Always at your side

21 Um brinde aos mistérios da vida


Notas iniciais
Boa noite pessoinhas! Passando para deixar pra vocês mais esse capítulo e junto com ele uma má notícia também (please não me matem), mas é que no próximo fim de semana não vou poder vir aqui porque vou estar em outra cidade fazendo vestibular e não tenho ideia do horário que vou estar em casa de novo no domingo, então...me perdoem. Obrigada KarlaC e Staty por favoritarem a fic ♥ e a todos que estão acompanhando e deixando comentários. Vocês são demais! Enfim, espero que gostem, e tenham uma boa leitura u.u

Ao perceber a minha presença, os olhares se voltam para mim. Maddie lança um sorriso — talvez um pouco irônico — em minha direção , mas entendo perfeitamente a mensagem que seus olhos estão passando. E tenho 90% de certeza que em sua mente se passa algo do tipo “você vai fazê-lo sofrer, se não fizer a escolha certa”. É uma pena estarmos em uma situação em que qualquer escolha será sinônima de sofrimento. Tento não pensar no que eles podem ter dito um para o outro enquanto eu não aparecia.

_Aí está você. – ela diz, ainda olhando para mim, antes de se virar para o Castle e completar. – Vou deixá-los a sós.

Tenho vontade de falar que não vai ser necessário, mas antes que eu consiga abrir a boca ela passa por mim, provavelmente indo para o meu quarto. Volto o meu olhar para o Castle, que ainda está parado do lado de fora, e seus olhos estão vidrados em mim. Começo a andar em sua direção, até parar bem à sua frente.

_Oi... – digo, mexendo em meu cabelo num gesto nervoso, sem saber muito bem o que falar.

_Oi! – ele sorri também. Aquele sorriso. Meu coração se acelera ao vê-lo se aproximar para um abraço. Sinto suas mãos mexerem levemente em meu cabelo, e viro o rosto para encarar os seus olhos, me perdendo neles. Retribuo o sorriso, depositando um beijo rápido e simples em seus lábios em seguida, mas que ainda assim me faz ter todas aquelas sensações inexplicáveis.

_Ham...quer entrar? – essa parece ser a pergunta certa a se fazer assim que nos afastamos.

_Claro. – responde animado.

Viro-me, dando passagem para ele e vou andando em direção à cozinha, escorando-me na bancada. Como não faço a menor ideia de que horas são, rezo para eu não estar atrasada. Ele vem em minha direção, de modo que ficamos de frente um para o outro e a uma distância suficiente para me deixar bastante inquieta.

_Gostei do espaço. – ele diz, olhando em volta. – É bem a sua cara.

_Isso é bom ou ruim? – arqueio as sobrancelhas, sorrindo. Não deixa de passar pela minha mente que apesar de normal, ainda assim é estranho ter ele aqui.

_É ótimo.

_Obrigada. E me desculpe por ter feito você esperar, eu estava...bem, — aponto para mim mesma. – me arrumando.

_Não se preocupe, a Madison foi bem legal comigo. – brinca. – Aliás, ela parece ser uma ótima pessoa.

_Apesar de ter nos interrompido naquela noite... – sorrio para ele. – ...sim, ela é.

_Ah, bem lembrado. – faz uma pausa. – Não estou te atrasando de novo, estou?

_Não está. – o que eu poderia dizer? – Como você chegou aqui? Quero dizer, no meu apartamento?

_Interroguei alguns vizinhos. – sorri, se aproximando um pouco de mim.

_Aconteceu alguma coisa? Tem a ver com o nosso livro?

_Não... – ele se aproxima ainda mais. – Mas é bom ouvir você dizer ‘nosso’ livro.

Sorrio, deixando meu olhar percorrer todo o seu rosto, demorando um pouco em seus lábios, antes de voltar a encarar os seus olhos. Ele está me olhando com tanta serenidade e carinho, que é quase palpável tudo que ele quer me transmitir apenas fazendo isso. Sinto meu coração vacilar, e uma vontade de correr pra bem longe toma conta de mim. Porque isso me faz ter um pequeno vislumbre do quão difícil vai ser olhá-lo nos olhos como estou fazendo agora, sentir todo esse sentimento partindo dele, e dizer “estou indo embora”. Deus, ele vai me odiar!

_Então... – desvio o olhar, limpando a garganta antes de continuar. – Você tem algo importante para me dizer?

_Na verdade, sim. Duas coisas. A primeira é que: você está muito linda e... – ele começa, e quando vejo que está prestes a dar o passo que falta para que eu fique totalmente presa entre ele e a bancada, viro o rosto e me movo para o outro lado, criando uma “barreira” entre a gente. Não que eu queira fugir dele, mas meus pensamentos estão bagunçados demais. É como se cada gesto meu agora significasse algo muito errado.

_Me desculpe, eu... – tento dizer, levantando o olhar para ele e vejo-o me encarar com uma expressão que não consigo definir. Acho que estou entrando em desespero. Preciso respirar, manter o foco. Você vai contar tudo amanhã, Kate, quando vocês tiverem o tempo que essa conversa precisa para acontecer. Preciso me acalmar, preciso...

_Kate, você está bem? – escuto-o perguntar, enquanto uma de suas mãos procura pela minha que está apoiada na bancada.

_Estou. – digo, olhando para os nossos dedos entrelaçados. – Eu só...bem, não pensei que iria te ver hoje.

_Não gostou de eu ter vindo aqui? – pergunta, num tom suave.

_Você sabe que não é isso. – dou um pequeno sorriso. – Eu queria muito te ver, só...

Vejo-o levar a outra mão até o meu queixo, e levantar o meu rosto, obrigando-me a olhar em seus olhos.

_Então olhe para mim. – diz num tom mais baixo, como se quisesse me transmitir calma. Ficamos apenas nos olhando por alguns segundos até que ele aproxima o rosto do meu, me dando um beijo delicado. Sorrio entre seus lábios, um sorriso que mesmo que ele não perceba está carregando um tipo diferente de tristeza e não a felicidade desejada.

_Só fiquei surpresa. – completo a frase, assim que ele se afasta.

_E isso é bom ou ruim?

_Bom. – faço uma pausa. – Então...vai me dizer o motivo de você ter vindo aqui?

_Bem, acho que me esqueci de dizer que não conseguiria ficar sem te ver de novo, e que iria dar um jeito de fazer isso. – ele diz, e completa num tom de brincadeira. – É como se o universo conspirasse para que a gente não se veja depois do nosso primeiro beijo, não é?

_Ah, ele deve nos odiar. – digo, tentando brincar também.

_Verdade. Eu não sabia se você ainda estaria em casa, mas resolvi arriscar. — um sorriso quase imperceptível se forma em seus lábios. — Eu preciso te entregar uma coisa.

_Que coisa? – pergunto e vejo-o apontar em direção à sala, mais precisamente para a minha mesinha de centro, onde eu vejo algo que se parece com uma carta posta bem sobre ela. Isso definitivamente não estava lá antes. – Quando você...

_Assim que entrei aqui. — ele dá de ombros, respondendo como se já soubesse o que eu iria perguntar.

_O que tem na carta? — começo a ficar curiosa.

_O começo do nosso amanhã. — ele diz, piscando um dos olhos. Ameaço dizer algo, mas ele continua. — Preciso ir agora. Você provavelmente já precisa ir ver a sua mãe, certo? Não quero te atrasar, então... — ele me dá um selinho rápido e se afasta, começando a andar em direção à porta.

Balanço a cabeça, sem entender. É impressão minha ou ele está agindo como se estivesse aprontando algo?

_Castle! — digo, e vou em sua direção a passos apressados, parando entre ele e a porta. Estreito os olhos. — Se importaria em explicar?

_Eu tenho certeza de que o conteúdo da carta vai fazer exatamente isso. — e então, como se lembrando de algo, completa. — Ou não...

_Como assim? — pergunto, franzindo a testa.

_Eu não vou dizer.

_Castle!

_Eu não vou. — ele sorri.

_Mas... — começo, e sou interrompida pelo toque do meu celular ecoando pela casa. Sério? Tenho certeza de que é a minha mãe. Respiro fundo, fingindo estar brava ao encarar a expressão divertida dele para mim. Abro a porta para ele. — Considere-se um homem de sorte.

E já do lado de fora, ele diz:

_Eu sei que sou.

Faço uma careta para ele, fechando a porta em seguida. Ando até a mesinha e pego o pequeno envelope em minhas mãos, onde vejo escrito com uma caligrafia já conhecida:

"Um brinde aos mistérios da vida."

Mordo os lábios, tentada a não atender a ligação para ler o conteúdo da carta. Mas mesmo assim vou à procura do meu celular com um sorriso bobo estampado no rosto, apesar da sensação ruim que parece não querer me deixar. Entro no quarto e vejo a Maddie em frente ao espelho, arrumando algo em seu cabelo. Ela olha para mim e para o envelope em minhas mãos de um jeito interrogador, mas prefiro não dizer nada.

_Sua mãe está ligando. — ela diz, voltando a se olhar. — Eu teria atendido, e levado até a sala, mas...bem, não queria atrapalhar a conversa entre vocês.

_Tudo bem. — digo, colocando a carta sobre a cama e pegando o celular em seguida. A hora mostrada na barra de notificações me indica que estou 20 minutos atrasada. Respiro fundo e atendo. — Oi, mãe!

_Kate! Onde você está?

_Eu...hum, estou saindo de casa agora. Houve um imprevisto e acabei me atrasando. — isso faz a Maddie se virar para mim com um sorriso nos lábios e sussurrar "imprevisto" fazendo aspas com as mãos. Reviro os olhos para ela. — Me desculpe.

_Levando em conta que eu já estava preocupada pensando ter acontecido algo, saber que você está em casa não é tão ruim assim. — sei que ela está sorrindo.

_Diga que estou mandando um beijo. — Maddie pede.

_Maddie está mandando um beijo para você. — digo.

_Oh, mande outro para ela. — faz uma pausa. — Vocês vão vir juntas para cá? Seria ótimo...

_Não, ela já tem outros planos. — sorrio. — Mas, tem uma novidade para te contar também.

_Ah, é?

_Aham. — digo, estendendo o celular em direção à Maddie e sussurro. — Conte a ela sobre Washington.

Recebo um sorriso como resposta e, enquanto isso, aproveito para terminar de me arrumar: maquiagem leve, um batom claro nos lábios, perfume...essas coisas. Minutos depois, saímos de casa: eu pego um táxi direto para o restaurante e a Maddie pega um táxi direto para casa.

***

__Oláaa! – digo, abrindo um sorriso enorme para a minha mãe, que assim que me vê se levanta para receber um abraço. Ao que eu atendo prontamente, deixando-me envolver por seus braços. Dou um beijo em sua bochecha antes de nos afastarmos.

_Olha só para você! – ela diz, segurando minha mão e fazendo-me girar.

Começo a rir.

_Gostou? – pergunto.

_Você está linda. Esse vestido fica maravilhoso em você.

_Obrigada. – pisco um olho para ela, antes de nos sentarmos frente a frente. – E então, demorei muito?

_Acho que não... Quero dizer, depois que liguei para você mal vi o tempo passar. Uma velha amiga apareceu, e ficamos jogando conversa fora.

_Ah, isso é bom. – faço uma pausa, e vejo-a fazer um sinal para o garçom. Enquanto fazemos nossos pedidos, algo passa pela minha mente. Espero alguns minutos, antes de recomeçar. – Por falar em “velhos amigos”, eu me lembro bem de ter sido apresentada a um certo alguém chamado...Nathaniel, não é? Naquele dia, na casa de férias. Ele parecia ter intenções bem sérias com relação a você. Então, como estão as coisas entre vocês?

Ela sorri para mim, balançando a cabeça em seguida.

_Humm, de onde está vindo isso, hein?

_Como assim?

_Você nunca foi de se preocupar muito quanto a isso...

_Ah. Bem... eu só quero ter certeza de que não vou te deixar totalmente sozinha aqui. – dou um pequeno sorriso. – Ele me pareceu uma ótima pessoa e, você sabe...

_Sei... Posso te garantir que ele se importa bastante comigo. – ela diz, sorrindo. – Tudo está ótimo entre a gente. Vou ficar bem.

_Mesmo? – insisto.

Ela segura as minhas mãos por cima da mesa, lançando-me um olhar confortante. Sequer sei por que estou perguntando isso, apenas senti que deveria. Quero dizer, estou prestes a ficar longe dela por três anos, e isso nunca aconteceu. Quero ter certeza de que ela vai ficar bem.

_Mesmo. Kate, mesmo se eu não tivesse o Nate, não estaria sozinha. Você vai estar comigo o tempo todo filha, não vou deixar de pensar em você em nenhum momento.

Sorrio.

_Eu prometo fazer o mesmo. Prometo ligar sempre que possível, prometo contar tudo o que acontecer para você.

_É bom mesmo. – brinca. – Mas não fica pensando muito nisso, você ainda tem alguns dias para ficar bem juntinho de mim.

_Ah, mãe... Eu vou sentir tanto a sua falta.

_Eu sei, querida. Imagine eu, tendo que ficar longe da minha maior fonte de felicidade? Mas eu te amo taaanto, e manter isso em mente vai ajudar.

_Eu também te amo.

Ela usa uma das mãos para acariciar meu rosto suavemente, sorrindo para mim.

_O tempo passa rápido, você vai ver. Agora, vamos mudar o humor dessa conversa. – vejo-a piscar os olhos rapidamente para reprimir as lágrimas que se formavam ali, e eu faço o mesmo. Ela pega a jarra de água que já estava sobre a mesa, servindo um pouco para nós duas.

_Obrigada. – digo, levando o copo à boca para um longo gole, quando a escuto perguntar:

_Você ainda não leu a carta que o Castle deixou em sua casa, leu?

Por pouco não me engasgo com o líquido e dou início a uma crise de tosse ao ouvir o nome dele sair pela sua boca, e de um modo tão espontâneo.

_Como você... – paro para respirar, e após limpar a garganta, continuo. – Como você sabe sobre a carta?

_Bem...

_E que ele foi até a minha casa? – a interrompo.

_Eu...

_O que está acontecendo?

_Kate! – ela diz, revirando os olhos. – Eu devo estar mais confusa do que você, mas... vai me deixar explicar, ou não?

_Ok.

_Pois bem. – ela respira fundo. – Ontem à noite eu recebi essa ligação bem inesperada, ainda mais levando em conta o horário...

_Ele ligou para você? – pergunto, franzindo a testa.

_Sim.

_Mas como... – começo a dizer, e me lembro das perguntas que ele fez sobre a minha mãe enquanto estávamos no supermercado. – Então é por isso que ele me perguntou todas aquelas coisas sobre você!

_Que coisas? – ela me olha, sem entender.

_N...nada, não importa. Como foi que ele conseguiu te encontrar?

Ela arqueia as sobrancelhas para mim, como se fosse óbvio.

_Eu sou uma advogada, não é muito difícil me encontrar. Além do mais, o Sr. Castle é uma pessoa de muitos contatos, certeza de que descobriu o celular que uso para o trabalho mais rápido do que acharíamos possível.

Balanço a cabeça, ainda sem entender o motivo disso tudo.

_O que ele poderia querer com você?

_Bem, isso nos leva ao início desse assunto. Você leu a carta, ou não?

_Não, eu não tive tempo e quero ler com calma, porque... – paro de falar, não querendo revelar muito das minhas reações quando se trata do Castle. – Enfim, eu não li.

_Ainda bem que ele estava certo. – ela diz, respirando fundo, me deixando ainda mais confusa.

_Certo no quê?

_Ao dizer que você não iria ler, a menos que tivesse tempo para fazer isso com calma. – vejo-a vasculhar a própria bolsa que antes estava sobre a cadeira ao lado, em busca de alguma coisa. Nesse mesmo instante, o garçom reaparece com os nossos pedidos, fazendo-me dar atenção a ele.

_Obrigada. – digo, assim que os pratos e o vinho são postos à mesa. Quando volto a olhar para a minha mãe, ela está com uma pequenina caixa nas mãos. – O que é isso?

_Eu não sei, é para você. – ela diz, estendendo-a para mim. – Veja bem, o Castle veio até aqui mais cedo, e pediu para que eu te entregasse isso; junto com o conselho de só abrir quando você estiver em casa, e claro, antes de ler a carta.

Pego a caixinha de suas mãos, analisando-a. É simples, preta, e com uma fita vermelha em volta que termina em um laço delicado na parte de cima. Nada que indique o que possa ter em seu interior.

_Ok... – respiro fundo. – Quer dizer que ele esteve aqui antes de ir até a minha casa? Como ele sabia que você estaria aqui?

_Ele ligou para mim, lembra? Fizemos um combinado.

Ótimo. O que mais será que eles conversaram?

_Então você sabia que o motivo do meu atraso foi ele? – digo, ainda processando as informações.

_Sim. Mas eu precisava manter as aparências e ligar para você fingindo preocupação, porque devo confessar que a ideia dele é maravilhosa. – ela sorri. – Desnecessário dizer, visto que a sua profissão é inventar coisas, mas ele é um homem bastante criativo. E nesse caso, romântico também. – ela acrescenta, lançando-me um olhar significativo.

_Meu Deus! Meu Deus... – digo, levando as mãos à cabeça. Deixo escapar um sorriso, antes de completar. – E que ideia é essa?

_Ele não me disse muita coisa. Só que tem a ver com o que ele preparou para vocês amanhã, e que precisava da minha ajuda. Parece que ele quer que você desvende um enigma, não é? Isso vai ser divertido.

Respiro fundo, sem saber o que dizer. Não vejo muita saída a não ser sorrir, diante da possibilidade de ele ter pensado mesmo em criar um enigma para deixar as coisas mais interessantes, ao mesmo tempo em que recebo um alerta de que vai ser ainda mais difícil contar sobre a viagem.

_Acho melhor obedecê-lo e deixar isso para mais tarde, não é? – digo, e percebendo o olhar dela sobre mim, continuo. – Então... vocês se conheceram.

_Sim. E conversamos também. Eu não quero que você o culpe por ter dito um coisa ou outra sobre o que está acontecendo entre vocês antes que você fizesse isso, ok? Especialmente porque eu sei que iríamos falar sobre isso hoje. Ele estava cheio de boas intenções e, bem, eu não iria ajudar sem saber o porquê disso tudo. – faz uma pausa. – Parece que as coisas entre vocês têm a tendência de se tornarem... sérias, huh?

_Ele disse isso?

_Querida, não foi o que ele disse, mas sim o modo como ele disse. Dá para perceber que está apaixonado mesmo à distância. Aqueles adoráveis olhos azuis não param de brilhar quando ele fala de você. – desvio o olhar, sabendo muito bem o que vem a seguir apenas pelo seu tom de voz. – Sabe, conversamos sobre muitas coisas relacionadas a vocês, ele parecia até mesmo desesperado por alguns “conselhos”. Agora imagine a minha surpresa quando em nenhum momento ele tocou no assunto sobre a sua viagem?

_Mãe... – tento dizer.

Mas ela continua, passando o dedo indicador na borda da taça ainda vazia à sua frente.

_Tudo que eu conseguia pensar era “ele tem tantos planos para o ‘futuro’ junto com a minha filha, pretende fazer tantas coisas nos próximos dias, que até parece não ter a mínima ideia de que ela está indo para a Inglaterra”. E foi aí que caiu a ficha de que ele realmente não sabe. Então eu pensei “não, a minha Kate não iria esconder isso”. – ela levanta o olhar para mim. – Eu poderia ter tocado no assunto sem querer, você sabe. E o que isso significaria? É melhor você me dizer que não vai deixar o pobre homem pensando que vai ser feliz para sempre com você quando nós sabemos que isso não é possível agora.

Respiro fundo, desviando o olhar.

_Agora estou me sentindo ainda pior. – digo, mais para mim do que para ela, antes de voltar a encará-la. – Eu vou magoar ele de todo jeito, não é?

_O que você está pensando em fazer?

_Eu decidi contar tudo amanhã. Mas agora ele faz isso – seguro a pequena caixa em minhas mãos –, e você me diz o quanto ele parecia animado ao falar do futuro... Tudo está ficando mais complicado do que deveria.

_Kate, você sabia que isso poderia acontecer...

_Não foi como se eu pudesse evitar. Quero dizer, eu não tinha como saber que ele iria mexer assim com meus sentimentos. Eu sei que estar passando por isso agora é minha culpa, eu deveria ter contado assim que ficou claro...

_Ei. – ela me interrompe, segurando minhas mãos sobre a mesa. – Calma. – sorri para mim. – Você realmente gosta dele, não é?

_Pelo visto mais do que eu gostaria de admitir.

_Foi o que eu pensei. Ele parece ser uma ótima pessoa, e te faz bem, pelo que posso perceber. – faço um movimento afirmativo com a cabeça. – Então, haja o que houver, seja lá o que for que ele preparou para vocês, aproveite o momento, mas não desista de contar a verdade, tudo bem? Mesmo que você veja a felicidade nos olhos dele e não queira tirá-la de lá, acredite quando eu digo que esperar não é uma opção aqui.

Mordo os lábios, ficando em silêncio por alguns segundos. Ela está certa, totalmente certa.

_A pior parte é que se essa viagem não existisse, eu realmente acho que seríamos ótimos um para o outro...

_Você sabe que ficar se torturando com esses pensamentos não é o melhor a se fazer.

_Ele vai me odiar. – digo baixo, botando para fora o pensamento que está me perseguindo desde ontem, evitando olhar para ela ao sentir meus olhos arderem.

_Há sempre a possibilidade da compreensão. — ela diz.

Volto a olhar em seus olhos.

_Foi exatamente o que a Maddie me disse.

_Então vocês conversaram também? – ela pergunta, enquanto serve um pouco do vinho para nós duas.

_Sim... – respiro fundo. – Eu sei o que eu tenho que fazer, só queria que fosse mais fácil.

_Bem, não vou mentir para você, não será. Mas... quem sabe vocês não se reencontram daqui a alguns anos?

Viro o rosto, soltando a respiração junto com uma risada sem humor.

_Não sei se ele vai ser uma pessoa que eu queira ver quando voltar.

_Por que não?

_Porque eu sei que isso vai machucar ele, e me machucar também.

_Talvez isso esteja acontecendo agora para que vocês constituam uma relação mais forte no futuro. Nunca se sabe...

Por algum motivo, acabo sorrindo para ela.

_Bem, “filósofa Johanna”, eu não acho que isso vá acontecer. Muita coisa vai mudar e...aposto que eu não vou estar na lista de pessoas que ele quer ver também.

_Não podemos avançar tanto assim os acontecimentos, não é mesmo? Por enquanto só pense que você não pode esconder isso dele.

_Claro. – sussurro.

_Agora – ela respira fundo, se ajeitando na cadeira. – Posso sugerir uma coisa?

_Diz.

_Que tal desfazer essa carinha triste, huh? – ela sorri para mim. – Vamos aproveitar o nosso almoço?

Retribuo o sorriso.

_Pedido concedido.

Notas finais
~desejando Happy Castle Monday adiantado para vocês nksnksnsk ~ Todo mundo preparado pro ep? Fiquem vivas! Até mais!