Além do Fraternal

8 8. Quando há amor...


Notas iniciais
Oiiiii, voltei. Desculpa ter sumido por um tempo, fiquei sem internet novamente, mas aqui estou eu, com um novo capítulo. Queria muuuuuuuito agradecer quem comentou, obrigada.

No dia seguinte, quando abriram os olhos e se depararam um com o outro, coraram. Estavam deitados um de frente para o outro. Violetta sorriu e disse:

_Bom dia.

_Bom... Não.

Ele se sentou e a ficou observando com a cara emburrada. Violetta o olhou intrigada e perguntou:

_O que foi?

_Quero saber o que realmente aconteceu ontem.

_Eu já falei.

_Não acredito.

Ela se sentou também e os dois ficaram em silêncio. Até que a porta do quarto se abriu e Angie entrou com um sorriso no rosto:

_É tão bom ver vocês dois juntos novamente! Fiquei tão feliz quando acordei de madrugada e fui ao seu quarto _ ela apontou para violetta, que tinha um sorriso no rosto._ ver como você estava e você não estava lá. De imediato percebi onde você estava.

Os dois sorriram para ela, que se sentou na beirada da cama. Angie era a melhor mãe do mundo! Compreensiva e amorosa, dosava muito bem os sentimentos que nutria pelos dois, mas ninguém imaginava como aquilo era difícil para ela. Violetta era sua filha de sangue, ela a tinha gerado durante nove e deliciosos meses, ao lado do grande amor da sua vida. Leon era o filho da alma, ela o tinha criado com tanto amor que nunca imaginara poder sentir um dia, ao lado do homem que escolhera para viver pela eternidade. Vendo os dois ali, unidos, ela pensava no quão se sentia realizada.

_Eu detesto ver vocês dois brigando e peço, por favor, que não façam mais isso._ ela disse, com o olhar piedoso.

Os dois se entreolharam e decidiram dar uma trégua. Angie ficou satisfeita e saiu do quarto. Assim que ela saiu, violetta colocou-se de pé.

_Obrigado por ter me deixado dormir aqui.

_Disponha._ ele disse, espreguiçando-se.

Somente naquele momento, ela percebeu que ele estava sem camisa. Corou ao ver aquele peitoral definido. “Credo! Ele é meu irmão!”, ela pensou desviando o olhar.

Sem mais, ela saiu do quarto, deixando Leon sozinho com seus pensamentos e decisões. Antes que desistisse, ele pegou o celular e discou os números de Lara. Do outro lado, ela atendeu com uma voz um pouco sonolenta, mas ao perceber quem era, mudou completamente o tom.

_Eu queria remarcar o nosso encontro para hoje... Pode ser?_ ele perguntou.

_Claro! Diga-me o local e estarei lá.

_Ontem passamos por um pub bem legal, posso te passar o endereço?

Ela aceitou e ele lhe ditou o endereço. Quando desligou o celular, se pegou olhando para sua imagem no espelho. Ele não poderia fazer aquilo com ela... Mas era preciso. Seus pensamentos estavam atordoados e seus sentimentos o confundiam. Céus! Estava mesmo enlouquecendo! Pensou em Violetta e no quanto vê-la beijando outro o afetara. Por quê? “Por que Senhor? Por quê?”. Ultimamente ele sentia coisas que nunca tinha sentido antes, uma necessidade desesperadora de procurar respostas para seus sentimentos.

A tarde chegou rapidamente. Leon passou pela sala, onde Violetta digitava algo no notebook e German e Angie assistiam TV, simplesmente dizendo:

_Estou de saída, volto logo.

E partiu. Angie olhou para Violetta procurando respostas, mas esta simplesmente disse:

_Nem sempre ele me conta os passos dele, mãe.

*-*-*-*-*-*

Leon caminhava pensativo pelas ruas de Manchester. O tempo estava nublado e ameaçava cair mais um temporal como o da noite anterior.

A noite anterior... Não podia falar nela sem se lembrar de Violetta, de como a presença dela na sua cama o afetara e como ele mal conseguiu dormir sentindo o cheiro de flores que emanava do cabelo sedoso dela. Ela parecia tão desprotegida no momento em que apareceu na porta do quarto dele e um instinto protetor praticamente gritou dentro dele assim que ela se deitou ao seu lado, uma vontade de abraçá-la e nunca mais deixá-la ir embora.

A cada dia que passava tinha mais certeza de estava ficando louco. Já havia ouvido histórias de incesto, de amor entre irmãos, mas nunca esperava que isso pudesse acontecer com ele, nunca! Foi criado segundo os ensinamentos de Deus e sabia que incesto estava entre os piores pecados que o ser humano poderia cometer. Ela era sangue do seu sangue, dividiram o mesmo espaço durante nove meses! Deus! Ele tinha que conversar com alguém, tinha que dividir esse sentimento com alguém... Ou tinha que fingir que nada estava acontecendo e que tudo não passava de um amor fraternal muito forte. Escolheu a segunda opção e estava indo, naquele momento, colocá-la em prática.

Chegou ao pub cedo, o que foi bom, por que deu tempo para tomar um café e pensar no que iria dizer. Lara chegou vinte minutos depois, usando um sobre tudo na cor creme e botas. Ele a recebeu com um sorriso e levantou-se para ajudá-la a se sentar.

Pediram chocolates quentes e ficaram comentando sobre como o lugar era aconchegante até os pedidos chegarem e a conversa mudar de rumo totalmente.

_Fiquei surpresa com a sua ligação._ ela disse, provando a bebida.

_Por quê?_ ele não tinha vontade de beber nada naquele momento.

_Ah... Não sei, talvez porque você não faz muito o estilo “te ligo!”... Sei lá.

_Que péssima imagem você tem de mim, então.

Os dois riram e ficaram em silêncio, em seguida. Lara o observava com curiosidade, o que ele queria com ela? Não importava, o foco era que ela tinha, finalmente, a oportunidade de ficar sozinha com ele.

_Eu sinto muito não ter encontrado você ontem.

_Tudo bem, está se desculpando muito bem, aliás._ ela sorriu por cima da xícara e tomou mais um gole do chocolate.

Leon pensou que já era o momento de ir além. Por isso, segurou a mão dela, que repousava sobre a mesa e disse:

_Ainda não conversamos sobre o que houve na sexta.

O rosto de Lara iluminou-se com o belo sorriso que ela abriu. Leon sentiu-se culpado, mas seguiu em frente.

_Foi maravilhoso Lara... Não paro de pensar naquele beijo.

_Eu também não. Na verdade fiquei um pouco preocupada, pensando se você me achou muito atirada, não sei...

_De maneira alguma, se você foi eu também o fui, não?

_Não. Você foi muito educado e amoroso... Eu que praticamente te ataquei!

Leon riu, enquanto Lara se encantava com a beleza dos olhos do rapaz a sua frente. Estava perdidamente apaixonada por ele e não agüentava aquela mesa os separando. Mas seguiu firme. Se rolasse algo, a iniciativa partiria dele.

_Enfim, eu não tenho palavras para descrever como você me faz falta como...

Ele parou de falar instantaneamente. À sua frente, estava Violetta, sorrindo e corada. Seu cabelo lhe caia pelos ombros e seu perfume doce preenchia a atmosfera. Ela o observava com seus olhos castanhos, como se tentasse ler a mente dele, ela sempre fazia isso. Ele apertou a mão dela e disse:

_Eu te quero, eu preciso de você, eu não sei mais viver longe de você! Por favor, não me deixe, deixe-me cuidar de você, deixe-me te mostrar que você não precisa de mais ninguém para estar ao seu lado, apenas eu!

Ele levou a mão dela aos lábios e depositou ali um beijo. Depois ergueu seus olhos e a encontrou com lágrimas nos olhos. Ele sorriu para ela e de repente ela havia sumido. Agora, ele encarava Lara, que chorava de alegria.

Leon tentou disfarçar o susto com outro sorriso e continuou:

_Quer ser minha namorada?

Lara parecia estar diante da coisa mais bela do mundo, pois o olhava encantada. Imediatamente ela respondeu que sim e correu para se sentar na cadeira ao lado dele. Não esperou um segundo para beijá-lo.

Por mais que tentasse se concentrar no beijo, Leon simplesmente não estava conseguindo. Como podia pensar na irmã naquele momento?

Lara se afastou um pouco e disse:

_Eu gosto muito de você Leon, acho que me apaixonei assim que vi você entrando no colégio com a Vilu.

Leon não disse nada, em vez disso acariciou o rosto dela com o polegar, até este parar no lábio inferior dela. Ele a encarou novamente e viu Violetta mais uma vez ali, sorrindo e o encarando de forma sedutora. Os lábios dela pronunciaram de forma sensual:

_Acho que formamos um belo casal.

Ele não resistiu ao som sensual que ela emitiu e a beijou com paixão, ignorando o fato dela ser sua irmã, daquilo ser errado. Quando abriu os olhos novamente, lá estava Lara. Ele a afastou assustado.

_O que foi?_ ela perguntou.

_Nada... Uma pontada na cabeça, só isso.

Leon tocou sua testa, tentando fingir que estava com dor de cabeça. Lara se compadeceu dele e lhe deu um beijinho no rosto.

O resto da tarde foi bastante agradável, exceto pelo momento em que Violetta vinha à mente dele de tal maneira que parecia uma praga.

Quando deu a hora de Lara ir embora, Leon insistiu em levá-la até em casa, mas ela recusou:

_Você não conhece bem a cidade, depois como voltará para sua casa hein? Não quero meu namorado perdido por aí. Fica tranqüilo, vou sozinha... Me liga mais tarde?

_Claro._ ele respondeu.

Os dois se despediram e cada um seguiu seu caminho, Leon sentindo-se um monstro e Lara, mais feliz do que nunca!

Ele chegou em casa por volta das 19h. Violetta estava na cozinha, lavando as louças e o resto da casa parecia vazio. Ele foi até lá e encostou-se no batente da porta, olhando-a em sua tarefa.

_Perdeu alguma coisa?_ ela perguntou, de costas para ele.

_Não. Onde estão...

_Saíram faz uma hora, acho que voltam logo._ ela o interrompeu friamente.

Leon preferiu não perguntar mais nada, mas não saiu do lugar onde estava. Ela, por sua vez, estava se sentindo muito incomodada sabendo que ele a observava.

_Não que me interesse, mas aonde você foi?_ ela perguntou relutantemente.

_Fui me encontrar com a Lara.

Violetta deixou o copo, que ensaboava, cair dentro da pia e quebrar. Leon correu para ajudá-la, mas ela não deixou.

_Eu me viro.

E começou a juntar os cacos com as mãos trêmulas. Leon desistiu de ajudá-la e sentou-se à mesa.

_E... Como foi o encontro?_ ela continuou no assunto.

_Foi bom... Eu a pedi em namoro.

_Ai!

Violetta se assustou ao ouvir o que ele disse e se descuidou com um dos cacos, cortando a palma da mão. Agora não teve como recusar a ajuda dele, que imediatamente a mandou lavar a mão, mas o sangue não parava de sair.

_Eu vou pegar a caixinha com os primeiro socorros, mantenha a mão embaixo da água corrente, volto logo.

Quando se viu sozinha, Violetta não conseguiu deter as lágrimas. Não, não estava chorando por causa do corte, mas sim por causa da bomba que Leon havia soltado. “Vaca!” ela pensou com ódio.

Quando ele voltou e a viu chorando, pensou que era por causa do corte.

_Vai ficar tudo bem Vilu. Mas acho que vamos ter que ir para o hospital para dar alguns pontos, para facilitar a cicatri... Violetta eu ainda não acabei!

Leon tentava estancar o sangue com ataduras, mas Violetta simplesmente afastou a mão e retirou-se da cozinha.

O resto do domingo foi anormal para a família Vargas, que costumava jantar unida na sala, ao redor da mesa. Violetta estava no quarto e toda vez que alguém ia até lá e perguntava se estava tudo bem, ela respondia um “Sim” com a voz abafada. Leon, por sua vez, estava na sala assistindo TV, mas sem prestar realmente a atenção. Queria correr até o quarto de Violetta e perguntar o que estava acontecendo, mas não teve coragem. Por algum motivo desconhecido, sentia que tinha feito algo muito ruim para ela e que não merecia seu perdão.

No dia seguinte, Violetta evitou ficar perto dele em qualquer momento, enquanto iam de ônibus para escola, e chegando lá não foi diferente.

Como ela esperava, Lara veio correndo ao encontro do namorado, tratando de lhe dar um beijo nada tímido, para deixar claro a todos que quisessem saber que aquele já tinha dona.

Violetta lançou um olhar enojado para os dois e seguiu seu caminho, só parando quando se viu longe o bastante de todo mundo. Estava no campo, onde alguns garotos já praticavam exercícios. Avistou um banco ao redor deste e se sentou, não tinha vontade de ir para aula. Seu olhar vagava entre os garotos jogando bola, um pássaro voando e garotas sentadas na arquibancada, dando risadinhas afetadas.

_Seu irmão e a fêmea Baroni formam um casal nojento.

Violetta se assustou a ouvir a afirmação e imediatamente olhou para seu lado. Diego Hernández estava sentado ali e tinha o olhar fixo na arquibancada.

_O... O que está fazendo aqui?_ ela balbulciou.

_Eu estudo aqui!_ ele respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

Ela não acreditou inicialmente, mas ao ver uma mochila no colo dele resolveu dar o crédito.

_Ok... Agora que acredita, me diga o que aconteceu com sua mão?_ ele perguntou, ainda olhando a arquibancada.

_O que?_ ela continuava impressionada.

_Sua mão._ ele a olhou e apontou para a mão enfaixada.

_Ah, eu me cortei com alguns cacos, nada de mais.

Ele deu um meio sorriso e a encarou, o que fez o sangue da jovem ferver sob o olhar dele.

_Então..._ ela disfarçou a reação._ Está em qual ano?

_Terceiro.

_Estranho... Não vi você nas aulas semana passada...?_ ela disse, pensativa.

_Pois é, minhas férias foram muito curtas e eu fui obrigado a prolongá-las para fazer tudo o que eu havia planejado._ ele respondeu, passando a mão no cabelo.

_Tipo?

_Escalada no Everest, mergulho com tubarões, Disney World, essas coisas básicas.

Violetta começou a rir. O detestava, mas ele era o oposto de todos os meninos pelos quais ela já tinha se interessado e isso estava deixando-a maravilhada. Não estava sendo a previsível Violetta, que saía com os rapazes que todos esperavam. Estava sendo ela mesma.

_Me responda uma pergunta?_ ela disse, após se recompor.

_Depende.

_Por que chamou a Lara de “fêmea Baroni”? Algo contra ela?

Diego pareceu extremamente incomodado com a pergunta. Desviou seu olhar para a mochila em seu colo e pareceu pensativo por um momento, até que resolveu falar:

_Tenho Granger, mas não é algo que interesse a você.

_Interessa sim, ela é minha amiga e namorada do meu irmão.

Diego permaneceu em silêncio e isso incomodava Violetta que insistiu:

_Por favor...

_Nós tivemos um caso e quando eu quis terminar ela inventou um teatrinho no qual eu saí como vilão.

A frase foi dita de maneira tão rápida pelo garoto, que Violetta mal conseguiu formular as idéias. Quando entendeu o ocorrido tentou saber mais, mas Diego estava inflexível.

No fim das contas, passaram o resto do primeiro horário conversando sobre banalidades, como séries de TV, filmes da temporada e músicas no IPOD.

Quando deram por si, já estava na hora do intervalo e, juntos, rumaram para o refeitório, se separando quando chegaram à entrada do local. Lara avistou a jovem que olhava para as mesas, segurando seu lanche, procurando um lugar para se acomodar.

_Vilu!_ ela chamou, indicando a mesa onde estavam.

Violetta não foi imediatamente para lá, pensava em fingir que não a tinha visto e ir para outro lugar, mas já era tarde: Leon já tinha vindo ao encontro dela e estava furioso:

_Onde você estava?_ ele perguntou, pegando a bandeja que ela carregava, para ajudá-la (ou impedi-la de sumir novamente).

_Estava conversando com um amigo e perdi a hora._ ela respondeu calmamente, enquanto se sentava de frente para Lara.

_Que amigo?_ Lara prosseguiu, sentando-se ao lado dela.

Violetta não respondeu de imediato. Antes, tomou um gole do suco de uva e finalmente respondeu:

_Não sei se você se lembra, você o conheceu sábado, na festa... Diego Hernández?

Ela não entendeu o porquê, mas a menção daquele nome fez muita gente se sobressaltar e olhá-la espantados. Violetta sorriu desconcertada e disse:

_Ok... O que eu fiz de... Errado?

_Nada. _ foi Lara quem respondeu._ Digamos que Hernández não seja uma boa companhia para uma moça direita.

Violetta a olhou com duvida e retrucou:

_E por que diz isso? Já esteve na companhia dele e te julgaram?

Lara sentiu o ressentimento na voz da moça, mas fingiu-se de rogada quando respondeu:

_Vilu eu só quero seu bem.

_Por que você não conta para ela o que aconteceu Lara?

Apenas naquele instante Violetta reparou na presença de Tomás sentado ao lado da irmã. Lara lançou um olhar inocente para ele quando disse:

_Ah não, não quero ferir os sentimentos dela, talvez ele tenha mudado Tom.

Naquele momento, Violetta detestou Lara com cada centímetro do seu ser. O tom da voz dela era de falsa pena e o olhar que ela lhe lançara quando disse isso foi de pura caridade. Falsa caridade.

_O que aconteceu Lara?_ Leon perguntou, passando um braço pelo ombro de Violetta, de forma possessiva.

_Amor, não quero comentar sobre isso._ ela olhava para os dois, piedosa.

_Se você não fala, eu falo._ disse Tomás._ A questão é que Lara e Diego tiveram um caso, assim que ela entrou na escola. E, como de praxe, houve o baile de inverno e Diego convidou minha irmã para ir, claro. Porém, ela estava pensando em terminar com ele e, no dia do baile...

_Tom..._ Lara o interrompeu._ Talvez seja melhor eu continuar._ ela voltou seu olhar para Violetta._ No dia do baile, Vilu, eu estava decidida a terminar com ele, não queria mais, Diego era muito obsessivo. Enfim, quando nos encontramos na porta do salão, eu disse para ele tudo o que estava acabado. Ele não agiu de forma estranha sabe? Simplesmente aceitou e me convidou para tomarmos uma bebida. Eu fui achando que realmente estava tudo bem...

Lara fez uma pausa e respirou fundo. Durante a pausa, Violetta reparou que todos na mesa olhavam para a ruiva com cara de pena. Depois, ela continuou:

_Tudo o que eu me lembro é de ter acordado no dia seguinte em um galpão que fica atrás da escola, com ele apagado ao meu lado, dormindo profundamente e eu... Nua.

_Nossa!_ Leon exclamou apavorado.

_Lara apareceu em casa muito assustada, com as roupas rasgadas e arranhões pelo braço e pernas._ Tomás disse.

_E por que vocês não o denunciaram?_ Violetta estava desconfiada da história.

_Eu não queria ter meu nome envolvido em... Assédio sabe? Hernández’s e Baroni’s são famílias tradicionais aqui em Manchester. Iria sujar nosso nome mais que o deles. Eu preferi deixar quieto e me afastar dele. Por isso amiga, estou te alertando. _ ela pegou a mão de Vuoletta que repousava sobre a mesa._ Sei que ele parece ser uma pessoa boa, e não estou dizendo que não é, talvez tenha mudado; mas tome cuidado!

_Quero você longe dele Vilu, ouviu bem?_ Leon advertiu, tocando o rosto de Violetta.

_Ouvi. Eu vou para a sala, perdi a fome.

Ela se retirou da mesa, deixando todos os presentes espantados. Lara fingiu estar ofendida e disse:

_Eu só quis alertá-la!

Violetta voltou para a casa sozinha naquele dia, porque Leon ia levar a namorada em casa. Hernández tinha razão: os dois formavam um casal nojento. Tomás insistiu para acompanhá-la, mas ela recusou, dizendo que não era uma boa companhia àquela hora.

Assim que entrou em casa, Angie a chamou, estava na cozinha.

_Espero que gostem de suflê... Ou da imitação... Onde está seu irmão?_ ela perguntou, servindo o almoço na mesa da sala de jantar, coisa não muito comum.

_Foi levar a namorada em casa.

_Namorada?_ Angie não sabia da novidade.

_Sim, minha colega, Lara. Posso me servir? Está com uma cara ótima o suflê.

Angie disse que sim e se sentou na cadeira na ponta da mesa. Observava a filha se servindo e não resistiu:

_Quando esse namoro começou?

_Ontem.

_Então foi por isso que ele saiu daquela maneira?

Violetta confirmou a suspeita da mãe e continuou comendo. Minutos depois, Leon entrou na cozinha sorridente. Deu um beijinho na mãe e disse, se juntando às duas:

_Descobri que a casa da Lara é aqui perto, não é ótimo?

_Iupii!_ Violetta rodou o indicador no ar, como se estivesse comemorando, mas imediatamente voltou a fechar a cara e comer.

_Ok, quer me falar sobre esse namoro? _ Angie dirigiu-se à ele.

_Bom, como a senhora já sabe, eu e Lara ficamos aquele dia, na boate e eu gostei dela. Então, por que não namorá-la?

Violetta já não estava agüentando mais aquele assunto. Lara não a deixava em paz nem no almoço?

_Então é sério?_Angie continuou.

_Sim, aliás, que tal eu trazê-la aqui no próximo domingo, para apresentá-la à vocês?

Violetta engasgou-se com a comida, chamando a atenção para si. Leon a olhou divertido e disse:

_Come devagar meu bem.

_Vá se fu...

_VIOLETTA!

Angie não estava nada contente com o palavreado da filha e a repreendeu, enquanto Leon ria da situação. Mas Violetta perguntou, mesmo querendo que todos tivessem uma amnésia e se esquecessem que um dia conheceram Lara Baroni.

_Você não acha muito cedo para trazê-la aqui? Você nem conheceu os pais dela!

_Ah sim, essa era a notícia que eu queria dar também._ ele respondeu._ Vou à casa dela no sábado, para oficializar o namoro.

_Isso mesmo, me deixe orgulhosa e seja um príncipe!

Angie parecia satisfeita com o namoro, para desespero de Violetta, que se retirou da mesa sentindo enjôos.

Pouco mais tarde, German ficou sabendo da novidade e chamou o filho para terem “aquela conversa sobre as mulheres”. Na verdade foi uma desculpa para saírem em plena segunda, sentarem em um pub e jogarem conversa fora.

Violetta e Angie ficaram em casa assistindo filmes, que no momento não atraíam a atenção da jovem. A mãe reparou isso e disse:

_E você meu bem? Como vai o lance com o irmão da sua cunhada?... Engraçado isso._ Angie riu.

_Não tem lance mãe._Violetta respondeu mal humorada.

_Hum... E o que você acha desse namoro do Leon? Mais uma vez uma amiga sua caiu nas garras dele.

_Não, dessa vez foi o contrário.

Dizendo isso, a jovem se levantou, deu boa noite e foi para o quarto com a intenção de dormir. Mas seus pensamentos maquinaram a noite toda.

“Não, dessa vez foi o contrário.” E realmente foi. Lara não tinha caído nas garras de Leon, como as outras, mas pareceu ter arquitetado tudo muito bem, a conquista perfeita! Ele estava completamente apaixonado por ela, isso era fato.

Violetta deu um suspiro longo e fechou seus olhos. O sorriso dele veio à sua mente, seu jeito infantil, seu olhar carinhoso, suas palavras doces... E agora isso tudo era de Lara. Todo o carinho, todo o afeto, todo o amor... Cada toque, cada abraço, sem limites, sem barreiras. Sem sangue.

*-*-*-*-*

O domingo pareceu chegar voando, para desespero de Violetta. Ela acordou um pouco tarde naquele dia, pensando em uma maneira de fugir naquele dia e só voltar quando todo aquele circo tivesse acabado. Mas, para sua tristeza, não conseguiu pensar em nada antes que Angie a visse descendo as escadas:

_Venha me ajudar com o almoço querida.

Ela parecia realmente atarefada o que mexeu com o lado piedoso de Violetta.

Leon desceu tempos depois. Seu perfume encheu a cozinha e desestabilizou Violetta por um tempo, fazendo-a parar de ralar as cenouras da salada para se recompor. Ele estava tão lindo!

_Vou buscar a Lara._ ele anunciou, passando as mãos no cabelo em um puro sinal de nervosismo.

_Não demore!_ Angie disse, com a atenção voltada ao frango grelhado.

Quando ele saiu, Violetta sentiu que podia respirar novamente. Sentiu-se um pouco tonta e se sentou na cadeira ao seu lado.

_O que foi Violetta?_ Angie percebeu o mal repentino da filha.

_Uma tonteira, nada de mais._ ela sorriu para a mãe, deixando-a mais aliviada.

German voltou das compras, carregando várias sacolas. Violetta e Angie o olharam intrigadas e foi a esposa que perguntou:

_Você não ia comprar apenas algumas bebidas?

_È, mas aí eu passei em frente a uma banca de frutas, elas estavam tão fresquinhas, não resisti.

Violetta deixou o que estava fazendo de lado, para ajudá-lo a descarregar as compras.

_Obrigado meu bem._ ele disse dando um beijo na testa dela. Depois olhou-a preocupado._ Você está um pouco pálida, ta tudo bem?

_Sim, foi apenas uma tonteira, mas já passou.

German tocou o rosto dela e ficou observando-a guardar as frutas e colocar algumas na fruteira sobre a mesa onde seria servido o almoço. Como ela tinha crescido! Como era linda, como a mãe. Ele ficava pensando quais traços ela tinha do falecido pai... Mas depois percebia que via seu caráter nela, via seus ensinamentos em cada gesto da filha e isso valia mais que os traços físicos.

_Para de babar._ Angie sussurrou no ouvido dele.

_Ela não é linda?_ ele disse, no mesmo tom.

_Claro, é nossa filha!

A conversa foi interrompida por Violetta que percebeu os olhares que os dois lançavam para ela. Ela se olhou de cima a baixo e disse:

_Tem algo errado em mim?

_Não!_ eles responderam, mudando de assunto.

O almoço já estava pronto. Violetta se sentou no sofá da sala, olhando algumas vezes pela janela para ver se o casal ternurinha estava chegando. Quando finalmente os viu se aproximando da casa, ela subiu para seu quarto, não queria ver a bajulação da parte dos pais para com Lara.

Minutos depois, ela ouviu o chamado da mãe e foi até a sala. Lara estava lá no centro, arrumada demais para um almoço de domingo. Assim que viu Violetta descendo as escadas ela sorriu e disse:

_Amiga! Por que não veio me receber?

_Desculpe Lara eu estava um pouco ocupada lá em cima.

Lara deu um abraço na moça e disse depois:

_Não é o máximo? Além de amigas somos... Parentes?

_É...

Violetta não terminou a frase, pois Angie já chamava todos para a sala de jantar.

A mesa estava caprichada, como só ela poderia arrumar. German se sentou em uma ponta, Angie na outra. Lara e Leon do lado esquerdo da mesa e Violetta do direito. Por um momento, o atrito dos talheres com as louças de porcelana foi o único som emitido. Leon às vezes olhava a irmã preocupado, tentando descobrir por que ela estava tão pálida e comendo tão pouco. Quando seus olhares se encontravam, ambos ficavam vermelhos e imediatamente voltavam sua atenção para o próprio prato.

_Então... Lara._ German tentou começar um diálogo._ Nos fale de você, sua família.

_Bom, _ Lara parecia um pouco desconcertada._ Somos uma família tradicional aqui em Manchester. Papai administra a Baroni Construções, uma loja de material de construção que foi fundada pelo vovô há 20 anos. Temos filiais em vários pontos da cidade e estamos tentando expandir para outras cidades, como Londres.

_Ah que bom!_ Angie se pronunciou._ E você acha que vai dar certo.

_Acho que sim Sra. Vargas, temos excelentes contatos lá, segundo o papai.

_E você pretende seguir a carreira do seu pai?_ German perguntou.

_Sim, é um negócio de família e todos nós temos alguma função lá. O meu irmão, Tom, por exemplo, cuida da parte financeira junto com meus irmãos Gui e Carlinhos. Já meu outro irmão Percy, cuida da parte administrativa junto com meu pai. Meus irmãos, Fred e Jorge são encarregados de manter contatos para as filiais e cuidam do estoque, dos pedidos. Eu sou uma secretária do meu pai.

_Que ótimo._ Angie elogiou.

Violetta não estava prestando real atenção à conversa. Seu olhar ia de Leon para o próprio prato repetidas vezes. Sentia que se não saísse dali imediatamente iria passar mal.

_Mãe, pai, vocês me dão licença?_ ela perguntou.

_Claro querida. Mas me diga Lara...

A voz de Angie foi sumindo à medida que Violetta subia as escadas. Agora era oficial: Lara estava namorando Leon.

Seu quarto parecia tão pequeno e sufocante agora. Suas lágrimas escorriam quentes e quase queimavam seu rosto. Por que estava chorando? Deveria estar feliz por ver seu irmão feliz.

_Eu não estou feliz.

Uma voz vinda da porta de seu quarto a alertou para a presença de Leon. Ele entrou e fechou a porta, mas não adentrou muito no local. Violetta limpou as lágrimas que escorriam com agressividade, não queria chorar perto dele.

_Não está feliz com o que?_ ela perguntou, de costas para ele.

_Com isso Violetta. Você não entende, não é?

Violetta permaneceu imóvel, olhando o sol que brilhava em seus últimos instantes, fazendo desenhos vermelhos no céu um pouco nublado.

_Você deixou sua namorada lá embaixo sozinha?_ ela disse.

_Eu disse que iria ao banheiro... Violetta olhe para mim.

O pedido dele a fez gelar, mas ela permaneceu na mesma posição, em frente à sua janela.

_Leon eu não quero a Lara invadindo meu quarto, por tanto...

_Por favor, não finja que não se importa com o que está acontecendo, por que me machuca muito ver você assim.

Ela o sentiu se aproximando, sentiu o quão próximo ele estava agora, o quão próximo suas costas estavam do peito dele, o quão próximo a respiração dele estava da sua nuca.

_Leon..._ ela tentou formular algo para falar, mas o hálito quente dele tocava sua pele, provocando pequenos arrepios.

_Eu fiquei pensando durante todos esses dias o que me impedia de namorar outras garotas, o que me impediade me apaixonar, por que eu não conseguia ser como os outros caras e simplesmente sair e ficar com cada uma por noite. Sabe a que conclusão cheguei?

_Não._ ela sussurrou, fechando os olhos.

_Você. Você Violetta.

Ela se virou de frente para ele assustada. Ele ergueu o polegar e enxugou uma lágrima que escorria pelo rosto dela. Violetta fechou os olhos e, Deus, ele adorou ver aquela reação vindo dela! Em um impulso ele se curvou e correu os lábios pelo rosto dela, fazendo o mesmo caminho que as lágrimas, que escorriam dos olhos para o canto dos lábios. Ela apertou o braço dele, tentando impedi-lo de fazer aquela loucura, mas não foi necessário.

Como se estivesse acordando de um transe, Leon a empurrou. A olhava como se não a conhecesse e tocava seus próprios lábios como se eles tivessem criado vontade própria de uma hora para outra.

Sem dizer nada e visivelmente atordoado, ele saiu do quarto e bateu a porta como se, com aquele gesto, trancasse qualquer sentimento sujo junto com Violetta para sempre.

Violetta ficou estática, era impossível se mover com toda aquela carga de excitação correndo pelas suas veias. Não estava mais suportando aquilo! Estava apaixonada pelo seu irmão!

_SENHOR ME AJUDE!

Em uma súplica desesperada, ela se ajoelhou no chão, chorando compulsivamente.

A chuva começava a cair forte. O silêncio reinava na casa. Em cada quarto, como se tivessem combinado, Leon e Violetta estavam ajoelhados, implorando para que Deus não os castigasse, para que seus pais não descobrissem... Para que aquela vontade de se matarem acabasse logo.

Notas finais
Quase rolou beijo, mas não foi desta vez. Não reparem se tiver erros ortográficos. E aí? Acham que eu devo continuar?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.