Always by your side
17 Satellite of love
Notas iniciais
Regina andava pelas ruas do centro da cidade, tranquilamente. Estava voltando para casa, que não ficava muito longe dali, depois de visitar um amigo, quando escuta passos atrás de si. Olha para trás desconfiada, mas não encontra nada.
Ao passar perto de alguns arbustos que tinha em frente a uma casa, é puxada abruptamente, por dois braços, para dentro dos matos.
Com os ensinamentos que tivera de luta, depois de ser puxada, conseguiu inverter as posições e prender a pessoa com uma chave de braço e com a outra mão, puxou rapidamente sua arma do coldre e apontou para a cabeça da pessoa.
— Calma aí, Regina... — A voz era conhecida pela Sargento, mas mesmo assim ela não o soltou. — Sou eu, o Jefferson... — Tentou se soltar do aperto do braço forte da morena, mas não conseguiu, então desistiu. — Não me reconhece mais? Você me viu ano passado... Está andando armada agora?
— Eu sempre ando armada. — Rebate, apertando-o mais um pouco. — Você é um idiota. — Solta o homem e o empurra, fazendo-o tropeçar. — Geralmente as pessoas cumprimentam as outras com um oi. — Reclama, guardando a arma no lugar.
— Oi Regina. — Disse de forma sínica. — Melhorou? — Mills revira os olhos.
— O que você quer? — Indaga de forma impaciente. Queria logo voltar para casa e mostrar a sua surpresa para Emma.
— Por que procurou outro? — Foi direto. Regina franziu o cenho sem entender. — A tatto... — Apontou para o local onde Mills tinha feito.
— Como sabe? — Indagou surpresa.
— Eu vi você indo para a concorrência. — Respondeu simplesmente. Seu tom era baixo. Parecia decepcionado. — E o local... Eu deduzi, porque eu não estou vendo indícios de uma tatuagem em outro lugar em seu corpo.
— Eu fui lá porque quando eu passei no bar da Sid, vi seu carro por lá, então imaginei que estivesse se divertindo. — Defendeu-se, dando de ombros em seguida.
— OK! Dessa vez eu te perdoo. — Deu um sorrisinho. — Posso ver? — Perguntou animado. — Quero ver se tenho que me preocupar com a concorrência. — Explicou rapidamente, para que Regina não pensasse besteira.
— É para uma pessoa especial e só ela verá. — Colocou a mão em cima do local da tatuagem e deu um sorrisinho.
— Regina Mills está namorando? — Indagou com deboche.
— Não... — Negou rapidamente. — E nem quero... — Completou. — Mas a pessoa é realmente especial para mim e apesar de não namorarmos, temos um tipo de relacionamento, que no fim das contas, parece um namoro... — Explicou, após ter visto a expressão de confusão e curiosidade do homem. — Mas enfim... Preciso ir... — Começou a andar para fora do jardim que caíra após ela ter sido puxada por ele.
— Aparece amanhã para bebermos um pouco... — Pediu já se afastando da morena. Seu tom um pouco mais alto.
— OK! — Mostrou seu dedão de forma positiva. — Até mais Jefferson.
•§•
Emma estava horrorizada com o que via no vídeo.
Uma sex tape.
Uma sex tape de Regina.
Uma sex tape de Regina, numa orgia com duas mulheres.
Regina estava nua, em cima de uma cama, enquanto Sidney, a mulher que conhecera mais cedo, beijava-a em seu pescoço e massageava seus seios e as outras duas, que ela não conhecia, beijavam as outras partes livres e expostas da morena.
Logo no começo do vídeo, Emma pode perceber Regina arrumando a câmera que gravaria toda a safadeza, antes de tirar a roupa e se agarrar as outras, que já estavam nuas, a sua espera.
De repente, algo não muito legal passou por sua mente e ela iria matar Regina se a mesma tivesse feito o que ela estava imaginando.
Sente a aliança que a amiga um dia colocara em seu dedo e a gira algumas vezes, nervosa, já sentindo a dor da decepção.
Ela não podia passar por aquilo de novo. Não teria estrutura para algo do tipo. Se tudo estava para acontecer de novo, dessa vez seria pior que da outra vez.
•§•
Regina estava sorridente quando chegou em casa. Estava louca para mostrar sua surpresa para Emma e saber o que ela acharia. Estava torcendo para que gostasse.
Ao entrar na residência, percebeu tudo apagado, exceto pela luz da cozinha e não encontrou Emma nem lá e nem na sala.
— Emma? —Chamou-a, tendo o silêncio como resposta.
Ao não ouvir a voz de Emma lhe respondendo, nem mesmo um sinal de que ela estaria por ali, saiu andando pelos cômodos, à procura da amiga.
Foi nos quartos, no quintal da parte de trás e nos banheiros. Mas a loira não estava em nenhum daqueles locais.
— Será que ela saiu? — Indagou para si mesmo. — Acho que não. Ela não conhece nada por aqui... Além de que, teria me avisado. — Concluiu seu raciocino. — Eu acho...
Como não encontrou Emma em lugar algum e também não fazia ideia para onde ela fora, resolveu ir para o seu quarto tomar um banho e esperar pela loira na cama. Se ela havia saído, em algum momento voltaria. Emma era bastante esperta e não se perderia por aí.
Ao passar pelo corredor que dava para o seu quarto, percebeu a porta da biblioteca entreaberta.
Deu um sorrisinho.
— Claro... — Estalou os dedos. — Por que eu não olhei aqui logo? — Bateu em sua testa e balançou a cabeça negativamente, enquanto sorria de si mesmo.
Em passos lentos, se aproximou da porta e quando a empurrou para abrir, machucou o dedo na trava, arrancando sangue e causando-lhe uma dorzinha.
— Droga! — Sussurrou, balançando o dedo para o sangue escorrer.
Ao adentrar, logo encontrou Emma sentada em uma das poltronas, assistindo algo em um notebook.
— Emma? — Chamou-a, adentrando ao cômodo. — Já cheguei. — Fechou a porta atrás de si e foi sorridente até a mulher que nem piscava diante a tela do computador. Chegou por trás da amiga e beijou o seu pescoço. Quando tentou beijar a sua bochecha, Emma desviou, ágil, com raiva.
— Era com você mesmo que eu queria falar. — Seu tom era calmo, totalmente oposto ao que sentia por dentro. Colocou o notebook em cima da mesa e se levantou.
— O que você está ven... — Não conseguiu terminar a pergunta, pois se assustou com a mão de Emma que vinha de encontro ao seu rosto, mas que foi parada pela própria, com a outra mão, impedindo-a de continuar seu percurso até o seu rosto. Com o susto, acaba por cair ao chão. — O que...
— Isso é o que eu estou vendo... — Respondeu, interrompendo-a novamente e logo virando a tela do notebook para a morena, ainda caída ao chão, agora chupando o seu dedo que não parava de sangrar, que arregalou os olhos, quando se viu usando um strap-on, deitada na cama, com Sidney por cima, beijando-lhe o pescoço enquanto cavalga de forma lenta. Uma de suas mãos estava apertando a bunda da mulher que hora ou outra, parava as carícias em seu pescoço e gemia de forma manhosa. Ao mesmo tempo em que outra mulher, prima de Sidney, acariciava seus seios, e outra, apenas observava tudo enquanto gemia e se tocava.
— Co-como você achou isso? — Estava totalmente perdida. Nem lembrava que tinha gravado aquilo e só lembrou que esteve com Sid e suas primas porque estava vendo as gravações.
— Eu faço as perguntas por aqui. — Gritou de forma nervosa. Seu rosto estava mais vermelho que um pimentão. Se é que isso era possível. — Era ela a mulher especial que você falou outro dia? — Respirou fundo ao ver que se deixou levar pelo ciúme e fez a pergunta errada, e balançou a cabeça algumas vezes, como para lembrar o que deveria de fato, questionar. — Você costuma gravar suas transas? — Regina arregala os olhos. — Você gravou as nossas? — Balançou a cabeça negativamente, diversas vezes. — O que você faz com esses vídeos? Usa para se tocar, como aqueles pervertidos que gravam as calcinhas das mulheres por aí? — Nesse momento, Regina abaixou sua cabeça. Estava envergonhada pelo vídeo que Emma vira, e pior, estava triste pelo que estava ouvindo de sua amiga. Estava doendo em seu coração, cada palavra dita pela boca que tanto adora beijar. — Ou melhor, joga esses vídeos em algum site pornô? — Aproximou-se da morena e a puxou pela gola da camisa. Fazendo-a ficar cara a cara com ela. Seus olhos estavam marejados, mas ela não se permitiria chorar. — Tem algum vídeo meu em algum desses sites? — Regina estava assustada. Nunca vira Emma tão fora de si, como agora. Na verdade, apesar de sua profissão, sempre foi pacífica.
— Você acha que eu faria isso? — Indagou com dificuldade. Seu tom era decepcionado. Estava verdadeiramente magoada. — Você acha mesmo, que eu iria te expor desse jeito? Acha que eu teria coragem de te gravar sem a sua permissão? — Perguntou, sua voz embargada.
— Eu não sei, Regina. Diga-me você. — Soltou a gola da camisa da morena e se afastou da mesma. Estava transtornada. O medo percorria seu o corpo, causando diversas reações. Uma delas era as náuseas. — Eu achei que te conhecia... — Não aguentando mais, permitiu-se chorar.
Antes que Regina pudesse rebater, um grito de uma mulher chama a atenção das duas.
Regina se levantou rapidamente e limpou o sangue que ainda descia por seu dedo, limpando um pouco da mão em sua blusa.
Estava prestes a abrir a porta para ir ver do que se tratava o grito, quando Emma a puxa pelo braço, fazendo-a parar no lugar.
— Aonde você vai? — Seu tom ainda era irritado. Seus dedos apertavam com força o braço da morena.
— Não sei se você percebeu, mas alguém deve estar precisando de ajuda. — Respondeu também irritada e deu um puxão em seu braço, soltando-se do agarre da outra.
— Eu vou lá... — Puxou-a novamente, mas logo soltou. — Você vai ficar aqui e apagar todos os vídeos que tiver por aí. — Apontou para o notebook.
— Não precisa se preocupar com isso... — Seu tom era baixo e frio. — Não tem nada seu por aí e eu nunca gravei nada nosso. Eu jamais faria isso com você. — Emma abriu a boca, mas nada disse. De repente, como se tivesse acordando de um pesado, deu-se conta do que aconteceu. Sentiu-se ridícula pelo que acabara de fazer. Por tudo que disse à outra. — Será que eu posso ir ver o que está acontecendo? Se demorar mais, alguém pode morrer...
— A sua mão... — Baixou a vista, olhando para o membro. Não fazia ideia do por que a mão da morena estava sangrando. Só havia percebido que estava machucada, quando a segurou pelo braço, minutos antes. — Ela está sangrando... — Apontou para o local. — Você vai assim mesmo? — Seu tom era baixo e envergonhado.
— Não vou morrer por causa disso. — E sem esperar por uma resposta, abriu a porta e saiu correndo.
Em silêncio, Emma foi até o notebook, puxou sem delicadeza, o pen drive, o jogou no chão e saiu correndo também.
•§•
— O que está acontecendo? — Emma perguntou assim que encontrou Regina na frente da casa ao lado.
— Eu não sei... — Jogou-se contra a porta e forçou a maçaneta. — A porta está trancada e de repente tudo ficou em silêncio. — Afastou-se da porta e correu, dando um chute na mesma, conseguindo abri-la.
— Você vai invadir? — Perguntou surpresa.
— Tem ideia melhor? — Ao não obter resposta, entrou na casa e gritou: — Foi o que pensei.
Sem pensar duas vezes, Emma puxou sua arma e com ela em punho, entrou na casa também.
Estava se preparando para entrar em um cômodo que jogou ser um quarto, devido à placa que tinha na porta, com um nome de um menino, quando escutou um tiro.
— Regina! — Gritou assustada e saiu correndo por onde Regina tinha ido, dando de cara com um homem caído ao chão, com uma faca na mão, uma mulher toda ensanguentada e respirando com dificuldades, também caída ao chão e Regina sentada na cama, apontando a arma para o homem. Um de seus braços, o direito, estava sangrando. — O que aconteceu? Você está bem? — Aproximou-se rapidamente da morena.
— Se ficar a marca em meu braço, eu te caço no inferno. — Regina gritou para o homem caído ao chão, que a olhava de forma irritada. — Esse imbecil estava tentando matar a mulher... — Respondeu à Emma.
— Eu vou chamar o socorro. — Avisou, já se levantando da cama e pegando seu celular para fazer a ligação.
•§•
Após o socorro e a Polícia local, chegarem à casa, o homem fora atendido e logo encaminhado para o Departamento, a mulher fora levada para o hospital em estado grave e Regina fora atendida ali mesmo, sendo liberada logo em seguida, com um curativo na mão e o braço enfaixado.
Mills estava agora, em seu lugar preferido na casa. O telhado do primeiro andar, onde costumava ficar com Daniel, quando os dois frequentavam o local.
Em seu celular, tocava uma das músicas preferidas, do cantor preferido do seu amigo. “Satellite of love — Lou Reed” Nunca entendera o que fez aquela música ser a preferida de Daniel, Lou tinha várias outras bem mais bonitas, mas acabou gostando dela, de tanto que Colter a fazia ouvir.
Enquanto olhava para o céu e ouvia a música, lágrimas desciam por seus olhos, a cada vez que lembranças com o amigo passavam por sua mente.
— Você deveria ter me ensinado a te esquecer... — Sussurrou para o céu. — Faz tanto tempo, mas é como se tivesse sido ontem. — Passou o dedo enxugando as lágrimas, mas de nada serviu, pois logo voltaram a descer.
Seu momento fora interrompido pelo barulho da janela atrás de si sendo aberta.
Não precisava olhar para trás para saber quem era.
Além de conhecer o cheiro da amiga, só tinha ela na casa. Não poderia ser outra pessoa. Se fosse um invasor, ela com certeza já saberia.
— Regina... — Emma sussurrou. — Eu já estava preocupada com você.
Regina nada respondeu. Nem ao menos se mexeu.
— Está frio aqui fora...
Mais silêncio.
— Regina... — Tentou novamente, mas não obteve resposta. — Sobre mais cedo...
— Emma... — Interrompeu-a, finalmente se pronunciando. — Hoje não... — Pediu num sussurro, segurando-se para não desabar num choro. De repente, estava muito sensível. Lembrar-se de Daniel sempre a deixava assim.
Emma abriu a boca para falar, mas desistiu, apenas assentindo com o pedido da amiga. Sabia que ela precisava de um tempo para si. Havia errado feio com ela e sabia que isso a dava todo o direito de estar aborrecida e magoada.
— Estou indo me deitar... — E sem esperar resposta, baixou a janela e se foi, deixando Regina sozinha com sua saudade e mágoa pelo que a loira fizera mais cedo.
Regina sabia que Emma não tinha total culpa no acontecido. Se fosse ela no lugar da loira, pensaria o mesmo. Se encontrasse algum vídeo de sua amiga transando, ainda mais vendo que fora ela quem preparou tudo, também pensaria, nem que fosse por um minuto, o mesmo que Emma pensara. Afinal, quem não pensaria? Mesmo que fosse por um momento rápido e logo a ideia sumisse da mente?
Porém, mesmo assim, ela não conseguia deixar de ficar triste com a atitude da amiga.
Ok, ela pensar aquilo. É normal que pensasse aquelas coisas de primeira, mas sustentar o pensamento e fazer todas aquelas acusações sem nem ao menos deixa-la explicar alguma coisa? Então era isso que Emma pensava dela?
A dor que estava sentindo pelo machucado no dedo e no braço, nem se comparava a dor que estava sentindo na alma, por todas as palavras ditas por Swan. Depois do que acontecera, desistiu até de mostrar a tatuagem que tinha feito. A surpresa ficaria para outro dia.
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