Além De Um Sonho
2 Capítulo II - Obelia
Notas iniciais
Fazia algum tempo que o Duque Alpheus esperava para encontrar com Sua Majestade, o Imperador Claude. Sentado na sala de recepção, o homem de cabelo branco e olhos dourados suspirava pela enésima vez quando a porta se abriu abruptamente.
Claude De Alger Obelia era um imperador frio e meticuloso, odiava conversas fiadas e, quase nunca estava disposto a conversar com o alto escalão. Segundo ele, os nobres só viam para pedir por favorecimento e aumento nos impostos para cidadãos comuns, algo que o Imperador Obeliano não estava disposto a conceder.
Sua Majestade só mudava suas feições quando se tratava de duas coisas, ou melhor, pessoas. A imperatriz Diana e sua filha, a princesa Athanasia. Claude foi conquistado pelo coração puro e sincero de Diana e, como consequência, a carranca fria e assustadora que sempre mantinha, se derretia ao estar perto de sua amada esposa.
Os olhos de jóia de Claude ganharam uma nova emoção quando anunciaram o nascimento da primeira princesa de Obelia. Athanasia, desde muito nova, recebia o amor e carinho por parte dos pais.
Contudo, a paz e alegria da família foi perdida quando, em um dia festivo, Athanasia acabou sendo levada para longe de si.
Diana e Claude se afundaram no mais profundo desespero. O Imperador mandou cada soldado sob seu comando procurar a filha desaparecida. Mas os esforços eram em vão. Ninguém jamais conseguiu encontrar o paradeiro de Athanasia.
Nesse momento frágil, Roger Alpheus se apresentou diante de Sua Majestade e, jurando pela honra de seu nome, proclamou que encontraria o paradeiro da princesa. Claude apenas aceitou. Suas esperanças ainda se mantinham firmes.
Agora, anos após a declaração, a princesa ainda não havia sido encontrada e o Duque Alpheus tentava manter a revolta do Imperador sob controle.
— O que faz aqui, Alpheus? Por acaso tem alguma notícia que realmente valha a pena ser ouvida? – Claude proclamou taciturno.
O Imperador adentrou o recinto acompanhado por Felix, seu fiel cavaleiro. O rosto do Obeliano demonstrava o cansaço excessivo pelos anos de trabalho e as noites de insônia a procura da filha.
— Glórias e Honras ao Sol de Obelia. – Saudou Roger. – Vossa Majestade está cada vez mais abatido. Deve descansar devidamente, Majestade.
— Descansar? – Claude o fuzilou. – Como pode dizer isso enquanto minha única filha está desaparecida a anos?
A pressão do lugar aumentou consideravelmente. Claude não era conhecido por sua paciência com as pessoas. O Alpheus, que já sabia sobre isso, apenas sorriu compreensivamente. Afinal, a dor de perder a única filha amada não era algo para se levar brandamente.
— Eu sequer posso imaginar o tamanho de sua dor, Majestade, mas trouxe notícias que, talvez, o alivie um pouco. – Proclamou.
— Não me faça perder mais tempo, diga de uma vez e saia da minha frente.
— Sim. – Os olhos dourados de Roger encaravam os azuis obelianos com afinco. O Alpheus não tardou e logo proferiu. – Temos uma pista sobre o paradeiro da princesa.
Ao ouvir essa frase, o rosto de Claude esbouçou surpresa para logo depois ser preenchido por agonia. Esperava que, desta vez, não fosse uma pista falsa ou alguém querendo manipular suas emoções. Estava farto de ter o mínimo de esperança e, logo depois, elas serem rasgadas como papel. O pior era Diana. Sua esposa sofria mais do que qualquer um, chegando a um ponto onde passara dias sem se alimentar e sofrendo com dores constantes ao pensar em sua pequena princesa.
— Está esperando permissão para falar? – O Imperador perguntou enraivecido. — Diga de uma vez.
— Meu filho, Ijekiel, tem estado constantemente viajando por entre os reinos. – O Duque, apesar de esboçar preocupação, não deixaria de citar o nome do filho. – Em sua estadia em Arlanta, ele ouviu boatos sobre uma cidade mais ao sul, perto da fronteira com o império Antlia¹. Dizem que avistaram uma jovem de cabelos dourados e olhos azuis.
— Isso é verdade? – Claude mantinha os olhos afiados, porém, era visível uma pequena esperança nos olhos de cristais. – Dessa vez você tem certeza?
— Não posso afirmar Majestade, mas Ijekiel partiu para a cidade para obter informações. Por favor, continue firme.
O Duque Alpheus susteve o olhar do Imperador. A esperança novamente vagava nos olhos obeliano.
— Espero que seja verdade desta vez. Estou ficando sem paciência. – Proclamou. Roger engoliu a seco. Sentia a ameaça implícita na voz grave de Claude. – Saia. – Ordenou no fim.
— Glórias e Honras ao Sol de Obelia.
Ao ouvir a porta ser fechada, Claude suspirou pesadamente. A quantos anos procurava pela filha para todos os seus esforços serem, no fim, em vão? Oito? Nove? Não sabia. Mas todos os anos, sempre que o aniversário de Athanasia se aproximava, Claude e Diana se fechavam em seu próprio mundo, aguardando a volta de sua pequena estrela.
Pequenas gotas de água se formavam nos olhos azuis. A vontade de chorar como uma criança, novamente, lhe atingira. Felix que observava o Imperador apenas manteve-se calado, também desejando o retorno da amada princesa.
...
Roger Alpheus andava pelos corredores do palácio inabalavelmente. O brilho nos olhos dourados, traziam a certeza de uma coisa: a princesa Athanasia precisava ser encontrada e ele garantiria isso.
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