Faltava apenas uma hora para meu turno terminar. Eu havia concordado em cobrir Bryan mais uma vez. Já estava farta de todo dia ele ter uma desculpa para não ir trabalhar. A desculpa do dia era: “Estou doente. De novo!”. O que me deixava mais irritada, era o fato de César não se incomodar. Toda vez que eu ir falar com ele, ele dizia que era normal as pessoas ficarem doentes. Velho idiota e burro! Eu só continuava trabalhando com ele porque eu precisava da grana. Todo dia eu me arrependia de ter deixado meus pais em Miami. Eu só tinha 16 anos, mas queria uma vida cheia de liberdade e diversão. Quebrei a cara! Agora, em vez de me divertir, eu trabalhava cobrindo um garoto retardado que nunca ia trabalhar e o pior, meu chefe ainda pagava o salário dele no fim do mês!

Quando me dei conta, já eram oito horas. Fui para os fundos, peguei minhas coisas e meti o pé. Não tinha nada para fazer naquele resto de segunda-feira, então dei uma passada num shopping que ficava ali perto. Já fazia algum tempo que eu não ia ali. Precisava ver gente diferente!

Fiquei andando pelo shopping. Comprei um milkshake e fiquei olhando as vitrines. Foi aí, que eu vi o colar mais lindo do mundo. O colar era de uma fênix revestida em pequenos diamantes. Fazia qualquer um querer parar e admirar. A moça da loja veio até mim e perguntou se podia ajudar. Queria demais aquele cordão, mas eu precisava economizar para me mudar. Não aguentava mais aquela espelunca onde morava. Agradeci a vendedora e fui para o banheiro.

Chegando lá, me deparei com umas garotas que, naquele frio, estavam usando mini saia. Me aproximei do espelho em que ela se admirava e fiquei olhando.

– Algum problema, querida? – disse a garota com uma voz irritantemente irritante.

– Não. – respondi.

– O que você faz aqui então? Vai ficar parada aí?

– O banheiro é público até onde eu sei. Não sabia que isso tinha mudado.

– Não é isso, amor. Só que banheiro masculino é do outro lado. Pelo menos até onde eu sei.

– E lugar de piranha é no mar, mas olha só: você está aqui.

– Você sabe com quem está falando, boneca?

– Sim. Acredite, também estou surpresa por poder entender animais!

Naquele momento, a garota tirou seu casaco de marca, deixando a mostra sua tatuagem, que parecia uma fênix pela metade. Fiquei paralisada. Aquelas pernas, aquele animal, se pareciam muito com as histórias que minha mãe me contava. Ela dizia que eu tinha que estar preparada porque um dia, eu faria parte de "outro mundo". Até hoje não entendo isso. Acho que são só simples histórias.

Sem tempo para pensar, a garota foi em direção ao meu pescoço e eu só senti uma dor muito grande, como se algum tipo de coisa estivesse me consumindo, queimando por dentro. A dor era horrível. Nunca havia sentido nada assim antes. Meu pescoço queimava e eu podia sentir a queimação indo para meus braços e pernas. Neste momento, a garota voou contra a parede, como se tivesse sido empurrada. As luzes piscaram e os espelhos quebraram. Estava com uma dor tão grande, que a ultima coisa que lembro antes de apagar, foi de ter ouvido alguém gritando.

– JÁ BASTA, DORAH!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.