Além Da Escuridão
3 Capítulo 3 - Acidentes e culpados.
Notas iniciais
21 agosto 2019
-Você está pronta? –Ele perguntou colocando sua mochila nas costas e tirando uma caixa do chão onde tinham alguns dos seus pertences.Eu não tinha muita coisa,apenas minha própria mochila que agora não tinha nada além das minhas poucas roupas e da pequena faca que peguei quando tive a chance.
-Sim.-Eu assenti timidamente,ele olhou pra mim por mais alguns segundos,me encarando com aqueles pequenos olhos antes de se mover para a porta da frente,a qual levou alguns minutos abrindo,pois era trancada a sete chaves.
-Entra no carro.-Ele me instruiu assim que vimos a luz do dia e três zumbis vagando pela rua.Eu o obedeci e assisti quando ele fez o mesmo e se apressou em dar a partida quando os zumbis se movimentaram em nossa direção.
Assim que saímos,tudo o que eu conseguia ver era terror.Tudo ao redor era tão...morto.E me lembrava daquele dia.O dia em que perdi a única pessoa que tinha.O pior dia da minha vida desde que tudo isso começou.
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04 julho 2019
Percebi que meu pai me observava constantemente enquanto andávamos até nosso destino,parecia estar perto.Deixamos o carro e andamos até onde supostamente deveria estar o Acampamento de desabrigados de Los Angeles.Não podia evitar a sensação de esperança e alivio que me invadiam,era uma evidente possibilidade de sobrevivência e descanso para duas pessoas derrubadas pela exaustão.
-O que foi?-Não resisti a perguntar,o porque de tantos olhares.
-Você é mais forte do que pensa sabia?-Ele disse de repente.Respondi com uma expressão curiosa.
-Você me lembra a sua Mãe.-Ele continuou.-Ela era tão feminina e delicada,mas por dentro guardava uma força que só se mostrava nos momentos necessários.Disposta a aprender e revolucionista.-Fiquei apenas escutando,não sabia o que responder,ele não falava da mamãe desde o acidente de sua morte,que foi provocada por ele mesmo.Bebida.-Vai ficar tudo bem.-Ele completou.
Chegamos na frente de um grande portão preto onde jazia uma placa com letras pouco apagadas “SOBREVIVENTES”.Isso tinha tudo para acabar bem,ignorando a questão de que o portão estava aberto.
-Não acho boa idéia entrarmos.Não acha que manteriam a porta fechada?-Perguntei cautelosa,isso parecia com todos os outros Campos de desabrigados que visitamos antes,destruídos.
-Temos que tentar.-Meu pai avançou com grandes passadas e não tive escolha se não acompanhá-lo mesmo achando a coisa errada a se fazer.Meu pai me protegeu até agora e o que eu tenho que fazer é confiar nele.Não estamos vivos sem razão.
O lugar parecia calmo,e eu estava começando a achar que poderia haver alguém que nos ajudasse.Esse pensamento se foi quando vimos.Um dúzia daquelas coisas talvez?Algumas delas no chão,devorando restos de carne de pessoas.Outras brigando por espaço para fazer o mesmo.E não demorou muito até que nos notassem.
-Volta.Volta agora.-Meu pai disse e eu sai em disparada a entrada,pelo longo corredor de grama.Olhei pra trás e meu pai vinha logo em seguida,junto com outras daquelas coisas,agora elas pareciam mais.Vinte ou trinta.O desespero corria por minhas veias tão rápido quanto minhas pernas e mesmo assim não parecia o suficiente,tudo piorou quando escutei o som de um tombo.
-Pai.Vem logo.-Ele não se levantou.As coisas estavam perto,porque ele não se levantava?
-Vai Amy.
-Não.Não sem você.-Ele estava me assustando.
-Eu não estou perguntando.Vai.Agora.-ele se levantou ao mesmo tempo que as coisas o alcançaram.Ele lutou com algumas usando uma faca.Na cabeça.Aprendemos com a prática embora nunca tivemos muito contato corpo a corpo.Continuei correndo quando ele conseguiu se desvencilhar e veio em minha direção.Passei pelo grande portão e esperei por ele,quando uma das coisas o mordeu no ombro por trás.Carne e sangue foram ao ar e ele gritou com a dor.
-Não!Pai!-Eu estava em choque,foi então que ele alcançou o portão,mas ou invés de sair,ele se fechou dentro a ele.
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21 agosto 2019
-Hey.Você está com dor?-Ele perguntou com semblante preocupado -Não.-Eu me virei para a janela escondendo meu rosto.-Só lembrei de uma coisa.
-Sabe?No inicio,quando perdi meus pais,parecia que não tinha mais coração no meu peito e no lugar só tinha dor.Mas com o tempo eu percebi que meu coração ainda estava lá.Junto com a dor é claro,mas com ela você se acostuma.
-Como aconteceu?-Perguntei voltando minha atenção pra ele.
-Acidente de carro.Um mauricinho bebeu demais e avançou o sinal em alta velocidade.Eles morreram na hora.
-Eu sinto muito.Minha mãe também morreu em um acidente.A diferença foi que meu pai quem bebeu demais.
-E teve que conviver com a culpa.-Ele acrescentou.
-É.Ele nunca se perdoou.-Eu disse e voltei a encarar a estrada,mergulhando de novo em meus pensamentos.
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