Always by your side

15 Can't fight this feeling


— Você tem três opções... — Murmurou Emma, irritada, sem tirar sua atenção do jogo em seu celular. — Ou abaixa o som, ou deixa mudo, ou tira essa porcaria.

— Eu fico com a quarta... — Emma tirou sua atenção da tela do celular e direcionou-a a Regina, abriu a boca para questionar, mas Mills foi mais rápida. — Você, aqui comigo, assistindo também... — Emma revirou os olhos. — E quem sabe até praticando... — Puxou uma cadeira para junto de si e bateu no assento. — Então?

— Dispenso... — Voltou sua atenção para o celular.

— Emma... — Chamou-a, mas ela não lhe olhou. — Emma... — Swan respirou fundo e pausou o jogo, deixando o celular em cima do assento, ao seu lado, em seguida, encarando-a. — Você usaria...? — Questionou.

— Usaria...? — Devolveu a pergunta, sem entender.

— Algum brinquedo.

— Isso é sério? — Regina assentiu. — Isso tinha aí no vídeo que você estava assistindo? — Regina assentiu novamente. — Bem... — Olhou para o teto por uns segundos enquanto pensava. — Depende...

— Você já usou? — Levantou-se e foi até onde a loira estava.

— Eu nunca usei, nem nunca usaram em mim... E você? Já usou?

— Não sou fã dessas coisas. — Deu de ombros. — Só usaria se fosse alguém especial pedindo. — Piscou para a amiga, que deu um sorrisinho e balançou a cabeça negativamente.

— Então você nunca...

— Na verdade, já... — Interrompeu-a, deixando-a também surpresa.

— Ah! — Soltou surpresa e sem jeito.

Um silêncio desconfortável se fez presente e só foi cortado pela voz de Graham, que chamava pelas duas.

— O dever nos chama. — Regina levantou-se, foi até sua mesa, tirou do site que estava, desligou o note, pegou seu celular, arma e um par de algemas. Emma permaneceu no mesmo lugar, imóvel. — Emma? — Chamou-a.

— Ah sim... — Levantou-se apressada. — Vai vendo o que o Graham quer, enquanto pego minhas coisas e tomo o meu remédio e troco o meu curativo. — Apontou para o braço enfaixado e saiu da sala, da mesma forma que se levantou do sofá, apressada.

•§•

— Um corpo foi encontrado no cruzamento da Madison St. com a Clarence Ave. Um suspeito foi visto nos arredores desse restaurante. — Entregou uma folha que continha a foto do local e o endereço. — O suspeito é um rapaz loiro, alto, branco, que aparenta ter entre 30 e 33 anos de idade.

— Vamos? — Emma se pronunciou, aproximando-se dos dois.

— Tem mais uma coisa... — As duas encararam o homem. — É mais um caso de corpo sem coração, mas dessa vez o órgão não foi encontrado ainda.

— Você já mandou algum detetive para lá? — Humbert assentiu. — Perito? — O homem assentiu novamente. — Ótimo! Vamos, Emma? — Virou-se para a loira que deu um aceno positivo e foi seguindo para fora do Departamento. — Mais alguma coisa?

— Sim, mas não tem a ver com o caso. — Segurou-a pelo braço e a levou até o canto da parede, afastando-se das pessoas que estavam por ali. — Você não vai fazer a viagem com a Emma? Já se passaram mais de três semanas, depois daquela nossa conversa.

— Eu não sei... — Encostou-se a parede. — Depois do que aconteceu com ela eu perdi um pouco a vontade.

— Se quiser ir, ainda tem tempo. Esse final de semana vem dois policiais de NYC, passar um tempo aqui conosco. Se for mesmo, pode até passar mais dias. — Ofereceu de forma gentil.

— Estão vindo do Departamento de Brian? ― Graham assente. ― São conhecidos? — Pergunta interessada.

— Estão há alguns meses por lá, mas não. Vieram de Los Angeles e são novos na profissão.

— Hum... Olha, vou falar com a Emma... — Graham abriu um sorriso. — Qualquer coisa, eu te digo. — Ele assentiu. — Agora, preciso ir. — Deu as costas ao rapaz e saiu às pressas do Departamento.

•§•

— Por que não ligou o som? — Indagou Regina assim que entrou no carro.

— Estou sem vontade de ouvir música. — Respondeu séria, dando a partida no carro. Regina a encarou incrédula. Não lembrava a última vez que algo do tipo tinha acontecido. — Mas se quiser, pode ligar.

— É... Eu quero... — Levou seus dedos até o botão do rádio e o ligou. A canção que tocava era “Can’t fight this feeling — REO” Seu coração disparou no peito.

Ao reconhecer qual música tocava, Emma olhou para Regina e Mills fez o mesmo. Como estavam em um sinal fechado, o contato visual só fora quebrado quando o celular da morena começou a tocar.

Sem olhar quem a ligava, ela apertou o botão de atender.

— Alô?

Hola cariño. — Ao reconhecer de quem era a voz do outro lado da linha, Regina gelou. Disfarçadamente, olhou para Emma e depois olhou para fora da janela, aproximando-se mais da mesma.

— Oi. — Respondeu o mais baixo que pôde.

— Você está ocupada? Estou ouvindo um barulho de carros...

— Estou em serviço nesse exato momento. — Respondeu ainda no mesmo tom de antes.

— Tudo bem... Então, quando você puder, me ligue, por favor. — Pediu. — Preciso falar algo com você, mas não se preocupe, não é importante. — Deixou logo claro.

— Certo... Assim que eu puder, eu ligo. — Olhou para Emma para ver se ela a estava olhando, mas a loira estava atenta ao trânsito.

— Obrigada, e tenha uma ótima tarde de trabalho. Besos. — E encerrou a chamada. Regina guardou o celular e ficou imaginando o que poderia ser. Talvez ela quisesse falar sobre a última vez em que se falaram, quando Regina estava no hospital esperando Emma acordar, e a morena disse que lhe retornaria depois para marcarem algo, mas até hoje, três semanas depois, ela não havia feito isso.

— Era alguém importante? — Swan perguntou, interrompendo o raciocino da morena.

— Não! — Exclamou rapidamente. — Era... — Fez uma pausa. — Era apenas a Luz. — Na medida em que foi falando, foi se virando para a janela, falando o nome da outra de forma baixa.

— Quem? — Franziu o cenho. Realmente não tinha conseguido escutar o nome da pessoa.

— A... — Passou a mão nos cabelos e coçou a garganta. — A Luz. — Disse finalmente.

— Ah... Sua amiga. — Disse com deboche. — O Killian me ligou ontem. — Virou a cabeça em direção a sua janela e deu um sorriso discreto ao perceber Regina se mexer e resmungar algo. Não iria deixar a amiga sair ganhando essa.

— O Killian, é? — Indagou de forma a parecer, só parecer mesmo, que não se importava.

— É... Chamou-me para sair de novo. — Falou como quem não quer nada e de canto de olho observou Regina revirar os olhos e fazer bicos.

— Hum... — Pegou seu celular que agora estava jogado no porta-luvas. — E... Você aceitou? — Tentou demonstrar indiferença. Sabia que a amiga estava fazendo isso por causa da ligação que recebera minutos atrás. Não deixaria ela ganhar essa.

— Não respondi ainda. — Olhou de canto de olho novamente e pôde ver Regina suspirar de forma aliviada.

Tentando ignorar a resposta da amiga, Mills respirou fundo olhando pela janela e em seguida voltando sua atenção à loira, para esquecer o assunto, Regina resolve falar de trabalho:

— Sabe aquele coração que encontrei? — Regina indagou e Emma assentiu sem desviar sua atenção do trânsito. — Era realmente do corpo que você encontrou.

— Quando saiu o resultado?

— Ontem de noite.

— Espero que esse caso não nos dê muito problema. — Regina murmurou um “eu também” e logo as duas ficaram em silêncio.

Alguns minutos depois, respirando fundo, Regina resolve quebrar o silêncio e falar sobre o que tanto queria:

— Você estará livre nesse final de semana? — Indaga hesitante.

— Até agora sim. — Respondeu sem desviar sua atenção do trânsito.

— É... — Pigarreou. — Você gostaria de fazer uma viagem comigo? — Indagou de uma só vez. Estava hesitante devido a ligação que recebera de Luz, minutos atrás, que fizera Emma ficar assim, de cara amarrada.

— Uma viagem... — Repetiu pensativa. — Não sei se o Graham permitirá alguns dias de folga.

— Ele nos deu carta branca. Podemos passar o final de semana e mais alguns dias se quisermos.

— Hum... — Murmurou. — E para onde vamos? — Indagou demonstrando interesse.

— Isso é um sim? — Perguntou animada segurando um sorrisinho.

— Talvez... — Regina abriu um largo sorriso ao ouvir a resposta. Sabia que aquele “talvez” significava uma resposta positiva. — Antes preciso saber para onde é que vamos... — Falou de forma séria, mas segurando um sorriso por ter visto a felicidade da morena.

— Detroit... — Emma parou o carro no sinal fechado e encarou Regina. — É para onde eu ia com o Daniel, no aniversário dele, e às vezes, no meu. — Falou melancólica. Emma sentiu vontade de estender a mão e fazer carinho na de Regina, mas desistiu quando o nome “Luz” veio à mente, além de que o sinal abriu. — Você não precisa me dar essa resposta agora. — Swan apenas balançou a cabeça afirmativamente e elas seguiram caminho, cada uma com seus pensamentos ao som de REO.

•§•

— Você viu mais alguma coisa além desse homem que parecia suspeito? — Indagou Regina a uma senhora que olhava o corpo curiosamente.

— Eu vi que ele tinha uma tatuagem na perna, mas não consegui identificar o que era. — Regina assentiu, anotando em um caderno de bolso.

— Tudo bem, obrigada pelas informações. — Sorriu de forma simpática para a mulher e saiu de perto dela, indo para onde Emma estava. — Encontrou algo?

— Não... — Abaixou a camisa do corpo estendido ao chão. — Ao que tudo indica, ele só teve esse ferimento mesmo, que foi o que o levou a óbito, mas só uma autopsia completa confirma isso.

— Eu vou dar uma olhada ao redor. Qualquer coisa... — Apontou para o bolso, fazendo Emma entender a que ela se referia.

— Se você encontrar algo também... Faça o mesmo. — A morena assentiu e saiu em direção a um beco que tinha próximo.

•§•

Regina olhava algumas lixeiras em busca de algo, quando escutou um barulho vindo de outro beco que tinha atrás de si. Em alerta, retirou a arma do coldre e se aproximou de forma lenta até o lugar de onde achou ter saído o som.

Ao se aproximar mais, ouviu novamente um barulho e dessa vez um gemido. Parou de andar e franziu o cenho.

“Será que?”

Começou a gargalhar ao imaginar o que o gemido poderia ser, mas depois balançou a cabeça negativamente, já que poderia ser outra coisa também.

— Eu e minha mente poluída. — Murmurou ainda sorrindo.

Encostou-se ao muro ao lado do beco, contou mentalmente de um até três e com a arma apontada, apareceu na entrada do lugar estreito, dando tempo de ver apenas um vulto correndo.

Sem pensar duas vezes, começou a correr também, mas quando saiu no fim do beco, deu de cara com uma avenida bastante movimentada.

— Droga! — Bateu com o pé no chão, irritada.

Olhou ao redor para ver se capturava algo suspeito, mas nada encontrou. Guardou então sua arma no lugar e voltou pelo lugar por aonde veio, saindo na avenida onde estava inicialmente com Emma.

•§•

Regina estava na cozinha do Departamento, preparando uma lasanha congelada, quando Emma apareceu, chamando sua atenção.

— Graham quer falar com você. — Avisou, apontando para trás com o polegar.

— Ele te disse o assunto? — Tirou o prato com um generoso pedaço de lasanha de dentro do micro-ondas e colocou em cima da mesa.

— Não. — Aproximou-se da mesa e pegou uma banana. — Ele está na sala dele. — Virou-se para ir embora, mas teve seus passos interrompidos pela mão da amiga, segurando em seu braço. — O que...

Sem se importar com o local que estavam e a falta de ética, Regina a calou colando seus lábios aos da amiga, num beijo urgente, puxando-a mais para si e depois a empurrando para cima da mesa. Com cuidado para não machuca-la nem magoar o seu machucado no braço, enfiou-se por entre suas pernas, levou uma mão até a nuca da loira e a trouxe ainda mais para si. Emma nem pensou em resistir. Deixou-se apenas se levar pela sensação maravilhosa de beijar os lábios de Mills.

Após precisarem de ar e Regina quebrar o beijo com uma mordida no lábio inferior da amiga, sussurrou em seu ouvido: — Eu não sou fã de morenas, nem ruivas, nem castanhas... — E então saiu do cômodo, deixando uma Emma atordoada para trás e com um sorriso bobo no rosto. Ela havia entendido o que Mills quis dizer. Mas isso ainda não anulava totalmente sua raiva e seu ciúme pela ligação que Regina recebera mais cedo.

•§•

— Ei... — Regina murmurou entrando na sala de Graham.

— Olá, minha deusa! — Regina revirou os olhos. — Não faz assim que eu gamo ainda mais. — Piscou para a morena que não se aguentou e sorriu.

— Adianta logo o assunto porque minha lasanha me espera.

— Tudo bem... — Respirou fundo, mudou sua expressão para séria e se levantou. — Lembra-se que me pediu uma promoção? — Regina assentiu. — Então...

— Sem enrolação. — A outra pediu, interrompendo-o.

— Bem... Estava tudo certo para eu te dar, mas...

— Mas...? — Fez gestos com a mão, incentivando-o a continuar.

— Mas com essas mortes que vem acontecendo, onde o coração é arrancando da vítima, infelizmente, não será possível... — Aproximou-se da morena, sentando-se em sua mesa, ficando de frente para ela que ainda estava em pé, parada perto da porta. — Sinto muito, mas vocês são boas demais e ainda precisamos muito de vocês...

— Tudo bem... — Disse com um sorriso triste. — Ao menos você tentou.

— E tem mais... — Regina arqueou a sobrancelha e cruzou os braços. — Esse final de semana vem chegando um novo caso junto com os dois policiais novos.

— Mais um? — Graham assentiu. — Deus! Eles querem acabar conosco!

— Eu ainda não tive acesso a todas as informações, mas pelo que vi, é coisa grande... — Sua atenção foi tomada pelo celular tocando. — Então, é isso Mills. Eu realmente sinto muito, mas precisaremos bastante de vocês nessa função atual, e vocês são boas demais.

— Tudo bem... Eu entendo, de verdade. — Sorriu verdadeiramente. — Agora me deixe ir, preciso preencher o vazio que estou sentindo em mim.

— Vá matar quem está te matando. — Apontou para a saída.

— Até mais. — Abriu a porta.

— Até, gostosa. — Regina mostrou-lhe o dedo do meio. — Eu adoraria te prender por desacato e te deixar aqui... Presa em minha sala. — Sussurrou a última parte. Regina gargalhou, balançando a cabeça de um lado para o outro de forma negativa e então saiu da sala do homem.

•§•

Mills estava em sua sala, assistindo mais uma de suas novelas enquanto comia sua lasanha, quando seu celular vibrou em cima da mesa, indicando uma mensagem.

Rapidamente, tira seus pés de cima da mesa e coloca seu prato em cima da mesma, logo pegando seu celular e já abrindo a mensagem.

“De: Emma: A reposta é sim. ”

Notas finais
Para os que me desejaram boa sorte na prova, um grande obrigada. Se querem saber, eu passei, não só nessa prova, mas em outras duas que fiquei sabendo depois, que teria. Aqui está o link da playlist da fanfic no spotify: https://play.spotify.com/user/kparrilla_/playlist/0fYkStFF87wiVVR4zoHTFH