Além do Horizonte
1 Capítulo 1
Notas iniciais
- Heather. Antes de voltar para o meu barco, eu queria te agradecer.
- Agradecer-me, por que?
- Quando eu a conheci eu tinha um escudo em volta do meu coração, havia perdido minha crença na humanidade. A única verdade que eu sabia era a ciência empírica. Eu só queria agradecer-lhe por abrir meu coração. Através de você eu aprendi a amar alguém.
- Sara...
- Ela restaurou minha fé no ser humano. Além disso, me ajudou com minhas palavras cruzadas. Ela está sendo minha melhor amiga. Vou sentir falta dela, pelo resto de minha vida...
Sara ouviu as palavras dele com atenção enquanto uma lágrima descia por sua face.
Ele a amava!
Deixara isso bem claro com sua conversa com Heather, mas por que não falara diretamente para ela?
Ela sabia de seu amor, é claro, mas era sempre bom ouvir as palavras da boca dele. O conhecia muito bem, passara os últimos dezesseis anos aprendendo a ler suas expressões e olhares. E no momento em que se encontraram novamente, alguns dias atrás, ali mesmo no Lab, e seus olhares se encontraram ela soube que o amor que sentiam um pelo outro estava ali, inabalável.
Não tiveram conversas pessoais naqueles dias, porém tudo o que falaram sobre o caso cabia uma segunda interpretação que se encaixava exatamente na situação em que seu relacionamento se encontrava.
Ela lhe lançou muitas farpas, as quais ele recebia com paciência, um dar de ombros e um olhar de compreensão. Grissom sabia que ela estava com raiva e muito magoada e permitiu que ela finalmente jogasse todos esses sentimentos em cima dele.
Mas a raiva evaporou quando ela o ouviu contar a triste história da baleia solitária, ele não falava apenas do grande mamífero, estava falando de si mesmo, de como se sentia e ela percebeu que ela também podia comparar sua vida com a do animal. Os dois se amavam loucamente, mas pareciam estar sempre fora da frequência um do outro.
Olhou em torno de sua nova sala. Havia conseguido o cargo mais alto do Laboratório, estava realizada profissionalmente. No entanto, de que adiantava aquilo se não compartilharia sua conquista com quem amava?
A verdade é que ela era, em grande parte, culpada pela separação deles. Há muitos anos voltara a Vegas apenas para ajudar os amigos em um momento de crise e acabara se deixando levar para uma vida que a afastava da pessoa com quem realmente queria estar.
Agora ela conquistara tudo em sua carreira, mas sua vida pessoal era um grande vazio. E de repente percebeu que nada daquilo importava, não se a mantivesse mais uma vez longe do amor de sua vida.
Finalmente tomou sua decisão. Saiu da sala e foi em busca do Xerife para abdicar do novo cargo. Quando conversou com Ecklie ele não pareceu surpreso, compreendeu a situação e lhe desejou boa sorte em sua nova vida.
Então, voltou para sua sala pegou suas coisas e reservou um voo para San Diego. Foi até o vestiário esvaziar seu armário e sorriu ao pensar que desta vez seria definitivamente. Estava terminando de arrumar suas coisas quando Cath, Greg e Morgan apareceram.
- Hei Sara. Que história é essa que você está deixando o Lab? – Perguntou Cath.
Sara a olhou e percebeu seu sorriso compreensivo, sorriu para eles.
- Sim, estou indo. Meu tempo aqui acabou.
- Mas Sara você acabou de assumir um cargo pelo qual sempre trabalhou – argumentou Greg e então seu semblante mudou, quando ele entendeu seus motivos. – É por ele, não é?
- Sempre foi por ele Greg, desde que coloquei meus pés nesse lugar. Sempre foi por ele.
Cath se aproximou e a abraçou forte.
- Eu quero que vocês dois sejam muito felizes. Vocês merecem isso – desejou Cath soltando-a em seguida.
Então foi a vez de Morgan a abraçar.
- Eu vou sentir sua falta, mas esse lugar nunca foi páreo para o amor que vocês têm um pelo outro. Eu percebi isso no momento que os vi juntos.
Sara sorriu para a amiga que se afastou para que Greg tivesse sua vez.
- Eu espero que ele te faça muito feliz agora, por que se ele magoar você de novo, vou quebrar a cara dele.
Sara olhou para ele percebendo a seriedade por trás daquela declaração mesmo que todos estivessem rindo.
- Obrigada gente. Vocês sabem que são minha família e que eu amo vocês. Prometo que viremos visita-los de vez em quando. Agora preciso ir. Até mais...
- Até mais – responderam juntos.
.......................................................................
Ela chegou a San Diego no final da tarde, pegou um taxi no aeroporto e foi direto para o ancoradouro onde sabia que ele estaria. Desceu do táxi e inspirou profundamente o delicioso cheiro do mar, tirou os óculos e localizou ao longe o barco dele, então foi em sua direção.
Seu coração batia tão rápido que parecia querer saltar do peito a cada passo que dava. A distância viu ele preparando o barco para zarpar. Grissom não a viu de imediato e ela pode observa-lo.
A certeza de que estava fazendo a coisa certa inundou seus pensamentos até o momento que ele se virou e a encarou. Seus olhares bloquearam, seu coração falhou uma batida e voltou a bater loucamente.
Viu ele suspirar, como se estivesse prendendo o fôlego por um longo tempo e agora finalmente pudesse voltar a respirar. Com seus olhos presos aos dele ela se aproximou, pegando a mão que ele lhe oferecia.
Ao entrar no barco as mãos dele foram parar em sua cintura para ajudá-la a entrar e Sara sentiu seu corpo estremecer com o toque carinhoso e possessivo.
Eles se olharam por um momento dizendo tudo com os olhos e ela sentiu as lágrimas nos seus, deu um pequeno sorriso e acariciou aquele rosto que tanto amava. Então se abraçaram, com uma emoção tão profunda e forte que pareciam querer fundir seus corpos.
Deus! Ela sentira tanta falta do calor do corpo dele junto ao seu, da barba por fazer roçando seu rosto, de seu cheiro e do jeito como ele enterrava a cabeça em seu pescoço para inspirar seu cheiro.
O abraço durou um longo tempo, nenhum dos dois queria se afastar, aquele era um momento de reencontro, de amor profundo e principalmente de perdão. Se afastaram apenas o suficiente para seus olhos voltarem a se encontrar. Grissom acariciou seu rosto com um toque leve, cheio de carinho, com um olha de admiração.
- Finalmente... – ele sussurrou com lágrimas nos olhos. – Meu lar...
Então seus lábios se encontraram em um beijo, suas línguas se tocaram degustando o sabor um do outro novamente e eles só se afastaram quando o ar se fez necessário. Suas testas se tocaram enquanto acalmavam a respiração ofegante.
- Por Deus, como senti sua falta, Sara.
- Eu também senti sua falta, amor.
Ele sorriu amplamente, ela o chamando de amor era música para seus ouvidos.
- Você vai comigo? – Perguntou, ansioso.
- Para onde quer que você vá! – Respondeu com um sorriso tão grande e brilhante quanto o dele.
Grissom não resistiu e a beijou novamente com todo amor e paixão de seu ser. Em seguida puxou-a para a cabine de comando e em instantes o barco deixava o ancoradouro e partia em direção ao lindo pôr do sol que se descortinava diante deles.
Ela entrelaçou o braço no dele e deitou a cabeça em seu ombro enquanto ele pilotava com destreza. Não sabia para onde estavam indo e não se importava, o importante era estar com ele. Durante a viagem queria apenas aproveitar a companhia um do outro, por isso conversaram pouco.
Já era noite quando ele levou o barco em direção a costa e Sara pode reconhecer o lugar onde estavam. San Francisco. O lugar onde tudo começou. Ela o olhou e viu um sorriso de felicidade brincando em seus lábios.
- Por que aqui? – Perguntou Sara.
- Por que foi aqui que me apaixonei por você e é para cá que volto sempre que a saudade que sinto de você se torna insuportável. E tem uma coisa que quero lhe mostrar, também.
Eles ancoraram e Grissom amarrou a embarcação ao cais. Então pegou suas coisas e ajudou-a a sair para o ancoradouro. De mãos dadas caminharam em silêncio em direção a saída do porto. Entraram em um táxi disponível e partiram em direção ao endereço que Grissom passou ao taxista.
- Para onde estamos indo? – Perguntou Sara.
- Você verá – respondeu ele sorrindo, misterioso.
O taxi entrou em uma estrada costeira, subiu uma pequena colina e em instantes parou em frente a um lindo chalé de madeira em meio as árvores. Descendo do carro, Sara admirou a construção, encantada.
- Nossa Griss, é lindo!
- É nosso – ele acrescentou e viu o olhar dela se voltar para ele com espanto. – Venha conhecê-lo por dentro – puxou-a pela mão em direção a porta.
Eles entraram e Grissom a ouviu ofegar diante da decoração. O lugar era simples, de madeira sólida e muito aconchegante. Ele o havia decorado com móveis simples e rústicos, mas sobre paredes, as estantes e mesinhas havia diversas fotografias deles juntos e dela sozinha. Aquele era o único jeito de tê-la sempre por perto até aquele momento.
- Griss... – sussurrou emocionada, olhando para as fotos. – Por que...?
- Eu precisava de você sempre por perto – ele sorriu timidamente erguendo uma sobrancelha, uma expressão encantadora que ela tanto amava. – Venha, vou lhe mostrar o restante da casa.
Sara aceitou a mão que ele lhe estendia e foram para outro cômodo, era a cozinha. Embora os armários fossem de madeira rustica os equipamentos e utensílios eram muito modernos e práticos o que criava um contraste muito elegante.
No andar de baixo ainda havia um banheiro completo e um deck de madeira que percorria toda a extensão dos fundos da casa. Eles subiram as escadas e Sara descobriu que havia apenas uma enorme suíte lá em cima.
O quarto enorme, com uma cama king zize tão grande como ela jamais havia visto. Um closet que caberia roupas de uma família inteira e um banheiro que parecia ter sido tirado de uma revista de decoração. A banheira tinha espaço para pelo menos umas quatro pessoas e o chuveiro era duplo. E assim como no andar de baixo havia muitas fotografias deles.
Grissom a levou em direção a porta-janela e saíram para o deck superior que acompanhava a extensão do que havia no andar debaixo e ela viu a vista que se descortinava diante de si.
Na escuridão da noite ela podia ver a ponte Golden Gate toda iluminada, lançando sua luminosidade sobre o estreito e notou que de onde estavam dava para ver o exato lugar que ela o levara para ter a melhor vista da ponte quando se conheceram muitos anos atrás. Eles haviam passado horas naquele lugar conversando e depois que ele partira de volta a Vegas ela fora ali muitas vezes.
- Griss, ali... – ela apontou maravilhada.
- Sim.
- Como descobriu esse lugar?
- Eu estava lá embaixo um dia, sentado no nosso lugar pensando em você, em nós. Então decidi fazer uma caminhada e encontrei essa casa à venda. Antes mesmo de saber dessa vista eu a quis, era perfeita. Um lugar para voltar quando precisava me sentir perto de você. Comprei no dia seguinte e tive essa bela surpresa quando entrei pela primeira vez. — Ela não precisava saber das muitas horas que passara sentado ali, olhando para aquela vista enquanto chorava lembrando de seus momentos juntos. – Sara... eu soube... o que aconteceu com você – disse olhando-a nos olhos, estava pálida com a expressão assustada.
- O que...? Quem? – Balbuciou.
- DB, ele me contou pouco antes de partir. E foi por isso que não pedi que você me desse outra chance, por que eu não a mereço. Eu nem sei se você poderá me perdoar um dia, eu...
- Griss – interrompeu ela. – Eu já perdoei você. Eu estou aqui.
- Mas não deveria me perdoar. Não assim. Deveria me fazer implorar por seu perdão, deveria...
- Você implorou Gil – ele a olhou confuso e ela sorriu suavemente para ele. – Cada vez que você me olhou nos olhos nos últimos dias, você me implorou seu perdão. Todas as vezes que me deixou despejar minha mágoa e raiva sobre você, você implorou meu perdão. Todas as vezes que estávamos juntos travava, sem conseguir dizer nada e apenas me olhava, você implorava o meu perdão.
- Como você...? – Ele suspirou.
- Como eu sei? – Continuou ela. – Eu passei os últimos dezesseis anos da minha vida amando você loucamente, conheço todos os seus olhares, todos os seus sorrisos, todas as suas caretas – ela riu. – Então acredite, eu sei.
- O que eu fiz para merecer você?
- Você me amou, Griss – disse simplesmente.
- Eu amei, amo e vou amar você para sempre, Sara.
Ele viu as lágrimas encherem seus olhos e uma viajar por sua face, estendeu a mão acariciando seu rosto e enxugou a pequena gota.
- Eu também amo você Griss, desde a primeira vez que eu o vi naquele seminário e vou amar você para sempre.
Ele a trouxe para seus braços e a beijou com paixão, todos os seus sentimentos estavam naquele beijo. O sabor dela era impecável como um manjar dos deuses. Entrelaçando suas línguas a saboreou por longos minutos.
Sentiu seu corpo reagir, estava tempo demais ansiando por sua mulher. Depois da última vez que fizeram amor ele voltou para sua expedição satisfeito e feliz, mas em seguida os problemas começaram a afetar seu casamento. A falta de tempo para ele ir até ela e para ela ir até ele, a pouca comunicação nos raros telefonemas em que conseguiam se falar.
Logo depois tomou a decisão de deixa-la para que fosse feliz e então, o divórcio. Desde então, ele se tornou novamente um homem de hábitos solitários e nenhuma mulher lhe interessava. Só pensava em Sara.
E agora que a tinha em seus braços novamente queria saborear aquele momento. Afastando seus lábios dos dela, entrelaçou seus dedos e puxou-a para o quarto, parando ao lado da cama.
Fitando-a profundamente ele tirou sua jaqueta e em seguida a camisa que ela usava por baixo. Inclinando-se para ela traçou uma vagarosa trilha de beijos do seu ombro até seu pescoço delicado. Fez o mesmo do outro lado e observou seu rosto por um instante, os olhos fechados, a boca entreaberta em um suspiro de prazer, então tomou seus lábios novamente.
Sentiu as mãos dela em sua nuca, acariciando seus cabelos e depois descendo para abrir sua jaqueta, que num instante foi ao chão, em seguida foi a vez de sua blusa de botões, que ela desfez um a um, muito concentrada na tarefa de despi-lo.
Sara pousou as mãos sobre o peito firme dele, a vida ao ar livre havia favorecido muito a ele, mantendo seu corpo forte, embora não com a definição de um atleta, ele continuava delicioso. Suas mãos desceram pelo abdômen e pararam em sua cintura larga.
Ela desabotoou sua calça e abriu o zíper, empurrando-a para baixo passou as mãos sobre as nádegas perfeitas que sempre a encantaram. Grissom a beijou e deitou-a na cama e retirou o restante das roupas dela com uma lentidão que só atiçava ainda mais o fogo que a consumia.
Olhou para a boxer que ele usava e sorriu, era sua cor preferida para as cuecas dele. Branca. Que evidenciava sua enorme e perfeita ereção, deixando-a louca para tê-lo dentro de si. Ele acompanhou seu olhar e também sorriu.
- Você mantém seu poder sobre mim mesmo à distância – murmurou deitando ao lado dela.
Grissom desceu a boca sobre a dela e depois de um longo beijo, deslizou seus lábios para seu pescoço, seguindo para os seios maravilhosos que ele adorava com suas mãos e boca. Ele mordiscou, sugou e lambeu cada um de seus montes enquanto suas mãos percorriam o corpo dela com habilidade e conhecimento.
Sara se contorcia sob ele absorvendo todo o prazer que ele lhe proporcionava. Ele sempre foi o único que conseguia despertar todo aquele desejo nela, tentara esquecê-lo depois do divórcio, se distraindo com outros homens, mas tudo o conseguira foram beijos sem emoção, nunca passara disso, por fim desistira resignando-se a ficar sozinha.
Ele ergueu-se um instante para se livrar de sua boxer e voltou a deitar-se sobre ela, fazendo uma trilha de beijos sobre seu abdômen, passando pelo umbigo e finalmente entre suas pernas. Queria saboreá-la, dar tudo de si a ela, fazê-la completa e feliz.
- Griss... – ela gemeu e afundou uma mão em seus cachos grisalhos enquanto a outra retorcia o lençol.
A respiração dela engatou quando ele passou a brincar com a língua em sua intimidade quente e molhada. Ela estava extremamente excitada e isso fez com que sua ereção chegasse ao nível insuportável de excitação, mas ele não parou o que estava fazendo, continuou com suas caricias, usando a língua e os dedos para fazê-la gritar seu nome e por fim atingir um orgasmo arrebatador. Erguendo o corpo sobre o dela a beijou com uma paixão renovada.
- Sara... eu preciso de você.
- Venha para mim, meu amor. Preciso de você dentro de mim.
Ele se posicionou em sua entrada e olhando-a firmemente nos olhos começou a penetrá-la vagarosamente. Ambos gemeram com a sensação de seus corpos unidos novamente, então ele passou a se mover dentro dela com movimentos lentos, nunca deixando seus olhares se desviarem.
Sara deslizou suas mãos por suas costas largas e espalmou suas nádegas, puxando-o mais e mais para dentro de seu corpo a cada estocada. Grissom só acelerou o ritmo quando sentiu que estavam perto do orgasmo, que chegou junto para os dois, fazendo explodir dentro deles um prazer que nunca haviam sentido antes.
Ele se agarrou a sua boca naquele segundo prolongando as ondas de prazer que percorriam seus corpos suados, juntamente com o, agora, lento balançar de seus quadris. Com suas respirações ofegantes ele saiu de dentro dela, rolou para o lado e trouxe-a para seus braços.
- Senti tanto sua falta Gil – Murmurou ela erguendo os olhos para ele.
Grissom acariciou sua face, observando cada detalhe de seu rosto.
- Não mais do que eu senti a sua, querida.
- Você não vai mais me deixar, não é?
- Nunca mais, chega de ser estúpido. Eu prometo. Eu amo você.
-Eu amo você, Gil.
E ele a beijou selando seu felizes para sempre. Finalmente!!!
Fale com o autor