Além do Espelho

7 Um "novo" Amigo


Notas iniciais
Olá, queridos leitores! Vocês andam me deixando realmente orgulhosa pelo meu trabalho. E eu continuo tentando fazer capítulos cada vez melhores para vocês. Essa semana, tenho agradecimentos especiais à minha mais nova leitora/crítica/beta reader/fã nº 1 Misakijuro, que postou QUATRO reviews seguidas, e fez a minha semana valer à pena. Muito obrigada pelos seus elogios e críticas construtivas, pois eles me fazem uma "escritora" melhor. Enfim, aproveitem o capítulo e boa semana para todos c:

Antes mesmo de olhar para o lugar de onde vinha a conhecida voz que a chamava, o sangue de Charlie gelou. Não que a menina tivesse algo a esconder (na verdade, agora ela tinha), mas ela não esperava encontrar nenhum conhecido por lá. Especialmente um conhecido para quem ela havia mentido dizendo que estava doente, algumas horas atrás. Mas a mesma pergunta vagava pela mente dos dois jovens: O que o outro estaria fazendo numa vidraçaria às seis horas da tarde de uma quinta-feira?

— Ahh... oi... Jonas. Que... surpresa te encontrar por aqui. Eu realmente nunca imaginaria que isso ia acontecer – Charlie sentia seu rosto corando de vergonha por ter mentido algumas horas atrás, mas sabia que aquilo havia sido necessário. – Como foi a aula?

— Porque você mentiu sobre estar doente, mais cedo? Ah, olá, Alice– Respondeu o garoto, com seus olhos castanhos faiscando e um leve tom de irritação na voz – Está acontecendo algo? Eu posso ajudar com alguma coisa? Você não precisa mentir pra mim, sabia?

Alice acenou para o menino com uma expressão levemente divertida. Aquele era seu modo de dizer “olá”.

— Eu entendo que você esteja se sentindo mal, principalmente irritado, agora. Mas eu tive que fazer isso. Eu sinceramente teria evitado se pudesse, mas...

— Jonas, você pode nos acompanhar até o meu escritório, por favor? Estava mesmo querendo conversar com você. Vocês também, queiram nos acompanhar, meninas. – Disse o senhor, cujo nome Charlie ainda não havia perguntado, e isso estava realmente começando a lhe incomodar. Outra coisa que a estava incomodando: Como ele sabia o nome de Jonas? A menina havia esquecido completamente que tinha dito o nome do garoto dois minutos atrás. Mas, de qualquer modo, sua pergunta logo foi respondida.

— Tudo bem, vô – Respondeu Jonas. Charlie mal podia acreditar na sua falta de sorte. O que ela inventaria como desculpa, agora que sabia que os dois eram parentes? Será que o senhor apoiaria sua mentira na frente do próprio neto? Ela olhou para Alice com aquela expressão de “me socorre pelo amor de Deus”. Ela havia contado à amiga que conversara com o garoto mais cedo, mas nunca imaginariam que aquilo poderia vir a acontecer. Alice deu de ombros como resposta, mais ou menos como um “foi mal aí”. As duas deram meia volta de onde estavam, no meio da escada, e rumaram novamente para o escritório do senhor.

Ao chegar no escritório, sentaram-se em suas cadeiras. Heitor havia voltado para o balcão, onde estava atendendo aos últimos pedidos do dia. Charlie não fazia a mínima ideia do porque estava ali, mas então, antes de o senhor começar a falar, ela se adiantou.

— Eu posso fazer uma pergunta? – Disse ela. O senhor fez um sinal positivo com a cabeça, então ela continuou a falar. – Qual é o seu nome? Isso está me incomodando a um tempo...

— Ah, sim... me perdoe por não ter me apresentando antes. Meu nome é Marcos. E, a partir de agora, você não precisa me chamar de senhor, tudo bem? – A menina fez que sim com a cabeça, e então, Marcos pôde finalmente começar a falar.

— Então, pelo visto, vocês dois já se conhecem, não é? –Os dois fizeram que sim com a cabeça, sem dizer nada. –Isso é ótimo. Vai ajudar muito quando forem fazer a missão juntos.

— Que missão? –Disse Jonas. Claro que ele diria isso, já que não fazia ideia do que estava acontecendo, pois Charlie não havia contado nada a ele. A menina estava tendo que se segurar para não dizer nada. Achava que dizendo algo poderia deixar as coisas piores, então, preferiu deixar que Marcos explicasse a situação à Jonas.

— Noemi Alves desapareceu, e seu marido também. –A expressão de Jonas ficou realmente triste naquele momento. Será que ele e a mãe de Charlie se conheciam? – Não sei se você sabe, mas a filha de quem ela falava era sua colega de classe, Charlotte. – Charlie deu um sorriso e um tchauzinho, um tanto temerosos. – Pela história que me contou, ela chegou em casa ontem, foi dormir e acabou tendo pesadelos sobre seus pais desaparecendo. Levantou de madrugada para checar se estava tudo bem, e seus pais haviam sumido, e a única pista que ela tinha era o espelho do quarto deles, quebrado, o que a trouxe até aqui. Já entrei em contato com todos os Viajantes que conhecemos para procurarem saber sobre ela. Mas mesmo assim, estou preparando uma equipe para procura-la, e pensei que você gostaria de fazer isso. – Terminou ele.

Charlie mal podia acreditar. Então, Jonas também era um Viajante e, além disso, era aparentemente mais experiente nisso que ela. Bem, talvez ele pudesse mesmo ajuda-la a encontrar a mãe. Seria ótimo fazer isso com alguém que considerava como amigo por perto. Claro que a companhia dele nunca iria se comparar à de Alice, mas ainda assim, era melhor que nada. De qualquer modo, a história estava agora explicada, e Charlie esperava que o amigo a perdoasse por ter omitido a verdade.

— Agora você entende porque eu menti? – Disse Charlie –Eu não poderia chegar pra você e só dizer “olá, sabia que a minha mãe sumiu e que eu viajo por espelhos nas horas vagas?”. Alice me mataria. E, também, como eu ia saber que você é como eu? Então, eu espero que você me perdoe, mas, como eu havia dito antes, foi necessário.

— Tudo bem então, está perdoada. –Respondeu ele. Parecia realmente culpado por ter sido rude com a garota mais cedo. – Desculpe por ter agido mal com você mais cedo. Eu também não fazia ideia de que a sua mãe havia desaparecido. Na verdade, eu não sabia nem que ela era sua mãe.

— Você a conhecia? –Perguntou Charlie, intrigada.

— Bom, ela basicamente me ensinou a viajar pelos espelhos. Era a melhor instrutora disso que havia por aqui. Deve ter me dado aulas quando eu tinha uns quinze anos, mas eu nunca poderia imaginar que ela era sua mãe. Ela falava muito de você, sabe? E sempre parecia bem orgulhosa.

Charlie sentiu uma pontada de ciúmes no fundo de seu estômago, mas nunca admitiria se alguém perguntasse sobre ela. Por que sua mãe dava aulas para um desconhecido, mas nunca chegou a contar nada sobre o mundo dos Viajantes para ela? Por que, aos quinze anos, Jonas já estava começando a entender o que era ser um Atravessador, enquanto ela não fazia a menor ideia de que as pessoas eram capazes de fazer isso e, ainda por cima, ela ser uma dessas pessoas? Por que sua mãe nunca contou nada sobre isso para ela? Charlie se sentia enganada e abandonada por Noemi, embora, quando a encontrasse (e sabia que a encontraria um dia) saberia que a mãe tinha uma explicação suficientemente boa para dar à filha.

— Que bom que você gostava dela, Jonas. – Disse a menina, enciumada. – Ela era realmente uma boa pessoa.

— Amanhã, eu quero vocês três aqui, pela manhã. A loja abre às oito horas, então vocês podem chegar lá pelas nove – Recomeçou Marcos. – Você ainda tem muita coisa para aprender, Charlie, e nós sairemos assim que tivermos notícias sobre a sua mãe. Devemos aproveitar todo o tempo que temos. Vou buscar você e Alice às oito e meia, pois quero verificar o espelho, e ver se consigo encontrar alguma outra pista nele. Nunca se sabe o que se pode achar. Bem, vocês podem ir para casa agora.

Charlie e Alice se levantaram, prontas para descer mais uma vez a escada, vez que as duas desejavam que fosse a última. Charlie se sentia esgotada física e mentalmente, por conta de todo aquele treinamento. E tudo ainda se repetiria no dia seguinte, então, ela estava louca para chegar em casa e dormir o mais profundamente que pudesse. Despediram-se de Jonas e foram para o ponto de ônibus. Assim que embarcaram, Alice ligou para casa, e pediu aos pais que a deixassem dormir na casa de Charlie, e eles deixaram. Ela pretendia voltar em casa no dia seguinte, pela manhã, para pegar roupas e suprimentos que poderiam ajudar na viagem.

— Quando o senhor Marcos começou a falar sobre viajar por espelhos, eu imaginei algo bem mais legal – Admitiu Alice. – Esperava algo como “espelho, espelho meu, existe alguém que atravessa espelhos melhor que eu?”— Charlie riu um pouco, pois sabia que a amiga estava tentando anima-la. – Mas sério, foi bem chatinho ficar lá, sentada no chão, só assistindo. Eu queria ser como você, sabe? Descobrir um poder superlegal no meio da adolescência, igual nos livros que eu costumo ler. Mas, aparentemente, eu sou só uma humana chata e normal.

— Pelo menos é a humana normal e chata mais legal que eu conheço – Disse Charlie, abraçando a amiga. As duas meninas estavam de pé, pois o ônibus estava cheio, mas conversavam baixo. Quando viram as duas se abraçarem, algumas pessoas viraram a cara. – Mas como o senhor Marcos mesmo disse – Continuou Charlie – Você ainda vai poder me ajudar na missão, mesmo estando do outro lado do espelho.

— É, eu espero que sim. – Respondeu Alice.

Alguns minutos depois, as duas saltaram do ônibus e foram caminhando até a casa de Charlie. Chegando lá, fizeram o jantar juntas, e colocaram pijamas engraçados. Preferiram dormir na sala, já que o quarto de Charlie não era tão grande assim. Montaram uma cama feita com vários edredons no chão e dormiram, horas depois.

O quarto dos pais de Charlie continuava intocado desde a manhã.

Notas finais
Lembrando que o próximo capítulo sai daqui a cinco dias! Críticas construtivas (e elogios) são sempre bem vindos c: Se você está gostando da história, recomende a um amigo. E, se não está gostando, pode contar pra mim também, talvez eu possa fazer algo sobre isso. Obrigado a todos que leram até aqui! Até semana que vem c: