Além Da Amizade
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Seiya abriu os olhos devagar. Não se lembrava de nada que havia acontecido recentemente. Levou alguns segundos até abrir os olhos completamente e enxergar tudo à sua volta. Estava deitado numa cama de hospital e ouvia médico à sua volta dizendo coisas como “o paciente recobrou a consciência” e “diga para os amigos dele subirem”. Era tudo muito confuso. Mal lembrava quem era, onde estava, e o que tinha acontecido.
Levou uns cinco minutos para se dar conta de boa parte do que estava acontecendo e de quem era. Três rapazes conhecidos entraram naquele quarto do hospital. Eram Hyoga, Shiryu e Shun.
- A... amigos ? São vocês ?
- Sim, somos nós. – disse Shiryu.
- O que aconteceu ? O que estou fazendo aqui ?
- Nós estivemos em perigo por ir contra os deuses. – Foi dizendo Hyoga. – A nossa última ameaça era Apolo. Você e a Saori estiveram diante de Apolo, lembra-se disso ?
- Sim. Eu lembro que tentei lutar contra Apolo. A última coisa de que eu me lembro foi de ter elevado meu cosmo mais do que nunca para acertá-lo com um golpe. Depois disso, eu não lembro de nada.
- Você ganhou, Seiya. Você conseguiu vencer Apolo com apenas um golpe. – disse Shun.
- É mesmo ?!
- Sim, mas aquele golpe exigiu demais de você, e você entrou em coma.
- E a Saori ? O que aconteceu com ela ? Ela foi punida por outros deuses ? A humanidade ainda corre perigo ?
- Não, está tudo bem. – disse Shiryu. – Atena teve uma longa conversa com Zeus, e ele resolveu que iria perdoar a ela e a toda a humanidade.
- Mais uma vez você deu um jeito em tudo.
Todos se viraram para encarar o dono daquela voz. Era Ikki, que havia entrado no quarto.
- Ikki, você não mudou nada. Continua chegando sempre depois de todo mundo. – disse Seiya, em tom de brincadeira, apesar do cansaço.
- Eu estava dando um telefonema para uma pessoa.
Um enfermeiro apareceu trazendo uma bandeja com sanduíche e suco para Seiya, pois ele precisava se alimentar. E foi comendo enquanto conversava com os outros cavaleiros sobre os últimos acontecimentos.
- Ah, e a Saori não pôde vir, mas mandou darmos um recado. – foi dizendo Hyoga. – Ela disse que iria dar a benção dela para o seu casamento, e que você não precisaria mais ser cavaleiro se não quisesse.
- Eu não tenho vontade de deixar a vida de cavaleiro, pois me orgulho de lutar por Atena, porém, a Minu ficaria muito preocupada se eu continuasse sendo cavaleiro. Eu vou ter que pensar bastante nisso.
- A Minu é a sua noiva, não é ? – perguntou Shiryu.
- Sim, é ela.
- Com licença. – disse um médico, entrando na sala. – Há uma visita para o paciente, que diz que quer ficar a sós com ele.
Com exceção de Seiya, todos os cavaleiros puderam ver Minu do lado de fora do quarto.
- Então vamos, amigos. Acho que só iríamos atrapalhar aqui. A pessoa que eu chamei para vir aqui já chegou. – avisou Ikki.
- Bom descanso, Seiya. – disse Hyoga, saindo junto com os outros.
- Obrigado.
Fora da sala, Minu viu a maioria dos cavaleiros seguir para outro corredor, mas quando estava praticamente na porta, foi parada por Shun.
- Cuida bem do Seiya, tá bom ? Você promete que vai cuidar bem do Seiya ?! – perguntou ele, com os olhos úmidos.
- Claro que sim. – respondeu ela, com um sorriso. Shun subitamente a abraçou.
- Cuida bem do Seiya, tá ?!
- Tá bom. – disse ela, dando dois tapinhas leves nas costas dele, sem saber direito como reagir diante de tamanha preocupação.
- Anda logo, Shun, eles querem ficar sozinhos! – disse Shiryu em tom alto, do outro lado do corredor. Shun atendeu ao chamado e se foi com os outros.
Minu entrou na sala, com as mãos entrelaçadas na altura da cintura.
- Seiya!
- Minu! Quanto tempo!
Minu foi até o lado da cama do Seiya.
- Fiquei preocupada, Seiya. O que aconteceu com você ?
- Ah, é uma história longa.
- Tenho todo o tempo do mundo. Mas eu tenho que saber o que aconteceu com você.
Seiya então começou a falar da batalha contra Hades, e que havia ficado paralítico por causa de um ataque. E também que depois houve uma batalha contra antigos companheiros e contra o deus Apolo.
- Mas agora você se sente bem ?
- Sim, Minu. Ainda estou cansado, mas acho que vou receber alta ainda essa semana, e depois, cumprirei a promessa que fiz a você.
- Vai ser o dia mais feliz da minha vida, Seiya. – disse Minu, com os olhos úmidos olhando ternamente para o rapaz.
- Você sofreu muito na minha ausência ?
- Foi muita saudade. Mas eu não queria chorar de tristeza por sua causa, eu só quero chorar por você se for de alegria.
- Eu te amo, Minu.
- Eu também te amo, Seiya.
Os dois se beijaram, e ainda dariam quantos beijos fossem necessários para compensar o tempo perdido.
***
Finalmente chegou o dia de o Seiya receber alta. Minu estava esperando por ele na frente do hospital. Depois de alguns minutos, ele apareceu.
- Minu, olá! – disse ele, acenando e chamando a sua atenção.
- Seiya!
Minu foi até ele e o abraçou.
- Estou muito feliz que agora nós dois podemos finalmente ficar juntos, Seiya. – disse ela, tentando conter lágrimas.
- Eu também, Minu. Agora nada mais poderá nos separar. Agora nós poderemos ficar juntos para sempre. – desfez o abraço e a olhou nos olhos. – Eu não me esqueci da promessa que eu te fiz. Mas acho melhor eu fazer do jeito clássico.
- Como assim ? – perguntou ela, sem saber do que ele estava falando.
Seiya se ajoelhou e segurou a mão dela.
- Você quer casar comigo ?
- Ah Seiya, como você é bobo! Mas é claro que eu quero!
Os dois começaram a rir e saíram andando de mãos dadas. Uma caminhada que durou apenas alguns minutos, até chegarem ao orfanato. As crianças estavam brincando. Umas de amarelinha, outras de futebol, outras de pega-pega.
- Ah, isso traz tantas lembranças. – disse ela, encostando a cabeça no braço do Seiya.
- É. Nós já fomos exatamente assim. – disse ele, sorrindo.
As crianças logo notaram a presença deles e formaram uma multidão diante deles, todos querendo saber como o Seiya estava.
- Hahaha. Eu estou bem, vocês sabem que eu sou de ferro.
- Você e a Minu vão se casar ?! – perguntou uma das crianças, em tom de brincadeira.
Minu corou, olhando para outra direção. Seiya passou seu braço envolta do pescoço dela.
- Sim! Nós vamos nos casar! – disse ele, com sinceridade.
- Vão mesmo ?! – perguntou outra criança.
- É claro! – disse ela.
Ao ouvirem a confirmação da notícia, todas as crianças começaram a bater palmas e a gritar comemorações. Enquanto o casal era aplaudido, caminhava rumo ao interior do orfanato, para começarem a planejar o casamento. Eles estavam mesmo muito felizes.
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