Além do que já notei
6 Decepções. Um novo começo.
Melody estava aflita, mas procurou se acalmar. Eles chegaram à lanchonete e se sentaram.
– Tomei a liberdade e pedi um suco para vocês. – Disse Lawrence.
– O que aconteceu amor?
– Vou ser bem direto com vocês, vou me mudar pra outro país.
Todos se assustaram e começaram a falar tanto que nem dava pra entender.
– Silêncio, galera. Já sei as perguntas então vou as responder. Sobre a banda, se vocês quiserem tem a autorização de mantê-la sem mim.
– Mas você é o líder da banda e o vocalista! – Retrucou Emily.
– Eu sei, por isso estou dando permissão, mas sinceramente acho que a banda não deveria acabar. Já chegamos muito longe pra isso. E Melody, acho que você já sabe... Perdoe-me.
Os olhos de Melody começaram a se encher de lágrimas.
– Me deem licença, preciso ir ao banheiro. – Saiu apressada e Emily foi atrás. Lawrence então disse a Jason:
– Você é o líder da banda agora e eu conto com você. Aliás, sempre soube que você sente algo pela minha namor... pela Melody. Cuide bem dela, deixo em tuas mãos duas das coisas mais importantes para mim. Apesar de você não gostar de mim, você é uma das poucas pessoas em qual confio. Obrigado, por tudo.
Ele então se levantou e saiu, só restando Jason na mesa que ficou pensando no que Lawrence teria acabado de dizer, mas foi por pouco tempo até que Emily e Melody apareceram.
– Cadê ele? – Perguntou Melody.
– Já se foi... – Disse Jason, abaixando a cabeça.
– E você deixou?! Como você pode deixar?!
– Pare Melody. Não íamos poder fazer nada. – Disse Emily – Temos que resolver o que vamos fazer com a banda.
– Banda?! Sério, eu estou com meu coração ao meio e você vem me falar de banda?
Emily segurou o ombro de Melody brutalmente.
– O mundo não gira ao torno de você. Você sabe que você não é a única que ficou decepcionada e eu até entendo sua dor, mas para! Temos que tentar salvar pelo menos o que pudermos.
Emily soltou Melody e concluiu:
– Quero vocês às 19h na casa de Jason, certo?
E saiu da lanchonete. Melody saiu logo em seguida e Jason também, conseguindo escutar quando já estava longe:
– Ei, o suco de vocês!
Melody chegou a sua casa às 13h e 30 minutos e novamente foi para seu quarto onde chorou até cochilar. Quando acordou já eram 14h e 49 minutos, então se levantou e saiu correndo.
– Achei que não viria. – Disse ela, sorrindo.
– Por incrível que pareça, gostei daqui. – Sorriu Melody.
– Já se recuperou daquilo?
– Um pouco.
– Okay, então vamos treinar.
Melody e Emily seguiram pela floresta.
– Melody, prepare-se.
Ela deu alguns passos para trás.
– Vai!
Melody correu e atacou perfeitamente, deixando Emily boquiaberta.
– O que foi? – Perguntou Melody, envergonhada.
Emily deu um riso baixo.
– Normalmente nesse mundo, pessoas com um estado emocional crítico lutam pior do que quando estão normais, mas com você aconteceu exatamente o contrário. Foi um excelente ataque. – Emily sorriu, e logo depois cochichou – Então os boatos devem ser reais...
– O que?
– Nada. Bom, vou me sentar. Mate 5 monstros e começaremos a estudar magia.
Elas prosseguiram com o treinamento, com a Emily avisando quando o monstro estivesse chegando. Melody ficou ofegante.
– Estou cansada.
– Tsc tsc, iniciantes. Pegue.
Emily jogou um potinho e Melody pegou.
– O que é isso?
– Bebe, é uma poção mágica. Jhon a fez.
Ela bebeu e se impressionou, pois já não se sentia mais cansada.
– Agora vamos para a minha casa.
– Não íamos estudar magia?
– Sim, mas sua espada é diferente da minha. A minha é Brilho do luar enquanto a sua é a Fúria negra. São magias diferentes e eu não sei quase nada sobre sua espada então precisamos estuda-la.
– Ah... Tudo bem.
– Vila dos elfos, casa dos...
– Eu sei seu sobrenome.
– Certo.
Logo se teletransportaram.
Venha.
Melody seguiu Emily até uma casa de madeira.
– Bem, é aqui.
– Sua casa é legal.
– Entre.
Elas entraram e Melody acompanhou Emily até seu quarto.
– Este é meu quarto. Por favor, não tocar em na...
Melody estava mexendo em uma espada.
– Isso é incrível! Olhe quantas coisas você tem aqui... Quantas espadas, livros, escudos, poções... Isso é realmente esplêndido!
– Não adiantaria pedir pra você não mexer mesmo... Bem, vou pegar o livro.
Emily disse se direcionando ao guarda-roupa, e pegando um pequeno baú.
– Por que você o guarda aí? – Perguntou Melody, curiosa.
– Sua espada é uma espada lendária.
– LENDÁRIA?
– *cof cof* Continuando. Sendo lendária, achei que seria bom guardar as informações sobre ela de forma que a estivesse valorizando. Agora se sente. Têm alguns mangás ali – Disse ela apontando para um armarinho – Fique a vontade.
Melody entendeu que Emily queria silêncio para estudar a espada. As duas ficaram mais ou menos duas horas “silêncio” (quase silêncio, pois de vez em quando Melody gargalhava com algo que lia no mangá e Emily sempre sussurrava coisas como “hm...”, “interessante”, “inacreditável”, “nossa”) até que:
– Bom, vamos voltar para a floresta. Temos mais ou menos meia hora para testarmos a espada.
– Só?!
– Ué, 17h 56 agora, temos que ir à casa de Jason ainda e supondo que você queira se arrumar antes disso... Ah, me esqueci de dizer, não venha e nem saia desse mundo de armadura.
–Mas como farei?
– Espere. – Emily foi vasculhar dessa vez em uma caixinha em cima da mesa – Tome.
– Um anel?
– Sim, um anel de disfarce. Você pode o usar como quiser pra se disfarçar.
– Você não o usa?
– Não, eu tenho essa magia aperfeiçoada como um poder meu, então não preciso.
– Hm...
– Ah, aqui nesse mundo dura cerca de 3 horas. No mundo humano, já que não é mundo mágico e, portanto não permite muita magia, dura uma hora e meia.
– E como você faz?
– Como meu poder é aperfeiçoado e não vem de um anel, ele é bem mais amplo. Sendo mais amplo, dura mais. Aqui no meu mundo ele dura 1 mês, e no seu 2 semanas.
– Uma hora e meia pra 2 semanas... Uau.
– Já perdemos 5 minutos aqui, vamos. Lembra aonde é?
– Primeiro portal ao lado da pedra grande.
Emily riu.
– Não é esse nome!
– Eu usei e funcionou...
–- Não acredito que funcione, mas use esse então.
– Certo.
Logo as duas se teletransportaram.
– E não é que funciona mesmo?!
– Eu disse que funciona, Emily...
– Pois bem, pegue sua espada.
Melody a sacou da bainha.
– Quando avistar um monstro, diga “raios melícoros” e ataque como se fosse lutar corpo á corpo.
– Certo.
– Se prepare, ele está vindo. Raio melícoros, não esqueça.
A árvore gritante se aproximou.
– Raios melícoros!
Melody foi atacar, mas antes que chegasse perto da árvore, da ponta de sua espada foram lançados raios de diversas cores, matando de imediato o monstro.
– O que foi isso?
– Seu poder. Esse é o mais simples da sua espada.
– Uau! É incrível. Mas sinto como se tivesse atacado 10 vezes um ataque comum.
– Esses poderes sugam a energia. Pegue.
Emily jogou um saquinho com pequenas balas dentro.
– O que é isso?
– Funciona como a poção só que a poção é para ferimentos e cansaço físico. Este cura o cansaço feito por usar magias.
Após ouvir Melody resolveu experimentar.
– Inacreditável.
– Bem, treinaremos apenas esse poder hoje.
– Certo.
Elas continuaram no mesmo esquema e quando deu 6h e 30 minutos, pararam.
– Vou para minha casa me arrumar, te encontro lá Melody.
– Certo, mas como uso esse anel?! Afinal, terei que usá-lo, não?
– Oh, sim. Apenas feche seus olhos e pense no que quer vestir, com as mãos sobre o anel.
– Posso vestir qualquer coisa?
– Sim.
– Certo.
Melody fechou seus olhos.
– Ah, que amor. Um vestido.
– Sempre quis um desses.
– Pra você desfazer o feitiço, é só por a mão sobre o anel e pensar em “desfazer”. Até daqui a pouco.
– Até.
Emily se teletransportou e logo depois, Melody foi para o mundo humano.
Em pouco tempo, ela já estava em sua casa. Chegou mais cedo por ter ido mais rápido do que o normal, com medo de que o feitiço acabasse. Chegou, desfez o feitiço, se trocou e quando terminou de se arrumar já eram dezenove horas. Ela saiu às pressas de sua casa com o baixo nas costas e acabou encontrando Jason e Emily no caminho.
– O que fazem aqui?
– Sabíamos que você iria se atrasar, portanto viemos ao seu encontro. – Disse Emily dando um pequeno sorriso.
– Ah! Me perdoem, é que...
– Já sabemos, você dormiu e acordou atrasada. – Emily deu uma piscadela.
– Oh, sim. – Melody riu um pouco constrangida.
– Bem, vamos voltar então para casa de Jason.
– Certo.
Eles caminharam um pouco e sem demorar muito, logo chegaram.
– Onde estão as coisas? – Melody perguntou.
– Estão na garagem.
Sem falar nada, todos seguiram até lá. Chegando, Melody foi a única a fazer algo que foi tirar seu baixo da capa e o ligar ao seu amplificador que até a noite passada estava na casa de seu ex-namorado. Todos ainda estavam um pouco ressentidos pela perda do integrante da banda e todos, apesar de não admitirem, estavam com medo do que aconteceria com a banda. Melody sentou e passou a afinar o contrabaixo. Os outros dois apenas sentaram. Melody terminou de afinar e todos ainda permaneceram sentados. Parecia que algo tinha morrido, mas eles não sabiam o que. Não sabiam como começar aquilo sozinhos. Lawrence fazia mais falta do que podiam imaginar. De um modo imediato, Emily criou coragem e se levantou. Então cortou o silêncio e os outros olharam assustados. Talvez tivessem esquecido que isso era possível – acabar com o silêncio. Ela disse:
– Galera, que clima é esse?! Isso não está certo.
Os dois logo abaixaram a cabeça sem dizer nada.
– Poxa, só perdemos um integrante, não é o fim do mundo!
Jason então respondeu:
– Acontece que era o líder da banda. Quem dava a iniciativa, quem fazia tudo.
Emily fungou.
– Você acha que sozinho ele iria conseguir o que conseguimos juntos?
O silêncio novamente voltou e Emily prosseguiu:
– Somos tão importantes quanto ele. Podemos continuar, só depende de vocês.
– Não temos vocalista. – Jason retrucou.
– A Melody canta, e muito bem.
– O que?! – Dessa vez foi Melody quem retrucou – Não, não canto!
– Ah, você canta. E se realmente quer que a banda continue, fará isso.
Melody prosseguiu silenciosamente, então Jason disse:
– Mas então, quem ficaria no baixo?
– A própria Melody. Não são apenas guitarristas que podem ser vocalistas.
Jason concordou com a cabeça, Emily continuou:
– Falando em guitarrista, podemos arranjar outro, assim você poderá solar mais, não tendo como base apenas Melody ou eu.
Pela primeira vez desde que entraram na garagem, alguém sorriu. Não foi um sorriso em que se mostrassem os dentes, mas de qualquer forma, Jason sorriu. Melody, com voz baixa, disse:
– Não sei se consigo pessoal.
Emily então se sentou ao lado de Melody.
– Estaremos com você nas suas falhas e nas suas conquistas. E você vai conseguir, sabe por quê? Por que acreditamos em você.
Emily viu uma lágrima caindo do olho de Melody, e então lembrou o quando ela era sentimental e que não devia tentar força-la a algo que não queria fazer, mas quando ela ia dizer algo, Melody surpreendentemente disse:
– Vamos então. – E deu um pequeno sorriso, enxugando os olhos. Os outros dois também sorriram.
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