Always by your side
45 I want to know what love is
Notas iniciais
― Para onde está me raptando, Emma? ― Regina pergunta bem-humorada quando tira a vista do celular e levanta a cabeça, percebendo que não estão no caminho de casa, mas sim, saindo de Chicago.
― Um lugar especial que conheci há pouco tempo. ― A loira responde com suspense, deixando Regina ainda mais curiosa. ― Logo chegamos e você poderá ver. ― Acrescenta, esticando-se até o rádio e aumentando o volume, claramente deixando claro que não quer que Mills faz mais perguntas. Atendendo ao pedido silencioso de Swan, Regina abaixa a cabeça e volta a sua atenção para o celular.
Uma hora depois, Emma estaciona o carro na frente do Rio Illinois, em uma trilha no Starved rock state Park, em Ottawa.
― Starved rock state Park! ― Regina exclama surpresa, descendo do veículo. ― Eu nunca vim aqui. Apenas passei por perto algumas vezes. ― Empurra a porta com força, causando uma careta em Emma pela falta de delicadeza, mesmo não sendo o seu carro, mas o da própria, e se encosta na lateria, deixando sua muleta de lado.
― Enquanto você estava em coma, eu costumava vir aqui para me acalmar nos dias mais agitados, respirar ar puro e pensar um pouco. ― Emma murmura, rodeando o veículo e se juntando a morena, também se encostando na lataria.
Com os olhares perdidos no horizonte, preenchidas pela paz que o lugar proporcionava, as mulheres ficam em silêncio e apenas o som do Rio Illinois e Debbie Gibson cantando Foolish beat eram ouvidos.
Dedicando toda a atenção na letra da canção que tocava na rádio, Emma se lembra com pesar do dia em que disse para Regina que seria melhor serem apenas amigas. Ah, como ela estava errada...
― No que está pensando? ― Regina pergunta, quebrando o silêncio. Já estava há alguns minutos observando-a e ficou curiosa quando percebeu a mudança em sua face.
― No quanto eu estava errada no dia em que disse para sermos apenas amigas novamente. ― Responde de imediato, mirando-a. De repente seus olhos se enchem de lágrimas. ― Eu fui tão estúpida. ― Fala com raiva, balançando a cabeça negativamente e derramando algumas lágrimas. ― Eu quase te perdi! ― Tapa o rosto com as mãos e desaba no choro.
― Ei... ― Regina a puxa para si e a acolhe em seus braços. ― Emma, você não tem que ficar relembrando essas coisas. Nós duas erramos e fizemos coisas ruins que magoaram uma à outra. E para ser sincera, depois de tudo que tinha acontecido, não iria dar certo continuar como estávamos. Foi bom para nós duas e para a nossa relação, que tenhamos voltado a ser apenas amigas e tenhamos passado um tempo assim, apesar de termos nos afastado um pouco também. ― Admite, pegando a loira de surpresa. Swan jamais pensou que algum dia Regina concordaria com a decisão que por consequência as afastou por um tempo. ― Só não achei bom o tempo que levamos para nos acertamos... ― Ela dá uma risadinha e Emma a acompanha. ― Mas já passou... Vamos deixar isso em seu devido lugar. O passado. ― Beija carinhosamente sua cabeça e a aperta mais em seus braços. ― Sabe, eu também fui estúpida quando ficava contando sobre minhas experiências sexuais para você... ― Murmura em um tom pensativo, com o olhar perdido nas águas do Illinois e os dedos emaranhados nos fios loiros. ― E eu fui mais ainda quando te disse que foi depois de me magoarem profundamente que eu comecei a me envolver com as mulheres apenas casualmente e parti o coração de quase todas elas. ― Acrescenta em um tom baixo, sentindo-se envergonhada. Em outros tempos não sentiria constrangimento em dizer que era cafajeste. Ela não se importava com isso. Mas agora... Agora as coisas tinham mudado. Ela não era a mesma Regina Mills de anos atrás. Não era a mesma Regina que saia com uma e outra sem se importar com os sentimentos dessas mulheres e com o dia seguinte. Ela havia mudado e muito dessa mudança, se não toda, devia-se a Emma Swan, a mulher que tocou o seu coração depois de tanto tempo. A mulher por quem estava incondicional e irrevogavelmente apaixonada.
― Mas você não sentia nada por mim ainda... ― Emma comenta, levantando a cabeça e lhe encarando.
― Eu sentia, sim. Só não sabia ainda. ― Rebate, olhando fundo nos verdes que tanto ama e acariciando seu rosto com toques suaves.
― Quem foi a pessoa que quebrou o seu coração? Você nunca falou sobre ela...
― Não foi alguém conhecido. ― Emma franze o cenho, não entendendo a resposta. ― Não foi alguém como a Catherine... ― Explica, vendo a confusão em sua face, mas Swan continua sem entender. Regina sorri. ― Embora tenha sido um momento que me marcou, não foi memorável como Catherine foi para você. ― Explica melhor e o rosto da loira se ilumina em entendimento.
Emma volta a deitar a cabeça no peito de Regina, que logo a rodeia com seus braços, e ficam em silêncio mais uma vez.
― Não acredito que você beijou o Graham... ― Emma comenta de repente, em um tom jocoso e incrédulo e Regina revira os olhos.
― Não vamos entrar nesse assunto novamente, pela sexta ou sétima vez... ― Retruca em um tom cansado.
― Mas é que eu ainda não consigo acreditar... ― Emma desencosta a cabeça de seu peito e encontra um olhar de censura.
― Eu já disse! Ele estava com um papo que parecia que iria morrer, falando de desejos... Estava estranho, sabe? ― Explica-se mais uma vez. Já havia decorado a explicação de tanto que Emma tocou no assunto. ― E eu estava muito sensível pensando sobre a morte... ― Acrescenta baixinho, envergonhada. ― Mas e você que ficou ciúme, hum? ― Pergunta, virando o jogo e ficando com o lugar de tirar onda, como sempre fazia depois que se explicava.
― Eu não fiquei com ciúme. Já cansei de dizer também. ― Responde séria, desviando o olhar e Regina gargalha gostosamente. Ela sempre negava e agia do mesmo jeito.
― Como eu sempre digo: Seu tom de voz e sua expressão dizem-me exatamente o contrário. ― Mills sussurra com a boca encostada em seu ouvido. ― Mas eu vou acreditar em sua palavra. ― Acrescenta, beijando sua bochecha carinhosamente. Emma vira um pouco o seu rosto e os lábios se tocam demoradamente. Quando se separam alguns segundos depois, Regina vira Emma de costas para si e passa seus braços por sua cintura, abraçando-a e trazendo-a para mais perto.
― Por que você usou aquele brinquedo com aquelas mulheres? ― Swan indaga, mudando completamente o assunto. Estava com a pergunta na ponta da língua desde que Regina falara sobre ambas terem feito coisas erradas e o episódio em Detroit veio à mente. ― Naquele sex tape... Você disse que não curtia essas coisas...
― Depois de tanto tempo é que você me pergunta isso. ― Observa, mas sem tom recriminatório, embora não fosse um assunto que gostaria de falar.
― É que na época eu não tinha motivos para te questionar algo, além de que, você sabe, depois que eu vi os vídeos algumas coisas mudaram entre nós... ― Um frio sobe por sua barriga e costela e o coração acelera ao lembrar do que lhe aconteceu no passado.
― Sim, e cada vez que eu lembro o motivo pelo qual você reagiu daquela forma comigo me faz desejar ter estado presente na época para te proteger dos julgamentos e acusações que teve, dar suporte, bater nesse cara até a alma dele implorar para parar, fazer qualquer coisa que te ajudasse a ficar melhor... ― Aperta-a mais em seus braços como se tivesse sentido o seu nervosismo à menção do assunto e quisesse lhe acalmar e apoia o queixo em seu ombro. ― Mas bem, eu usei aqueles brinquedos porquê... ― Faz uma pausa e respira fundo. ― Bem... Eu já havia transado algumas vezes com elas e sempre me enchiam o saco para usar. ― Balança a cabeça negativamente e revira os olhos. ― Então, pensando na curiosidade em saber como era a sensação de usar dildo e pensando em me livrar da encheção de saco, eu cedi. E como era algo inédito, resolvemos gravar.
― Já passamos por tanta coisa que eu só acredito em cada uma porque eu estive lá para ver. ― A loira comenta bem-humorada, espantando os sentimentos ruins causados pela lembrança e as duas gargalham.
― Inclusive, não tivemos só momentos ruins. Poderíamos relembrar os bons também, sabe? Tipo... ― Solta-a de seu agarre e gira seu corpo, fazendo-a ficar de frente para si. ― O nosso primeiro beijo... A primeira vez em que fizemos amor... ― Sussurra em um tom sensual e beija seus lábios demoradamente. ― No aniversário de mamãe, ao som de Foreigner... ― Fala carinhosamente, olhando fundo em seus olhos e arrasta a ponta de seu polegar por todo o rosto alvo de Emma, como se quisesse decorar cada detalhe.
― Eu tive tanto medo de te perder... ― Desabafa com a voz embargada e os verdes marejados. ― Quando eu te vi quase sem vida no chão, toda machucada... ― Aperta-a em seus braços como se ainda existisse a ameaça de perde-la, deita a cabeça em seu peito e libera um choro desesperado que há muito precisava ser liberto.
― Shh! Eu estou aqui agora e você não vai me perder nem tão cedo. ― Regina fala baixinho, acariciando seus cabelos e beijando sua cabeça.
Entre fungadas de Emma, carícias e beijos de Regina e o silêncio de ambas, a música que tocava na rádio volta a ser ouvida. Coincidentemente era Foreigner. Regina sorri.
― Master Sounds 98.3 merece um prêmio por além de tocar as melhores músicas, sempre tocar as certas na hora certa. ― Regina murmura, levantando a cabeça de Emma e encostando seus narizes. Em seguida fecham os olhos. ― “I want to know what love is” (Eu quero saber o que é o amor) ― Regina acompanha o cantor. ― “I want to you show me” (Eu quero que você me mostre) ― As duas abrem os olhos ao mesmo tempo e os verdes se conectam profundamente com os castanhos. ― “I wanna feel what love is” (Eu quero sentir o que é o amor) “and I know you can show me” (e eu sei que você pode me mostrar) ― Regina passa seus polegares pelos lábios finos de Swan e então elas se beijam lento e profundamente. Regina puxa Emma mais para si, cravando seus dedos em sua cintura, e a loira enfia suas mãos em seus cabelos, aprofundando ainda mais o contato.
I wanna to know what love is ― Eu quero saber o que é o amor
I want you to show me ― Eu quero que você me mostre
I wanna feel what love is ― Eu quero sentir o que é o amor
I know you can show me ― E eu sei que você pode me mostrar
I wanna know what love is ― Eu quero saber o que é o amor
I want you to show me ― Eu quero que você me mostre
(And I wanna feel) ― (E eu quero sentir)
I wanna feel what love is ― Eu quero sentir o que é amor
(And I know) ― (E eu sei)
I know you can show me ― Eu sei que você pode me mostrar
O beijo é quebrado lentamente, mas elas permanecem com os rostos próximos e as testas e os narizes unidos.
― Eu te amo, Regina! ― Emma se declara, quebrando o silêncio, com o coração acelerado e as borboletas fazendo festa em sua barriga. ― Namora comigo? ― Pede, munida com toda a coragem que o momento lhe proporcionou. ― Eu não quero mais você ao meu lado apenas como amiga.
― Por mim nós já estaríamos casadas, meu amor... ― Fala brincalhona, pegando sua mão esquerda e relembrando a aliança que um dia lhe deu, e as duas riem. ― Eu também te amo, Emma... ― Também se declara e Emma sorri lindamente, mais uma vez derramando lágrimas, mas dessa vez de emoção. ― E obrigada por sempre estar ao meu lado. ― Segura suas duas mãos e as leva aos lábios, beijando-as carinhosamente.
― Obrigada por sempre estar ao meu lado. ― Emma também agradece, igualmente beijando suas mãos e a puxa para um abraço.
Então, enquanto abraça Swan, inesperadamente, Regina vê brevemente o rosto de Daniel, exatamente como se lembra de tê-lo visto antes de ouvir a voz de Emma lhe chamar. Colter sorria e parecia feliz e orgulhoso olhando para as duas. Então Mills compreende que aquela era a forma do amigo lhe dizer que estava feliz por ela e torcia por sua felicidade. Olhando para o céu, ela sussurra “obrigada” e respira fundo para segurar a vontade de chorar. Sentia saudade de Daniel, mas sabia que ele estava ao seu lado o tempo todo.
― Você lembra quando eu te pedi para anotar que um dia você iria se render aos meus encantos? ― Regina relembra, sorrindo e Emma sorri também e imagens de quando a morena dava em cima dela e ela fugia, passam brevemente por sua mente. ― Espero que você tenha anotado, mesmo. ― Fala bem-humorada e as duas sorriem. ― Quando você se afastou do carro eu disse para mim mesma que iria conseguir te conquistar... ― Revela num sussurro. ― Parece que eu consegui... ― Beija seu ombro.
― Você já tinha conseguido me conquistar antes mesmo disso, Regina... ― Rebate de forma sussurrada, arrastando seu rosto no de Mills, que fecha os olhos e retribui o carinho.
― Acho que deveríamos refazer aquela viagem à Detroit. ― A morena sugere, afastando-se da, agora namorada. ― Dessa vez para fazermos o que pretendíamos fazer daquela vez. ― Fala em tom malicioso, piscando um olho.
― Eu acho uma ótima ideia. ― Emma responde animada e a puxa para si, atacando sua boca novamente, dessa vez, com menos calma e mais voracidade. Todavia o momento logo é interrompido pelo celular de Emma tocando. Era Catherine ligando. Retirando a mão de Regina que já subia por debaixo de sua blusa, Emma puxa o celular do bolso e se afasta um pouco para entender, porém Regina a puxa pela jaqueta e a trás para perto novamente. Emma balança a cabeça negativamente, mas sorri. ― Ei Cathe, algum problema? ― Pergunta assim que coloca o celular no ouvido. Ignorando que a namorada estava em uma ligação, Regina começa a dar beijos molhados e excitantes em seu pescoço e a loira tem que fazer um esforço enorme para conseguir prestar atenção em tudo que Catherine lhe fala. Após alguns minutos, a ligação é encerrada. ― Querem a nossa ajuda com um caso de tatuagem, mas não entendi bem. ― Faz uma careta. ― Mas lá eles nos explicarão melhor. ― Guarda o celular no bolso e solta-se do agarre da namorada.
― Querem a gente agora? ― Emma assente. ― Justo agora? ― Swan assente novamente e Regina cruza os braços e faz um bico, claramente irritada. Emma sorri.
― É bom ir se acostumando, meu amor... ― Descruza os braços dela e beija seus lábios rapidamente. ― Agora somos Agentes do FBI e ligações como essa serão mais comuns do que quando éramos apenas Sargentos do Departamento de Polícia de Chicago. ― Dá uma piscadela acompanhada de um sorrisinho, entrega-lhe a bengala e rodeia o carro. Sem opções, Regina se desencosta da lataria, abre a porta do passageiro e se acomoda em seu lugar.
― Sinto que vou sentir saudade de quando era o Graham que nos interrompia... ― A morena resmunga, fazendo a outra sorrir.
E ao som de Don’t you forget about me ― Simple Minds, elas seguem para o escritório do FBI no centro de Chicago, uma das cidades mais populosas dos Estados Unidos, o novo local de trabalho dali em diante. Ou só até Regina querer ir para a CIA, SWAT ou qualquer outra agência de inteligência e forças armadas do país e levar Emma e os outros consigo.
•§•
Emma terminava de arrumar os pratos em cima da mesa que tinha sido deslocada da sala de jantar para a sala, quando a campanha toca, interrompendo-a.
― Droga! Eu nem tomei banho ainda. ― Resmunga, afastando-se e se olhando para ver se estava apresentável para receber quem já havia chegado.
Era final de semana. Fazia exatamente uma semana que tinham começado a trabalhar no FBI e Regina e Emma tinham marcado com os amigos e familiares de fazerem uma pequena comemoração na casa de Mills, pelo novo trabalho.
― Poderia ter tomado se tivesse me deixado ajudar. ― Regina aproveita para alfinetar, deixando o celular de lado. ― Vá tomar banho e deixe o resto comigo. ― Não é um pedido e Emma entende perfeitamente, deixando o pano de prato em cima da mesa e correndo para o quarto.
Mills remexe-se lentamente no sofá, preguiçosamente, como todas as vezes, coloca as pernas para fora, pega a muleta jogada no chão e se levanta. A campanha volta a tocar.
― Já estou indo! ― Ela grita, apressando os passos. Ao chegar na porta, segundos depois, ela não precisa abri-la para saber quem estava do outro lado. A algazarra denunciava quem eram.
― Vamos, Regina, estamos com fome! ― Graham grita do outro lado e as vozes de Eric e Mike se fazem presente, repetindo o que ele disse.
Querendo brincar, Regina encosta-se na madeira e segura a maçaneta.
― Regina! ― Graham bate na porta. Parecia desesperado. ― Nós não almoçamos, poxa! ― Faz drama, mas a morena não se deixa levar.
― Diga qual a senha e eu deixo vocês entrarem. ― Condiciona, segurando o sorriso. Em seguida, ela escuta o cochicho entre eles para saber qual a senha.
― Que você é gostosa? ― Ele arrisca. ― Isso você já sabe, meu amor. ― Sorrindo, a morena se desencosta da madeira e finalmente abre a porta. ― Finalmente! Pensei que fossemos morrer de fome. ― Regina revira os olhos e balança a cabeça negativamente, mas sorri.
― Essa não era a senha, mas também vale. ― Abre a porta completamente e dá passagem para os três entrarem.
― Posso ganhar um beijinho por isso? ― Ele faz um bico e Regina mostra-lhe o dedo do meio. ― Ei... ― Ele reclama.
― O que? Agora eu posso. ― Dá de ombros. ― Você não é mais meu superior... ― Acrescenta, dando uma piscadela.
― Onde está a Emma? ― Eric pergunta, fechando a porta e seguindo direto para a mesa repleta de comida.
― Está no banho ainda, vocês chegaram cedo demais. ― Responde em um falso tom de repreensão.
― Já podemos comer? ― Mike pergunta animado, aproximando-se do amigo e crescendo o olho em cima das comidas.
― Relaxem! ― É tudo o que Regina diz, chegando perto deles e os empurrando para longe.
Os quatro se sentam no sofá e engatam em uma conversa animada sobre a grande semana que tiveram até que Emma aparece e os outros convidados, Robin e Ruby, Luz e Cathe, Henry e Cora, Eva e Mary, Brian e até Michael, chegam e eles dão início ao almoço.
― Vocês se lembram da primeira ocorrência que atenderam assim que chegaram ao CPD? ― Regina pergunta, mudando o assunto inadequado, mortes, da mesa.
― Eu me lembro que a gente foi parar em Indiana por causa de uma perseguição e o Graham teve que ir nos buscar porque não estávamos sabendo voltar. ― Emma relembra entre risos e a mesa toda cai na gargalhada.
― Sim! Depois tivemos que ouvir um bocado. ― Regina também relembra, encarando Humbert, que sorria amarelo.
― Claro! Vocês não precisavam ter seguido eles até lá. ― Ele rebate sorrindo. ― Era só entrar em contato com as viaturas mais próximas.
― Ao menos nós conseguimos pega-los. ― Emma pontua, ainda sorrindo.
A mesa volta a ficar em silêncio, mas a risada solitária de Mike logo o quebra.
― O nosso primeiro chamado foi para ir em um sex shop. ― Ele conta e explode em uma gargalhada. Sabendo o que ele iria contar, Regina cai na gargalhada. Os outros presentes apenas olhavam curiosos, querendo saber o motivo da graça. ― Bem, tinham invadido uma loja de sex shop e assim que eu e Eric chegamos lá, demos de cara com um morador de rua, no qual tinha aproveitado para dormir lá dentro, brincando com um daqueles pênis cor de rosa de 30cm.
― Jesus! ― A avó de Emma, dona Eva, solta, perplexa.
― Vamos mudar o assunto, por favor? ― Emma pede com pressa, sorrindo sem graça e Mike pede desculpas com o olhar, entendendo bem o motivo.
― O meu primeiro chamado foi desesperador. ― Brian conta, entrando na conversa. ― Eu não sou do CPD, mas posso participar, né?
― Claro! ― Graham, Eric, Mike, Emma e Regina respondem ao mesmo tempo.
― Bem, houve uma explosão em uma estação de trem e nós fomos solicitados para ajudar as vítimas. Resumindo tudo, fiquei preso nos escombros por 48 horas. ― Knight conta, chocando todos. ― Foram momentos aterrorizantes dos quais eu não gosto nem de lembrar. ― Ele fecha os olhos brevemente e balança a cabeça negativamente.
― Eu gostaria de poder contar a minha primeira experiência também, mas eu já comecei no FBI, então... ― Cathe fala em tom de lamento, entrando na conversa.
― Agora eu fiquei curiosa... ― Luz comenta, pegando na mão da ruiva.
― Depois eu posso contar para você. ― Rebate em um tom rouco, dando uma piscadela para a morena. Quando elas se aproximam para se beijar, Emma e Regina pigarreiam, interrompendo-as.
― Eu quero contar a minha! ― Graham anuncia, todo animado, ganhando todas as atenções.
― Se for merda, é melhor ficar quieto, hein! ― Regina avisa, fingindo um tom sério, embora o aviso fosse verdadeiro.
― Regina! ― Cora a repreende pela forma como falou e ela sorri sem graça. ― Pode falar, querido. ― Diz para Humbert, em um tom gentil e a conversa dá continuidade, com o homem contando a sua primeira experiência, depois Robin e Ruby e por último Michael, que não conhecia todos por ali, então estava um pouco acanhado.
Já na hora da sobremesa, Regina seguia Emma até a cozinha para ajudá-la, quando a campanha toca e interrompe os seus passos.
― Quem é? ― Questiona-se, confusa e curiosa. ― Não está faltando alguém, está? ― Olha para todos na sala, mas não sente a falta de alguém.
A morena muda seu caminho para ir atender a porta e quando a abre, toma um grande susto ao ver Killian Jones parado do outro lado. Regina já nem lembrava mais de sua existência.
― Boa tarde, Regina! ― Ele saúda, todo educado. Regina fica muda, olhando-o chocada e ele se preocupa. ― Se a minha presença não for bem-vinda por causa do meu irmão ou...
― Não! ― Regina se apressa em interrompe-lo. ― Sua presença é bem-vinda, eu só...
― Killian! ― A voz de Emma por trás dela a interrompe. Ela logo aparece ao lado da morena. ― Eu o chamei também, tem algum problema? ― Questiona preocupada.
― Claro que não. ― Diz com sinceridade. Desde que as duas se acertaram, antes mesmo de começar o namoro, que Regina não se preocupava mais com o homem. Algumas vezes era inevitável não sentir ciúme, depois da condenação de Liam Jones eles se aproximaram ainda mais, a loira o apoiou e ajudou muito a superar a situação com o irmão, mas na maioria do tempo, ela estava tranquila com a amizade dos dois. ― Pode entrar... ― Encosta-se na porta e dá passagem para o homem, que entrega umas sacolas com bebidas para Emma e a abraça.
Após acomodar Killian entre os outros, Emma e Regina seguem para a cozinha para buscar as sobremesas.
Emma preparava os pratos de sorvetes em uma bandeja para entregar à Regina, quando a morena encosta seu corpo ao dela, agarra-a por trás e começa a beijar seu pescoço, arrepiando-a e fazendo-a interromper o que fazia. Ao receber uma mordidinha de leve, Emma solta um gemido baixo.
― Regina! ― Emma repreende, tentando se afastar, mas sem realmente querer.
― É só um cheiro! ― A morena se defende, apertando-a mais com o braço livre, subindo sua mão por dentro da blusa da loira e subindo sua boca pelo queixo e bochecha, até chegar em seus lábios e captura-los com vontade.
― Está na hora! ― A voz de Graham soa na cozinha, assustando-as e separando-as rapidamente.
Com a respiração descompassada, elas encaram o homem que, com uma mão na cintura, já que a outra o apoiava na muleta, segurava-se para não rir. Algumas coisas nunca mudavam.
― Na hora de que? ― Mills pergunta confusa, ainda desnorteada e com a respiração pesada.
― Do discurso, ora! ― Responde em tom de obviedade e Regina franze o cenho.
― Só meu? Eu não tenho nada para falar.
― Todos nós vamos falar um pouco, Regina, e é só para agradecer essa nova etapa em nossa vida. ― Ele explica, aproximando-se da pia e pegando um dos pratos de sobremesa. ― Não precisa falar muito.
Os três voltam para a sala e o próprio Humbert anuncia o momento de discurso e dá início ao seu.
Após falar por quase dez minutos, Humbert dá a vez para Eric, que posteriormente dá a vez para Mike e assim sucessivamente até chegar em Regina, que preferiu ficar por último para ter uma ideia do que poderia dizer.
― Bem, eu não tenho muito o que falar, todos praticamente já disseram o que eu gostaria de dizer, mas, assim como os outros, eu também gostaria de agradecer, mas não somente por ter conseguido entrar para o FBI... ― Faz uma pausa e respira fundo. ― Eu queria agradecer a cada um por ter me acompanhado nessa loucura... ― Ela ri e os outros a acompanham. ― Por ter estado ao meu lado, por te me apoiado, por ter se preocupado comigo, por ter me perdoado, por ter cuidado de mim, por não ter desistido de mim, por ter literalmente dado a vida por mim... ― Ela olha para Graham e o homem lhe sorrir lindamente. ― E o mais importante... ― Ela direciona seu olhar para Emma, deixando claro que o próximo agradecimento ela para ela. ― Por ter me amado... ― Finaliza em um tom emocionado e todos batem palmas.
Cora, Henry, Eva e Mary Margareth entreolham-se curiosos, embora Emma e Regina não tivessem dito nada para eles ainda, todos já desconfiavam que ali não havia mais apenas uma amizade, mas ao verem as duas se abraçando apertado e beijando-se, mesmo que na bochecha, logo em seguida, eles têm a confirmação de que já não eram mais amigas apenas.
Após Emma e Regina se afastarem, uma conversa descontraída se inicia. A loira corre até a cozinha, logo sendo seguida por Regina, e as duas voltam com cervejas e vinho, servem a si e aos amigos, e entram na roda de conversa.
― Graham, fiquei sabendo que tem uma ruiva que não é a Ruby, muito interessada em você... ― Cathe murmura, em um tom malicioso.
― É a Zelena? ― Robin pergunta animado e a ruiva assente. ― Parabéns, Humbert. Ela é show de bola! ― Bate palminhas.
― Quem disse que eu não estou interessada? ― Ruby se pronuncia, ganhando a atenção de todos e um coral quase perfeito de “hm” se inicia entre eles.
― Ih, parece que você vai ter que escolher, Graham... ― Emma comenta, sorrindo.
― Meu amigo, não é uma escolha fácil... ― Robin lança um olhar malicioso para a parceira. ― Boa sorte! ― Diz bem-humorado e recebe uma tapa de Lucas.
― E aí, Graham? ― Regina instiga, louca para ver o desenrolar daquela história.
― Que tal se a gente mudar de assunto? ― Humbert pede, querendo se livrar do furacão que estavam querendo lhe enfiar. ― Killian Jones, Chefe do Corpo de Bombeiros de Chicago... ― Fala com o homem, que se mantinha quieto, assim como Michael, por não conhecer todo mundo e ter intimidade para conversar. ― Você está muito calado e aqui nós não permitimos isso... ― Fala, fazendo o homem sorrir. ― Não tem interesse em trocar de carreira?
― Um dia eu quis... ― Confessa, remexendo-se mais no lugar e se introduzindo mais na roda de conversa. ― Quando eu não tinha uma preparação psicológica para tudo o que eu via. ― Faz uma pausa e toma um gole de sua cerveja. ― Hoje em dia não há outro lugar que eu queria estar, que não no Corpo de Bombeiros. ― Fala com paixão e seus olhos brilham.
Gostando do que foi dito, todos batem breves palmas e Jones recebe uma atenção especial de Ruby, que abre um sorriso e o acompanha com uma piscadela, deixando-o levemente envergonhado.
― Você sabia que Regina te chamava de “Cara da bochecha rosada?” ― Graham revela, causando uma explosão de gargalhada na roda e Regina procura algo ao seu redor para jogar nele, mas como não acha, apenas censura-o com o olhar.
― Eu tenho mesmo a bochecha rosada? ― Killian questiona confuso e curioso, olhando-se no visor do celular.
― É... Você tem um pouco, mesmo... ― Emma responde entre risadas.
― E você, Luz? ― Graham chama pela mulher, que estava entretida com Cathe, em um mundo particular só delas. Desde o dia que Regina fez a frente para as duas na sua festa de boas-vindas, que elas começaram a se envolver, por insistência de Luz, e a cada dia que se passava, as coisas se tornavam mais sérias entre elas. ― Por favor, quando se casarem, não esqueçam de chamar a gente... ― Faz graça, causando risos nas duas e nos outros.
― Vocês serão nossos convidados VIPs. ― A morena garante, passando o olhar pela roda, incluindo Killian.
― Então o negócio é realmente sério entre vocês? ― Regina pergunta, entrando na conversa. Ela sabia que as duas ainda não namoravam, mas sabia o quanto Luz queria e faz a pergunta justamente para ajudá-la.
― Não houve um pedido de namoro ainda, mas... ― Ela olha para Cathe.
― Olha a indireta aí... Se liga, Cathe. ― Emma comenta, dando um empurrãozinho na ruiva, que fica vermelha de vergonha.
•§•
Após todos irem embora e Emma e a dona da casa arrumarem toda a bagunça, que demorou mais que o normal por terem parado o tempo todo para se agarrarem, mais por culpa de Regina do que de Emma, as duas tomam um longo banho juntas e seguem para o quarto. Emma se joga na cama e liga a TV, mas Regina, antes de se deitar, pega o controle e a desliga.
― Não quero encerrar esse dia de comemoração assistindo TV. ― Regina explica diante o olhar interrogativo da loira. ― Eu volto já! ― Avisa e sai do quarto.
Após alguns minutos esperando por Mills, Emma escuta um barulho forte de algo caindo e se preocupa.
― Regina? ― Chama-a preocupada, já se levantando.
― Fica aí! Não foi nada. ― Ela grita, tranquilizando-a, e a contragosto Emma volta para o macio da cama. Segundos depois, Regina aparece no quarto com duas taças e uma garrafa de champanhe na mão livre.
― O que aconteceu? ― Questiona curiosa e ainda preocupada.
― Eu demorei a me entender com a rolha. ― Responde bem-humorada, levantando a garrafa de champanhe. ― Que tal? ― Dá uma piscadinha e Emma sorri.
Swan rapidamente pega a garrafa e as taças de sua mão e coloca-as em cima da mesa de cabeceira e Regina se senta na cama, larga a muleta no chão e se arrasta até entre as pernas da loira, que logo lhe acolhe. Emma enche as taças até a metade e entrega uma para Mills.
― Você está feliz? ― Regina pergunta, olhando fundo nos verdes brilhantes que tanto ama.
― Mais do que eu poderia imaginar... ― Sussurra, acariciando seu rosto e beijando-lhe os lábios apaixonadamente.
― Vem morar comigo... ― Mills sussurra o pedido assim que as bocas se separam, surpreendendo a loira.
― Isso é um pedido de casamento? ― Swan pergunta divertida.
― Eu tinha intenção de futuramente fazer algo melhor, só ter te dado essa aliança não vale, mas se você já quiser considerar, nós marcamos a data amanhã... ― Embora seu tom fosse brincalhão, ela não estava brincando.
― Eu vivo tanto por aqui que posso considerar que já moro aqui...
― Mas eu estou falando de trazer suas coisas também, além de você... ― Mills retruca e beija seus lábios carinhosamente.
― Eu não sei... Nós acabamos de iniciar o namoro, não nos conhecemos totalmente e...
― Emma, nós já nos conhecemos há mais de 6 anos e há mais de 1 ano começamos a nos envolver mais intimamente até que, 1 semana atrás nós começamos a namorar. ― Regina retruca um pouco alterada, interrompendo-a. ― Tudo da minha vida eu contei para você e creio que tudo da sua vida você me contou. O que mais você quer saber de mim para considerar que me conhece bem? ― Seu tom alterado diminui e dá lugar a um tom entristecido. ― Quer saber o nome da garota que quebrou o meu coração? Tudo bem, é Kristin. Quer saber quem foi a primeira pessoa que eu beijei? Tudo bem, foi a Allison. Quer saber quem foi... ― Não consegue concluir sua frase porque Emma toma seus lábios em um beijo apaixonado, quase fazendo-a derrubar a taça de champanhe na cama.
― Ei, relaxa, eu estava brincando... ― A loira murmura assim que suas bocas se separam. Regina semicerra os olhos e ela ri. ― É claro que eu aceito vir morar com você, sua boba. ― Toca seu queixo e puxa seu rosto para mais perto. Seus olhos se conectam profundamente e seu polegar acaricia suavemente o lábio inferior da namorada. ― Mesmo se tivéssemos começado a namorar hoje e tivéssemos nos conhecido a menos tempo, ainda assim eu aceitaria. ― Sussurra e Regina lhe ataca a boca com vontade em um beijo voluptuoso. Mas antes que as coisas esquentem demais, ainda não estava na hora, elas se afastam.
― Um brinde ao novo capítulo que está iniciando em nossa vida. ― Regina sugere, levantando a taça.
― Um brinde! ― Emma toca sutilmente a sua taça na da morena e elas entrelaçam os braços, como acontece entre noivos, bebendo do conteúdo em seguida.
Após o brinde, Emma pega a taça de Regina e junto com a sua, coloca-as em cima da mesa de cabeceira, junto com a garrafa. Quando volta para perto de Mills, agarra-a pela cintura e beija seu pescoço.
― Eu amo você. ― Regina sussurra, arrepiando-se com os toques dos lábios finos em sua pele. ― Acho que nunca vou me cansar de dizer isso.
― Não se canse, eu adoro ouvir. ― Retruca também sussurrante e vira seu rosto em sua direção. ― Eu também te amo, Regina. ― Declara-se, olhando profundamente nos castanhos. ― E te amarei para sempre... ― Acrescenta emocionada, fazendo os olhos da morena marejarem também.
Regina a puxa para um abraço apertado e elas ficam assim por algum tempo até que Swan deita lentamente o corpo de Regina na cama e cobre-o com o seu.
― Era assim que você queria encerrar esse dia de comemoração? ― Emma pergunta em um tom sensual e roco, ameaçando beijar os lábios da morena.
― Exatamente assim... ― Murmura, segurando a cabeça da namorada e beijando seus lábios com vontade.
Sem perda de tempo, Emma se afasta um pouco para tirar a roupa e Regina aproveita para fazer o mesmo, e logo as duas já estão aos beijos de novo, dessa vez, com mais intensidade.
― Eu te amo... ― Regina sussurra mais uma vez, quando Emma desce com a boca para o seu pescoço. Seus dedos se perdem nos fios dourados e os puxam delicadamente para cima, fazendo a loira se afastar de seu pescoço e Regina une suas bocas novamente, dessa vez, em um beijo mais lento.
Em busca de ar, elas encerram o beijo e Emma logo desce com seus lábios e língua pelo corpo nu da namorada, dedica-se alguns minutos aos seus seios, mas logo continua seu caminho, acariciando toda a sua barriga com a boca e a língua, causando-lhe arrepios e lhe excitando mais, e então chegando em seu sexo, tão pulsante e molhado, apenas esperando ansiosamente por seu toque. Swan direciona um olhar acompanhando de um sorrisinho safado para a sua morena e beija toda a sua virilha, querendo lhe torturar um pouco, porém logo cobre sua intimidade com a boca, chupando-a com vontade.
― Ah, Emma! ― Regina exclama entre gemidos, abrindo-se mais e empurrando gentilmente a cabeça da loira para o meio de suas pernas.
E entre declarações e carícias, e com o som da fina chuva que começava a cair lá fora, misturando-se com os barulhos dos corpos e os gemidos de prazer de ambas, Regina Mills e Emma Swan encerrariam a noite da melhor forma possível, bem do jeito que elas gostavam.
A partir de agora, elas começariam a viver uma nova etapa da vida e estariam para sempre ao lado uma da outra.
FIM
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