Além da psicologia

17 Abusado pela mãe


Notas iniciais
Peço desculpas pelo capítulo estar muito curto e aviso que esse é. O último da história.

Entenda os estágios de choque de uma pessa com ansiedade: primeiro ela escuta, depois passa pela sua cabeça que tudo é apenas um sonho, depois cai a ficha e você fica chocada. Mas na hora eu fiquei mais que chocada, fiquei sem ação, aflita, paralisada!

– Filipe! — exclamei.

– Eu não sei como chegamos aquele ponto! — ele se defendeu.

Fechei os olhos e respurei profundamente três vezes. Isso não podia ter acontecido.

– Por favor, me explique tudo — pedi.

– Tudo bem.

Então Filipe começou:

– Foi há dois anos. Minha mãe tinha acabado de chegar de uma festa. Ela estava quase seminua e bêbada. Chegou falando um monte de besteiras, que tinha dado pra três caras de uma vez e, confesso, fiquei assustado com aquela voz de porre. — Filipe fez uma pausa para respirar. — Foi ai que ela pulou em cima de mim e me despiu. Eu estava tão nervoso que não evitei nada.

"Minha mãe falou que queria 'chupar o filhinho'. Agora me imagine, com treze anos, ouvindo isso da minha própria mãe! "

– Meu Deus, Filipe! E ela realmente fez isso com você?

Filipe negou com cabeça.

– Minha mãe tirou a roupa e ficou me masturbando. Karine, milhões de coisas passaram pela minha cabela naquele momento. Primeiro eu me questionei se havia provocado minha mãe, se ela estava querendo se vingar do meu pai fazendo isso... Não sei! Só sei que ela me tocou de muitas maneira e, em alguns momentos, eu até cheguei a gostar! Tanto que, quando eu estava quase chegando ao ápice ela... Ela disse: "Sai daqui!". Me deixou sozinho no quarto e brochei na mesma hora.

Eu queria falar alguma coisa, mas foi difícil pronunciar qualquer palavra nos minutos seguintes.

– Houve penetração? — perguntei depois.

– Não — Filipe respondeu, para minha felicidade.

Fiquei tão feliz que o abracei.

– Você ainda é virgem, meu amor — sussurrei em seu ouvido.

– Mas eu...

– Não continue falando — o interrompi. — A culpa foi da sua mãe.

– Mas eu poderia ter evitado!

– Filipe...

– Karine. — Os olhos de Filipe estavam apelativos. — É por isso que eu vou embora logo que pedem. Eu não suporto ouvir a palavra "saia" ou "me deixe". Eu lembro desse dia e me sinto mal.

Abracei Filipe mais apertado ainda. Era au última pessoa no mundo que eu pensaria que fosse tão frágil. Nós dois tínhamos passado por situações traumatizantes, mas agora estávamos tentando enfrentar isso juntos. Como se tivéssemos nascido um para o outro.

– Quando eu beijo você — ele continuou. — Tento me controlar, mas eu fui largado perto da ejaculação. Estava próximo ao orgasno e, de repente, tudo acaba. É como se minha mãe não se importasse comigo e eu sei que ela não se importa!

– Filipe, você é muito importante pra mim! — o confortei.

Filipe chorou mais ainda. Lembrei de mim mesma no dia em que meu pai me ridicularizou na rua. Tinha noites que não dormia só de pensar no que aconteceu. Abraçada a Filipe percebi que ele também devia ter passado várias noites em claro relembrando um momento ruim de sua vida.

– Posso até pedir para você sair — falei. -, mas só quando eu estiver tendo uma crise porque eu jamais quero que você saia da minha vida. Eu amo você!

Filipe desfez o abraço e limpou as lágrimas.

– As pessoas pensam tão mal de você, Karine. Se te conhececem...

– Não quero que as pessoas me conheçam apenas você tem acesso a mim por completo.

Filipe sorriu.

– Isso é um pouco erótico, não? — comentou Filipe.

– Não — respondi rindo.

– Desculpe minha perversão então.

Dei um beijo no rosto de Filipe e ficamos sentados apenas respirando o mesmo ar.

+++

Coloquei na minha cabeça que havia esquecido quem era Gabriel. Convenci a mim mesma que havia adquirido mais auto controle. Anotei nas paredes de casa lembretes dos horários em que deveria tomar meus remédios e esperei ansiosamente o mês de dezembro para passar o natal com Filipe.

Quando o boletim final saiu, encarei o fato de que iria para o segundo ano e que meu único amigo na escola era o Filipe.

Mas eu estava feliz. Minhas crises continuavam acontecendo e eu continuava lutando contra elas.

Eu me considerava uma garota de sorte, afinal, quantas pessoas no mundo tinham a sorte de nascer com todos os transtornos e problemas psicológicos possíveis?

Eu era uma garota de sorte. De má sorte.

Notas finais
Leitores, desculpe, mas eu estou muito zoera ultimamente. Esse não é o último capítulo, estava brincando. A partir do próximo capítulo Karine estará no segundo ano. Continuem acompanhando a vida da nossa Garota Problemática preferida.