Além da Rubi
1 As sombras do passado
Tudo parecia real: o beijo de Fernanda, o olhar de sedução e o perigo iminente. Mas, de repente, Alexandro desperta sobressaltado. O suor frio escorre pelo rosto enquanto ele tenta recuperar o fôlego. Ao seu lado, Maribel acorda preocupada.
— O que aconteceu? — pergunta ela, com a voz embargada pelo sono.
— Nada... foi só um sonho ruim — responde Alexandro, bebendo um copo de água com as mãos trêmulas.
Maribel o encara com desconfiança: — Estranho... Parecia que você estava gostando. Você chegava a sorrir enquanto dormia.
Alexandro tenta disfarçar o nervosismo: — É que... eu estava sonhando com o dia em que nos casamos.
Maribel se ilumina e o beija, mas sente algo diferente. O beijo dele é frio; falta o fogo de antes. Ela percebe o distanciamento, mas prefere calar-se, guardando a angústia para si.
O Segredo de Carlos
No quarto ao lado, Carlos tenta esconder o celular quando Alexandro entra.
— Estava vendo foto de alguma menina? — questiona o pai, tentando ser casual.
— Não, pai. Estava vendo universidades no México.
— Eu acredito em você, meu filho — diz Alexandro, tocando seu ombro.
Nesse momento, Alexandro vê a foto de Fernanda na tela do celular e entra em choque. Ele disfarça e sai apressado para o escritório. Sozinho, ele desaba: "Será que nunca vou deixar de pensar nela? Achei que tinha deixado de amá-la." No quarto, Carlos sussurra para a foto da jovem: — Um dia vou falar com você, Fernanda. Mas sou tão tímido... nem sei se você vai me querer.
O Medo das Mães
Enquanto isso, em outro ponto da cidade, Elena abraça seu filho Daniel com força. Sua mente viaja para um passado de dor.
(Pensamento de Elena): — "Eu te amo tanto... Meu medo é te perder como perdi o seu pai. Que você nunca se torne como ele, obcecado por uma mulher que não o ama, nem faça o que ele fez. É por isso que não te conto o que aconteceu, para não deixar você cometer os mesmos erros."
No cortiço, Cristina observa Fernanda se arrumar apressadamente.
— Para onde você vai, Fernanda? — pergunta Cristina.
— Ah, eu vou sair com umas amigas, mãe. Nada demais.
— Tomara que você não esteja mentindo para mim!
— Mentindo? Para quê eu mentiria? Até mais, mãe!
Fernanda dá um beijo rápido no rosto de Cristina e sai. Cristina caminha até a janela, sentindo um aperto no peito, e olha para uma foto do falecido marido.
— Meu marido... como eu queria que você estivesse aqui. Tenho medo da minha filha se perder como a tia dela se perdeu. E como estará a Rubi? Provavelmente morreu... ela estava cheia de ódio. Se eu pudesse tê-la salvo...
O Esconderijo e a Mentira
Fernanda caminha pela rua e é interceptada por um homem sujo de graxa. É Toledo, o antigo cúmplice de Heitor.
— É você... Rubi? — ele pergunta, assustado.
— Eu não sei do que você está falando! — Fernanda pisa no pé dele e foge.
Toledo murmura sozinho: — Não é ela... Rubi perdeu uma perna, não pode andar assim. Mas quem será essa?
Fernanda chega ao esconderijo de Rubi.
— O que aconteceu, Fernanda? — pergunta a vilã, em sua cadeira de rodas.
— Um homem me confundiu com a senhora... um tal de Toledo.
Rubi sorri com desprezo e começa sua manipulação: — Aquele traidor... Fernanda, o Alexandro me fez sofrer muito. Ele não acreditou no meu amor e ainda cortou minha perna por vingança. Eu precisei mentir no passado para me livrar de monstros.
Fernanda se comove: — Não precisa chorar mais, minha tia. Eu vou vingá-la!
Rubi abraça a sobrinha e ri maleficamente em pensamento: "Você é a minha arma. Começou a minha vingança!"
Confissões Perigosas
No escritório, Alexandro confessa ao amigo Marco o estado de seu casamento.
— Eu ainda penso na Rubi, Marco. Com ela eu tinha desejo, paixão, fogo! Eu não sinto isso com a Maribel. Ela está fria, não transamos mais... eu sou homem, preciso desse fogo!
— Que horrível te ouvir falando assim — rebate Marco. — Valorize a mulher que te ama, Alexandro. Não jogue sua vida fora por uma obsessão morta.
O Encontro do Destino
Fernanda caminha distraída, atravessando a rua sem olhar. Um carro surge em alta velocidade. No último segundo, um vulto a puxa bruscamente para a calçada.
Os dois caem no chão. Fernanda abre os olhos e vê Carlos. Ele a segura firme, a respiração ofegante. O tempo para enquanto eles se olham fixamente.
— Você está bem? — pergunta Carlos.
— Sim... obrigada por me salvar.
Eles quase se beijam, mas são interrompidos por Tânia, que chega gritando:
— Rubi! Que bom que você está bem!
Carlos se afasta, confuso: — Rubi? Mas seu nome não é Fernanda?
Tânia continua: — É que agora ela quer ser chamada assim! E o Daniel, seu namorado rico, ia ficar louco se algo te acontecesse.
Carlos olha para Fernanda com uma tristeza profunda: — Então você tem namorado... e usa outro nome. Eu já entendi tudo.
Carlos dá as costas e sai, deixando Fernanda arrasada e furiosa com a amiga. O destino estava selado.
Continua no próximo
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