões que deixariam hematomas. Eu arfava, fazia um tempo que não era tocada assim, com tanta maestria. Depois, foi descendo pela minha barriga, até chegar à minha calcinha.
Victor a rasgou num puxão.
Arfei violentamente enquanto sentia o tecido se desfazer na minha pele.
A essa altura, minhas mãos estavam em seu cabelo enquanto ele me torturava com sua língua. Meu clitóris implorava por atenção.
Meu corpo se contorcia em tremores. Minha boca soltava gemidos altos. Eu estava muito excitada.
–Você está muito molhadinha... Além de ser uma delícia. Goza pra mim, vai. – disse, num sussurro rouco.
Victor usava o dedão para brincar com meu clitóris enquanto me fodia com dois dedos.
Gozei dizendo seu nome.
Eu estava inchada e sensível, mas ele continuou. Outro orgasmo tomou conta do meu corpo, de maneira mais arrebatadora que o primeiro. Era como uma corrente elétrica se propagando, deixando-me estupidamente sensível.
–Me fode. – implorei. – Agora.
Victor colocou a camisinha e me fodeu... Arranhei suas costas, mordi seu ombro para não gritar. Ele puxava meu cabelo, me dava uns tapinhas na bunda.
Sairíamos destruídos para dizer o mínimo.
O homem sabia como foder.
Chegamos ao clímax juntos, grunhindo.
E por horas a fio, fizemos sexo como animais no cio – mais selvagem, só se fôssemos leões se atracando, ou melhor – um leão atacando uma presa.
Durante aquele tempo, eu não lembrava das sábias palavras de minha mãe, nem de minha hipocrisia. Não lembrava que ele era um homem casado. Que eu deveria ter dito não. O cheiro do sexo que fazíamos inundava o quarto tais quais nossos inúmeros ruídos de prazer. Eu, simplesmente, não conseguia manter-me racional. Meus instintos animais vinham à tona de maneira inesperada e incontrolada.
Sabe qual o outro problema? Às vezes, não conseguimos resistir aos erros. Errar é, inevitavelmente, a natureza humana. A verdade é que, às vezes, eles beijam bem e são cheirosos. Têm pegada. Têm papo. Mesmo sendo erros, são deliciosos de cometer.
*
Não sabia quanto tempo tinha passado. Só sabia que estava numa cama com Victor ao meu lado. Eu tentava recuperar o fôlego. Ele também.
Ainda estava zonza por tudo que tinha acontecido. Meu corpo estava um pouco dolorido. Ignorei essas dores e fui atrás de minhas roupas. Lembrei-me de minha calcinha rasgada e corei. Victor notou:
–Por que você ficou vermelha?
–Eu estava procurando minha calcinha e me lembrei do destino que você deu a ela. – dei risada. Ele me acompanhou.
Vesti minhas roupas e comentei que iria pegar um taxi. Victor revirou os olhos:
–Não precisa, Giulia. Posso te deixar em casa. Eu não vou te tratar como qualquer uma.
Trocamos um olhar surpreendentemente íntimo e desnecessário. Porém, pude ver sua alma. Ele estava atormentado. Algo o incomodava profundamente – e não era a traição.
–Meio irônico você falar isso, não acha? – respondi. – Logo para mim, que sei do seu estado civil, sou sua ex-aluna, conheço algumas histórias sobre você e sua fama de Don Juan... Não precisa pagar de cavalheiro, na boa. Já realizamos nossas fantasias, podemos seguir em frente.
–Isso não me impede de te dar uma carona. – insistiu.
Declarei essa batalha por perdida. Aceitei a maldita carona. Agradeci de um jeito sincero. Victor apenas sorriu.
Estávamos exaustos pra cacete.
*
Quando cheguei a minha casa, todos estavam dormindo... Meu pai, minha mãe e minha irmã estavam num sono profundo. Olhei-me no espelho de corpo inteiro do banheiro. Hematomas começavam a brotar na minha pele branca como marfim. Marcas de dentes ameaçavam ficar mais evidentes. Marcas de mãos na minha bunda.
Que noite. – pensei, com algo que não identifiquei. Seria satisfação? Eu estava satisfeita?
Victor sabia como agradar uma mulher. Que pena sua esposa não sabia aproveitar aquele homem cujas habilidades entre quatro paredes eram tão... Tão... Tão...
E não encontrei palavra para descrevê-lo.
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