Além das Palavras
4 The Canonization
Os meses se passaram e o inverno chegou junto ao fim do semestre. Assim, o curso de Letras resolveu realizar uma festa em um bar karaokê do pai de um dos alunos com todos os professores e alunos de todos os semestres para comemorar o início das férias e a despedida daqueles que se formariam em alguns dias.
— Finalmente acabou!
— Outra cerveja aqui, por favor!
— Ei, pede mais uma cerveja aqui também!
Daryl observa a movimentação de seus alunos e suspira, incomodado com a bagunça. Não teria ido a essa festa se o professor Theodore não tivesse insistido que ele interagisse mais com os alunos e o acompanhasse na comemoração.
— Agora que você está aqui, não está feliz por ter vindo? — questiona Theodore, observando Daryl beber um pouco de cerveja.
— Bem, eu não sei senhor. Além de poder beber com você novamente, esse tipo de reunião não me interessa — confessa o homem, fazendo Theodore ri de sua falta de interesse social.
— Parece que eu tenho que trabalhar duro para manter sua companhia enquanto bebemos — comenta Theodore, rindo. — Sinto que se eu virar as costas, você aproveitará a primeira oportunidade para fugir.
— Por favor, não se force. Eu prometo que ao menos ficarei até os alunos começarem a esquecer de minha existência — garante Daryl, acenando para mais um aluno que passava pela mesa e o cumprimentava com um largo sorriso.
— Acho difícil isso acontecer. Mesmo que você tente ser um professor rabugento e rigoroso, no fim, você sempre acaba conquistando a admiração e o respeito de seus alunos. No início, você é chamado de Demônio Dixon, dias depois, os alunos não param de elogiá-lo pelos ensinamentos e a sua didática única — comenta Theodore, relembrando das vezes em que ouviu seu ex-aluno ser elogiado. — Você é um excelente professor e é bastante amado mesmo que tente se manter distante dos alunos. A sua competência os atrai.
— Você está me superestimando demais, professor Theodore. Mas agradeço — responde Daryl, um pouco envergonhado pelos elogios do professor que ele mais admira desde a faculdade.
Theodore ri da timidez de seu ex-aluno e volta a beber sua cerveja. Daryl olha em volta, dando mais um gole na sua bebida, observando os rostos conhecidos de seus alunos, no entanto, nenhum deles era da garota que chamara tanto a sua atenção ao longo do semestre.
“Ela não está aqui?” — pensa, observando discretamente a mesa onde estavam os alunos da turma de Beth.
— Olá, professor Daryl — cumprimenta Jimmy, aproximando-se com mais dois alunos que ele não conseguiu identificar quem era por causa da falta de claridade. – Chegamos um pouco atrasados.
— Ah, Jimmy. Olá! – cumprimenta Daryl, encarando o aluno. Ele se surpreende ao encontrar Beth ao lado do rapaz.
— Nós enfrentamos um trânsito terrível. Começou a nevar e estava difícil de se locomover — conta Jimmy, suspirando cansado por relembrar como tinha sido difícil chegar ao bar.
Os olhos de Beth e Daryl se encontram. A garota não esperava encontrar o professor de Literatura Inglesa no bar. Levando em consideração a sua personalidade mais séria e retraída, ela imaginou que ele daria uma desculpa para não comparecer à festa.
Nos meses em que passou observando o homem, ela tinha notado que ele fazia questão de se manter mais afastado dos alunos, mas ao contrário do que ele planejava, a sua tentativa de manter a impessoalidade só atraía ainda mais admiradores.
Mesmo que fosse exigente e rigoroso, ele também sabia elogiar quando necessário e a maneira mais assertiva de orientar e incentivar o crescimento de cada aluno. E devido ao seu amor incondicional pela matéria, ele possuía uma visão única que inspirava os alunos a lerem mais e se encantar com a Literatura Inglesa.
“Então o professor Daryl está aqui também” — pensa Beth, dando um leve sorriso.
Ela estava feliz por ver o professor, ainda que não tivesse a intenção de se aproximar do homem. Não queria atrair atenção dos seus colegas de curso e não se sentia próxima o bastante do professor para o incomodar em um dos poucos dias que ele tinha liberdade de relaxar com tantos alunos ao seu redor.
— Entendo. Sentem-se e aproveitem — responde Daryl, suavemente.
— Sim, senhor! Continuem sua conversa! — fala Jimmy, acenando também para o professor Theodore, que sorri gentilmente.
Jimmy se afasta com Beth e Sasha Williams, que acenam em despedida. Daryl observa seus alunos se aproximarem de seus colegas de turma, notando que Beth parecia muito mais desconfortável do que de costume.
“Parece que ela foi arrastada até aqui” — supõe Daryl, bebendo mais um gole de sua cerveja.
— Daryl, pegue mais um pouco de cerveja — fala Theodore, estendendo a garrafa de cerveja para encher o copo quase vazio de Daryl.
— Ah, certo. Obrigado, professor.
Daryl estende seu copo ao professor Theodore, que imediatamente o enche com o restante da cerveja da garrafa. Após um gole generoso na bebida, Daryl suspira e sente suas energias escaparem pelos seus poros a cada grito ou risada alta que ele escutava.
Os dois professores voltam a conversar sobre assuntos banais e as expectativas para as férias que se iniciariam em duas semanas. Mesmo que seus alunos já estivessem liberados das aulas, os professores ainda precisavam comparecer a universidade para o lançamento das notas e coordenação.
Ainda assim, Daryl estava ansioso para suas férias. Ele planejava visitar a família por alguns dias e rever os amigos da sua cidade natal. Era sempre divertido participar das festas de fim de ano com eles e Daryl ainda conseguia recuperar suas energias ao aproveitar o sossego da vida interiorana.
— Ei, Beth! Quanto tempo! Você cortou contato com todo mundo! Como você pôde ser tão cruel? Você não liga para seus amigos? Simplesmente desapareceu de uma hora para outra! Por acaso você só precisa do Zach? É isso?
As palavras cheias de malícia e maldade de um dos alunos do último semestre de Letras chama a atenção de todos que estavam em volta, enquanto ele era segurado por Jimmy.
Oscar Davis quase não conseguia se segurar em pé de tão bêbado que estava e parecia a ponto de ir para cima de Beth, enquanto apontava seu dedo e a encarava à espera de respostas.
— Para com isso, cara. Você está muito bêbado. Vamos embora — pede Jimmy, mas ele é empurrado por Oscar, que consegue se soltar.
— Ei, Beth, mas o que você está fazendo sozinha aqui? Onde você deixou o Zach? Por que ele não veio? — questiona Oscar, cambaleando para trás.
O rapaz apenas não vai ao chão, porque é segurado por Jimmy novamente. A maior parte dos alunos presentes no bar assistiam a cena com interesse, ansiando pela resposta de Beth.
Diante da pressão, a garota se encolhe e morde o lábio, segurando a sua imensa vontade de chorar. Queria desaparecer. Odiava a atenção que recebia. E odiava mais ainda que a situação trouxesse tantas lembranças dolorosas de seu antigo relacionamento. O alvoroço causado pelo seu ex-colega de faculdade só fazia Beth ter a certeza de que não conseguiria se livrar tão cedo da associação de seu nome ao de Zach.
— Parece que aquele aluno já está muito bêbado. Deveríamos interferir? — indaga Theodore, observando Daryl se levantar.
— Eu já volto — avisa Daryl, deixando seu copo sobre a mesa.
Preocupado com Beth, o professor apressa seus passos e logo se torna o alvo das atenções. Até mesmo Oscar, que causava a confusão, se cala no instante em que nota a presença de Daryl.
— Algum problema por aqui, Oscar? — questiona Daryl com toda a sua seriedade e forte presença.
— Não senhor, professor. Não tem problema algum — garante Oscar, encolhendo-se amedrontado pelo olhar ameaçador de Daryl.
— Vem, Oscar. Vamos sair e pegar um ar. Você bebeu demais — fala Jimmy, puxando Oscar. — Desculpa Beth. Com licença, professor.
— Ei, Jimmy! Eu não estou bêbado! — grita Oscar, irritado com os empurrões que levava de Jimmy, que o xingava e repreendia, levando-o para longe do bar.
Aquela pequena cena deixou o clima estranho entre os veteranos do curso. Todos sabiam do relacionamento de Beth e Zach, no entanto, ninguém sabia o que havia acontecido entre eles dois anos atrás, quando Zach se graduou e Beth desapareceu sem dizer uma só palavra.
Ainda que não dissessem nada, era visível a curiosidade. Eles gostariam de entender o motivo do casal não ter dado certo. Gostariam de saber mais sobre o desaparecimento repentino de Beth. E isso fazia o ambiente se tornar bastante inquieto, enquanto aqueles que conheciam o casal trocavam olhares.
— Beth, você está bem?
— Esse Oscar é um idiota. Não dê ouvidos a ele!
Daryl observa as amigas de Beth consolar a garota, que ainda parecia afetada pelo ocorrido. O professor ainda pensa em dizer algo a Beth, mas sentia que não tinha o direito de se envolver ainda mais na situação. Por isso, assim que a loira o encara, pronta para agradecer a sua ajuda, ele nega e retorna para seu lugar.
— Está tudo bem? — pergunta Theodore, encarando Daryl.
— Acredito que sim — responde o homem, dando de ombros. Ele bebe mais um gole de sua cerveja e encara o copo de maneira pensativa. — Mas quem é Zach?
— Zacharius Knight, mais conhecido como Zach. Um graduado do nosso departamento. Ele era o namorado da Beth — revela Theodore, chamando a atenção de Daryl. — Eles eram um casal tão fofo e unido que viraram mascotes do Departamento de Letras.
— Pela reação de Beth, imagino que eles tenham terminado. Bem, não é incomum um casal de faculdade terminar. Não entendo o motivo dos alunos fazerem tanto alvoroço por causa disso — comenta Daryl, encarando Beth pelo canto do olho.
— O problema é que eles não eram só um casal de faculdade. Eles namoravam desde que a Beth estava no ensino médio e estavam noivos. Inclusive, foi a turma deles que ajudou Zach no pedido de casamento, por isso todos se sentiam muito ligados a eles — explica Theodore, dando um fraco sorriso. Ele lamentava que o casal tivesse terminado.
— Noivos? Tão novos assim? — murmura o outro, surpreso.
— Beth era nova, mas Zach era quatro anos mais velho que ela, então não era tão novinho assim. Zach se formou e estava se preparando para estudar no exterior e já que eles eram muito próximos e suas famílias se conheciam, eles resolveram ficar noivos. E bom, pelo que eu sei, o plano era que depois que a Beth se formasse, eles se casariam e iriam estudar juntos fora do país.
— Entendo — responde Daryl, dando um gole generoso em sua cerveja.
Theodore suspira. Ele realmente lamentava que o casal tivesse terminado, já que ele gostava tanto dos dois. Zach era um de seus melhores alunos e Beth era uma garota brilhante. Eles eram perfeitos um para o outro.
— Eu tinha tanta certeza de que eles iam se casar, mas parece que isso é muito antiquado para os tempos em que vivemos, certo? Ainda assim, não posso evitar achar isso lamentável. Eles eram um daqueles casais doces que não se vê todo dia — conta Theodore, suspirando.
Daryl nada diz. Ele assiste Beth arrastar ao banheiro uma de suas amigas que parecia ainda mais bêbada do que Oscar. Theodore muda de assunto e logo a atenção de Daryl retorna para seu antigo professor.
Mas, por mais que tentasse, ele não conseguia se concentrar na conversa. Sem sentindo algum, a sua mente continuava a relembrar da expressão apavorada e melancólica de Beth quando questionada sobre o seu ex-noivo.
Sentindo-se levemente incomodado, Daryl informa ao professor que sairia para fumar e pegar um pouco de ar, já que estava começando a se sentir um pouco embriagado. Ele já havia interagido demais com seus alunos e colegas de trabalho. Precisava de um tempo para se afastar da agitação e organizar seus pensamentos.
Do lado de fora do bar, Daryl acende seu cigarro e solta o ar lentamente, apreciando o silêncio e o ar frio que o envolvia naquele momento. Observando os carros e a movimentação de pessoas pelas ruas, seus pensamentos se perdem novamente na garota de lindos olhos verdes e delicados cabelos loiros.
“É melhor eu apenas tomar mais uma bebida e ir para casa” — pensa, soltando a fumaça do cigarro.
Daryl pega seu celular e pede um dos motoristas particulares que é costumado a contratar toda vez que sai para beber. No entanto, assim que termina de escrever a mensagem de solicitação, ele consegue ver Beth saindo do bar acompanhado de Sasha, que não parecia nada bem.
— Eu disse que não quero ir para casa! Eu consigo beber mais! — grita Sasha, atraindo a atenção de todos que passavam próximos a entrada do bar.
— Sasha, já deu. Seu táxi está te esperando — responde Beth, suspirando cansada por ter que cuidar da amiga bêbada.
— Beth, escute. Eu...
Sasha não consegue dizer mais nada antes de vomitar sobre o casaco de frio de Beth. A cena não era nada agradável e de longe, Daryl consegue ver que a garota sofria para apoiar a amiga que quase não conseguia se manter em pé e lidar com o cheiro desagradável do vômito sobre si.
— Desculpa, Beth... — lamenta Sasha, começando a chorar.
— Tudo bem, tudo bem. Não chore. Não foi nada — garante Beth, colocando a amiga no carro. Ela se vira para o taxista conhecido. — Obrigado por cuidar de Sasha, sr. Patrick. Vá com cuidado, por favor.
— Não se preocupe, Beth. Deixarei Sasha em casa com segurança — responde o homem, dando um sorriso gentil.
Beth assente e entrega o dinheiro da corrida. Observando o táxi partir, a loira permanece parada por alguns minutos, pensando sobre o que deveria fazer. Estava cansada, suja de vômito, levemente tonta pelo álcool e sentindo que aquela havia sido uma das piores noites da sua vida.
Um suspiro escapa de seus lábios e ela retira o casaco sujo. O frio era intenso e a fazia se arrepender por ir com uma blusa fina por debaixo do grosso casaco, mas não suportava sentir o odor nauseante do vômito de Sasha sobre si.
Sabendo que ela não conseguiria usar mais aquele casaco, pois sempre se lembraria do vômito, Beth deixa o casaco sobre a um dos bancos próximos ao bar e passa a andar em direção a parada para pegar o próximo ônibus para casa.
Ela não tinha dinheiro para pedir um novo táxi e nem teria dado para compartilhar o táxi com Sasha. Dormir na casa da garota não era uma opção, sabendo que teria que ficar na mesma casa que o namorado irritante de Sasha e irmão de seu ex-noivo. Assim, o jeito seria ir para casa de transporte público.
Para a surpresa de Beth, ao erguer sua cabeça, ela encontra os olhos azuis de seu professor. Ela se aproxima mais com atenção completa de Daryl sobre si, que a encarava com preocupação.
— Professor? O que você está fazendo aqui fora nesse frio? — questiona, estremecendo com o vento que a atinge.
— Fumando e tentando ficar um pouco mais sóbrio. E você? O que está fazendo aqui fora sem o seu casaco? — indaga Daryl, encarando-a com leve repreensão.
— Ah, Sasha ficou bêbada e ela acabou vomitando em mim quando eu tentava mandá-la para casa. Mas eu também vou embora logo — responde Beth, dando um sorriso doce.
“Sorrindo mesmo após tantas situações complicadas? Ela certamente é uma garota que está acostumada a lidar com momentos difíceis” — observa Daryl, vendo que Beth não parecia tão abalada quanto ele pensou que ela ficaria após os “ataques” de Oscar e Sasha.
— E Jimmy?
— O que tem ele? — pergunta Beth, confusa.
— Parecia que ele tinha te arrastado para cá. Por que não pede para ele te levar para casa? — sugere Daryl, mas Beth nega, dando um sorriso amável.
— Tudo bem. Jimmy estava ansioso para essa festa. Ele deve ficar mais tempo e se divertir — responde a loira.
“Aquele garoto a arrastou para essa festa e agora se diz ocupado. É mesmo um jovem imaturo” — pensa Daryl, suspirando.
— Certo. Apenas não me diga que você pretende voltar para casa vestida nessa roupa fina. Você vai congelar desse jeito — comenta o professor com preocupação.
— Ah, meu casaco está... bem, não posso usá-lo. Mas está tudo bem. Eu não moro tão longe daqui. Eu vou pegar um ônibus e logo devo estar em casa.
“Suas bochechas e nariz estão extremamente vermelhos de frio. Ela vai realmente congelar desse jeito” — observa o homem, inconformado.
— Professor? Algum problema? — indaga Beth, estranhando o olhar intenso de Daryl sobre si.
Daryl suspira e retira seu casaco. Ele o estende para Beth e a encara com seriedade, esperando que ela se apressasse e vestisse a roupa para se esquentar. Beth arregala os olhos, surpresa. Daryl estava com uma roupa ainda mais fina que a sua. Deveria sentir muito frio, mesmo assim estava disposto a emprestar seu casaco para ela.
— Vamos. Vista isso — insiste Daryl, vendo a hesitação de Beth. — Eu chamei um motorista particular para dirigir o meu carro e me levar em casa. Eu posso te dar uma carona.
— Oh, não. Está tudo bem. Muito obrigada por se importar, mas não precisa...
— Como eu posso só ir embora depois de te ver em uma situação como essa? Apenas vista o casaco e aceite a carona — interrompe Daryl, deixando claro que não aceitaria a recusa de Beth.
— Ah... então, muito obrigada.
Beth agradece timidamente, aceitando o casaco do professor. Ao vesti-lo, ela sente o perfume de fragrância forte do professor e o calor de seu corpo que a aquece de imediato. Suas bochechas ficam ainda mais vermelhas, mas ela se sentia particularmente aquecida com aquela peça de roupa que parecia ser o dobro de seu tamanho.
— Eu vou devolver o quanto antes — promete Beth, mas logo ela se dá conta de que ela está de férias. — Ah! Mas hoje é fim do semestre. Como eu posso devolver?
— Eu vou ficar no meu escritório a semana toda. Você pode devolver para mim lá ou esperar até a volta das aulas. Não tem problema — garante o professor, sem realmente se importar. Era um casaco velho, afinal de contas.
— Eu vou devolver essa semana. Eu prometo. Vou me certificar de lavar na lavanderia antes de devolvê-lo — afirma Beth e Daryl ri, negando.
— Por que lavar algo que você só vai usar uma vez? — murmura Daryl e Beth o encara com curiosidade.
— O que disse, professor? — questiona a garota, confusa.
— Não foi nada — responde Daryl, desviando o olhar de Beth. Seu celular vibra em seu bolso e ele nota que se trata do motorista particular. — O motorista chegou e está esperando de frente ao meu carro. Vamos?
— Não vai se despedir de seus colegas? — indaga Beth e Daryl nega.
— Eu posso apenas mandar uma mensagem avisando que eu já fui — afirma o professor, sem realmente se importar. — Então vamos?
— Tudo bem — concorda Beth, preocupada que o professor estivesse sofrendo com o intenso frio.
Os dois seguem em silêncio em direção ao estacionamento reservado para os clientes do bar. Apesar do frio que sentia, Daryl estava muito mais preocupado com o bem-estar de Beth, que com sua miudeza deveria sentir ainda mais frio do que ele. O professor até mesmo se repreende por não ter chegado mais cedo e estacionado mais perto para não ter que fazer Beth andar tanto.
Nesse momento, Daryl nota que seus pensamentos nem mesmo faziam sentido. Como ele poderia saber que daria carona para Beth? Além disso, mesmo que não fosse mais seu professor, ele não deveria se envolver tanto na vida loira. Ainda assim, lá estava ele, encarando Beth com preocupação e se perguntando a todo instante se ela estava realmente bem.
“Ela é só uma estudante comum, ainda assim... por que estou dando tanta atenção a ela?”
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