Notas iniciais
Este capítulo se passa algumas semanas após o anterior.

Minu estava terminando de ler para as crianças do orfanato um conto de fadas, no pátio do orfanato, algumas estavam concentradas, enquanto outras estavam entediadas esperando a hora de jogar futebol. Quando Minu finalmente terminou de ler, a maioria começou a correr para começar um jogo. Mas duas meninas se colocaram na frente da Mino.

— Tia Minu, a gente queria saber uma coisa: contos de fadas existem ? – perguntou uma delas.

— Aposto que não! – disse a outra.

— Bem... na verdade os contos desses livrinhos não são reais mas... – Minu abraçou o livro e fechou os olhos, se sentindo nas nuvens. – Existem sim situações em que um valente cavaleiro se apaixona por uma mocinha, e eles estão destinados a ficarem juntos para sempre. – Minu suspirou e se encostou na árvore.

— A Tia Minu tá estranha, tá até ficando vermelha. – comentou baixinho uma das meninas, com a outra.

— Ah, vai ver ela tá pensando no Seiya.

— Ah! – Minu acordou de suas ilusões. – Tenho que apitar o jogo! – E saiu correndo para organizar tudo.

O jogo começou. Correu tudo normal durante a maior parte do jogo. Mas perto do final, após sair gol de um dos times um menino apontou para uma direção.

— Olhem, é o Seiya! – disse ele.

Seiya chegou sorridente.

— Oi pra todos. – disse ele, com um sorriso especial para Minu, que sorriu de volta. – Será que eu posso jogar também ?

— Claro! – disse Makoto, puxando ele pelo braço. – No meu time! Vamos fazer uma substituição.

Seiya jogou durante os momentos finais. E bem no último minuto, fez um gol. Todos do time começaram a comemorar, pois Seiya havia desempatado a partida. Minu apitou alto, indicando o fim do jogo. As crianças caminhavam para seus respectivos quartos, enquanto Seiya foi falar com Minu.

— Olá.

— Oi Seiya. Você fez um belo gol hoje.

— Ah, esse gol eu fiz dedicado a você. — disse, piscando um olho. Minu sorriu.

— Ah, fico feliz por saber disso.

— Minu, me diz uma coisa, você estaria interessada em... jantar fora esta noite ?

— Jantar fora ?! Com você ?! – ela se surpreendeu com o convite.

— Se não quiser também não precisa.

— Ah, eu quero sim, Seiya!

***

Já era tarde da noite quando Seiya e Minu voltaram do encontro. Haviam jantado em um restaurante.

— Ah, esse foi o melhor encontro que eu já tive! – disse Seiya, se espreguiçando e andando com Minu pelos corredores do orfanato.

— É, eu também acho.

Ouviram uma porta rangendo, viraram-se e viram Makoto com a cabeça pra fora do quarto.

— Então, como é que foi o encontro ?! – disse ele, com uma risadinha.

— Makoto, já pra cama! – disse Minu, num misto de vergonha e revolta. Makoto fechou a porta e Minu sentiu uma mão no seu ombro.

— Não se preocupe, Minu. Todas as crianças já perceberam o nosso namoro. Não esquenta com isso.

Continuaram a andar, pararam na frente do quarto de Minu.

— Bom, acho que é aqui que a gente se separa. – disse ela.

— Ah, você se importaria se eu entrasse um pouco ?

— Claro que não, não tem problema.

Seiya entrou e Minu fechou a porta, se sentaram na cama.

— É que eu queria te dar isso. – Seiya pôs a mão no bolso e tirou uma aliança.

— Nossa, que lindo, Seiya! – Minu pegou o anel e se levantou. – É um belo anel de namoro.

— De namoro ? – Seiya se levantou, os dois se olharam. – Eu gostaria que ele se tornasse um anel de noivado. – Minu esbugalhou os olhos.

— Seiya... – Minu o abraçou e deixou uma lágrima cair.

— Você está chorando ? – perguntou Seiya, ainda abraçado com ela.

— De felicidade! – disse ela, desfazendo o abraço.

Seiya e Minu se olharam por mais alguns segundos até que se aproximaram e se beijaram, a emoção os fez cair na cama.

***

— Ah! – gritou Seiya, num sobressalto que teve deitado na cama quando acordou.

— O que houve, Seiya ?! Você está tão tenso.

— Alguma coisa vai acontecer... no santuário! Eu tive um sonho muito estranho Minu, um pesadelo.

— Mas que pesadelo, Seiya ? – perguntou, preocupada.

— Eu não me lembro de todos os detalhes. Mas lembro que o Mu me atacou, alguns cavaleiros que já morreram apareceram com armaduras escuras, e a Saori estava segurando uma adaga e apontando para si mesma! Eu tenho quase certeza que foi um sonho premonitório. Eu tenho que ir ao santuário!

Seiya se levantou da cama, vestiu suas calças e sua camiseta. Ainda estava no quarto da Minu.

— Calma, Seiya! Por quê você está sempre tão preocupado com a Saori ?!

— Ela é a reencarnação da deusa Atena, é meu dever protegê-la! Isso não é hora pra ciúmes, Minu. Só vou tomar um café da manhã aqui e depois vou pegar a urna da minha armadura e ir para o santuário.

— Tá bem, está na hora do café mesmo. Vamos lá.

***

Seiya estava com a urna da armadura em seus ombros, como uma mochila, à sua volta estavam todas as crianças do orfanato, e Minu bem ao seu lado.

— Seiya, eu fico preocupada, você vai se arriscar de novo!

— Não se preocupe, Minu. – Seiya pegou em suas mãos. – Eu prometo que vou resolver qualquer problema que tiver que enfrentar, e vou voltar vivo. E quando eu voltar, nós dois vamos nos casar! É uma promessa.

— Tudo bem. – disse Minu, sorridente e com uma lágrima caindo de um de seus olhos. – Vai então, Seiya.

As crianças se afastaram e Seiya começou a andar na direção oposta à do orfanato. Todos estavam gritando despedidas. Minu estava sorrindo.

— Até mais!! Eu prometo voltar!! – gritou ele, acenando, e todos acenaram de volta.

Notas finais
Nesse último parágrafo eu me baseei em uma cena da 1ª abertura da Saga de Hades, em que o Seiya está acenando para Minu e as crianças do orfanato em sinal de despedida.