Além De Um Sonho

8 CAPÍTULO VIII – OBÉLIA


Notas iniciais
Ooiiii ♥ Por favor, por favorzinho. Leiam as notas finais ♥ Boa leitura ^^

Athanasia não sabia dizer quando fora a última vez em que dormiu perfeitamente bem. O corpo estava tão relaxado na enorme cama de dossel, que a vontade de se levantar era inexistente. Os últimos dois dias ainda lhe pareciam um sonho, o qual, não desejava acordar. Seria ainda mais perfeito se quem a tivesse tirado da torre fosse Lucas, certamente iria brigar com ele, contudo, o medo que algo tivesse acontecido com o mago era muito maior do que qualquer sentimento dentro de seu coração.

Quando Claude apareceu, de repente, na estrada que levava ao reino, Athanasia sequer conseguiu esconder o alivio que sentiu. Essa sensação, se mesclou a saudade e a vontade de simplesmente correr para os braços do Imperador. E assim o fez. Correu para os braços do pai como uma garotinha que anseia pela segurança e calor de alguém muito amado. Ela não precisou de apresentações ou respostas, não precisou de confirmação. Athy sabia que ele era seu pai e que a amava profundamente. Assim como Claude também sabia que aquela menina que chorava em seus braços era sua única e legitima filha.

As lembranças desse momento ainda eram muito nítidas em sua mente e isso a fez sorrir.

— Athanasia...

— Papa... papa... e-eu...

— Tudo bem querida, tudo bem. Não diga nada. Sou o único que deve falar.

— .... Pai..

— Eu sinto muito. Sinto muito por não ter te encontrado antes. Por não ter cuidado de você como deveria. Foi minha culpa você ter sido levada para longe de nós. Não fui um pai bom o bastante para protege-la. Então, por favor, me perdoe Athanasia.”

Athanasia suspirou. Não disse muito naquele momento, as palavras haviam travado na garganta e tudo o que conseguia soltar era o choro de saudade e alivio. Claude acariciou as costas da loira com carinho e pesar, não conseguia imaginar o que sua amada filha havia passado. Ele certamente daria qualquer coisa para que pudesse voltar no tempo e impedir que isso acontecesse com a princesa.

Depois daquele momento saudoso, Claude simplesmente pegou Athanasia em seus braços e partiu. A princípio, a loira se surpreendeu, mas logo relaxou nos braços calorosos do progenitor. Obviamente, ninguém se importou em indagar e muito menos questionar as atitudes do Imperador, porém, nem todos se alegraram com a interferência do soberano.

Ijekiel Alpheus sentia que suas oportunidades haviam sido roubadas mais cedo do que gostaria, mas se acalmou. Logo poderia encontrar Athanasia novamente.

Esse era o ponto que mais incomodava a princesa também. O futuro herdeiro Alpheus. Athanasia sentia uma forte impressão do jovem mestre, contudo, não sabia julgar se era, necessariamente, algo bom. Não queria ter sido tão mal-educada na carruagem, porém, não conseguia fingir que se sentia à vontade com tudo aquilo. A explicação que Ijekiel lhe dera na velha torre, pareceu-lhe estranhamente específica. Quase como se ele tivesse visto tudo acontecer.

As lembranças do rapaz começaram a vir lentamente logo após a primeira noite no Esmerald Palace. Diferente do que aconteceu quando começou a se lembrar de seus pais, Athanasia sonhou com alguns momentos entre os dois, mas sempre estavam no mesmo lugar. No lago ou no campo de flores. Eles eram próximos e bons amigos, porém, não fazia sentido para ela não ter lembranças deles em outros lugares.

Sempre bons momentos. Nunca brigando ou fazendo birra. Ás vezes, até mesmo sentia seu coração bater mais forte.

Quando estavam na carruagem, sentia-se incomodada com a forma que ele falava e a olhava, quase como se fossem muito mais íntimos do que velhos amigos. A princesa pensou que talvez, só talvez, houvesse muito mais nessa relação com ele do que imaginou.

De qualquer forma, não adiantava ficar pensando nisso no momento. Tudo o que queria era aproveitar os momentos com os pais e ver Lucas novamente.

— Princesa...?

Uma leve batida na porta despertou Athanasia de seus devaneios. A voz suave de Lilian York penetrou o quarto.

— Lily...!

— A princesa dormiu bem?

Lilian se aproximou lentamente da cama onde Athanasia ainda permanecia, o sorriso carinhoso desenhado nos lábios fez Athanasia querer abraça-la e isso o fez.

— Sim! Foi uma noite muito agradável.

— Fico feliz em ouvir, princesa. Agora precisa se arrumar, seus pais a esperam para o café da manhã.

Athanasia assentiu. Lilian e as demais empregadas começaram a prepara-la. A conversa entre elas era agradável, ninguém ousou questionar o paradeiro da princesa, mesmo que Athanasia esperasse por isso. Até mesmo seus pais jamais tocaram no assunto, tudo o que faziam era mima-la e agrada-la. Não que isso fosse algo ruim, mas sentia que todos evitavam o assunto.

— Lily, porque ninguém ainda me perguntou sobre o lugar onde estive?

Athanasia perguntou quando Cis e Hanna as deixaram. Lilian surpreendeu-se, o silencio constrangedor predominou o ambiente.

— Desculpe, não devia ter dito nada.

— Não princesa, não se desculpe, o erro foi meu. — Lilian suspirou enquanto penteava o cabelo de Athanasia. — Não posso responder por Vossa Majestade, o Imperador e a Imperatriz, mas acredito que o motivo pelo qual ninguém perguntou nada, seja para que a princesa se sinta à vontade para dizer por conta própria. Não queremos obriga-la a contar o que aconteceu se você não quiser.

Novamente, o silencio reinou.

— Eu não me importo em dizer... — Athanasia iniciou depois de algum tempo. — Não foram bons momentos, porém, os últimos meses não foram tão ruins quanto antigamente.

— Os últimos meses? — Lilian indagou, olhando confusa para o reflexo de Athanasia no espelho. A princesa sorriu minimamente, os olhos cristalinos pareciam distantes nesse momento.

— Hey Lily, posso te contar um segredo?

Lilian York não pode dizer não ao pedido da princesa que a olhava esperançosamente. Athanasia parecia pronta para, finalmente, começar a contar sobre si.

***

Lucas voltou a torre do relógio. Estava ansioso desde o momento em que Carax havia lhe dito que a chave para quebrar o selo já havia sido passada adiante. Algo não lhe agradava. No começo acreditava que Athanasia estava sendo mantida presa unicamente para ser usada em algum experimento. Isso não seria a primeira vez. A mana que fluía na Família Imperial de Obélia era pura e única, suficiente para ser cobiçada por magos obscuros. Contudo, depois de pensar seriamente, percebeu que a quantidade de poder retirado da princesa não era significativa para qualquer tipo de experimento, além, é claro, de alimentar o contrato de Carax.

Mas se não era pelo poder da família real, o que era?

A resposta veio quando chegou na torre do relógio e viu o selo quebrado. Haviam rastros de mais de uma pessoa, um pequeno esquadrão talvez. O que realmente chamou sua atenção era a porta. Estava forçada, como se realmente tivessem feito força para abri-la, todavia, Lucas sabia por experiência própria que aquilo não se abriria simplesmente com força bruta.

— Então, esse é era o plano?

Indagou para si mesmo enquanto pegava um pequeno pano jogado no chão. Um padrão incomum estava bordado na ponta e Lucas o queimou com magia.

— Parece que devo há um rato que devo exterminar.

***

O clima primaveril no jardim do palácio acalentava os corações das pessoas que, enfim, estavam reunidas novamente. Quantas vezes Claude e Diana sonharam em poder passar tardes tão agradáveis assim ao lado de sua amada filha?

Incontáveis.

O anseio e o desejo de terem Athanasia de volta os faziam lamentar todos os dias. Por diversas vezes, tanto Diana quanto Claude chegavam ao limite, contudo, quando um não conseguia suportar, o outro ajudava a sustentar o peso, preenchendo seus corações de esperança.

Agora que Athanasia estava com eles novamente, a vontade de deixar todos os momentos ruins para trás era enorme, todavia, sabiam que, por mais que quisessem, não poderiam apagar os anos que viveram longe da princesa.

Athanasia também possuía o mesmo desejo. Esquecer de tudo e apenas recomeçar sua vida ao lado de seus pais e das pessoas que a amavam. Mas sabia que nem tudo poderia ficar para trás.

Deixar o que viveu na torre significaria abandonar até mesmo a motivação para encontrar o culpado de tê-la prendido. Embora quisesse recomeçar, também precisava encarar o que aconteceu e chegar ao fundo de toda aquela história.

E agora, já não era mais tão difícil encarar os anos de agouro. A presença de Lucas enquanto esteve cativa a encheram de uma enorme esperança. Esperança que jamais se permitiu ter até então.

Agora ela entendia. Assim como Diana era o alicerce de Claude e Claude o de Diana, Lucas era o seu. O mago era a motivação e força que não a permitiu parar de lutar.

Era por isso que decidiu abrir seu coração para os pais, dois dias depois de retornar, e contar tudo o que aconteceu.

A princípio estava ansiosa, mas não demorou muito para ganhar a confiança que precisava. Diana e Claude mantiveram-se atentos a cada palavra que fluía da boca da filha.

— No começo eu não conseguia me lembrar. Não sabia onde estava, quem eu era e de onde vim. Era como se tivesse nascido naquele momento. Tudo o que via era um amplo espaço, preenchido apenas por uma cama velha e a vidraça de um antigo relógio.

Athanasia abaixou a cabeça, tentando lembrar os detalhes mais minuciosos. Claude apenas a observou enquanto Diana mordia os lábios para conter as lágrimas.

— Havia um homem, mas nunca consegui ver claramente seu rosto, a única coisa que conseguia ver era uma parte da cicatriz que ficava oculta pelo capuz. Ele vinha por alguns dias na semana para me alimentar. Lembro de ser assim por algum tempo. Na medida que fui crescendo, esse homem aparecia cada vez menos, mas depois de um certo tempo, ele começou a vir e...

— E...? — Claude, apesar da raiva exposta, incentivou a filha a continuar. — Sei que é difícil, mas é necessário Athanasia.

— E-era... doloroso. Ele usava uma adaga pequena para cortar meus braços e levar o meu sangue...

Nesse momento, a mana do Imperador explodiu. A mesa que estava posta com jogos para tomar chá, foi completamente arruinada pela onda de energia que irradiou do corpo de Claude. Athanasia se assustou, mas se acalmou quando viu que a fúria de seu pai era dirigida a outro. De certa forma, ainda se sentia assustada quando presenciava sentimentos de raiva por outra pessoa.

Diana, que agora não segurava as lágrimas, tocou o antebraço do marido para que este se acalmasse. Mesmo com a voz resignada, se dirigiu a Athanasia.

— Quanto.... quanto sangue ele levava?

— Eu não me lembro ao certo, não era a mesma quantia, as vezes menos, outras mais. Nestas eu quase não conseguia me manter acordada. Mas ele era minucioso a ponto de curar as feridas antes de ir. Certa vez ele deixou escapar, quando pensou que eu havia desmaiado, que não podia deixar rastros ou “ele” não ficaria quieto.

— Ele? Quem, Athanasia?

— Me desculpe pai, mas eu não sei...

Diana correu para abraçar a princesa. Athanasia estava chorando. Depois de forçar a memória e lembrar desses momentos, parecia que podia sentir a dor novamente. Felizmente, os braços de Diana eram tão quentes e acolhedores quanto os de Claude, Lucas e Lilian. Sentia-se protegida ali.

— Aaah, minha doce princesa. Eu sinto muito... — Diana soltou enquanto abraçava Athanasia. — Minha doce e encantadora Athy, sinto muito por não termos sido capazes de protege-la. Sinto muito...

— Tudo está bem mãe. Isso não importa agora. Além, não foram todos dias ruins...

— O que quer dizer?

Claude perguntou consternado.

— Por algum tempo... Eu tive alguém comigo...

— Quem?

— Nos últimos meses, antes de sair de lá. Eu conheci alguém que me ajudou.

Athanasia respondeu com um singelo sorriso e isso não passou despercebido por Diana.

***

Notas finais
HOLIIIIIIIIIIIIII O/ Gente, 8 MESES. DESCULPA Aconteceu diversas coisas e posso enumerar elas aqui, mas não quero ficar justificando nada pq não é justo com vcs. Tirando o último mês, os outros eu só estava realmente mal e com bloqueio para qualquer história. Quando finalmente comecei a escrever o capítulo, meu not deu ruim e o teclado estragou. Tive que comprar um novo, e só não postei o capitulo semana passada pq fiquei acamada kkkk Mas enfim, espero que tenham gostado. Esse capítulo ficou um pouco mais pesado do que os outros pq queria adicionar informações que eu não tinha posto até agora. E acho que uma das dúvidas seria o pq a Athy não ter dito sobre isso antes pro Lucas. A resposta é pq ela não conseguia. Era algo tão doloroso que ela apenas queria esquecer e viver os momentos que tiveram. E claro, Carax parou de tirar sangue dela muito antes do Lucas aparecer, por isso ela nunca tocou no assunto. Lucas apareceu brevemente, mas ele certamente vai aparecer no próximo. E sobre o reencontro de Diana com a Athy, vai vir mais pra frente em uma conversa com Lucas. Eu nunca coloquei taaaaantos detalhes pq não pretendia estender a história, por isso ela é um pouco “corrida” por assim dizer. Enfim, espero que gostem. Não vou prometer capítulo logo por que agora tenho mais projetos além deste kkkk. Pra quem não sabe, tenho uma scan no Facebook agora, Sigam a gente lá, traduzimos algumas novels para vcs ♥ Oh o link da capivarinha aqui: https://www.facebook.com/Capivara-Spoiler-109858187877654 Vejo vcs em breve lálálá ~ Kissus ♥